Ouvidor Agrário Nacional insiste e cobra informações sobre ameaças à comunidade de Carro Quebrado

O Desembargador Gercino José da Silva Filho, Ouvidor Agrário Nacional e Presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, mandou nova correspondência ao Delegado de Polícia Civil Agrário no Maranhão, Rubem Sérgio dos Santos, cobrando informações sobre ações até agora tomadas para garantir a segurança da comunidade de Carro Quebrado.

Na carta enviada hoje, o Desembargador Gercino solicita “informação sobre o andamento das investigações para apurar denúncia trazida ao conhecimento desta Ouvidoria Agrária Nacional pelo advogado e pelo coordenador da CPT, senhores Diogo Diniz Ribeiro Cabral e Inaldo Serejo, conforme e-mail anexo, mediante o qual informam que, no dia 30 de setembro de 2011, 48 famílias camponesas da comunidade Carro Quebrado, localizada no município de Miranda do Norte, relataram que, nos dia 26 e 27 de setembro de 2011, seis homens invadiram a área de plantio da comunidade Carro Quebrado, os quais estavam acompanhados por 4 homens, armados com pistolas, sendo que estes davam cobertura aos ‘invasores’, a mando do fazendeiro Raimundo Carneiro”.

A carta continua recordando os fatos:

“Reportam, ainda, que, no dia 28 de setembro de 2011, os trabalhadores rurais da comunidade denominada Carro Quebrado impediram que os “invasores” continuassem a realizar qualquer tipo de trabalho na área de posse das famílias e exigiram a presença do fazendeiro Raimundo Carneiro na localidade. Contudo, compareceu no local o gerente de uma das fazendas do mencionado Raimundo Carneiro, conhecido como Abraão, que afirmou às famílias que é advogado e que queria negociar com as famílias, as quais não aceitaram.

Informam que, por volta de 15:30 horas do mesmo dia, o fazendeiro Raimundo Carneiro compareceu à comunidade Carro Quebrado, acompanhado por 8 homens armados, o qual ameaçou as 48 famílias, afirmando que as expulsará, sob o fundamento de que necessita da terra, visto que os camponeses não lhe pagam renda, o qual afirmou, também, que pode ceder uma pequena parcela da terra para as famílias, e ressaltou que se as famílias não aceitarem a pequena parcela de terra “quem iria resolver o problema era o gerente Abraão e o que ele fizesse estava feito.”

Ainda de acordo com a denúncia supramencionada, um “jagunço” falou que no dia seguinte os “invasores” dariam continuidade ao trabalho de “roço” e que “para resolver o problema, bastava matar uns quatro que tudo seria resolvido.”

Registram que, ao se retirar do local, o fazendeiro Raimundo Carneiro e “seu bando armado” avisaram que o prazo do acordo será findado em 04 de outubro de 2011, dia esse em que, segundo o aludido fazendeiro, todos sairão da sua terra.

Salientam que o fazendeiro em epígrafe, no retorno ao município de Miranda do Norte, anunciou no “Comercial São João”, nas imediações do povoado, que, “com a morte de alguns”, tudo será resolvido, segundo o gerente Abraão”.

E, encerrando, faz a cobrança educada mas mais que justa que [email protected] esperamos:

“Consigno, por derradeiro, que faço este pedido com fundamento no artigo 7º, anexo I, do Decreto Federal n° 7.255, de 04 de agosto de 2010, onde se encontra consignado que compete à Ouvidoria Agrária Nacional, que represento na condição de ouvidor agrário nacional, promover gestões junto aos representantes do Poder Judiciário, do Ministério Público, do Incra e de outras entidades relacionadas com o tema, visando à resolução de tensões e conflitos sociais no campo”.

Afinal, quando teremos resposta – a comunidade, nós, o Presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo e a própria Justiça?

Tania Pacheco.

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