Mulheres representam quase metade da população rural brasileira

Juliana Maya, Repórter da Rádio Nacional da Amazônia

Brasília – Mais de 14 milhões de brasileiras vivem fora dos centros urbanos, segundo dados do último censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse número representa quase metade da população rural brasileira, ou seja, 47%. Só na Região Norte, quase 2 milhões de mulheres vivem no campo e na floresta.

Segundo a coordenadora da Direção Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Rosângela Cordeiro, a reivindicação mais concreta das mulheres rurais está ligada ao modelo de agricultura que prevalece no Brasil. “A nossa pauta é essa discussão sobre a ocupação dos territórios e também da forma como é conduzido o modelo de agricultura no Brasil”, disse Rosângela.

Esse modelo de agronegócio, para a coordenadora, contribui para o surgimento de outros problemas, como o aumento dos casos de mulheres vítimas de violência por disputas de terras e o grande número de doenças ligadas aos agrotóxicos utilizados nas plantações.

Além do modelo de agronegócio, Rosângela reforçou as dificuldades de acesso ao crédito que as mulheres das áreas rurais enfrentam. (mais…)

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Mulheres ocupam a sede do Incra em Minas Gerais no Dia Internacional da Mulher

Cerca de 500 mulheres da Via Campesina e da Marcha Mundial das Mulheres ocuparam hoje (08) pela manhã a sede do Incra em Minas Gerais. A ocupação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas 2012 e dá continuidade à luta das mulheres em nível nacional, regional e local por uma sociedade justa e igualitária.

A ação tem como objetivo denunciar o capital estrangeiro na agricultura, através das empresas transnacionais, e quer chamar a atenção da sociedade para o modelo destrutivo do agronegócio para o meio ambiente. O agronegócio ameaça a soberania alimentar do país e a vida da população brasileira, afetando de forma direta a realidade das mulheres.

As mulheres cobram agilidade na Reforma Agrária, pois há seis anos nenhuma área é destinada a este fim em Minas Gerais. Atualmente, 3.700 famílias vivem em condições precárias em 50 áreas de acampamento no estado à espera da reforma agrária.

No município de Felisburgo, Vale do Jequitinhonha, cinco trabalhadores rurais Sem Terra foram assassinados há 8 anos. O fazendeiro Adriano Chafick, mandante do crime, continua em liberdade. As famílias estão ameaçadas de despejo, pois a justiça expediu mandado de reintegração de posse em dezembro de 2011. A área deveria ser desapropriada por crime de violência no campo e por crime ambiental, mas o Novo Código Florestal beneficia o fazendeiro. (mais…)

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Mulheres da Via Campesina e de outras organizações realizam manifestação em Fortaleza

Foto: André Salgado / O POVO

Mulheres da Via Campesina e de outras organizações realizaram, neste dia 08 de Março, uma grande manifestação em Fortaleza, comemorando com muita luta o Dia Internacional das Mulheres.

Motivadas pelo tema: Mulheres em Luta contra o Patriarcado, Racismo e Capitalismo – por Justiça Social e Ambiental, as mulheres iniciaram a manifestação com uma concentração em frente ao Centro Empresarial Iguatemi, denunciando a papel das empresas privadas na manutenção do sistema capitalista excludente e opressor, lembrando também as mulheres assassinadas na luta em defesa da natureza e na denúncia dos crimes ambientais. Em seguida, caminharam ao som de batucadas e gritos de luta até à Comunidade Dom Oscar Romero, na Trilha do Senhor, que encontra-se ameaçada de remoção devido às das obras da Copa.

Um dos objetivos desta jornada de lutas é pressionar à Presidenta Dilma para que vete o Código Florestal, caso seja aprovado na Câmara com o substitutivo. Com muita garra, as mulheres gritavam: “Veta, Dilma! O quê? O Código Florestal! Quando? Já!”.

As mulheres (e os homens também presentes) denunciaram “a falsa democracia; as políticas autoritárias dos megaeventos; o favorecimento da propriedade privada em detrimento dos direitos coletivos; as mudanças no Código Florestal; a mentira da economia verde; a exclusão de mulheres à saúde, à educação, ao saneamento, à segurança pública; toda forma de racismo; os ataques aos direitos sexuais e direitos reprodutivos e a violência contra as mulheres. (mais…)

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Para pesquisadora, ascensão política de mulheres no Brasil ainda esbarra em ineficiência das regras eleitorais

Luciana Lima, Repórter da Agência Brasil

Brasília – O percentual de mulheres no Poder Legislativo em todas as suas esferas (federal, estadual e municipal) é um dos principais parâmetros utilizados pela comunidade internacional para identificar as limitações impostas pela questão do gênero em cada país. No caso brasileiro, a sofrível representatividade das mulheres ocupando vagas no Legislativo e o lento avanço em direção a uma situação mais igualitária vem sendo criticada por organismos internacionais.

Mesmo que o país tenha eleito uma presidenta, o parâmetro utilizado mundialmente para medir o nível de participação política das mulheres coloca o Brasil em último lugar na América Latina. Considerando que a atual bancada feminina na Câmara Federal representa apenas 8,77% do total da Casa – 45 deputadas – e no Senado há 12 senadoras dentre os 81 lugares, o Brasil ocupa o 142º lugar nesse ranking, ficando atrás de países como Afeganistão, Iraque, Timor Leste, Moçambique e Angola.

Para a socióloga e pesquisadora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Clara Araújo, um conjunto de fatores influi na situação do Brasil em comparação a outros países. Além da desigual divisão do trabalho entre homens e mulheres, ainda reservando às mulheres a responsabilidade pelo universo da casa, há a ineficiência das regras eleitorais em vigor para, efetivamente, aumentar as condições de disputa das mulheres. (mais…)

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Líder indígena pede que Senado viabilize audiência com Dilma para discutir demarcação de terras

O líder indígena Eliseu Lopes, da etnia Guarani-Kaiowá, pediu a intermediação de senadores para que seja marcada audiência de lideranças indígenas do país com a presidente Dilma Roussef. Ele se queixou que, desde sua posse, Dilma ainda não abriu espaço em sua agenda para receber os representantes da comunidade indígena.

O pedido foi feito ao fim da audiência na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), que serviu para debater a questão da demarcação de novas áreas de reservas indígenas. O presidente da comissão, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), propositor da audiência, respondeu positivamente em relação ao pleito para a audiência com Dilma.

O debate revelou divergências entre as posições defendidas por representantes do setor produtivo e a Funai, assim como do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). O representante, Kleber Buzzatto, esclareceu que o que se pretende não é a demarcação indiscriminada de terras, mas assegurar espaços necessários à “sobrevivência física e cultural das comunidades”. (mais…)

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Codevasf responde cisternas de plástico, por Roberto Malvezzi (Gogó)

A CODEVASF lançou uma nota, a partir de Brasília, respondendo aos fatos do derretimento das cisternas de plástico, publicada no blog de Geraldo José, jornalista da Rádio Juazeiro, em Juazeiro da Bahia. Vejam a nota e nossa tréplica:

NOTA DE ESCLARECIMENTO
“A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) esclarece:

Cisternas de polietileno que apresentarem defeito serão imediatamente substituídas, conforme contrato. No caso recente de Cedro (CE), a empresa responsável pela fabricação foi notificada e duas novas cisternas foram prontamente entregues às famílias.

Ressalta-se que o Ministério da Integração Nacional adota rigorosos procedimentos de controle de qualidade durante a fabricação e a entrega das cisternas.

Coordenado pelo Ministério da Integração Nacional, com apoio da Codevasf, o ‘Água para Todos’ é uma ação do Programa Brasil sem Miséria do governo federal. O objetivo é beneficiar 750 mil famílias que vivem no semiárido brasileiro com cisternas e sistemas simplificados de água”.

Há séculos o povo do semiárido espera por uma política hídrica que vise em primeiro lugar o abastecimento humano de nossa população, não a irrigação, nem outros usos da água que devem vir após resolver os problemas humanos, como preconiza a Lei Brasileira de Recursos Hídricos 9433/97. Portanto, somos totalmente favoráveis ao  “Água para Todos”, desde que seja bem feito do ponto de vista técnico, político, ambiental e cultural. (mais…)

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BA – Mineração preocupa camponeses de Lagoa Real

Situado na região sudoeste da Bahia, distante 632 quilômetro da capital baiana, o município de Lagoa Real começa a ser mais um dos pesquisados por grandes empresas da mineração. A comunidade de Riachão e arredores tem sido a vítima do momento.

A Cabral Resources, empresa de capital australiano e com entrada no mercado da China, promete se instalar o mais rápido possível na localidade. Trabalhadores relatam e comprovam através de fotos que tiveram suas propriedades invadidas, cercas derrubadas, árvores cortadas por pessoas que não se identificavam, muito menos diziam o que estavam fazendo. Um verdadeiro desrespeito, não diferente do que acontece em outras comunidades. Convocada pelos moradores para prestar esclarecimentos, a empresa não compareceu deixando mais de 250 pessoas esperando.

A instalação conta com o apoio do governo do Estado, através de incentivos fiscais, facilidades dos processos de licenciamento e principalmente do investimento nas obras de infraestrutura como as questionadas Ferrovia Oeste Leste (FIOL) e Porto Sul.

O município de Lagoa Real está localizado na província uranífera e os camponeses sofrem com os impactos da mina de urânio de Caetité. São eles que ficam com todo o passivo, sem nenhuma medida de compensação e reparação pelos danos causados. Contaminação de solo e água, problemas de saúde, alto índice de mortes por causas desconhecidas e neoplasias são frequentes na região e o Estado e empresa responsáveis pela exploração de urânio se negam a prestar qualquer tipo de assistência. (mais…)

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Mulheres Indígenas e Camponesas unidas na luta, por Egon Heck

Nolaila, Kaiowá Guarani, presença altiva, mesmo que silenciosa, denunciando a violência contra as mulheres indígenas e anunciando a vida, a luta pela terra mãe, o Yvy mara’ynei, a terra sem males.

Pela primeira vez as mulheres do movimento indígena Kaiowá Guarani e camponesas do estado do Mato Grosso do Sul estão juntas na Jornada de Lutas, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, numa histórica luta contra o latifúndio, o agronegócio, a não demarcação das terras indígenas, a paralisação da reforma agrária e o descaso com os assentamentos.

Dourados que tem se notabilizado pela corrupção nas esferas dos poderes Executivo e Legislativo locais, pela inoperância das políticas com relação aos povos indígenas, dá mostras de que a população oprimida, vítima dessas mazelas, está organizada e lutando contra todo o tipo de políticas que desrespeitem seus direitos e suas vidas. As mulheres guerreiras e lutadoras são as maiores vítimas, mas também as mais aguerridas lutadoras contra esse sistema e estrutura de violência e morte. (mais…)

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8 de março de 2012: Pelo direito à Verdade!

Nestes dias que continuam a ser de luta, buscamos numa gravação sem data de Chico Buarque a homenagem a tantas mulheres que viram [email protected], pais, mães, amantes e [email protected] lhes serem tirados. E se algumas morreram, como é o caso de Zuzu Angel, para quem a música foi composta, outras continuam vivas e exigindo o direito de saber. O direito à verdade! TP, pela equipe do Blog.

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Justiça chilena paralisa a construção de termelétrica de Eike Batista

A Corte de Apelações da província do Antofagasta (norte do Chile) suspendeu por questões legais a autorização ambiental que aprovava a construção da central termelétrica de Castilla, a maior da América do Sul e de propriedade do empresário brasileiro Eike Batista.

O tribunal chileno aceitou um recurso de proteção apresentado por moradores e pescadores de Totoral, a área da futura central, e considerou “ilegal” a classificação ambiental que permitiu a construção, que em várias ocasiões mudou a qualificação de “poluente” para “incômoda”.

Segundo a Corte, “por não ter ajustado aos parâmetros estabelecidos pela lei, a classificação “incômoda” é ilegal e atenta contra o direito de viver em um meio ambiente livre de contaminação dos recorrentes”.

Os coordenadores do projeto precisam decidir agora se apelarão da sentença na Corte Suprema, que poderia revogar a decisão. (mais…)

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