Depois de protestos de índios e demissões de ministros, Morales enfrenta greve geral na Bolívia

Renata Giraldi*, Repórter da Agência Brasil

Brasília – O presidente da Bolívia, Evo Morales, enfrenta hoje (28) um dia de greve geral envolvendo várias categorias profissionais. A paralisação foi convocada pela Central Obreira Boliviana, a maior entidade sindical do país, em protesto contra a forma como o governo atuou na repressão às manifestações dos indígenas que se opõem à construção de estrada na região de San Ignacio de Moxos (Beni) e Villa Tunari (Cochabamba).

A construção da estrada levou não só a protestos contra Morales e à suspensão das obras, como também à renúncia de dois ministros – da Defesa e do Governo (equivalente à Casa Civil no Brasil). Ontem (27), o presidente empossou os substitutos dos demissionários. Os novos ministros da Defesa, Ruben Soto Saavedra, e de Governo, Wilfredo Chávez, prestaram jutamento de lealdade e compromisso.

Bruno Apaza, da Central Obreira Boliviana, rechaçou as ações do governo e disse que os sindicatos aguardam uma resposta sobre as denúncias de agressões e desaparecimentos ocorridos no último domingo (25), quando houve o protesto dos indígenas. (mais…)

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MS – Índios reclamam de tremores de explosão em pedreira

Indígenas que moram na parte alta da aldeia Jaguapiru em Dourados reclamam das explosões e poeira causados por uma pedreira, na divisa com as terras dos índios.

A indígena guarani Floriza Souza Silva diz que o problema é crítico porque as explosões ocorrem de repente. “Não tem um dia específico, mas sempre é por volta das 18h, uma vez ao mês. Do nada acontece aquela explosão ensurdecedora e a terra começa a tremer”, disse ela.

O marido de Floriza, cacique Jorge da Silva, atribui à pedreira a queda da casa de reza. Construída com vigas de bambu e coberta (telhado e parede) com sapê, a casa está ao chão. “A sustentação de bambu foi ficando frouxo até chegar no ponto de não resistir mais”, contou. (mais…)

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Repórter Brasil avalia as relações entre Código Florestal e Agricultura Familiar

Verena Glass, Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis/Repórter Brasil

Além de suscitar debates acalorados entre ambientalistas e ruralistas nos últimos dois anos, a proposta de mudanças no Código Florestal acabou também no centro da pauta das organizações e movimentos da agricultura familiar, depois que o setor foi citado insistentemente pela bancada ruralista nos argumentos pela suposta necessidade de flexibilização das leis ambientais.

Empurrada, assim, para o centro dos debates, a agricultura familiar internamente também adotou posicionamentos distintos, com parcela das organizações mais próximas ao discurso ambientalista, e outras mais aliadas às propostas de mudanças na legislação vigente.

Grosso modo, os debates sobre o Código Florestal também evidenciaram duas propostas distintas de modelo para a produção familiar: por um lado, a defesa de práticas agroecológicas, policultivos, sistemas agroflorestais e utilização sustentável e integrada dos recursos naturais, e por outro uma agricultura mais tecnificada e integrada ao mercado de commodities. (mais…)

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MDA e Conatrae firmam acordo de cooperação para prevenção e enfrentamento ao trabalho escravo no país

Por Roberta Lopes, Agência Brasil

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) da Secretaria de Direitos Humanos assinaram, no dia 26/9, um acordo de cooperação para prevenção e enfrentamento ao trabalho escravo no país. O documento prevê ações conjuntas de enfrentamento à prática. O alerta à população do campo sobre o aliciamento e as formas de trabalho escravo por meio de materiais informativos e capacitação de técnicos está entre essas medidas.

Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, técnicos do ministério que trabalham com as populações do campo serão treinados para orientar as pessoas sobre o trabalho escravo.

“Vamos produzir os materiais com o conteúdo da comissão e vamos divulgar a legislação, os procedimentos e os caminhos pelos quais se pode denunciar. Vamos também, por sugestão da ministra, fazer um processo de ressocialização daquelas pessoas que foram submetidas à escravidão.” (mais…)

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Mineração em Carajás: interdição de estrada continua

Protesto de trabalhadores(as) rurais da Colônia Marajuara, município de Rio Maria, no sul do Pará.
Famílias de trabalhadores(as) rurais da Colônia Marajuara, município de Rio Maria, no sul do Pará, continuam acampados na estrada conhecida como vicinal Babaçu. O acampamento iniciou dia 22 deste mês com o objetivo de paralisar o tráfego de veículos das mineradoras Reinarda Mineração Ltda e Mineração Floresta do Araguaia, e que elas venham a atender as exigências das famílias.

Representantes das mineradoras já estiveram no local, conversaram com a comissão representativa das famílias, mas não concordaram em atender suas exigências. Apresentaram propostas de abertura de poços artesianos e de molhar a estrada com carros pipas, mas a comissão rejeitou, porque esta proposta já foi feita no ano de 2009 e não foi cumprida, e o que as famílias querem mesmo é o asfaltamento da estrada, porque só assim o problema será resolvido.

As famílias aguardam a chegada do dono da empresa Mineração Floresta do Araguaia, que está vindo de Belo Horizonte, para uma possível negociação. (mais…)

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Extrema pobreza ainda persiste no Norte de Minas

A região Norte de Minas é marcada pelo fraco dinamismo econômico e pelo baixo grau de integração a mercados, cujos efeitos são visíveis nos indicadores sociais. Junto com o Vale do Jequitinhonha e Mucuri, a região é considerada aquela em que mais persiste a extrema pobreza.

De acordo com dados do Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI 2011-2030), a região Norte reúne 1,61 milhões de habitantes, o que corresponde a 8,2% da população mineira. A região é predominantemente urbana, embora sua taxa de urbanização seja relativamente reduzida (69,4%).

Responsável por 4 % do PIB, 2,4% das exportações e 3,6% dos empregos formais, o Norte de Minas tem sua geração de renda concentrada no setor de serviços (61,8%), seguida pela indústria (24,9%) e pela agropecuária (13,2%). (mais…)

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Greve ilegal?

Eduardo Costa

Volto a um assunto já abordado várias vezes nesse espaço, nos últimos três meses, para reafirmar o meu espanto diante da indiferença da sociedade diante da greve dos professores. O fato de o governador não ter se reunido sequer uma vez com a líder dos professores me incomoda, mas, considerando as dificuldades de caixa e os gigantescos números da Educação (são mais de 400 mil profissionais), posso compreender razões apresentadas por seus auxiliares para negar reajuste maior.

O que realmente me corrói é a ausência do meu sindicato – dos Jornalistas -, da OAB, da Assembleia, da Federação das Indústrias, enfim, todos nós, mineiros, que temos o direito e o dever de palpitar, buscar o entendimento e salvar o ano letivo de milhões de jovens pobres desse estado.

Vem um desembargador e dá uma canetada dizendo que o movimento paredista é absurdo… Ora, será que ele toparia viver com R$ 700 por mês? Será que ele acha razoável essa discussão, se o piso deve ser mil e pouco ou R$ 1.500? Outra coisa que me envergonha é a postura de colegas procurando desmoralizar o movimento, com essa história de greve política. (mais…)

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Abaixo assinado: Luta pela Terra e Vida Pataxó Hãhãhãe

A Ação 312 teve sua tramitação no STF paralisada em 2008, após o parecer favorável do Relator Eros Grau, graças a um pedido de vista ao processo por parte do Ministro Carlos Alberto Direito. Deveria voltar a ser apreciada amanhã, mas as informações são de que sua entrada na pauta foi adiada para os próximos dias, com data ainda indefinida. De qualquer forma, é fundamental apoiar o povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, que desde 1938 (!) aguarda a titulação de suas terras.

O texto abaixo, dirigido aos Ministros do STF,  pode ser assinado na página da APOINME, clicando aqui. TP.

“O drama do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe ganhou repercussão nacional e internacional quando, na madrugada do dia 20 de abril de 1997, o índio Galdino Jesus dos Santos, que dormia num ponto de ônibus no centro de Brasília, teve seu corpo incendiado por cinco jovens da classe-média brasiliense. Galdino buscava em Brasília apoio para as reivindicações de recuperação do seu território tradicional, a Terra Indígena Caramuru – Catarina Paraguassú, no sul da Bahia. Galdino é um dos 30 Pataxó Hã-Hã-Hãe assassinados na luta pela retomada de suas terras.

No próximo dia 28 está marcada a continuidade do julgamento da ACO 312, ação na qual a Funai pede a nulidade dos títulos de propriedade de não-índios sobrepostos à Reserva Indígena, demarcada em 1938. A maioria desses títulos foi concedida pelo estado da Bahia durante a gestão de Antonio Carlos Magalhães, nos anos 70.

Por uma questão de Justiça solicito vossa especial atenção para a efetivação dos direitos do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, garantindo a integridade de suas terras tradicionais e pondo termo ao lamentável histórico de violências e massacres que este povo vem sofrendo desde os primeiros contatos com a sociedade não-indígena”.

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Carta da 32a. Missão da Terra de Senhor do Bonfim – BA

“Cuidar da Vida no Planeta é nossa Missão!”

“Vamos salvar a nossa serra: terra e água, vida para o sertão!”

Realizamos a 32ª Missão da Terra da Diocese de Bonfim, no dia 25 de setembro de 2011, na cidade de Antônio Gonçalves – BA. Somos cerca de 5.000 pessoas, cristãos católicos das Comunidades Eclesiais de Base, das Paróquias vizinhas, militantes dos movimentos sociais, de entidades sindicais e associativas e organizações não governamentais, gente da Bahia e do Brasil, cidadãos e cidadãs do Planeta Terra. Nos move a fé em Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado em nossas comunidades e lutas. Por meio desta nos dirigimos às autoridades e ao povo em geral, para dar notícia do que discutimos, rezamos e cantamos aqui. Queremos anunciar nossos compromissos e cobrar as atitudes necessárias e urgentes que exige o nosso tema deste ano: “Cuidar da vida no planeta é nossa missão”.

É nossa missão zelar pelo meio-ambiente ao nosso redor – não jogar lixo em qualquer lugar, não desperdiçar água, não desmatar nem queimar indiscriminadamente. Mas é nossa missão também, com a moral que estas atitudes nos conferem, exigir das empresas e autoridades o mesmo compromisso de preservação da vida, ainda que isto custe menos lucro e menor “crescimento”. O atual desenvolvimentismo na Bahia e no Brasil não pode continuar sendo “carta branca” para degradar ainda mais os bens da terra, universalmente destinados pelo Criador a toda criatura. (mais…)

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XV Encontro Nacional da RENAP começa amanhã, em Fortaleza

De amanhã até 1 de outubro, cerca de 150 advogados/as de todo o Brasil estarão reunidos em Fortaleza para debater e trocar experiências sobre os direitos das populações tradicionais, os direitos das populações quando impactadas por obras públicas, o direito à memória, o acesso à justiça no Brasil, a questão agrária e práticas jurídicas de assessoria aos movimentos sociais. Será o XV Encontro da Rede Nacional de Advogados/as Populares (Renap), que será realizado no Centro de Formação Frei Humberto do Movimento dos Trabalhadores/as Rurais Sem Terra (MST).

O Encontro deste ano tem caráter de articulação e troca de experiências sobre a atuação em diferentes situações de conflitos sociais. Para isso, serão realizadas oficinas, grupos de discussão e reuniões, além de seminários com a presença de fortes nomes da Assessoria Jurídica Popular, como Darcy Frigo, um dos fundadores Terra de Direitos (Paraná), representantes da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) e Domingos Sávio Drech da Silveira, Ouvidor Nacional de Direitos Humanos.

Este ano, a programação do Encontro terá também a apresentação de trabalhos acadêmicos, com reconhecimento pelo Centro de Referência de Direitos Humanos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Essa atividade acontece pela primeira vez no Encontro, e a intenção é aproximar e sistematizar as reflexões desenvolvidas nos campos teórico e prático da Advocacia Popular e Assessoria Jurídica Popular, conectando-os com os atuais desafios da Renap. (mais…)

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