Por Pedro Kalil
Hoje uma pessoa morreu nas manifestações. E só dá vontade do silêncio.
Mas tem algo de uma responsabilidade linguística que é necessário dizer. Porque se vejo hoje no Brasil uma crise, é uma crise de responsabilidade com as palavras – ou a irresponsabilidade do silêncio.
O Sr. Anastasia concede entrevista defendendo a ação da polícia, mesmo que tenha deixado um morto. Esse morto era dos “pacíficos”? Quem era essa pessoa? E quem eram as outras pessoas que caíram do mesmo viaduto – recorrente em todas as manifestações?
Não existe aí um erro repetido de ação da polícia que faz com que pessoas caiam de viadutos? E, como é óbvio que existe, por que o mesmo erro é repetido seguidas vezes e ainda elogiado/defendido?
O Sr. Anastasia assina o óbito. O Sr. Anastasia ajuda a empurrar jovens de um viaduto ao não condenar fortemente a ação da policia que matou uma pessoa. O Sr. Anastasia comanda uma polícia que só janta molho pardo. O Sr. Anastasia é o cozinheiro do inferno e não se constrange com isso.
Uma pessoa morreu. Era jovem. Morreu porque estava na rua.
Horas depois, sem constrangimento e até orgulho, o apelidado Comandante Xuxa sai com trio-elétrico pela avenida, inaugurando a Sapucaí para carro funerário. E, sem a menor responsabilidade com as palavra, declara um golpe. Porque o que ele disse na Praça Sete de Setembro foi um golpe da polícia militar. (mais…)






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