Em 1986, o sociólogo alemão Ulrich Beck, evocando o então recente acidente nuclear de Chernobyl, cunhou a expressão “sociedade de risco” para referir-se à sociedade capitalista contemporânea como gestora dos riscos, por ela produzidos, decorrentes das atividades científicas e da modernização tecnológica. A tese de Beck, que se tornou uma perspectiva hegemônica da ordem social corrente, considerava que o desenvolvimento da ciência e da técnica não poderiam mais dar conta da predição e controle dos riscos ecológicos, químicos, nucleares e genéticos, produzidos industrialmente, externalizados economicamente, individualizados juridicamente, legitimados cientificamente e minimizados politicamente.
Na próxima terça (3 de abril), às 16 horas, João Arriscado Nunes, pesquisador e ex-diretor executivo do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde é também professor da Faculdade de Economia, traz para o Ciclo de Colóquios do CBPF sua perspectiva de como a crise econômica global, especialmente na dinâmica do contexto europeu, tem levado a repensar a pertinência da tese de Beck e da rede de conceitos a ela associados (como o de modernização reflexiva, por exemplo), bem como revelado suas omissões e debilidades. Com esse foco, Arriscado Nunes propõe ainda outras abordagens de aspectos centrais da crise atual, bem como suas implicações no plano do conhecimento e das respostas sociais e políticas. (mais…)







Se quiser receber nosso boletim diário, é só inscrever-se na aba "Quem somos", clicando