Sociedade de risco ou capitalismo de desastre? Reflexões a partir da crise atual

Em 1986, o sociólogo alemão Ulrich Beck, evocando o então recente acidente nuclear de Chernobyl, cunhou a expressão “sociedade de risco” para referir-se à sociedade capitalista contemporânea como gestora dos riscos, por ela produzidos, decorrentes das atividades científicas e da modernização tecnológica. A tese de Beck, que se tornou uma perspectiva hegemônica da ordem social corrente, considerava que o desenvolvimento da ciência e da técnica não poderiam mais dar conta da predição e controle dos riscos ecológicos, químicos, nucleares e genéticos, produzidos industrialmente, externalizados economicamente, individualizados juridicamente, legitimados cientificamente e minimizados politicamente.

Na próxima terça (3 de abril), às 16 horas, João Arriscado Nunes, pesquisador e ex-diretor executivo do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde é também professor da Faculdade de Economia, traz para o Ciclo de Colóquios do CBPF sua perspectiva de como a crise econômica global, especialmente na dinâmica do contexto europeu, tem levado a repensar a pertinência da tese de Beck e da rede de conceitos a ela associados (como o de modernização reflexiva, por exemplo), bem como revelado suas omissões e debilidades. Com esse foco, Arriscado Nunes propõe ainda outras abordagens de aspectos centrais da crise atual, bem como suas implicações no plano do conhecimento e das respostas sociais e políticas. (mais…)

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Site identifica casos de racismo na Europa

Foi criado um novo portal europeu destinado a mostrar num mapa interactivo os casos de racismo, xenofobia e descriminação no Velho Continente. Portugal é um dos 17 países participantes

Desenvolvido no âmbito do projecto «Combating Racism and Xenophobia», promovido pela RED Network – Rights, Equality & Diversity, uma rede europeia de instituições independentes de 17 países europeus especializadas em questões de direitos, igualdade e diversidade, o novo portal tem como principal objectivo alertar para as situações de racismo na Europa. (mais…)

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Após morte de trabalhador, greve geral paralisa obras de Belo Monte

Por Verena Glass

Os cerca de cinco mil trabalhadores do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), responsável pelas obras da terceira maior hidrelétrica do mundo, entraram em greve geral nesta quinta, 29. As reivindicações são aumento salarial, redução dos intervalos entre as baixadas (visita dos trabalhadores a suas famílias) de 6 pra 3 meses, o não-rebaixamento do pagamento e solução de problemas com a comida e água. A paralisação começou ontem no canteiro de obras do Sítio Pimental, após um acidente de trabalho que matou o operador de motosserra Francisco Orlando Rodrigo Lopers, de Altamira, e hoje se estendeu para os demais canteiros. A saída dos ônibus do perímetro urbano de Altamira para os canteiros de obra, em Vitória do Xingu, foram bloqueadas.

“A pauta é a mesma de antigamente: tudo o que está no acordo coletivo. Não cumpriram nada”, explica um dos trabalhadores. Segundo ele, apesar das greves e pressões realizadas que no ano passado, que levaram a empresa a assinar o acordo coletivo, ao invés de melhorar, as condições de trabalho tem piorado.

“No último pagamento cortaram as horas-transporte, o que diminuiu em até 600 reais o salário do peão”, explica. A justificativa para a redução é que trabalhadores estão sendo removidos da cidade para os canteiros, e que por isso não precisarão do adicional. Por conta disso, ao menos 40 trabalhadores que passaram a residir nos alojamentos provisórios dentro dos canteiros já teriam se demitido. “Pra quem vem de fora o salário já não estava bom. Com esses 600 a menos, nem vale a pena ficar”. (mais…)

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Assembleia da Bahia aprova ‘lei antibaixaria’

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo

SALVADOR – A Assembleia Legislativa da Bahia aprovou, na noite da última terça-feira, 27, o projeto de lei que impede que verbas públicas estaduais sejam usadas para contratar ou patrocinar eventos com grupos musicais de repertório que “desvalorize, incentive a violência ou exponha mulheres à situação de constrangimento”, a chamada “lei antibaixaria”, proposta pela deputada Luiza Maia (PT) no ano passado.

Segundo o texto do projeto, aprovado por 43 dos 52 deputados que compareceram à votação (11 se ausentaram), também está vetado o uso de dinheiro público estadual com bandas que façam apologia a drogas ilícitas ou que incentivem racismo e homofobia.

O projeto prevê que sejam cobrados R$ 10 mil ao contratante que não incluir uma cláusula restritiva com o tema no contrato com a atração musical e multa de 50% do cachê caso a proibição não seja observada pelo artista. Não está definido, ainda, quem vai fiscalizar e punir quem desobedecer a lei, que não se aplica às prefeituras. (mais…)

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TCU aponta superfaturamento em transposição do São Francisco

Irregularidades encontradas no lote 5 da obra foram consideradas graves

Trecho 5 da obra feita no Rio São Francisco custou R$ 29 milhões a mais, segundo o tribunal; preço da areia chegou a subir 143%

Marta Salomon – O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou superfaturamento de R$ 29 milhões num dos trechos da obra da transposição do São Francisco, localizado no Ceará, e mandou rever os custos do negócio. As novas licitações deverão consumir R$ 2,6 bilhões, segundo previsão do Ministério da Integração.

As irregularidades encontradas no edital do lote cinco da obra foram consideradas graves, e incluem preços de até 143% acima dos cobrados pelo mercado, no caso da areia, além de suposta restrição à concorrência. O TCU mandou rever o edital antes do lançamento, previsto para abril.

Mas, logo depois do anúncio da decisão do tribunal, o ministério informou que o edital já havia sido lançado no início de março. À revelia, portanto, do processo em curso no tribunal. (mais…)

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Tribunal Popular da Terra-MS acontece na UFMS a partir de amanhã, sexta-feira

Demarcação das terras indígenas e quilombolas, violência no campo e reforma agrária são os temas centrais do evento que termina no domingo, no campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Tem início nesta sexta pela manhã, no auditório do LAC, o Tribunal Popular da Terra-MS, promovido por diversas entidades da sociedade civil de Mato Grosso do Sul. Além de realizar um julgamento do papel cumprido pelo Estado na questão da terra, fazem parte da programação do evento oficinas sobre diversos temas, apresentações culturais e debates.

O evento tem início na sexta com uma mesa redonda que abordará os seguintes assuntos: Estrutura fundiária e a questão agrária em MS (Miescelau Kudlavicz, agente da Comissão Pastoral da Terra -CPT/MS); O golpe de 64 e seus impactos históricos e atuais na questão fundiária (Narciso Pires, presidente da ONG Tortura Nunca Mais/PR-Sociedade HPAZ/PR); Como o coletivo se transforma em privado: o histórico papel do Estado na privatização das terras indígenas sul-mato-grossenses (Katya Vietta, doutora em Antropologia Social/Etnologia Indígena) e Informe sobre a PEC (Projeto de Emenda Constitucional) 215. (mais…)

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Como o sistema ferroviário da Argentina foi saqueado

A rede ferroviária estatal argentina tinha 40.000 km e nela trabalhavam 190.000 empregados. Era a mais extensa da América Latina e, de certo modo, a coluna vertebral de um país. A história do desmonte desse sistema começa nos anos 60, quando montadoras estadunidenses e o Banco Mundial impulsionaram o Plano Larkin para desarmar a rede ferroviária do país, chegando até a reforma do Estado dos anos 90, quando o neoliberal Carlos Menem desmontou o Estado, privatizando todo seu patrimônio

Francisco Luque

Buenos Aires – Ao se completar um mês do trágico acidente ferroviário da linha Sarmiento, na Estação de Once, em Buenos Aires, que deixou 51 mortos e 703 feridos – três deles continuam hospitalizados -, ainda escuta-se o barulho. O barulho das famílias das vítimas que pedem maior celeridade à justiça para esclarecer as causas diretas do acidente e estabelecer quem foram os responsáveis. Também o ruído de uma sociedade ainda chocada que quinta-feira pela manhã, às 8h30min, a mesma hora da colisão, fez soar as buzinas de seus carros em lembrança das vítimas. Mas há outro ruído, talvez mais permanente e profundo, e é o ruído do saque do qual foi objeto o sistema ferroviário argentino.  (mais…)

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Minas terá que pagar R$ 50 mil por ato racista de torcedora contra Wallace

Oposto Wallace durante a partida contra o Minas, na Arena Vivo, pelo returno da Superliga

Devido aos insultos da torcedora, o STJD decidiu de forma unânime o valor da punição

O ato racista contra o oposto Wallace, do Cruzeiro, resultou em multa de R$ 50 mil ao Minas Tênis Clube. No clássico vencido pela equipe minas-tenista, por 3 sets a 2, válido pelo returno Superliga Masculina, uma torcedora chamou o atleta de “macaco”.

Após julgamento do caso no Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Vôlei (STJD), nesta quarta-feira (28), o clube acabou punido de forma unânime.

Como o ato foi de racismo foi praticada por uma torcedora (ainda não identificada), a denúncia foi tipificada no § 2º do artigo, que diz: “a pena de multa prevista poderá ser aplicada à entidade de prática desportiva cuja torcida praticar os atos discriminatórios nele tipificados, e os torcedores identificados ficarão proibidos de ingressar na respectiva praça esportiva pelo prazo mínimo de 720 dias”. (mais…)

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Acampamento do MLST que teve líderes executados terá de ser desfeito

Os líderes do acampamento foram executados em uma estrada de terra

Nesta quarta-feira, a Justiça determinou a reintegração de posse da Fazenda São José do Cravo à usina Vale do Tijuco Açúcar e Álcool Ltda

João Henrique do Vale

Os integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) terão de deixar o acampamento localizado na Fazenda São José do Cravo, na Cidade do Prata, no Triângulo Mineiro. O juiz da Vara Agrária de Minas Gerais, Octávio de Almeida Neves, determinou a reintegração de posse do terreno que pertence à usina Vale do Tijuco Açúcar e Álcool Ltda. As terras foram ocupadas em novembro de 2011. O local é o mesmo onde moravam os três líderes do movimento que foram assassinados no último fim de semana. A decisão ainda cabe recurso.

De acordo com o juiz, a posse do imóvel deve permanecer com a usina, que o explora “sistematicamente”, e não ficar “nas mãos daqueles que nem sequer têm recursos para explorá-lo, dependentes que são de políticas públicas viabilizadoras”. O magistrado questionou também se os ocupantes “estão cadastrados ou são aptos a serem beneficiários da reforma agrária”. (mais…)

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