Índios isolados no Acre e o desmonte das políticas indigenista e ambiental brasileiras

ìndios isolados - foto do aviãoPor Roberta Graf*

Há cerca de três décadas já se sabe do avanço de índios isolados, oriundos do Peru. Há dez anos, porém, este movimento migratório se intensificou enormemente, e as causas são bem conhecidas, embora nada se tenha feito, por parte do governo de nenhum dos países, para minimizar o problema. Os isolados estão sendo verdadeiramente expulsos de seus territórios de origem pela intensa exploração madeireira e petrolífera em uma vasta região do Peru, fronteiriça com nosso país, exploração esta legalizada e empresarial, afora também as atividades clandestinas que se somam nesta região, inclusive o tráfico de drogas. Hoje então, já contamos com quase um milhar destes índios sem (ou reduzido)1 contato com a “civilização ocidental”, que então vem ocupando as florestas acreanas, se encontrando, então, com índios já integrados à sociedade, como os Huni Kuin (Kaxinawá), os Ashaninka (Kampa) e Madejá (Kulina), entre outras etnias. Encontram-se, também, com diversos seringueiros, ribeirinhos e colonos. Ocupam terras às margens dos Rios Envira, Tarauacá, Murú, Iboaçú, Jordão, Xinane, entre outros.

Nestes encontros ocorrem numerosos conflitos. Os mais noticiados são furtos, isolados ou em massa, de produtos dos roçados e de variados artefatos das casas dos índios ou seringueiros, tais como panelas, terçados e redes. Houve diversos casos de aldeias inteiras, casas inteiras, esvaziadas. Há também casos de assassinatos dos dois lados, nestes contatos nada amistosos (OESP, 2012). Os seringueiros, muitas vezes, confundiam os isolados com os índios já aculturados brasileiros, o que gerava animosidade entre vizinhos. (mais…)

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Prossegue a desintrusão da terra indígena Awá-Guajá, no Noroeste do Maranhão

Foto: Silvano Fernandes/Funai
Foto: Silvano Fernandes/Funai

Funai – Nesta quinta-feira (16/1) foram feitas 53 notificações, todas na região Sul da Terra Indígena Awá. No segundo dia de trabalho, as notificações entregues somam 98.  Isto representa cerca de 40% do total da terra indígena do total de 116 mil hectares. Os trabalhos estão sendo realizados por quatro oficiais de justiça divididos em equipes que percorrem por via terrestre e aérea na localização das edificações.

Nas moradias em que não são encontrados moradores, as notificações são afixadas em locais visíveis. O documento  é necessário para o cadastramento junto ao Incra, o que poderá garantir o assentamento das famílias e  acesso às políticas públicas. A equipe de governo, instalada na base avançada na entrada da Terra Indígena, recebeu o reforço dos funcionários da prefeitura de São João do Caru. Eles serão responsáveis pela inscrição das famílias no CadUnico. A operação continua de forma pacífica. Não foram registradas ocorrências. (mais…)

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“Sob ameaça: Indígenas do Amazonas relatam pressão da PF para assumir desaparecimento”, por Elaíze Farias

Indígenas têm convivido com agentes da Polícia Federal que buscam desaparecidos. Foto - Avener Prado (Folhapress)
Indígenas têm convivido com agentes da Polícia Federal que buscam desaparecidos. Foto – Avener Prado (Folhapress)

Sitiados desde 25 de dezembro, quando três não indígenas desapareceram, tenharim querem presença do ministro da Justiça em reserva cortada pela Transamazônica. Investigação termina esta semana

Por Elaíze Farias, especial para a RBA

Manaus – Há mais de 20 dias dois povos indígenas – os tenharim e os jiahui – que vivem em uma reserva do sul do Amazonas estão no centro de um conflito sem precedentes na sua história. Ameaçados e acusados pela população dos municípios de Humaitá e de Apuí de estarem envolvidos no desaparecimento de três homens não indígenas dentro da reserva, aproximadamente 900 tenharim e 100 jiahui, população estimada pela Fundação Nacional do Índio (Funai), continuam sitiados nas suas aldeias desde o dia 30 de dezembro, após ficarem quase uma semana refugiados no quartel do Exército de Humaitá.

No dia 25 de dezembro, um grande protesto em Humaitá que resultou na destruição de prédios e veículos do governo federal assustou os moradores e provocou a retirada de indígenas de suas casas e de alojamentos para tratamento de saúde. Desde então, o único contato dos índios com pessoas de fora da aldeia ocorre por meio de um telefone público instalado na reserva. As exceções são os policiais federais, alguns jornalistas que entraram na reserva e funcionários do governo que foram enviados para acompanhar a situação. (mais…)

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“Pedágio cobrado por índios em Humaitá não tem data para retornar”

Juiz Wilson Witzel e cocarPaulo Victor Chagas, Repórter da Agência Brasil

Brasília – A cobrança de pedágios na BR-230 (Transamazônica) que corta a reserva dos índios Tenharim, no sul do Amazonas, não será mais retomada no próximo dia 1º de fevereiro. Anteontem (15), durante encontro com representantes do governo federal, os indígenas aceitaram sugestão do general Ubiratan Poty, da 17ª Brigada de Infantaria de Selva, para não estipularem uma data para o retorno da cobrança.

“Eu apresentei essa proposta para eles, com o objetivo de ter uma solução pacífica, para que não condicionassem a manifestação [cobrança de pedágio] a uma data, e sim à resposta do governo”, disse o general. Segundo Poty,  o bloqueio das estradas ficou dependente da resposta a ser dada pelo Ministério da Justiça a uma carta enviada pelos índios com as suas reivindicações.

O pedágio é cobrado há mais de dez anos pelos índios como forma de compensação ambiental pela construção da Transamazônica em 1972. O Ministério Público Federal do Amazonas entrou com uma ação na Justiça Federal para responsabilizar a União por violações de direitos humanos e pelos danos permanentes causados aos índios.

Há quase um mês, os índios da etnia Tenharim estão isolados nas aldeias. Impedidos de cobrar o pedágio e impossibilitados de se deslocar até a cidade, estão dependentes da assistência do governo federal. A Fundação Nacional do Índio (Funai) tem distribuído cestas básicas e medicamentos. (mais…)

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Rally Dakar daña patrimonio cultural y propicia agresión contra pueblos indígenas

AtropelloDakarPunaJujea

Por Jonathan Hurtado

Servindi – Una nueva forma de agresión se configura en torno al Rally Dakar, que este año tiene como escenario Argentina, Bolivia y Chile. A un día de su culminación repasamos lo ocurrido en cada país y que tuvo como protagonistas a los pueblos originarios defensores de sus territorios y del patrimonio histórico.

El Rally Dakar es una competición deportiva de resistencia que se desarrolla fuera de las pistas y por etapas. Tuvo como punto de partida, el 5 de enero, la ciudad de Rosario, en Argentina. (mais…)

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“Além de preto, é viado”

140116-Kaique-e1389915248474Caso Kaíque revela o preconceito, a invisibilidade e a vulnerabilidade de homens negros homossexuais 

Por Higor Faria – Outras Palavras

[Higor Faria publica regularmente crônicas sobre racismo aqui]

No sábado, 11 de janeiro, Kaíque (16 anos)  foi encontrado morto, sem os dentes, com uma barra de ferro na perna e outros sinais de tortura. A polícia registrou o caso como suicídio. Não é preciso ser nenhum especialista para perceber que foi assassinato, provavelmente motivado por puro ódio.

Kaíque era negro, gay e provavelmente não pertencia às classes com maior poder aquisitivo. Na nossa sociedade branca heteronormativa, Kaíque fazia parte de três minorias e acumulava três tipos de preconceito: o de raça, o de sexualidade e o de classe social. Talvez essa situação fosse “amenizada” nos ambientes homossexuais e ele “só” sofresse racismo. E nos ambientes negros, “só” de homofobia. (mais…)

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Ministério da Defesa iguala movimentos sociais a criminosos e os considera ‘força oponente’

Portaria enumera manifestações em vias públicas e ocupações de prédios públicos entre ‘principais ameaças’ à manutenção da ordem, sujeitas à repressão militar

Rede Brasil Atual – RBA

Recentemente publicado, documento do Ministério da Defesa que regulamenta atuação das Forças Armadas em operações de segurança pública considera movimentos sociais como “forças oponentes” de Exército, Marinha e Aeronáutica nas situações em que estas forem acionadas para garantir a lei e a ordem, e iguala organizações populares a quadrilhas, contrabandistas e facções criminosas.

De acordo com o manual, também podem ser alvo da repressão militar pessoas, grupos de pessoas ou organizações “infiltrados” em movimentos, “provocando ou instigando ações radicais e violentas” – termos que têm sido utilizados pelas autoridades e pela opinião pública para descrever as atividades de pessoas mascaradas durante manifestações, os chamados black blocs.

O regulamento considera que todos eles, sem distinção, devem ser “objeto de atenção e acompanhamento e, possivelmente, enfrentamento durante a condução das operações” das tropas federais, que agora estão textualmente autorizadas a atuarem em grandes eventos, como já vinha ocorrendo desde a Conferência Rio+20 sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2012. (mais…)

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AGU contesta procurador e diz que seção indígena será mantida

Yana Lima – Folha De Boa Vista – RR

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que a seção que trata dos interesses de Indígenas não será fechada. A notícia havia sido dada pelo então procurador da referida seção, Wilson Précoma.

No entanto, a AGU rebateu a informação ao afirmar que o que houve foi o deslocamento do procurador federal para o exercício de outras atividades.

Em nota, o órgão federal não informou quem assumirá a seção, mas sustentou que a unidade continuará prestando todo o serviço jurídico de interesse da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e das comunidades Indígenas no Estado.

Atualmente, há aproximadamente 300 processos em andamento na seção. Muitos deles se referem a causas relacionadas à previdência, processos de adoção de crianças, menores em abrigos, defesas criminais, fundiárias, aposentadoria, salário-maternidade e saúde. (mais…)

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2014: instabilidade, incertezas e lutas

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Valéria Nader e Gabriel Brito – Correio da Cidadania

2014 é um ano que começa já marcado por efemérides. 30 anos do comício das Diretas Já, 50 anos do golpe militar de 64, a copa do mundo novamente no Brasil, eleições presidenciais. Ao contrário de 2013, que não trazia inscritos grandes datas e acontecimentos históricos, mas que protagonizou as maiores e mais intensas manifestações populares dos últimos tempos.

As surpresas que são reservadas para 2014, para além dos fatos marcantes que já estão no radar, não há como adivinhar. Nada faz supor, no entanto, que será um ano de calmaria. (mais…)

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