MST realiza 1ª Oficina de Assessoria e de Comunicação Popular no Paraná

A mídia corporativa controlada pela elite burguesa há muito tempo vem massacrando a classe trabalhadora por meio da distorção e manipulação da realidade. Sabendo disso, e sentindo a necessidade de ter mais pessoas qualificadas na área da comunicação, o MST realizou durante os dias 7 a 9 de maio a 1º Oficina de Assessoria de Imprensa, em Curitiba (PR).

Segundo Geani Paula Souza, coordenadora da frente de assessoria de imprensa no estado, a oficina aconteceu pela preocupação do Setor de Comunicação em cobrir e divulgar as ações que o Movimento vem desenvolvendo, o que se torna muitas vezes difícil, já que são cerca de 24 mil famílias em áreas do MST no estado, e apenas três responsáveis pela assessoria.

“Sentiu-se a necessidade de fazer uma oficina para formar pessoas nessa área, para que elas possam divulgar ações nas suas regiões, e também entender a imprensa.”

A ideia foi garantir a participação de uma pessoa por regional e uma por cooperativa. “Tivemos seis jovens participando. Sabemos que um curso de apenas três dias é muito pouco, precisamos garantir a formação continuada, o acompanhamento e o envolvimento deles nas atividades do Movimento”, acrescenta Paula. (mais…)

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A verdade e o rap

João Paulo

Depois de muita conversa, adiamento, confrontação, finalmente foi empossada a Comissão da Verdade (CV). Foram meses de demora, o que mostra que se trata de uma organização sensível à questão política, que precisou por isso passar pelas etapas naturais da discussão e da busca do consenso mínimo para garantir a efetividade de sua ação. No entanto, na escala histórica, esses quase seis meses são apenas parte de um processo mais longo de obscurecimento dos fatos que devem estar no foco da comissão. É porque existe mentira plasmada no tempo que é necessário um esforço de Estado para se restabelecer a verdade.

A comissão é plural, com integrantes de várias áreas da vida pública e da sociedade, com juristas, advogados, especialistas em direitos humanos e até uma psicanalista. Tem como período definido de ação, de acordo com a lei que a instituiu, a apuração dos fatos entre 1946 e 1988. É claro que o fulcro do trabalho – e razão de ser da Comissão da Verdade – são os crimes ocorridos contra os direitos humanos na ditadura militar instalada em 1964. Recuar a 1946, mesmo que pareça ser uma ampliação, poderia ter um inevitável toque diversionista. Os integrantes do grupo, no entanto, já deixaram claro que estão atentos à possível manobra. (mais…)

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MG é o 4º em denúncias de casos de pedofilia, mas silêncio ainda é obstáculo

Falta de dados consolidados sobre crimes e ausência de diálogo entre órgãos responsáveis dificulta o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes

Daniel Silveira

Minas Gerais ocupa o 4º lugar no ranking nacional de denúncias envolvendo o abuso sexual de crianças e adolescentes, atrás somente da Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro. Nos primeiros quatro meses de 2012, foram registrados, por meio do Disque Direitos Humanos (Disque 100), 692 casos. O Estado mantém a mesma posição na lista em relação à exploração sexual, com 190 denúncias no mesmo período. A implementação e ampliação do serviço faz parte do conjunto de ações de combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, proposto pelo Governo Federal, que completa uma década sem muitos avanços.

Em 2002, o Brasil decidiu declarar guerra à violência sexual contra crianças e adolescentes. Mais de 160 profissionais se reuniram para discutir o tema e foi lançado o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil. Dez anos se passaram sem que o documento fosse revisto e uma das principais metas traçadas, o estabelecimento de ações articuladas para o combate ao problema, ainda parece longe de se concretizar. A investigação científica do fenômeno é outro objetivo estabelecido pelo plano. No entanto, ainda não há dados estatísticos consolidados sobre o tema. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo estima que, somente na capital paulista, uma criança ou adolescente é vítima de abuso sexual a cada duas horas. Em Minas Gerais e, tampouco no Brasil, há dados consolidados. (mais…)

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Exploração sexual de crianças cresce em Minas

Adolescente à beira da BR-116: rodovia tem o 2º maior número de pontos de prostituição. Foto: Leonardo Morais.

O Estado, que era o quarto no ranking brasileiro desse tipo de crime nas BRs, passa a ocupar agora a primeira posição

Alessandra Mendes – Do Hoje em Dia
Minas Gerais tem um ponto de exploração sexual de crianças e adolescentes a cada 30 quilômetros de rodovias federais. O Estado, que era o quarto no ranking brasileiro desse tipo de crime nas BRs, passa a ocupar agora a primeira posição. O dado, divulgado ontem pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), revela que o número de locais onde ocorrem abusos contra menores de idade em Minas cresceu 89,47%, passando de 133 em 2009 e 2010 para 252 em 2011 e 2012, em uma malha de 7.689 quilômetros de rodovias federais. (mais…)

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Documentos provam ação de torturadores contra mineiros

Acervo foi reunido nos últimos anos e faz parte da documentação da Comissão da Verdade da Ordem dos Advogados do Brasil

Ana Flávia Gussen – Do Hoje em Dia

Parte da história de mineiros que desapareceram durante a ditadura veio à tona a partir de 138 documentos inéditos obtidos pelo Hoje em Dia. O material, que será remetido à Comissão da Verdade, também será apresentado ao Ministério Público Federal em Minas a fim de corroborar com as investigações referentes à morte de cinco mineiros, ocorridas entre 1969 e 1979, e um desaparecimento, em 1975. O acervo foi reunido nos últimos anos pelo assessor especial da Comissão da Verdade da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas, Betinho Duarte.

A abertura das ações civis públicas pela procuradoria de Direitos do Cidadão foi motivada pela morte do ex-sargento da Aeronáutica e militante do Comando de Libertação Nacional (Colina) João Lucas Alves em 1969. Na época, as autoridades divulgaram que o mineiro teria pulado da janela de uma delegacia de Belo Horizonte, mas essa versão é contestada em cartas de amigos e familiares e depoimentos de colegas de guerrilha de Alves inéditos.  (mais…)

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Duas mães, duas guerreiras

Por Luiz Renato Nogueira Cobra Vitali

Justina Maria do Espírito Santo e Luiza Mahin. Nunca se conheceram, mas ambas nasceram escravas, na mesma época – início do século XIX -, na África Ocidental. As duas são descritas como muito negras e muito lindas. De famílias islâmicas, desembarcaram no Brasil quase ao mesmo tempo. A primeira no Rio de Janeiro, a outra, na Bahia, onde foram vendidas a grandes senhores de terras e de escravos, de famílias riquíssimas e de muito prestígio social. Os dois senhores – que também jamais se encontraram – eram famosos pela gula incontrolável, por desenfreada compulsão luxuriosa em relação às suas escravas e por serem jogadores inveterados.

O senhor de Luiza alforriou-a e se casou com ela. Já o senhor de Justina não podia (e nem queria) fazer isso, porque era cônego, vigário da paróquia e orador sacro de grande fama na capela imperial. A principal figura do clero de São Salvador de Campos dos Goitacazes (RJ).

Ainda em comum, as duas tiveram filhos com aqueles homens e um dos meninos de cada uma acabou se tornando importante figura da História do Brasil. Os pais nunca reconheceram os filhos oficialmente, embora ambos tenham nascido livres. (mais…)

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Amianto: O Globo inicia série de matérias sobre a fibra que mata

O jornal O Globo não permite que suas matérias sejam copiadas e postadas. Mas a série que hoje se inicia é da maior importância. Não só para que a sociedade brasileira entenda a importância de luta para bani-lo em definitivo, como para as pessoas que ignoram o perigo que ele representa e se deixam convencer a continuar arriscando suas vidas trabalhando na última mina em funcionamento no País ou de alguma forma tendo contato com ela.

Por isso publicamos, abaixo, foto da chamada de primeira página de O Globo de hoje, 20 de maio de 2012, e os links para as partes das informações que podem ser acessadas on-line, inclusive alguns vídeos com depoimentos de vítimas do amianto e de pessoas envolvidas na luta contra ele, incluindo o cientista Hermano Albuquerque de Castro, pesquisador da Fiocruz, e a autoria do trabalho Fernanda Giannasi. TP.

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Egon Heck: Cansados de esperar, lideranças Guarani Kaiowá desembarcam em Brasília para reivindicar demarcação de terras

Egon Heck*

Missionário do Cimi

Foram inúmeras as promessas do governo federal quanto à demarcação de terras tradicionais dos Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Passou pela assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Federal (MPF) com a Fundação Nacional do Índio (Funai), em 2008, até o assassinato e desaparecimento do corpo do cacique Nísio Gomes, do tekoha Guaiviry, no município de Aral Moreira, em novembro de 2011. Com a repercussão do ataque sofrido, o governo federal deu prazo de 90 dias para dar andamento ao processo administrativo de demarcação das terras indígenas.

No entanto, até agora nenhum relatório de identificação ou de demarcação foi publicado pelo Ministério da Justiça. Com a paciência esgotada, 16 lideranças Guarani Kaiowá desembarcaram em Brasília, nesta quarta-feira, 16. Nhanderu Getulio inicia com reza e ritual, em Guarani, o encontro da delegação do Conselho da Aty Guasu – e representantes de áreas de conflito – com a presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marta Azevedo, e equipe da Funai – regionais do Cone Sul e de Brasília.

Talvez seja a primeira vez na história em que uma delegação houve a presidente do órgão indigenista do governo se comunicar com eles na sua língua materna, o Guarani. Acreditam que esse fato possa e deva se converter em compromisso mais profundo da Funai com a luta pelos seus direitos, à vida e especialmente às terras tradicionais. (mais…)

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