Gays [e outras pessoas conscientes] boicotam massas Barilla após entrevista homofóbica: “Se os gays não gostarem, podem comer outra”

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Guido Barilla: ‘Se os gays não gostarem, podem comer outra’

Por Gustavo Santos Ferreira, no Estadão

Grupos defensores dos direitos dos gays na Itália propuseram nesta quinta-feira, 26, boicote à Barilla, maior fabricante de massas do mundo. O protesto é um ato de repúdio contra declarações do presidente da empresa, Guido Barilla.

O executivo, de 55 anos, afirmou à emissora italiana Radio 24, durante programa de grande audiência no país, que em hipótese alguma faria propagandas de TV em que seus produtos fossem consumidos por famílias formadas por casais homossexuais.

“Se os gays não gostarem, podem comer outra marca”, afirmou Guido. “O conceito de família sagrada continua sendo um dos nossos valores fundamentais.”

Guido Barilla não parou por aí. “Todo mundo tem o direito de fazer o que quer, mas sem perturbar as pessoas à sua volta.” E foi além: “Eu não tenho nenhum respeito pela adoção por famílias homossexuais porque isso diz respeito a uma pessoa que não é capaz de escolher”, disse, referindo-se aos filhos adotados por gays.

A reação às declarações foi imediata. Uma série de imagens ironizando o executivo e defendendo a liberdade de opção sexual espalhou-se pela internet. E gays de todo o mundo foram convocados a deixar de consumir produtos fabricados pela Barilla.

O barulho do episódio alcançou o Parlamento da Itália. O deputado Alessandro Zan, ativista gay do partido de esquerda Sinistra Ecologia Libertà, ressaltou o tom homofóbico das palavras de Guido Barilla.

“Este é mais um exemplo da homofobia italiana”, falou Zan à imprensa na Itália. “Estou me juntando ao boicote à Barilla e espero que outros parlamentares façam o mesmo.”

Emenda ao soneto. A Barilla, fundada há 136 anos e presente hoje em mais de uma centena de países, tem uma linha de 20 produtos, entre massas e molhos. Domina metade do mercado italiano e pelo menos um quarto das vendas nos Estados Unidos. Mas, diante da repercussão negativa do caso, teme ter sua liderança abalada de alguma forma.

Pensando nisso, seus publicitários agiram rapidamente. Já nesta quinta, 26, transmitiram novo programa comercial na TV, no horário do almoço, em que aparecia uma tradicional família composta por mãe, pais e filhos – como habitualmente. Mas, na sequência, telespectadores puderam acompanhar uma retratação de Guido Barilla.

“Peço desculpas se meus comentários criaram mal-entendido ou polêmica ou se eu ofendi alguém”, afirmou Guido Barilla na propaganda. “Somente queria (com as declarações dadas no rádio) sublinhar o papel central da mulher na família.”

Líder. A marca tem 50% do mercado na Itália e 25% nos EUA
Líder. A marca tem [tinha?] 50% do mercado na Itália e 25% nos EUA

Mas Guido parece não ter comovido os ativistas.

“É deprimente que um homem de negócios acostumado a trabalhar e viajar ao redor do mundo diga o que Guido Barilla disse. Certamente não comprarei mais os seus produtos”, disse Ivan Scalfarotto, deputado na Itália pelo Partido Democrático, de centro-esquerda./COLABORAÇÃO ESPECIAL DE CARLO CAUTI

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