Especial 38 anos do 11 de setembro: um resgate e uma homenagem

Tania Pacheco

Há mortes e mortes, é óbvio. Naturais ou infringidas, rápidas ou lentas; físicas, emocionais ou cerebrais; morridas e matadas… Mas talvez uma das piores seja a morte imposta à nossa mente, aos nossos neurônios, à nossa emoção, inclusive, em decorrência de algo que poderíamos considerar como uma simples “perda de memória”. Só que não se trata, aqui, de memória perdida por doença ou acidente. Estamos falando da memória que é manipulada de forma a subverter e, em alguns casos, a chegar a apagar a História. Estamos falando da insidiosa ação da propaganda, utilizada de forma cada vez mais competente para nos tornar reféns das “verdades dominantes”, de modo praticamente inevitável.

Há semanas somos submetidos ao bombardeio ininterrupto do chamado “11 de setembro”. Na internet, na tevê, nos diferentes meios impressos. Os últimos momentos no celular de um, o bilhete de despedida rabiscado por outra, a respeitável dor das famílias e amigos, as imagens sempre impactantes dos aviões explodindo os dois símbolos da arrogância…

Todo o nosso respeito à dor e às mortes desse 11 de setembro de 2001. Mas é claro que não é dele que quero falar.

Quero falar, sim, de outro, que aconteceu há 38 anos. Quero falar de outro que, cada vez mais, está sendo literalmente deletado das nossas vidas. Quero falar daquele que a imprensa sequer menciona e que só aparece, como num texto da Carta Maior que postei há pouco, em termos de lembrança e comparação, o que não deixa de reforçar a importância do segundo em detrimento do primeiro. (mais…)

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Dois 11 de setembro

Na realidade, a “noite sombria das ditaduras militares” caíra sobre a América Latina nove anos antes, como bem sabemos, com o Golpe Militar de 1964. É lamentável que muitas pessoas da AL hispânica continuem, talvez até inconscientemente, a desconsiderar o Brasil nas suas análises e, em consequência, em muitas articulações de lutas. Enquanto isso continuar a acontecer, a direita e o capital sequer agradecerão sensibilizados. TP.

Luis Hernández Navarro – Correspondente da Carta Maior na Cidade do México

No dia 11 de setembro de 1973 um golpe militar derrubou no Chile o governo do socialista Salvador Allende. A partir desse momento, com o apoio dos falcões de Washington, caiu sobre a maioria dos países da América Latina a noite sombria das ditaduras militares, a repressão e o desmantelamento das conquistas sociais. O Chile se converteu no grande laboratório neoliberal de onde seriam exportadas suas políticas para todo o mundo. Sacrificando Allende se quis frear as lutas de libertação no continente.

O 11 de setembro de 2001, o ataque às Torres Gêmeas em Nova York serviu como pretexto para que o governo de George W. Bush fizesse da guerra contra o terrorismo o instrumento principal para instaurar um novo poder constituinte. No calor da tragédia, os EUA fixaram uma nova doutrina de segurança nacional na qual advertiram que não tolerariam desafios ao seu poder, defendem a ação militar solitária em defesa da unidade nacional, sustentam o direito de efetuar ataques preventivos em qualquer parte do mundo e advertem que a dissuasão contra inimigos que “odeiam os EUA e tudo o que representam” é inútil. (mais…)

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Funeral de um lavrador

UNISINOS – No dia 06-09-2011, foi assassinado mais um lavrador na luta pela terra. Desta vez foi na Bahia. Paulo Cerioli narra o seu funeral. Eis o texto.

A placa improvisada na beira do asfalto que liga Monte Santo a Euclides da Cunha indica Mandassaia a mais ou menos dez quilômetros. Um estrada de terra corta o sertão até chegar ao povoado. O povo está aguardando próximo a uma casa o inicio do enterro. Dentro, num caixão, está Leonardo de Jesus Leite. Companheiros e companheiras do CETA – Movimento de Trabalhadores Acampados e Assentados, vindos de outros municípios, foram os que velaram o corpo, durante a madrugada.

São nove horas da manhã. O sol já se faz arder na pele. De repente o caixão é carregado para fora da casa e para em frente. O choro, já calado, aflora pelo irmão inerte. A procissão inicia. Como que combinado, uma nuvem esconde parcialmente o sol e uma leve brisa aparece. A dor está no ar, os gritos ecoam e o soluçar marca o ritmo dos passos.

Param novamente em frente de outra casa. Parece que nela está sua mãe. A esposa ainda está em choque. Um dos dois filhos, pois são gêmeos, agora com sete anos, se recusa a acompanhar, já que o pai não vai mais acordar. Alguns homens retirem as pessoas que choram e as levam para a casa. E a procissão reinicia silenciosa rumo ao fim do povoado. (mais…)

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Quilombolas do Brejo dos Crioulos ocupam outra fazenda – e a titulação não anda!!!

A luta pela desapropriação do território de Brejo dos Crioulos, de 17.302 hectares, que se arrasta há mais de dez anos, teve mais um desfecho nesta madrugada com a ocupação da Fazenda Lagoa da Varanda, de propriedade de Raul Ardito Lerário.

Cerca de 150 famílias de quilombolas realizaram nesta madrugada a ocupação da referida fazenda, que é mais uma dentre as localizadas no espaço do território. O processo de Brejo dos Crioulos já se encontra na Casa Civil desde março deste ano, para ser entregue à presidenta Dilma e por ela assinado.

Nos últimos sete anos, mais de 12 ocupações já ocorreram no referido território, sempre tratadas como caso de polícia. Vários despejos já ocorreram (legais e ilegais), assim como várias ações de pistoleiros na área. Tiroteios, ameaças e tentativas de assassinatos foram já constantemente denunciados.

O Poder Judiciário, ferrenho defensor da propriedade privada, nunca tratou a questão como um problema social e, por isso, o conflito se arrasta há anos. O Executivo, com sua morosidade, é o maior responsável pela continuidade deste conflito. Por que um processo de desapropriação necessita de tanto tempo para ser concluído? Como já dito, 4 anos de FHC, 8 anos de Lula e já quase um ano de Dilma não foram suficientes para terminar esse processo e acabar com o conflito. (mais…)

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Militante do MTST sofre atentado no Distrito Federal

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MTST – Durante a noite do dia 6 de setembro, dois homens armados invadiram a casa de Edson Francisco Silva (foto), membro da coordenação nacional do MTST em Brazlândia – DF.

Os homens arrombaram o portão, entraram na casa e dispararam vários tiros contra Edson que conseguiu fugir sem ferimentos graves.

Desconhecemos a origem desse atentado, mas temos clareza de que isso é parte da intensa criminalização sofrida pelos Movimentos Populares em todo o Brasil.

Edson já havia sido ameaçado por algumas vezes, após o desfecho da ocupação Gildo Rocha, que resultou numa grande vitória do MTST contra o governo distrital.

Além disso, militantes do MTST em outras partes do país estão sendo ameaçados de morte constantemente. Os casos de Minas Gerais e Amazonas são os mais recentes. (mais…)

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Rio+20: não deixemos passar a hora!

A nascente cidadania planetária, em sua diversidade de identidades e vozes dissonantes, não tem nada a esperar da Rio+20. Precisamos acreditar na nossa capacidade de instituintes e constituintes, chamados a destampar contradições e fazer avançar a história em certos momentos.

Cândido Grzybowski*

Isto é um grito de angústia e um apelo. Só a cidadania mobilizada e com propostas pode impedir um fracasso anunciado de mais uma conferência da ONU. A sustentabilidade da vida e do planeta depende de nós, cidadãs e cidadãos do mundo, que temos a Terra e suas diferentes formas de vida a compartir entre todos, hoje e com gerações futuras, respeitando a sua integridade. Devemos agir enquanto é tempo para mudar de rumo e evitar o pior em termos de destruição ambiental e impacto social do desenvolvimento atual.

Estamos a menos de um ano da conferência Rio + 20, aqui no Rio de Janeiro, em começo de junho de 2012, e quase nada acontece. Nem parece que estamos diante do desafio incontornável de reverter um processo de desenvolvimento destrutivo da base natural da vida. Os nossos governantes estão mais preocupados com a queima de capital especulativo nas bolsas e a saúde dos bancos do que com as múltiplas crises em que a humanidade afunda: climática, alimentar, das condições de vida, da política e de valores éticos. Isso porque na atual estrutura de poder mundial, controlada pelos interesses das grandes corporações econômico-financeiras, pelos países desenvolvidos e pelos “emergentes”, não existe um real interesse político em mudar o que pode pôr em risco o “negócio do desenvolvimento”. Cidadãos e cidadãs indignados se insurgem contra tudo isso em várias partes do mundo, mas ainda não se deu a liga entre eles, a articulação que junta a diversidade num grande movimento irreversível. (mais…)

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Consulta a indígenas pendiente de definiciones en Perú

Lima, 8 sep (PL) La Ley de Consulta Previa a los pueblos indígenas sobre las decisiones que tome el Estado en sus territorios y los procedimientos de aplicación están pendientes de definiciones clave. La promulgación de la norma, esta semana, fue saludada nacional e internacionalmente como prueba de la voluntad del nuevo gobierno peruano de honrar sus promesas electorales y los compromisos internacionales d el Estado.

Para la Asociación Interétnica de la Selva Peruana (Aidesep), que desde hace años mantenía una tenaz lucha por el derecho a la consulta, la ley es positiva pero debe ser plena en su aplicación y respetar los derechos nativos. Aidesep considera que la promulgación de la norma, aprobada en forma unánime por el Congreso, es un primer paso para el respeto a los pueblos indígenas, sus costumbres y su visión del desarrollo en armonía con la naturaleza.

La expectativa indígena se debe a que la vigencia de la ley pone en marcha un complejo proceso que debe iniciarse con la creación de una base de datos que defina las comunidades que pueden ser consideradas pueblos indígenas u originarios. La ley califica como tales a aquellos grupos de descendencia directa del territorio nacional, que tienen estilo de vida y vínculos espirituales e históricos con el territorio que tradicionalmente usan u ocupan. (mais…)

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Declaração da Comissão Política Continental da CLOC-Via Campesina

Confira Declaração Final da reunião da Comissão Política da CLOC-VC (Coordenadoria Latinoamericana de Organizações Camponesas e Via Campesina), que se reuniu no final de agosto na Colômbia. Na declaração, a comissão destaca os próximos passos da luta latinoamericana e no apoio à luta internacionalista.

Desde Viotá, Colômbia, terra de heróicas lutadoras e lutadores do campo, como Juan da Cruz Varela, Víctor Julio Márchan e Raúl Valbuena, que doaram suas vidas pelas causa camponesas, sociais e populares, na contramão dos permanentes e selvagens ataques do capital e do império, as e os membros da Comissão Política Continental da Coordenadoria Latinoamericana de Organizações do Campo, CLOC-Via Campesina, nos juntamos nos dias 28, 29 e 30 de agosto último, para refletir e debater sobre a conjuntura de nosso continente.

Nesse contexto, o objetivo central de nosso encontro foi avaliar e dinamizar os acordos políticos e linhas de ação resultantes do V Congresso Continental da CLOC-Via Campesina, realizado no Equador em outubro de 2010. Assim como consolidar acordos em nível continental, que servirão de insumos para a reunião da Comissão Coordenadora Internacional da Via Campesina, que se desenvolverá em setembro, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em São Paulo, Brasil.

Enquanto CLOC-VC vemos com preocupação como o capital adota novas e diversas formas para seguir se reproduzindo cinicamente, fortalecendo, assim, seu modo de dominação e exploração, mediante um novo modelo de acumulação, que favorece o extrativismo, a expansão do capital trasnacional, e que, em termos ideológicos, se expressa através da criminalização da luta social. Nesse sentido apresentamos algumas das principais reflexões e compromissos que assumimos como CLOC-VC: (mais…)

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Fazendeiro organiza “vaquinha” a fim de contratar pistoleiro para matar Quilombolas em Pirapemas, Maranhão

Esta denúncia da CPT Maranhão não pode ser simplesmente lida, comentada e esquecida. [email protected] do estado já estão se articulando, mas é fundamental que nós, mesmo à distância, emprestemos a eles nosso apoio e o que pudermos fazer para ajudar. Onde estão a Defensoria e o Ministério Públicos, estadual e federal? Onde estão as (raras) vozes indignadas dos legislativos? Como estão as nossas vozes? Este Blog reitera publicamente o compromisso de garantir sempre não só a divulgação como seu apoio imediato à luta de Salgado e de outras comunidades como ela. Assinamos, denunciamos e, na medida do possível, estamos [email protected] na articulação e na luta. Chega de mortes e de impunidade! TP.

“No último dia 7 de setembro, o fazendeiro Ivanilson Pontes de Araújo e outros asseclas reuniram-se no município de Pirapemas-Ma, numa escola municipal, no sentido de organizar uma “vaquinha”, objetivando arrecadar recursos para contratação de pistoleiros para executar as lideranças quilombolas de Salgado, especialmente os quilombolas Zé da Cruz e Zé Patrício.

Abertamente, sem constrangimento, o fazendeiro Ivanilson e sua irmã, Eliene, falam em matar os quilombolas.

Há duas semanas, o quilombola Zé da Cruz teve a casa invadida por um gerente da fazenda de Ivanilson, que disparou tiros contra sua residência. Para sorte do quilombola, este não se encontrava em casa.

O clima na região é de terror. O fazendeiro organiza a expulsão dos quilombolas de Salgado, fazendo uso de violência avassaladora. Desde 1982, Zé da Cruz e seus companheiros de luta são perseguidos pelo latifundiários da família Pontes. Em julho de 2011, o juiz da comarca de Cantanhede-MA, Frederico Feitosa, concedeu liminar de reintegração de posse contra as famílias quilombolas em apenas 23 minutos. Contudo, os quilombolas permanecem resistindo em seu território secular”.

Em 09.09.2011, Assessoria de Comunicação da CPT-MARANHÃO.

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