Luís Roberto Barroso rejeita queixa-crime da Aty Guasu e Conselho Terena contra Heinze, pois a competência seria da Funai

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Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

O deputado federal mais votado do Rio Grande do Sul, Luís Carlos Heinze, escolhido como “racista do ano” pela ONG inglesa Survival, afirmou em entrevista a Daniel Favero que poderia até mesmo processar os que assim o chamam, pois “o STF entendeu que não tem nada de racismo (…). Houve um processo que moveram contra mim, mas tem a decisão do ministro Barroso, de alguns dias atrás, me inocentando dessa acusação” (ver AQUI). A verdade é que, na decisão publicada hoje, 7 de outubro, o Ministro Barroso não chega a entrar no mérito da questão, pois rejeita a queixa-crime feita pelos Conselhos Aty Guasu Guarani Kaiowá e do Povo Terena “por ilegitimidade ativa”. Ou seja: não considera os Conselhos aptos para propor ação em nome da comunidade indígena.

Como diz na sua decisão, publicada na íntegra abaixo, a competência para o processo em nome dos Povos Indígenas seria da Funai: “ainda que se cogite de legitimidade extraordinária em razão de lesão transindividual à honra da comunidade indígena, seria competente a FUNAI para propor a ação (art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 5.371/67)”. Já com relação às demais ofensas, Luís Roberto Barroso concorda com o Procurador-Geral da República no sentido de que “o ofendido seria o Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho”. Caberia a ele, pois, a iniciativa de propor a ação.

Abaixo, a íntegra da Decisão: (mais…)

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Deputado mais votado no RS rechaça título de racista do ano

O Deputado Luis Carlos Heinze fez comentários racistas sobre índios brasileiros, homossexuais e quilombolas. © Survival
O Deputado Luis Carlos Heinze fez comentários racistas sobre índios brasileiros, homossexuais e quilombolas.
© Survival

Daniel Favero, Terra

Reeleito com 162.462 votos no Rio Grande do Sul, o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP) comemora o feito como “reconhecimento do trabalho”, conforme afirmou em entrevista ao Terra, nesta terça-feira.

Mas no começo do ano o parlamentar também foi eleito para outra posição, não tão confortável, a de racista do ano pela ONG inglesa Survival, título contra o qual ele protesta, “posso até processá-los, porque agora o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que não tem nada de racismo, nada de homofobia em minha fala”.

Heinze ganhou o título após declarações feitas no final de 2013, durante audiência pública sobre demarcação de terras indígenas, quando se referiu a índios, quilombolas e homossexuais como “tudo que não presta”.

Ele responde “sim” quando indagado se é uma pessoa conservadora, mas pondera que apenas segue o que determina a lei, “sou do Direito, da Constituição”. Integrante da bancada ruralista, acusa o Partido dos Trabalhadores (PT) de incentivar índios e sem-terra a invadir áreas rurais, além de dizer que se existe uma dívida com os índios e quilombolas, não são “aqueles produtores que devem ser penalizados, mas sim toda a nação. Não sou apenas eu que tenho que pagar”. Confira alguns trechos da entrevista. (mais…)

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Titulação de Terras Quilombolas no Pará é debatida em reunião no Incra

Foto reproduzida do site Terra de Direitos
Foto reproduzida do site Terra de Direitos

Terra de Direitos

Na manhã de hoje (7), representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Ministério Público Federal e de comunidades quilombolas estarão reunidos no gabinete do Incra em Santarém/PA para a II Mesa de Acompanhamento dos Processos de Regularização Fundiária Quilombola no Pará. Realizado pouco mais de dois meses após a primeira reunião, o evento tem como objetivo o acompanhamento de 18 casos de titulação de terras quilombolas no Oeste do estado.

Entre os assuntos que estão previsto na pauta, está a situação de sobreposições existentes no Projeto de Assentamento Especial Quilombola Erepecuru com o Território Quilombola Ariramba. Em acordo firmado com o Incra em 1998, ficou definido que o Instituto faria a exclusão dos lotes de terra individuais na região. Mas a ação até hoje não foi finalizada, e os moradores pedem a resolução do caso. (mais…)

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“Funai mantém restrição de acesso à área habitada por índios isolados”, na versão da Agência Brasil

Foto: Funai
Foto: Funai

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

Ontem publicamos em primeira mão notícia da prorrogação por mais dois anos da proteção à Terra Indígena Piripkura, no Mato Grosso. No Diário Oficial da União, ela era uma Portaria de dois artigos, o segundo dos quais se referia a outra, de nº 1264, de 03 de outubro de 2012. Em seguida, vinha um despacho sobre a Terra Indígena Xakriabá, em Minas Gerais, este se espalhando por mais cinco páginas. As duas informações foram divulgadas juntas, na postagem Mais duas: antes de sair, Maria Augusta Assirati aprovou o Relatório da Terra Indígena Xakriabá, Minas, e prorrogou por dois anos a proteção aos Piripkura de Mato Grosso.

Hoje, a Agência Brasil publica a informação sobre a Portaria e no primeiro parágrafo diz:

“Pela terceira vez desde 2010, a Fundação Nacional do Índio (Funai) prorrogou o prazo de proibição de entrada e permanência de não índios na Terra Indígena Piripkura, nos municípios de Colniza e Rondolândia, na região noroeste de Mato Grosso. Na área de aproximadamente 242,5 hectares, supostamente, vivem os dois últimos membros de uma etnia isolada, os Piripkuras. Um hectare corresponde às medidas de um campo de futebol oficial.” (mais…)

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Após recomendações do MPF/AM, comunidade quilombola em Manaus recebe certificação

Foto: João Zinclar
Foto: João Zinclar

Portaria publicada no Diário Oficial da União certifica que a comunidade do Barranco, no bairro Praça 14 de Janeiro, se autodefine como remanescente de quilombo

por Raphael Cortezão, MPF/AM

Um ano depois de o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) instaurar inquérito civil para acompanhar o caso, a Fundação Cultural Palmares certificou a comunidade do Barranco, no bairro Praça 14 de Janeiro, zona Sul de Manaus, como remanescente de quilombo. A portaria que oficializa a certificação foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) do último dia 24 de setembro.

Em outubro de 2013, o MPF/AM visitou a comunidade, conheceu a história de resistência dos primeiros habitantes do local e conversou com os atuais moradores, entre outros temas, sobre as expectativas em relação ao autorreconhecimento como remanescentes de quilombo. Da visita surgiu a proposta de realizar uma edição do projeto MPF em Movimento na comunidade do Barranco, o que ocorreu no mês seguinte. Na ocasião, um grupo de 15 pessoas, entre servidores e procuradores do MPF, foram até a comunidade para conhecer os projetos culturais desenvolvidos e discutir novamente sobre o processo de certificação como quilombo urbano. (mais…)

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RJ – MPF recomenda ao Dnit e ao município de Barra Mansa que apresentem solução para 40 moradias em linha férrea

logo mpfFamílias vivem em área onde serão realizadas obras de expansão do pátio de manobras em Barra Mansa (RJ)

MPF/RJ

Após se posicionar contra ação demolitória movida pelo  Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Barra Mansa (RJ), o Ministério Público Federal  (MPF) em Volta Redonda (RJ) expediu recomendação para que seja apresentada uma solução que contemple as 40 famílias que vivem na área onde serão realizadas obras de expansão do pátio de manobras de linha férrea.

Na recomendação, o MPF pede que o Dnit apresente, em até 60 dias, uma proposta de reassentamento que contemple adequadamente a regularização fundiária, observando-se a concretização do direito social fundamental à moradia das famílias que serão impactadas pelas obras de ampliação do pátio de manobra. Já para a Secretaria de Patrimônio da União, é recomendado que, em até 30 dias, ofereça apoio técnico e informações acerca de terrenos que poderão ser disponibilizados para  a regularização fundiária e acompanhe permanentemente o processo conciliatório. (mais…)

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Funai está sem presidente há seis dias

Maria Augusta Assirati pediu exoneração e deixou o país dia 1º (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Maria Augusta Assirati pediu exoneração e deixou o país dia 1º (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Maria Augusta Assirati pediu exoneração no último dia 26, após passar 15 meses como presidente interina da fundação

Alex Rodrigues, Agência Brasil

Brasília – Responsável pela coordenação e execução da política indigenista no país, a Fundação Nacional do Índio (Funai) está, na prática, sem presidente desde quarta-feira (1º).

Oficialmente, Maria Augusta Assirati continua à frente da Funai, embora tenha pedido demissão há duas semanas e esteja fora do país desde a semana passada.

Guta, como é conhecida, pediu exoneração no último dia 26, após passar 15 meses como presidente interina da fundação.

Segundo a assessoria da Funai, Maria Augusta pediu exoneração com data retroativa à que efetivamente deixaria o cargo (30) e se mudou para Portugal, onde fará um curso de doutorado. (mais…)

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Buerarema: “Conflito indígena deu vitória a Aécio em única cidade baiana”

aécio e buerarema

Buerarema, no sul da Bahia, foi o único entre os 417 municípios do estado em que o candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, venceu a presidente Dilma Rousseff, com quem ele disputa o 2º turno; o tucano teve 67% dos votos válidos, contra 26% de Dilma; os moradores de Buerarema acreditam que Dilma permite cerca de 150 invasões promovidas por tupinambás desde 2012; os índios querem demarcação de 47 mil hectares entre Ilhéus, Una e Buerarema; produtores agrícolas se dizem prejudicados com a situação

Brasil 247

A cidade Buerarema, no sul da Bahia, foi o único entre os 417 municípios do estado em que o candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, venceu a presidente Dilma Rousseff, com quem ele disputa o 2º turno. O tucano teve 67% dos votos válidos, contra 26% de Dilma e 6% de Marina Silva (PSB).

O candidato derrotado do DEM ao governo do Estado, Paulo Souto (DEM), também venceu lá, com 77% da votação. De acordo com reportagem do jornal Folha de São Paulo, o resultado pode ser justificado por um forte sentimento anti petista, devido a um tenso conflito indígena por terra na região.

Os moradores de Buerarema acreditam que Dilma permite cerca de 150 invasões promovidas por tupinambás desde 2012. Os índios querem demarcação de 47 mil hectares entre Ilhéus, Una e Buerarema. Produtores agrícolas se dizem prejudicados com a situação. “Não queremos esse governo do PT que gosta de índio. Índio não vale nada”, disse o atendente de açougue e eleitor de Aécio, Romário da Silva.

“Votamos em Aécio como opção contra o PT”, afirmou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, Domingos Alfredo. A presidente do PT local, Marta Marques, admite a rejeição ao partido. “Mas acho que essa questão indígena vem desde o governo FHC, é problema antigo”.

 

 

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MT – AGU derruba liminar que suspendia licenciamento da Usina Hidrelétrica de São Manoel

Protesto de povos indígenas contra projetos hidrelétricos; em 2013, protestos se estenderam a Brasília
Protesto de povos indígenas contra projetos hidrelétricos; em 2013, protestos se estenderam a Brasília

Agência Estado, no Estado de Minas

A Advocacia-Geral da União (AGU) derrubou a liminar que suspendia o licenciamento da Usina Hidrelétrica de São Manoel, em Mato Grosso, caso o processo não ocorresse de forma concomitante à realização de uma consulta a povos indígenas potencialmente impactados pela obra. A consulta deveria ocorrer em um prazo de 90 dias.

A obra, uma usina de 700 MW de potência em construção no rio Teles Pires, entre o Mato Grosso e o Pará, já havia recebido licença de instalação pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e, no final de agosto, teve autorização para início de construção. O projeto, contudo, foi interrompido por decisão da 1ª Vara da Seção Judiciária do Mato Grosso, como forma de defender os interesses de comunidades indígenas instaladas na região.

Nesta terça-feira, 07, a AGU anunciou a derrubada da liminar, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). “Os advogados públicos confirmaram que a decisão de primeira instância poderia causar atrasos nas obras e interferir no equilíbrio econômico do setor já que a usina contribuirá para o atendimento da demanda de energia elétrica nos Estados do Mato Grosso, Pará e Amazonas”, informou a AGU. (mais…)

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CNJ aprova pagamento de auxílio-moradia de R$ 4,3 mil para juízes

justiça-263x300Órgão administrativo do Judiciário regulamentou benefício aos magistrados. Ajuda de custos será paga inclusive para juízes que têm residência própria.

Nathalia Passarinho, do G1, em Brasília

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentou nesta terça-feira (7) o pagamento de auxílio-moradia a todos os juízes do país e fixou em R$ 4.377,73 o valor do benefício para os magistrados – o mesmo previsto para ministros do Supremo Tribunal Federal(STF). Por decisão liminar (provisória) do ministro Luiz Fux, da Suprema Corte, todos os juízes federais, estaduais, da Justiça do Trabalho e da Justiça Militar passaram a ter a prerrogativa de receber o auxílio-moradia.

Os conselheiros do CNJ, no entanto, entenderam que a concessão do benefício não é retroativa, ou seja, só valerá a partir da primeira liminar concedida por Fux em favor dos magistrados, em 15 de setembro.

Apesar de também terem direito à ajuda de custos, nenhum ministro do STF recebe esse benefício atualmente porque eles têm à disposição imóveis funcionais em Brasília. Somente os magistrados que não ocupam apartamentos do Judiciário podem requisitar o valor correspondente ao auxílio-moradia.

O benefício será garantido até para juízes que possuem residência própria e para aqueles que atuam em suas cidades de origem. (mais…)

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