Internet, meios de comunicação e redes sociais: alguns pontos e uma entrevista

Nem sempre as matérias postadas neste Blog correspondem inteiramente ao que pensamos. Quem acompanhou os posts sobre o Alemão percebeu claramente que os conflitos de idéias e posições estavam repesentados na diversidade de autores, na maioria “esquecidos”, em suas análises, de que, além do Estado e dos traficantes, havia um terceiro elemento, de todos o mais importante: a comunidade que lá vive.

Aproveito a entrevista abaixo para dar esse esclarecimento, ao mesmo tempo em que me permito comentar que, na sua crítica procedente, para muitos usuários, ao que chama de “solidão interativa”, Wolton ignora dois  pontos, relativos ao “lado bom” e à importância da internet: a democratização da informação, divulgando as notícias que ou “não interessam” ou são manipuladas pelos meios de comunicação a serviço do capital; e (2) a articulação em redes outras, de construção da contrahegemonia. No mais, contrapor a isso os jornais como “legitimidade” é um lamentável equívoco, aqui ou em qualquer parte do mundo, com honrosíssimas exceções. TP.

Facebook só disfarça falta de relações humanas, diz sociólogo
Agora que o Facebook virou filme e as redes sociais parecem ter liberado o homem para toda forma possível de comunicação, vem um intelectual francês dizer que vivemos sob a ameaça da “solidão interativa”. Dominique Wolton, 63, que esteve no Brasil há duas semanas, bate ainda mais pesado. Para ele, a internet não serve para a constituição da democracia: “Só funciona para formar comunidades” –em que todos partilham interesses comuns–, “e não sociedades” –onde é preciso conviver com as diferenças. (mais…)

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Prêmio Odair Firmino. Comunidade tradicional resiste aoagronegócio e leva primeiro lugar

Um jantar comunitário encerrou uma semana de comemorações, emoções e vitórias na comunidade tradicional de Ponte do Mateus, situada no município de São Desidério, sudoeste da Bahia. No domingo (28) depois da missa, as 60 famílias integrantes do Projeto Veredas Vivas trabalharam o dia todo para produzir o melhor jantar do ano. É que a comunidade precisava comemorar coletivamente e com a melhor comida o primeiro lugar no I Prêmio Odair Firmino de Solidariedade, promovido pela Cáritas Brasileira, cujo tema foi “As questões climáticas e a vida no planeta”. A reportagem é do portal da Cáritas Brasileira, 29-11-2010.

O segundo lugar saiu para a experiência comunitária “Convivendo com o Semiárido” da microrregião da Serra do Teixeira, na Paraíba. Cerca de 1.200 famílias, em 33 comunidades, mantêm, mediante um Fundo Rotativo de Solidariedade, uma dinâmica de abastecimento de água potável por meio de cisternas que recolhem água das chuvas e asseguram o que eles chamam de segurança hídrica numa região em que a água, por causa da escassez, é o bem mais precioso. Iniciada em 1994, a experiência é assessorada pelo Centro de Educação Popular e Formação Social de Teixeira (CEPFS). Além do troféu, o representante do CEPFS, José Dias, vai levar para a comunidade um diploma e R$ 3 mil.

O terceiro lugar foi para uma experiência urbana, realizada na capital paulista. O grupo ligado à Coleta Seletiva Solidária – Reciclázaro – foi premiado com um troféu e R$ 2 mil. De acordo com o coordenador e representante do grupo, padre José Carlos Spínola, a premiação não ficou restrita ao Reciclázaro, mas homenageia as mais de 100 entidades que atuam na reciclagem de lixo e na promoção da cidadania de moradores de rua e desempregados de São Paulo. Esse projeto consegue ter uma arrecadação líquida de R$ 10 mil por mês, o que garante entre R$ 200,00 a R$ 300,00 para mais de 30 ex-desempregados e moradores de rua. Apesar da atual prevalência de mulheres, ele começou com maioria masculina.

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Unicef lança campanha para combate ao racismo contra crianças

Trinta e um milhões de crianças negras e 150 mil indígenas que vivem hoje no Brasil são o alvo da campanha. Para a representante do Unicef Helena Silva, alerta é para toda a sociedade

Trinta e um milhões de crianças negras e 150 mil indígenas que vivem hoje no Brasil são o alvo de uma campanha lançada ontem (29) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O objetivo é combater a discriminação racial contra a população dessa faixa etária.

Os números mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as crianças negras e indígenas são mais vulneráveis em diversos aspectos. Mais de 60% da população de 7 a 14 anos que não frequenta a escola são negros. O índice de mortalidade infantil entre os indígenas é duas vezes maior do que a taxa nacional: 41 mortes para cada mil nascidos vivos contra 19/1000 no total da população.

Para a especialista de Programas de Proteção à Infância do Unicef no Brasil, Helena Oliveira Silva, os números mostram que a raiz do problema da desigualdade está além da questão socioeconômica. “Apesar do avanço das políticas públicas brasileiras, alguns grupos de famílias e crianças continuam em situação de vulnerabilidade. Grupos que historicamente vinham sendo ausentes na políticas, permanecem na mesma condição”, destaca.
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MS: Índios denunciam ameaças de agressão em Coronel Sapucaia

Indígenas ocupam área com autorização da Justiça. MPF repassou as informações para que a Polícia Federal investigue

O Ministério Público Federal (MPF) em Ponta Porã (MS) recebeu denúncia sobre supostas ameaças contra os 130 indígenas da comunidade indígena Kurussu Ambá, localizada entre os municípios de Amambai e Coronel Sapucaia, fronteira do Brasil com o Paraguai. Os índios da comunidade denunciam que pistoleiros estariam ameaçando retirá-los à força de área reivindicada por eles como tekoha (terra sagrada), dentro da fazenda Nossa Senhora Auxiliadora.

Segundo a denúncia, em 23 de outubro um grupo de pessoas teria estacionado um veículo na entrada da propriedade e feito ameaças contra a comunidade. As ameaças, segundo os indígenas, aumentaram após o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) ter suspendido a decisão liminar de reintegração de posse em favor dos proprietários da fazenda.

O MPF, por meio do procurador da República Luís Cláudio Senna Consentino, enviou as informações à Polícia Federal (PF) de Ponta Porã, solicitando que sejam tomadas as medidas necessárias para que se apure o ocorrido. O objetivo é facilitar a coleta de dados sobre o caso, além de conter o clima de tensão no local e evitar a ocorrência de outros incidentes.
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Crianças indígenas no Acre têm alto índice de desnutrição

Coleta de dados no município de Jordão/AC
Coleta de dados no município de Jordão
A desnutrição infantil no município de Jordão, no Acre, atinge níveis próximos aos estimados para a África Subsaariana. Uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP buscou os fatores associados, na cidade, à desnutrição e constatou que a ascendência indígena de boa parte da população, a estatura baixa das mães, não estar com as vacinas em dia e o histórico de introdução de leite de vaca antes de 30 dias de vida são os principais fatores que se relacionam ao desenvolvimento da doença.

A pesquisa analisou 478 crianças de até 5 anos de idade da zona urbana e da zona rural. Após fazer as medições de peso e altura, foi constatado que 35,8% delas apresentaram déficit de crescimento, principal indicador da desnutrição. O valor encontrado é alarmante, principalmente quando comparado com a média do Brasil, de 7%. “Até em comparação com a média da região norte, de 14,8%, o valor é muito alto. É como se tivéssemos uma realidade africana em plena Floresta Amazônica, mostrando que a riqueza natural lá encontrada não consegue superar as condições sociais que influenciam na determinação desse problema”, pondera o enfermeiro Thiago Santos de Araújo, autor do estudo.
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Diálogos culturais movimentam Palmares

Maria Auxiliadora Lopes incentivou alunos a tornarem-se formadores de opinião

Por Denise Porfírio

Pesquisadores, escritores, educadores, religiosos, representantes de quilombos e de instituições de promoção da cultura negra de diversas partes do País participaram, no último dia 17, do ciclo de palestras Diálogos culturais – mais uma iniciativa da Palmares para celebrar o Mês da Consciência Negra, o evento foi realizado no auditório da Fundação.

Os Diálogos culturais têm como objetivo capacitar profissionais da área de educação para o fomento de conteúdos sobre a contribuição do negro na formação do País. Cerca de 100 estudantes de escolas públicas do Distrito Federal puderam conhecer e tirar dúvidas, durante todo o dia, sobre o patrimônio cultural, social e artístico do negro no Brasil.

O diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira da Palmares, Elisio Lopes Jr., explicou a trajetória de Zumbi dos Palmares e sua importância para o contexto histórico nacional. Diante de dados estatísticos do IBGE, que afirmam que 50% da população brasileira se declara negra, Lopes convidou os participantes a uma reflexão sobre o assunto.

– É preciso haver respeito à diversidade e ao diálogo entre as raças, pontuou.
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Projeto de Lei Orçamentária reduz recursos para combater violência contra mulher

Adital – A execução orçamentária das ações na área de saúde que integram o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres é preocupante. Um dos exemplos é justamente a ação para implantação e implementação de políticas de atenção integral à saúde da mulher. Dos R$ 35,5 milhões autorizados nos orçamentos de 2008, 2009 e 2010, apenas 55% foram efetivamente gastos e liquidados.

Enquanto os recursos caem, a violência contra as mulheres segui aumentando. A Central de Atendimento à Mulher registrou, de janeiro a maio de 2010, um aumento de 95,5% no número de atendimentos em comparação ao mesmo período do ano anterior. Estudos realizados pelo DATASUS mostram que, de 1997 a 2007, 41.532 mulheres foram vítimas de homicídios. São mais de dez mortes por dia.

A própria Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que coordena o programa, reconhece que o montante é insuficiente. Em nota encaminhada a parlamentares, o órgão afirma que seria necessário um aporte de R$ 145,1 milhões para se chegar a um patamar adequado nesse programa.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=52704

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Comunidades e organizações pedem criação das zonas livres de mineração

Natasha Pitts

Adital – Há mais de três anos, campesinos e campesinas do Norte do Peru lutam para que suas terras sejam consideradas ‘zonas livres de mineração’. O principal alvo de combate é o projeto mineiro Rio Branco, que comprovadamente poderá gerar impactos ecológicos, culturais e sócio-econômicos negativos para as províncias de Ayabaca e Huancabamba, localizadas na região Piura, e San Ignacio e Jaen, em Cajamarca.

Para impulsionar esta luta e conseguir a atenção do poder público provincial, regional e nacional, além do apoio da comunidade internacional, organizações sociais peruanas e as comunidades das quatro províncias estão divulgando uma campanha em favor da criação das zonas livres de mineração. A petição da campanha pode ser assinada no link http://mininginparadise.org/es.

Atualmente, de acordo com declaração da Frente pelo Desenvolvimento Sustentável da Fronteira Norte do Peru (FDSFNP), cerca de 25% do total dos territórios de Jaén, San Ignacio, Ayabaca e Huancabamba já foram concecionados para as atividades mineiras. Grande parte desta área ocupada é destinada ao projeto Rio Branco.
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Estado contra o Estado: a guerra do Rio de Janeiro

Igor Vitorino da Silva (*)

O que estamos assistindo no Rio de Janeiro é o Estado contra ele mesmo. Se a luta é do bem contra o mal como argumenta a mídia, então é possível afirma que o mal nasceu do bem. Quem hoje que aparece impondo as armas da vitória e é aplaudido por parte da população, que durante anos viveu aterrorizada e submetida a arbitrariedade da segmentos da polícia e de traficantes, é o mesmo que durante anos deixou essa a população a sua própria sorte, o Estado.

A mídia apresenta todo cenário da guerra do bem contra o mal, como se o mal, suposto por ela, se fizesse sozinho, como se os traficantes nascessem geneticamente preparados para serem o que são. Não há perguntas, somente certezas, principalmente de que o Estado está retomando o poder, que ele mesmo havia abandonado no passado. Ninguém se questiona como traficantes historicamente apropriaram das favelas? Como esses jovens optaram pelo crime? Qual seria a responsabilidade do Estado no patrocínio da realidade atual? Por que o poder policial recuou no passado desses territórios? Como toneladas de armas e drogas hoje exibidas para os holofotes da mídia chegaram no alto dos morros? Como o dinheiro do tráfico é lavado no mercado financeiro? Diante do espetáculo dos tanques ocupando “o território largado pelo Estado” essas são questões parecem infantis ou coisa de quem defende “bandidos”, pois sua simplesmente sua enunciação ofuscaria os gritos de vitória e de paz proclamados pela mídia. (mais…)

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Abong discute alternativas ao modelo de desenvolvimento atual em Salvador

Adital – A Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) realizará no dia 6 de dezembro o seminário: “Por Uma Nova Concepção de Desenvolvimento”. O evento acontecerá das 9h às 16h30, no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, Bahia. O objetivo do evento é discutir com representantes da sociedade civil organizada e com os interessados no assunto alternativas para o atual modelo de desenvolvimento.

A Associação acredita que o modo de produção e consumo capitalista, explorador e gerador de desigualdades desafiam a sociedade civil organizada a se posicionar sobre as possibilidades de desenvolvimento, sobretudo, no contexto econômico que o Brasil vive hoje, com grandes obras de infra-estrutura ameaçando a sustentabilidade ambiental, o desenvolvimento regional e os direitos humanos das populações mais vulneráveis.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas através do e-mail: [email protected] Mais Informações pelo telefone (11) 3237-2122 ou no site www.abong.org.br.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=52703

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