Incra inicia relatório técnico de comunidade quilombola da Bahia com história de formação singular

Foto reproduzida do site do Incra
Foto reproduzida do site do Incra

Incra – O Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) da comunidade Tapera Melão, iniciado na semana passada pelo Incra na Bahia (Incra/BA), vai descrever a origem inusitada da área. É que a formação do quilombo ocorreu devido a uma história de amor. Na comunidade, localizada no município de Irará, a 137 quilômetros de Salvador, estima-se que vivam atualmente 190 famílias remanescentes de quilombo.

Tudo começou no século XVIII, quando o ex-seminarista e abolicionista Zezé Martins recebeu a doação de uma fazenda. Ao chegar lá, se apaixonou por uma cativa (ex-escrava). Eles se casaram e Martins passou a doar terras aos ex-escravos da fazenda e a outros que surgiam no local. Martins enfrentou o abandono da família e o preconceito dos que viviam na região, pois ele era branco e a esposa, negra.

A história de formação da comunidade quilombola Tapera Melão foi conhecida antecipadamente por ter sido tema da dissertação da mestre em Geografia Janeide Bispo, realizada na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 2008. O conteúdo da pesquisa será aproveitado, em parte, para a elaboração do RTID.

O analista em reforma e desenvolvimento agrário do Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas da regional do Incra Flávio Assiz, responsável pelo relatório, ressalta que levantará as informações complementares indicadas pela Instrução Normativa 57/2009. Esta IN define os procedimentos administrativos para a regularização fundiária de territórios quilombolas.

Emancipação

Assiz, que passou a última semana trabalhando no Tapera Melão, destaca, ainda, a experiência de emancipação em favor de ex-escravos, já naquela época. Antes de morrer, o senhor Zezé Martins teria deixado, em testamento, a área para os ex-escravos, mas essa documentação não foi encontrada.

Segundo a dissertação de Janeide Bispo, com o passar dos anos, passaram a ocorrer grilagens por fazendeiros que adentravam nas terras da comunidade. As famílias também enfrentaram períodos de fome e de necessidade.

Atualmente, os remanescentes de quilombo da comunidade ou são descendentes de Zezé Martins ou de outros ex-escravos a quem ele deu abrigo. Assiz frisa que as famílias são esforçadas e possuem roças produtivas.

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