Protesto contra morte de índios em MS ‘planta’ cruzes brancas no centro de Campo Grande

Um protesto contra a violência que atinge a população indígena de Mato Grosso do Sul cobriu com mais de 250 cruzes o jardim da Igreja Santo Antônio, no centro de Campo Grande. O ato chama a atenção de quem passa pelo local, mas as opiniões se dividem sobre de quem é a culpa pela situação fundiária no estado.

Com uma das maiores populações indígenas brasileiras, o território sul-mato-grossense é hoje palco dos principais conflitos pela regulamentação de terras no país. É também onde aconteceu 55% dos assassinatos de indígenas registrados no Brasil, segundo dados do CIMI (Conselho Indigenista Missionário).

O caso recente mais famoso foi o ataque a índios Guarani acampados na região de Guavyri, em Aral Moreira. Na ocasião, desapareceu o cacique Nísio Gomes. Até o momento, quatro fazendeiros foram indiciados pelo inquérito da Polícia Federal. Mas a possível morte do líder não foi confirmada oficialmente.

Nas ruas de Campo Grande, a opinião de algumas pessoas ouvidas pela reportagem nas proximidades da Igreja Santo Antônio, onde foram colocadas as cruzes brancas, mostra como os campo-grandenses têm diferentes interpretações da situação. Confira algumas das opiniões:

“É difícil apontar alguém, mas acredito que os fazendeiros têm culpa, eles têm muita ganância, porque na verdade os índios chegaram primeiro. Eles têm prioridade, tudo isso aqui já foi deles um dia”, disse o cabelereiro Nivaldo Ferreira dos Santos de 46 anos, apontando para as cruzes.

Para Nivaldo, a solução seria a intervenção do governo e ver realmente quem tem direitos sobre as terras, mas acredita que isso seria difícil acontecer. “Isso parece uma máfia, tem muita gente grande envolvida na posse das terras”.

“Pra mim, eles (índios) procuram, caçam confusão, além de beber demais e não trabalharem. Hoje em dia, eles nem têm mais os costumes indígenas, então porque têm direito às terras indígenas?”, disse o corretor Lúcio Ribeiro, 78 anos.

Para o operador de telemarketing Gladyston Valfrido de Almeida, 33 anos, protestos como este aqui deveria ser feitos com mais frequência. “Com certeza, quando eu olhei a faixa eu parei para pensar e, realmente, ultimamente têm saído muitas notícias sobre os índios”. E complementa. “Acho que o governo, os policiais, as igrejas, os índios e fazendeiros deveriam se unir, fazer um acordo”.

O comerciante que trabalha próximo da igreja, e não quis se identificar, acredita que protesto em prol de indígenas não tem importância. “Isso aí não adianta de nada, é palhaçada!”.

Marli dos Santos Brandão, 49 anos, teme que as aldeias acabem no Estado. “Direto tem noticiário de índios sendo assassinados, daqui a pouco vai acabar com as aldeias, porque a cultura indígena mesmo já acabou!”.

A autônoma Marcia Cristina Luiz de Castro, 33 anos, que esperava moto táxi, não tinha reparado nas cruzes colocadas no jardim. Ao ler, se chocou com a faixa no local que anuncia mais de 250 mortes de índios em Mato Grosso do Sul: “Nossa, tudo isso já morreu, e ninguém faz nada?”.

O jovem Jeber Melo da Silva, 19 anos, também acredita que a solução é resolver a situação das posses de terra. “Cada um deveria ter sua terra e pronto. Assim acaba com esse problema!”.

http://www.midiamax.com/noticias/781471-protesto+contra+morte+indios+ms+planta+cruzes+brancas+centro+campo+grande.html

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