Centenas de professores deixam a rede estadual do RJ

Precariedade das condições de trabalho, baixo salário e longa jornada de trabalho repelem professores

Fania Rodrigues – Brasil de Fato

Cerca de 500 professores saíram voluntariamente da rede estadual de educação do Rio de Janeiro, somente no mês de agosto, segundo informações do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ). O número foi contabilizado através do acompanhamento periódico das publicações do Diário Oficial. “Isso é escandaloso. É o mês do ano que mais professores deixaram a rede pública e talvez essa seja a maior quantidade de saída voluntária de professores da história da democracia”, destaca o professor Omar Costa, um dos responsáveis por computar os números.

As razões para a saída dos professores são muitas. A precariedade nas condições de trabalho, os baixos salários, situação de violência dentro das escolas e no seu entorno, a longa jornada de trabalho e autoritarismo por parte da direção são algumas das causas. Todos esses fatores estão levando os profissionais da educação sérios problemas de saúde, causados estresse emocional e muitas vezes a depressão.

Sintomas

“Temos um grave quadro de estresse emocional entre os docentes. Há 15 anos o Sepe-RJ realizou uma pesquisa em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Naquela oportunidade, a pesquisa identificou que 48,4% da categoria no ensino fundamental e médio já apresentavam síndrome de burnout, que nada mais é que o estresse emocional agravado e que se não tratado pode levar a loucura”, revelou a professora Gesa Linhares Correa, coordenadora geral do Sepe-RJ. Segundo ela, a pesquisa não foi atualizada porque a governo do estado se nega fornecer os dados necessários, mas de lá pra cá a situação piorou e, portando, a estimativa é que o número de professores com transtorno psicológico tenha aumentado.

A sindicalista chama a atenção os efeitos das péssimas condições de trabalho nas escolas públicas. “Merendeiras, serventes, professores e demais profissionais da escola são vítimas de doenças profissionais como LER (lesões por efeitos repetitivos), sofrimentos psíquicos, problemas cardiovasculares, alergias diversas, dentre outras, aumentando o número de profissionais readaptados, sem qualquer política de reintegração profissional”, informa Gesa Correa.

Professora denuncia situação de violência emocional

Andrea Viera, professora do Ciep 200, em Nova Iguaçu, é uma das centenas de profissionais da educação a sofre de depressão. “Estou de licença médica, fazendo terapia três vezes por semana. O baixo salário nos obrigada a trabalhar em mais de uma escola, e a uma sobrecarga de problemas e estresse. Com as salas de aulas lotadas temos menos controle sobre a bagunça e a desordem dos alunos. Além de tudo, eu vinha sofrendo assédio moral cometido pelo diretor da escola, que por mais de uma vez invadiu minha sala de aula me desautorizando e desrespeitou na frente dos alunos. Foi indo colapsei”.

A professora informou que está pensando seriamente em deixar a rede pública estadual. “Estou ficando doente e vária amigas minhas professoras também estão querendo sair. As condições e pressão que já era muita piorou depois da greve do ano passado. Estamos sofrendo retaliações nas escolas”.

Outro ponto criticado por Andrea é a presença de policiais militares nas escolas. “Agora eles também entram nas salas e dão aulas de comportamento. E o mais absurdo é que os PMs que agrediram professores durante a greve agora estão nas escolas. Aquele professor que apanhou na passeada agora tem que conviver com o seu algozes todos os dias. Quem aguenta uma coisa dessa?”, questiona a professora.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por José Carlos.

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