BLOG URGENTE! Indígenas da Aldeia Maracanã fazem uma “retomada” do Museu do Índio, em Botafogo, exigindo a reintegração de seu território

Tania Pacheco – Combate ao Racismo Ambiental

A indicação dada pelo Secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro no twitter, achando que fazia humor ao escrever que era uma tolice a luta pela Aldeia Maracanã, pois o Museu do Índio ficava em Botafogo, parece ter sido levada ao pé da letra, de alguma forma, pelos representantes das diversas etnias violentamente expulsas, ontem, do antigo Museu. Em pequenos grupos, @s indígenas se dirigiram à Rua das Palmeiras. No meio da tarde, anunciaram inclusive, pelas redes sociais, que lá estariam, caso as pessoas quisessem conhecê-los e conversar sobres suas culturas. Só não avisaram que às 17 horas, quando o Museu deveria ser fechado, teoricamente, lá permaneceriam. E é lá que estão e ficarão, lutando, neste novo espaço, pela reintegração do seu “território” no antigo Museu do Índio, por eles transformado em Aldeia Maracanã.

A “retomada” (se é que assim podemos chamar esta ocupação urbana forçada pelo governo do estado do Rio de Janeiro) foi totalmente pacífica. Para @s visitantes normais e as pessoas que atenderam ao convite via redes sociais, o grupo deu esta tarde uma “aula” sobre suas culturas, tradições e a realidade que fez com que ali estivessem. Chegada a hora de o Museu fechar, finalmente, informaram aos funcionários presentes que ali permaneceriam. 

Por telefone, conversaram com o diretor do Museu, a quem garantiram que nada seria tocado ou arrombado para além do espaço onde já estavam. Receberam como resposta que evidentemente não poderiam receber uma aprovação, mas que nenhuma medida violenta seria contra eles tomada.  Da Funai, exigiram o que até o momento ela não fez: que se posicione, cumprindo o papel paral o qual foi criada e existe, representando-os em situações como a que aconteceu ontem, na Aldeia Maracanã. Finalmente, com a Polícia Federal, obviamente acionada pela direção da casa, mas que compareceu ao local com tranquilidade e sem qualquer tipo de violência, conversaram garantindo, novamente, que nada seria danificado, e que amanhã o Museu abriria suas portas na hora normal.

Na nova retomada há um sadio cuidado maior quanto à não personalização de lideranças. Conversei com Daniel Turi, na qualidade de um dos membros do Conselho da Aldeia, que é como eles querem ser vistos e tratados, democraticamente, na qualidade de representantes de diferentes etnias. Segundo ele, a posição do Conselho é no sentido de, temporariamente, se integrarem ao cotidiano do Museu, enquanto a Aldeia Maracanã não lhes for devolvida. Isso compreende trabalhar de forma integrada com os funcionários, recebendo os visitantes e repetindo o que fizeram hoje: dar “aulas” sobre suas culturas e realidades.

Essa tranquilidade madura e sábia não impede, entretanto, que na voz de Daniel se possa sentir a revolta quanto o que aconteceu na Aldeia. Se a chamada grande imprensa subdimensionou o assunto, na verdade nem as redes e os blogs tiveram acesso a todas as informações, incluindo o pagamento de fianças, para que quatro pessoas fossem liberadas, entre elas Ashaninka. Ou o fato de terem sido “[email protected]”, digamos, pela tropa de choque, de forma a levá[email protected] a terem de ser [email protected] no hospital Souza Aguiar. Também revolta a Daniel e a seus companheiros e companheiras o fato de seus pertences estarem num galpão, ao qual não têm acesso. Acima de tudo, a indignação dele (e de [email protected] nós, acho) se refere à forma como foram [email protected] da Aldeia, principalmente os últimos, quando muitos já haviam se retirado pacificamente.

Daniel Turi está lá, com “parentes” indígenas e ainda com alguns companheiros e companheiras não indígenas, que os estão apoiando. No momento em que nos falamos, eram pouco mais de 50 pessoas, ao todo, mas outras estavam chagando, principalmente indígenas. Mas há muito a ser feito em termos de solidariedade, e aí começamos a falar de nós, que partimos, hoje, para uma nova etapa na luta, para além dos protestos indignados, manifestos e comentários,   nas redes sociais e nos blogs.

De imediato, podemos dizer que [email protected] [email protected] precisam de colchonetes e de alimentos que não necessitem serem preparados, pois ainda não têm acesso à cozinha e, como foi dito antes, não querem cometer qualquer tipo de arrombamento que possa ser entendido como violência. Quem puder levar, se possível ainda hoje ou no máximo amanhã cedo, será muitíssimo bem [email protected] Não há necessidade de água. Há dois vigias do Museu, à porta, e dois vigias indígenas acompanhando-os, sem qualquer problema. É só dizer que estão levando colchonetes ou alimentos.

Fora isso, estamos [email protected], [email protected] que moramos no Rio de Janeiro e quem mais se dispuser à viagem, a estar com eles e elas amanhã, no horário normal de funcionamento do Museu do Índio, dando um importante apoio e solidariedade.

É hora de mostramentos quem somos e como nos colocamos na luta, afinal. No que diz respeito a este Blog, todo o nosso apoio à Aldeia Maracaná e a tudo o que ela simboliza, principalmente a partir de ontem.

Vamos [email protected] na luta, por tudo em que acreditamos!

Comments (7)

  1. O estado só está preparado para atuar como criminosos quanto aos direitos da população. Os três poderes estão corrompidos, dominados pela ambição e conviventes com o maldito ego. Os políticos do bem não conseguem superar os malditos e canibalistas políticos que reagem com armas contra o povo faminto pelos seus direitos. O inferno, está claro, é aqui mesmo!

  2. O secretário de cultura ( qual o tipo de cultura ele possui) declarou que não existem indios no RJ . Pois ele não conhece o RJ na minha familia tenho indios, no entanto naquela época não havia racismo em impedir o indio de adquirir conhecimento. por isso meu pai se formou e venho a ser um grande cientista. O QUE EU VEJO NO RJ é um ódio ao pobre, e uma falta grande de cultura. CONTO nos dedos de uma das mãos quem sabe o que quer dizer carioca. E em Niteroi, Itaipu, Itacoatiara, Itaipuaçu. O que é um sambaqui, que existe na praia de Itaipu? QUE CULTURA e essa que não sabe nem a História do proprio ESTADO ? E a mesma que fez o CABRAL declarar funk uma musica nacional? Prefiro a indigena, pelo menos eles tentam preservar suas musicas e tradicoes.

  3. A sabedoria milenar dos povos indígenas dessa terra é surpreendente, uma atitude como essa somente eles tem a capacidade de organizar as estratégias de resistência, parabéns a todas as etnias desse Brasil, sobreviverão a qualquer tipo de crueldade ressurgindo das cinzas da historia que se repete fente ao capital e aos interesses dos poderosos!

  4. Ousar lutar, ousar vencer!
    Estou e moro em Petrópolis, mas, mobilizo agora amigos e parentes no Rio para estarem ai e levarem o que puderem.
    Brava gente brasileira, os índios cariocas!
    Avante!

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