Serra da Rajada e a africanidade cearense

Leonardo Sampaio *

Adital – A Serra da Rajada no município de Caucaia vem acolhendo o principal núcleo científico de estudo sobre a africanidade cearense da Universidade Federal do Ceará – UFC. A Serra se caracteriza pelas suas belezas verdejantes e um potencial de árvores frutíferas por onde as águas cristalinas correm livremente constituindo cachoeiras e córregos com piscinas naturais em um solo fértil de vida orgânica com fauna e flora própria de uma natureza viva que acolhe sorridente o afrodecendente que ali reside e aprecia nas manhãs, o serrote da Rajada com seu orvalho umedecendo o ar e nublando o verde com imagens entre nuvens que se misturam aos raios solar do fim de tarde, onde o universo planetário nos traz o luar estrelado nas noites serranas cheia de espiritualidade dos orixás, da mãe terra, do Pai tupã e o Deus que abençoa a vida em comunhão, justiça e fraternidade.

A Serra da Rajada é também marcada pela escravatura, onde os escombros das senzalas e os casarões registram a presença do coronelismo com a cultura do café, que pode ser identificado pelos imensos pilões existentes na Casa Grande. Já a Capela ao lado da Casa simboliza a unidade do escravismo com cristianismo para espantar Exu e Orixás que espiritualizam com oferendas a alma negra africana nas matas do topo da Serra.

Esta Serra calada e escondida nas suas entranhas e belezas precisa ser institucionalizada como Área de Preservação Ambiental – APA, podendo ser tratada também como patrimônio histórico de Caucaia, do Ceará, do Brasil e da humanidade para tornar-se mais um instrumento de bem viver do planeta. (mais…)

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Perú: 60 comunidades arriban a Iquitos para protestar por derrame en el Marañón

Servindi, 12 de julio, 2010.- Aproximadamente representantes de sesenta comunidades indígenas ubicadas a orillas del río Marañón llegarán hoy en la tarde a Iquitos para protestar por el derrame de petróleo ocurrido el 19 de junio.

Las comunidades pertenecientes a diferentes etnias se encuentran afectadas por la actividad extractiva que desarrolla en la zona la empresa de origen argentina Pluspetrol, que derramó 400 barriles de crudo en el río Marañón.

Las delegaciones de comunidades y caseríos como Parinari, Lisboa, Lagunillas, Bagazán, entre otros, exigirán al Gobierno Regional de Loreto adoptar acciones inmediatas que impidan se agrave la contaminación de los ríos y atiendan a la población afectada.

Desde el derrame la población se ha visto obligada a cambiar su forma de vida y exigen se declare en emergencia toda la provincia de Loreto y se denuncie a la empresa Pluspetrol por el abandono en que los tienen. (mais…)

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Obras de infraestrutura impactam povos indígenas, afirma relatório do Cimi

Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br

Grandes projetos de infraestrutura impactam territórios indígenas e afetam a vida de diversos povos.  Essa foi uma das conclusões do Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil- 2009, lançado na sexta-feira (9), pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Segundo o estudo, os grandes projetos do governo federal, que causam danos, vão desde pequenas centrais hidrelétricas a programas de ecoturismo, gasodutos, exploração mineral, ferrovias e hidrovias.

Exemplo de tais obras é a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.  De acordo com o documento, a usina trará consequências desastrosas e irreversíveis ao meio ambiente e às comunidades da região.  “Diversos especialistas e movimentos sociais já apontaram o número sem fim de irregularidades que envolvem a obra, como o não respeito à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que assegura o direito de oitiva às populações em caso de obras que lhes afetem”, diz o relatório. (mais…)

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Vigiados pela polícia, índios continuam na Esplanada, mesmo sem estrutura

Fonte: Correio Braziliense
Link: http://www.correioweb.com.br/

Sem suas barracas ou qualquer outra estrutura para permanecerem na Esplanada dos Ministérios, os índios, que ficaram acampados no local por mais de seis meses, tentam agora à noite achar um destino para as crianças. As dezenas de meninos e meninas – segundo as lideranças do movimento, mais de 50 crianças – devem ir para duas aldeias próximas a Brasília, para fugirem do frio e do relento.

Na madrugada deste sábado (10/7), a partir das 5h, policiais militares e soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope) promoveram a desocupação dos cerca de 100 índios do canteiro central da Esplanada dos Ministérios. Na prática, barracas e pertences foram recolhidos pela polícia, e não os próprios índios que estavam acampados em protesto contra o governo federal.

Os adultos iriam permanecer no local, segundo Carlos Pankararu, de 38 anos, líder do movimento. “Ficamos aqui até sermos recebidos pelo ministro da Justiça”, disse. Por volta das 20h, ainda era grande a permanência de índios na Esplanada, mas numa quantidade inferior à do acampamento antes existente no local.

Quatro carros da Polícia Militar (PM), com as luzes ligadas, mantinham a vigilância do grupo indígena, que reúne diferentes etnias. A orientação dos policiais é para monitorar os índios e evitar que novas barracas sejam erguidas no local.

http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=360332

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Pará tem 100 mil menores de idade trabalhando

Fonte: Diário do Pará

Link: http://www.diariodopara.com.br/

Amanhã, dia 13 de julho, o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) completa 20 anos em meio a polêmicas.  Para muitos o Estatuto trouxe de fato proteção e garantias para crianças e adolescentes, para outros nem tanto, mas todos concordam com a sua importância.  Na prática um dos problemas sérios do dia a dia continua a ser enfrentado, mas está longe de ter uma solução: o trabalho infantil de crianças e adolescentes.

Fruto do trabalho de centenas de entidades, de milhares de pessoas e de algumas políticas públicas, o trabalho infantil tem diminuído nos últimos anos, não só no Pará, mas também na região Norte e em todo o Brasil.  Mesmo assim, o número de crianças e adolescentes que ainda estão trabalhando, muitas das vezes sem nenhum tipo de remuneração ainda é muito grande.

Mesmo com o ECA em vigor, vários fatores têm contribuído para que muitas crianças continuem ocupadas em vez de estarem estudando, entre eles a falta de emprego para os pais e a baixa remuneração das famílias que detêm menores. (mais…)

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Copa: futebol, racismo e política

Quando Lúcio, o aplicado capitão da seleção canarinho, leu mensagem condenando o racismo antes daquela fatídica partida contra a Holanda, talvez não pudesse medir o grande alcance de seu gesto, que nos obriga a recuperar um fase da história recente. Condenar ali mesmo o racismo era imperioso pois era respeitar aquele povo e também alertar para as novas expressões racistas que estão se projetando em outros países, inclusive países que estavam ali disputando o certame. O artigo é de Beto Almeida.

Beto Almeida (*)

Vai chegando ao final a primeira Copa do Mundo de Futebol realizada na África. Talvez a frustração da torcida brasileira, combinada com uma destrambelhada cobertura midiática, – que exortou sentimentos racistas contra paraguaios e de hostilidade gratuita contra argentinos – não tenha permitido compreender que o simples fato da Copa ter sido na África do Sul é uma grande vitória contra o racismo internacional e contra as grandes potências capitalistas que tentaram boicotar ou desmoralizar os africanos. Mas, sobretudo, é a vitória de um país e de um povo que sequer participou da Copa. Cuba, que ao derrotar o exército racista sul-africano em Cuito Cuanavale, Angola, para onde enviou 400 mil soldados, deu o passo fundamental para a libertação da África do Sul. “A Batalha de Cuito Cuanavale foi o começo do fim do apartheid. E isto devemos a Cuba”, disse Mandela, após ser liberado de 27 anos de prisão. A torcida mundial deveria ser amplamente informada destas verdades. (mais…)

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A África real

É fundamental que o Brasil leve em consideração o fato de que a questão dos chamados Estados falidos está intimamente associada a uma disputa exacerbada entre as grandes potências e, se quiser ter uma atuação que vá além da realização de seus interesses, é fundamental levar em consideração que o espaço geopolítico da África é composto por vários centros de poder, de natureza funcional distinta (militar, econômica, ideológica) com uma ampla variedade de problemas e prioridades que não se vinculam as dinâmicas pautadas exclusivamente às regras formalmente estabelecidas pela comunidade internacional. O artigo é de Reginaldo Nasser.

Reginaldo Nasser (*)

Desde o início de seu governo, não há uma única viagem internacional de Lula ao Oriente Médio ou a África que não mereça crítica virulenta da oposição. De uma forma geral as críticas batem nas mesmas teclas: “ilusão terceiro-mundista”, “amigo dos ditadores” ou “cooperações ineficientes”.

As imagens mais freqüentes evocadas por esses críticos são as de um continente imerso em uma mescla de corrupção, doenças, guerras e pobreza. Porém, antes de qualquer definição a respeito das estratégias de ação internacional é preciso reconhecer que o continente africano é um verdadeiro mosaico composto por uma grande variedade de sociedades de matriz religiosa, cultural, étnica e política muito diversa; o que torna praticamente impossível definir o que seja “África”. (mais…)

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13 de Julho 2010 – um ano de greve no Canadá para a vitória contra Vale

São Luís do Maranhão faz memória em solidariedade e lança o filme “Não Vale”

Em 8 de julho, membros do sindicato USW no Canadá ratificaram um acordo coletivo de 5 anos de duração com a gigante da mineração Vale. O acordo põe fim à greve que começou há um ano, envolvendo 3.200 mineiros em Sudbury e Port Colborne, Ontario. Os trabalhadores canadenses se mantiveram unidos, travando uma luta sem precedentes contra uma enorme multinacional e conquistando melhorias significativas em muitas das questões principais da greve.

Este acordo não teria sido possível sem a solidariedade e apoio dos milhares de aliados sindicais e da sociedade civil no Brasil e ao redor do mundo, que se engajaram na campanha global por um acordo justo. Por causa dessa campanha global, os trabalhadores de toda parte passaram a entender como a atual direção da Vale conduz seus negócios — extraindo lucros às custas dos trabalhadores e das comunidades.

Não Vale! – um filme sobre o impacto da Vale em Carajás (mais…)

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Omissão do Estado deixou mais de 23 mil índios sem atendimento à saúde em 2009, diz Cimi

O presidente do Cimi, dom Erwin Krautler, fala sobre violência contra indígenas no Brasil. Foto: ABr
O presidente do Cimi, dom Erwin Krautler, fala sobre violência contra indígenas no Brasil. Foto: ABr
Mais de 23 mil indígenas ficaram sem atendimento à saúde por omissão do Poder Público no ano passado, segundo o relatório anual Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado, no dia 9/7, em Brasília, pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica.

De acordo com a entidade, a falta de assistência aos indígenas levou 41 adultos e 16 crianças à morte. A omissão do Estado também foi relacionada a 90 casos de desnutrição, 41 casos de dependência química e até 19 casos de suicídio e tentativas de suicídio entre os indígenas.

O Cimi também diz que há omissão do Estado, refletido sobretudo pela morosidade, em relação à regularização de terras indígenas, o que provoca violência no campo. Segundo o documento, antecipado pela Agência Brasil na última terça-feira (6), 60 indígenas morreram assassinados no ano passado, principalmente por causa do conflito de terras com fazendeiros.

Mais da metade das mortes ocorreram em Mato Grosso do Sul, estado que tem a maior expansão da produção de etanol. De acordo com o Cimi, há lentidão do governo federal em identificar, demarcar e homologar as terras indígenas. Segundo o coordenador regional do Cimi no estado, Egon Heck, há cerca de 20 áreas em processo de regularização em Mato Grosso do Sul, que deveria ter sido concluído há mais de um ano, conforme Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo Fundação Nacional do Índio (Funai). (mais…)

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O limite de propriedade fundiária e a função social da terra, artigo de Guilherme C. Delgado

plebiscito sobre o tamanho da propriedade fundiária

O plebiscito sobre o tamanho da propriedade fundiária, convocado pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo e a reforma do Código Florestal, sob patrocínio da CNA, Bancada Ruralista, assinado pelo Deputado Aldo Rebelo, caminham em sentidos opostos àquilo que tem de essencial ao principio da função social.

A primeira iniciativa reforça o conceito da terra e dos recursos naturais em geral, regidos pelo direito constitucional à categoria de um bem social. Já a segunda iniciativa contraria todo o sentido de bem público que o constituinte, e antes dele a própria legislação ordinária, pretenderam estabelecer.

Não obstante a letra da Lei, o Brasil sofre hoje, de Norte a Sul do País, consequências devastadoras da incúria com que vem se tratando as questões do meio ambiente e da propriedade fundiária. .E cada vez mais cresce a consciência de que enchentes e inundações freqüentes e calamitosas não são obras da mão do acaso.

Muito disto se deve a matas ciliares rurais degradadas, espaços urbanos desprovidos de equilibrada coabitação com áreas preservadas, sistemas hídricos danificados pelo lixo e outras tantas formas de degradação ambiental, que em certo sentido refletem uma cultura de socialização das perdas e privatização dos lucros no que se refere à apropriação dos recursos naturais. (mais…)

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