Defensoria consegue decisão favorável à famílias que perderam casas em Vitória

vitoria familiasES Hoje

A Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo conseguiu uma decisão liminar para que a Prefeitura de Vitória pague aluguel provisório para Priscila e Elson Gonçalves da Silva. Eles são irmãos e vizinhos no Morro Moscoso e, com as fortes chuvas que assolaram o Espírito Santo em 2013, tiveram suas casas interditadas pela Defesa Civil.

Priscila, que mora com os pais idosos e doentes e dois irmãos menores de idade, precisou alugar outro imóvel, pois sua casa ficou destruída e havia risco de desabamento. Com isso, a Prefeitura passou a custear o aluguel provisório, com o repasse mensal de um salário mínimo.

Porém, em março deste ano, Priscila recebeu um Termo de Ciência informando a suspensão do benefício neste mês de abril. Segundo o documento, a família não se enquadrava nos requisitos impostos pela legislação vigente, por possuir renda familiar e per capita acima do mínimo previsto.

A Defensoria Pública, por meio da defensora Hellen Nicácio, ingressou com uma ação cautelar, no dia 19 de março, para restabelecer o pagamento do beneficio. “Os cidadãos que estão em grave situação de risco não podem ficar à mercê de sua própria sorte, aguardando os tramites burocráticos intermináveis”, afirma a defensora. (mais…)

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Indígenas Guarani, o direito à cidade e o Plano Diretor

Manifestação do povo Guarani no Pátio do Colégio, em São Paulo (Divulgação)
Manifestação do povo Guarani no Pátio do Colégio, em São Paulo (Divulgação)

Quantos são, onde e como moram, que direitos têm os indígenas que habitam São Paulo?

Nabil Bonduki, Carta Capital

Nesta semana, indígenas guarani de aldeias localizadas na Região Metropolitana de São Paulo ocuparam o interior do Pátio do Colégio, local onde a cidade foi fundada em 1554, em meio a um aldeamento de índios. Os guarani reivindicam do Ministério da Justiça a demarcação de suas terras nessa região.

Perto dali, na Câmara Municipal, movimentos de moradia, associações de moradores, grupos culturais, ambientalistas, cicloativistas e agricultores familiares participaram de audiências públicas sobre o substitutivo do Plano Diretor e, majoritariamente, defenderam sua aprovação. Os dois fatos, aparentemente desconexos, são faces da diversidade social e cultural de São Paulo e expressam diferentes vertentes da luta pelo direito à cidade.

Para a maioria dos paulistanos, a presença indígena em São Paulo se reduz à memória gravada nos nomes dos bairros, das ruas e das praças da cidade. Anhangabaú, Tamanduateí, Tatuapé, Butantã, Jurubatuba são nomes guarani que remetem à água, às plantas e aos animais como é comum na língua desse povo cujo modo de vida é indissociável da floresta e da natureza. (mais…)

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Desmatamento em Áreas Protegidas Reduzidas na Amazônia

livro imazonImazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia

Entre 1995 e 2013, o governo federal e os governos estaduais de Rondônia, Mato Grosso e Pará retiraram a proteção de 2,5 milhões de hectares em 38 Áreas Protegidas (AP) – Unidades de Conservação (UC) e Terras Indígenas (TI) – na Amazônia Legal. As principais justificativas para isso foram ocupações, em 74% dos casos, e instalação de projetos hidrelétricos, em 42%. Em dez áreas avaliadas, cinco anos após a redução da proteção legal o desmatamento aumentou em média 50% em comparação com os cinco anos anteriores à perda de proteção.

A expansão de infraestrutura como a construção de hidrelétricas e estradas, e políticas públicas que facilitam a ocupação ilegal de terras públicas na região sugerem que novas alterações podem ocorrer, o que aumenta o risco de desmatamento em APs.

Para garantir o sucesso das APs contra o desmatamento e na proteção dos direitos das populações locais, recomendamos: i) combater o desmatamento especulativo; ii) tornar a fiscalização de crimes ambientais mais efetiva; iii) acelerar a integração econômica das UCs à economia local; iv) regularizar a situação nas áreas já ocupadas; e v) evitar perdas quando a alteração for inevitável.

Baixe aqui o arquivo

Martins, H., Araújo, E., Vedoveto, M., Monteiro, D., & Barreto, P. 2014. Desmatamento em Áreas Protegidas Reduzidas na Amazônia (p. 20). Belém: Imazon.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Elen Pessôa.

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CCJ aprova aumento de pena para crime contra dignidade sexual de indígena

Marcello Larcher, Câmara Federal

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados (CCJ) aprovou nesta terça-feira (22) proposta que altera o Estatuto do Índio (Lei 6.001/73) para fixar em 1/3 o aumento da pena aplicada aos crimes contra a dignidade sexual em que a vítima seja índio não integrado ou de comunidade indígena.

Pelo Projeto de Lei 693/11, do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), haverá adaptação no estatuto à nova redação do Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40).

Pela nova redação, o título 6º do código passou a ser “dos crimes contra a dignidade sexual”, em substituição à denominação anterior: “dos crimes contra o costume”. Em razão da exclusão do termo “costumes”, o Estatuto do Índio passou a ter uma referência desatualizada, segundo o autor da proposta.

O texto do estatuto estabelece atualmente que “no caso de crime contra a pessoa, o patrimônio ou os costumes, em que o ofendido seja índio não integrado ou de comunidade indígena, a pena será agravada de um terço”. Já o projeto propõe a substituição do termo “os costumes” por “a dignidade sexual” a fim de torná-lo atual.

O relator na comissão, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), apresentou parecer pela aprovação da matéria. Ele ressaltou que o projeto está de acordo com as novas redações do Código Penal e da Constituição, e considerou a proposta justa.

Nesta semana, em alusão ao Dia do Índio (19 de abril), a CCJ destaca em pauta de votações propostas que possam ampliar os direitos e preservação da cultura indígena brasileira.

Tramitação

O PL 693/11 ainda será analisado pelo Plenário da Câmara.

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A Terra Indígena Morro dos Cavalos pertence aos Guarani e deve ser respeitada

MorrodosCavalosCimi Regional Sul

A ocupação da TI Morro dos Cavalos pelo “acampamento Amarildo de Souza”, no último dia 16 de abril, é mais um ato de violência contra os Guarani promovido pelos governos Estadual e Federal. Essa é a posição do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) – Regional Sul ao constatar que apesar da legislação brasileira ser clara no sentido da indisponibilidade e exclusividade no uso das terras pelos povos indígenas, os governos continuam tratando como se fosse terra de ninguém e ignorando a posição e opinião dos indígenas.  Por outro lado, o Cimi solidariza-se aos “acampados” que dignamente lutam por terra, moradia e justiça e que vêm sendo tratados como marginais por parte das autoridades e da elite catarinense.

É lamentável que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o governo do estado não tiveram competência e vontade política para buscar um local apropriado para assentar as famílias apesar do acordo estabelecido em 07 de fevereiro perante o juiz agrário. Para o Cimi Sul não há dúvidas que a transferência dos acampados para o interior da TI Morro dos Cavalos tem como objetivo não resolver o problema, fazer com que o caso caia no esquecimento e criar mais imbróglios políticos com relação a homologação da referida Terra Indígena. (mais…)

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Pará: o paradoxo da riqueza sem progresso

vale do rio do ceruPelo porto de São Luiz, escorre riqueza mineral do Estado. Cofres da Vale enchem-se; população empobrece e sofre com serviços públicos degradados 

Por Lúcio Flávio Pinto, em A Vale que vale

Um número cada vez maior de paraenses, sobretudo aqueles que têm a oportunidade de confrontar o que acontece na sua terra com outras realidades, dentro e fora do Brasil, se inquietam diante de uma realidade que se impõe: embora o Pará cresça, não acompanha a evolução dos Estados que já estavam no topo do ranking nacional ou que a ele se agregam em função do seu melhor desempenho recente. Como isso acontece, se o Pará é tão rico em recursos naturais?

A resposta poderia começar a ser buscada trocando-se o sinal interrogativo pelo afirmativo: isso acontece porque o Pará é rico em recursos naturais. Um território tão bem dotado de minérios, água, florestas, solos e espaço parte com vantagens comparativas (ou competitivas) invejáveis. Não significa que alcançará primeiro o ponto de chegada. Pode dar-se exatamente o contrário: confiando na abundância de seus bens naturais, que constituem um invejável capital físico, subestima ou desdenha sua capacidade de utilizar esse potencial. Não investe na qualificação humana o suficiente para saber o que fazer (e como fazer) para tirar o maior proveito possível desses atributos geográficos. (mais…)

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MS pede apuração de casos de grávidas que deram à luz na calçada

partos calçadas

Deise (esquerda), em Santo Amaro da Purificação (BA), e Leilane, no RJ, salvas com a ajuda de moradores e soldados, respectivamente

por Conceição Lemes, Viomundo

Deise Santana dos Santos, 19 anos, em Santo Amaro da Purificação (BA). Leilane da Silva, 22, na cidade do Rio de Janeiro.

Na semana passada, com intervalo de apenas quatro dias, as duas jovens protagonizaram uma vergonha nacional: o descaso, crueldade, negligência e desrespeito aos direitos humanos com que muitas grávidas brasileiras, principalmente de baixa renda e negras, ainda são tratadas na hora do parto.

Elas deram à luz  na calçada dos serviços que lhes negaram atendimento. Deise, no portão do Hospital Maternidade de Santo Amaro, instituição privada conveniada ao SUS,  que se manteve trancado, apesar dos seus gritos de dor e da revolta de transeuntes e moradores próximos ao local. Leilane, na porta do Hospital Municipal Barata Ribeiro, na Mangueira.

“Já pedi apuração urgente dos dois casos”, diz, indignado, ao Viomundo, o ministro da Saúde, Arthur Chioro.” Vamos identificar e responsabilizar possível negligência no atendimento ou omissão de socorro por serviços e profissionais de saúde.” (mais…)

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Senado aprova Marco Civil da Internet

Projeto é considerado a ‘Constituição da internet’. Foto: Moreira Mariz/Agência Senado
Projeto é considerado a ‘Constituição da internet’. Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

Projeto foi aprovado por unanimidade e agora segue para sanção da presidente Dilma Rousseff

Por Redação Link

À toque de caixa, o plenário do Senado aprovou ontem o Marco Civil da Internet e o projeto segue agora para sanção presidencial. Mesmo com o esforço da oposição para ganhar tempo e discutir ajustes no projeto aprovado na Câmara dos Deputados há menos de um mês, a base aliada se impôs à minoria. Com a aprovação, a presidente Dilma Rousseff terá a chance de apresentar o marco regulatório no Net Mundial, evento internacional que trata da governança da internet.

A votação foi marcada até por bate-boca em plenário entre o petista Lindbergh Farias (RJ) e o presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG). No calor da discussão sobre a inversão de pauta, o senador Mário Couto (PSDB-PA) saiu em defesa do colega tucano e teve de ser apartado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). (mais…)

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CE – Fórum Justiça visita retomada Tapeba

tapeba rodrigoRodrigo de Medeiros

Por décadas os Tapebas lutam pela efetivação da Constituição de 1988, no tocante ao direito a suas terras. (art. 231). Todavia, vêm encontrando entraves burocráticos e/ou jurídicos, o que se constitui num contra senso. Uma contradição porque o Estado, seja em sua função administrativa, seja na sua função jurisdicional, é que deveria executar medidas e resguardar direitos, para a realização do ordenamento jurídico.

No final de agosto do ano passado foi, finalmente, publicado Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Tapeba. Contudo, esta não é a última etapa para a homologação do território. A partir de então está aberta a possibilidade de contestações de um processo que já sofreu diversos recomeços. (mais…)

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Quatro anos do assassinato de Zé Maria, uma luta contra os agrotóxicos e por justiça!

Camila Garcia
Camila Garcia

Zé Maria do Tomé, líder comunitário e ambientalista, foi assassinado por denunciar as consequências da pulverização aérea de agrotóxicos e irregularidades na concessão de terras nos perímetros irrigados da região da Chapada do Apodi, Ceará

Por Cláudio Silva, do Ceará, no Brasil de Fato

No dia 21 de abril completou quatro anos do assassinato da liderança comunitária e ambientalista José Maria Filho, o Zé Maria do Tomé. Após oito dias, no dia 29 de abril, será realizada mais uma importante audiência do processo judicial que apura o homicídio.

Zé Maria foi assassinado com mais de vinte tiros, à queima roupa, próximo a sua residência, na comunidade de Tomé, zona rural de Limoeiro do Norte (CE). O defensor de direitos humanos destacou-se na luta contra a pulverização aérea de agrotóxicos, na Chapada do Apodi, Ceará. Essa atividade, promovida por grandes empresas do agronegócio, causa a contaminação da água, plantações e solo das comunidades da região. Além disso, provoca diversas doenças nos trabalhadores das empresas e moradores. Essas denúncias encontraram repercussões em ações judiciais, procedimentos do Ministério Público (Estadual, Federal e Trabalhista) e em inúmeras pesquisas acadêmicas. (mais…)

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