Deixem tudo na Mãe Terra

Delegados indígenas da América do Sul se integram, a pé, em lanchas ou ônibus, à Caravana Kari-Oca, que os levará à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, onde esperam interpelar os governantes do mundo. “Representaremos milhares de comunidades aborígines da América do Sul”, disse ao Terramérica o líder huaorani Moi Enomenga, momentos antes de tomar em Quito o ônibus que demorará nove dias para chegar ao Rio de Janeiro, sede da Rio+20.

A reportagem é de Stephen Leahy, da IPS, e publicada pelo sítio Envolverde, 11-06-2012.

Outros dirigentes indígenas se unirão a eles durante a viagem. Os huaoranis são um povo amazônico que habita o leste do Equador, em uma área de exploração petrolífera. A Rio+20 se apresenta como um espaço intergovernamental para adotar soluções para a crise mundial de sustentabilidade, que se manifesta no reiterado fracasso da economia globalizada, na carestia de alimentos, nos problemas energéticos e nos males ambientais globais, como a mudança climática e a perda de biodiversidade.

“Nós, indígenas, estivemos divididos durante anos. Agora vamos nos unir”, declarou Moi, que nasceu em uma comunidade sem contato com o mundo ocidental, ou em isolamento voluntário, e atualmente preside a Associação Quehueri’ono. “Nem todos podem ouvir a voz que chega da Mãe Terra vinda da selva, e queremos levar essa voz ao Rio”, acrescentou. De 14 a 22 deste mês acontecerá a Cúpula Mundial dos Povos Indígenas sobre Territórios, Direitos e Desenvolvimento Sustentável na aldeia Kari-Oca II, especialmente construída por indígenas brasileiros a cinco quilômetros da sede da conferência oficial. (mais…)

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Seminário Saneamento e Saúde Ambiental: Reflexões sobre a Rio+20 continua à tarde com exposição e lançamento de livro

Todo evento está sendo transmitido em tempo real pelo Portal da ENSP. Acesse aqui.

Nesta segunda-feira, às 12h30, será lançada a I Expo Saneamento e Saúde Ambiental durante o seminário Saneamento e Saúde Ambiental: Reflexões sobre a Rio+20, que acontece durante toda semana na Tenda da Ciência. A exposição é aberta ao público e é composta por fotografias, além de informações sobre ações de saneamento. Também haverá estandes da Funasa, da Comlurb, da Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca da Prefeitura de Itaguaí, da Defesa Civil do Rio de Janeiro, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) e da Escola Nacional de Saúde Pública. A I Expo conta também com uma mostra de banners sobre o trabalho de pesquisadores e alunos da Escola.

A partir das 14 horas, será realizada palestra do coordenador de Saneamento Rural da Funasa, Everaldo Silva. Em seguida, às 15 horas, uma homenagem ao fundador do departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da ENSP, Szachna  Eliasz Cynamon, com o lançamento do livro ‘As aventuras de um sanitarista bandeirante’.

O seminário acontece até 15 de junho e tem o objetivo de criar um espaço de discussão sobre temas que serão abordados na Rio+20.

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O que Marx escreveria no quinto volume de O Capital

Se estivesse vivo, Marx prestaria mais atenção no que acontece hoje fora da fábrica, ou seja, nas relações monetárias e fiscais que transferem renda direta dos mais pobres para os muito ricos, seja no boom, seja especialmente nos momentos de crise econômica, pela via da disputa do orçamento público. Por que os conservadores europeus, chefiados por Merkel, advogam políticas monetárias expansivas e políticas fiscais restritivas? 

J. Carlos de Assis (*)

Custou a Marx quatro volumes de “O Capital” para demonstrar que o fundamento da acumulação de lucro pelo capitalista estava na apropriação da mais valia, isto é, na apropriação da diferença entre o valor de reprodução da força de trabalho e o valor dos bens que ela produz. Isso mudou. Se estivesse vivo, Marx prestaria mais atenção no que acontece hoje fora da fábrica, ou seja, nas relações monetárias e fiscais que transferem renda direta dos mais pobres para os muito ricos, seja no boom, seja especialmente nos momentos de crise econômica, pela via da disputa do orçamento público. (mais…)

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Pescadores pedem lei de proteção em Brasília

O Lançamento da Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras reuniu 2 mil pescadores e pescadoras artesanais de 16 Estados brasileiros, reafirmando o desejo por uma lei de iniciativa popular que garanta o direito das comunidades pesqueiras sobre as terras e as águas.

Pescadores e Pescadoras de vários estados do Brasil dos rios, açudes, estuários e do mar tinham um único objetivo: poder viver, morar, preservar e trabalhar em suas comunidades, tendo na pesca artesanal sua fonte de sustento e prática cultural. Com esse sentimento o Lançamento da Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras aconteceu de 04 a 06 de junho, no Pavilhão de Exposição do Parque da Cidade, em Brasília / DF. (mais…)

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Rio+20 terá eventos paralelos e simultâneos em mais de uma semana de discussões

Renata Giraldi*

Brasília –  A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, terá três momentos distintos e alguns deles ocorrerão paralelamente. Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, a capital fluminense sediará a 3ª Reunião do Comitê Preparatório, quando técnicos de todos os países se reunirão para elaborar os esboços dos documentos que serão examinados pelos presidentes e primeiros-ministros.

De 16  e 19 de junho, integrantes da sociedade civil, como representantes de organizações não governamentais e universidades, participam de 18 mesas de discussões. A ideia é buscar alternativas sobre políticas sociais associadas à economia verde e ao desenvolvimento sustentável. As propostas apresentadas durante esses debates serão encaminhadas aos presidentes e primeiros-ministros.

Os debates sociais se concentrarão na Arena da Barra, na qual há dez salas de reunião, e no Parque do Flamengo, com espaço para receber até 15 mil pessoas. Há, ainda, espetáculos e eventos organizados no Museu de Arte Moderna e Pier Mauá.

Na última etapa da conferência, de 20 a 22 de junho, ocorrerão as reuniões dos presidentes da República e primeiros-ministros, além dos dirigentes da Organização das Nações Unidas (ONU). As autoridades vão analisar todos os documentos elaborados ao longo da conferência e definir um texto  para a declaração final. (mais…)

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Marcha 14/06 – Ações de estudantes africanos/as contra atos racistas e discriminatórios na Paraíba

Os estudantes africanos da Paraíba realizarão marcha de protesto, no dia 14 de junho, contra as agressões que vêm sofrendo. Palarelamente, encaminharam carta ao Embaixador de Cabo Verde no Brasil, Dr. Daniel Pereira, solicitando uma reação diplomática conjunta, condenando as práticas de racismo e discriminação. Os estudantes fazem questão, entretanto, de reafirmar que essas práticas são isoladas, e não representam a forma como são recebidos e tratados pela maioria de seus colegas brasileiros. Abaixo, o conteúdo da carta: (mais…)

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O agitador

Por Francisco Julião*

Agitador, sim! Como é possível conceber a vida sem agitação? Porque o vento agita a planta, o pólen se une ao pólen de onde nasce o fruto e se abotoa a espiga que amadurece nas searas. O gameto masculino busca o óvulo porque há uma causa que o agita. Se o coração não se agita, o sangue não circula e a vida se apaga. Que dizer da bandeira que se hasteia ao mastro e não se agita? É uma bandeira morta. Qual é, por excelência, o mérito tão grande de Bartolomeu de Las Casas? Haver agitado de maneira extraordinária o problema do índio durante sua larga e fecunda existência. É agitando que se transforma a vida, o homem, a sociedade, o mundo. Quem nega a agitação, nega as leis da natureza, a dialética, a ciência, a justiça, a verdade, a si próprio. Sabe o físico que para manter a água cristalina tem de agitá-la antes de lhe derramar o sulfato de alumínio que toma as partículas de impureza e desce com elas para o fundo. Manda o médico que se agite certos remédios no momento de tomá-los e o farmacêutico chega a escrever nas bulas este aviso: ‘Agite antes de usar”.

O crime não está em agitar, mas em permanecer imóvel. Uma sociedade que não se agita é como um charco, suas instituições se estagnam e apodrecem. Inútil, portanto, é tentar reprimir a agitação, envolvendo-a nas malhas do libelo acusatório. Tudo passa sobre a face da terra e debaixo das estrelas, os impérios, as tiranias, os carrascos. Mas a agitação nunca passará. Nem que haja a consumação dos séculos de que falam os profetas bíblicos. É que ela, a agitação, se nutre de uma paixão. A paixão da verdade.

*Francisco Julião foi Deputado Estadual e Federal por Pernambuco; organizou e liderou as Ligas Camponesas no período pré-golpe de 1964.

http://blogln.ning.com/profiles/blog/show?id=2189391%3ABlogPost%3A996718

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Os Enawenê-Nawê: o que a Globo não disse, por Egon Heck

Numa produção milionária, com belíssimas imagens, a emissora global levou ao ar, logo depois do dia mundial do meio ambiente e no ambiente da Rio+20, o programa com a reportagem sobre os  Enawenê-Nawê. No Centro de Formação Vicente Cañas, um grupo de missionários do Cimi assistiu o programa. Parte deles está realizando um encontro sobre os mais de 70 grupos indígenas em situação de isolamento voluntário (os “isolados”) que fogem do contato de morte, das violências e das doenças.

Eles têm acompanhado a caminhada dos membros do Cimi junto a grupos contatados a partir da década de 1970, como foi o caso dos Enawenê-Nawê, Myky e Suruahã. Conforme o missionário Francisco Loebens, que participou dos primeiros contatos com os Suruahã, “o governo procura insensibilizar os grupos isolados até aprovar suas grandes obras, como aconteceu com a construção das hidrelétricas de Girau e Santo Antonio, no rio Madeira. Outra situação acintosa é a dos Awá-Guajá, no Maranhão. Quase duas centenas de serrarias atuam dentro da terra desse povo, com impactos de violências e ameaças de extermínio do grupo, sob a omissão dos governantes, em todos os níveis”. A entidade Survival International está realizando uma ampla campanha de denúncia dessa situação, exigindo providências urgentes para evitar o genocídio desse povo.

Não poderíamos deixar de manifestar nossa admiração pela realidade tão rica em cultura, símbolos, arte, sabedoria, que boa parte de brasileiros agora conhece dos Enawenê-Nawê. É sem dúvida uma contribuição para a humanidade, e principalmente aos governantes cegados pelo sistema da acumulação, destruição da natureza, mercantilizarão da vida e consumismo absurdo. (mais…)

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Homenagem a Pinochet causa indignação

Ex-apoiadores de Augusto Pinochet convocaram uma homenagem ao ex-ditador para este domingo (10). Organizações sociais, grupos de defesa dos direitos humanos, políticos e familiares de vítimas do genocida, se opuseram à realização do evento e pediram sua proibição. A Justiça chilena, porém, autorizou o ato. O Prêmio Nobel da Paz em 1980, Adolfo Pérez Esquivel, considerou uma “aberração” e um “atentado contra a democracia” a suposta homenagem

Christian Palma

Santiago – O número de vítimas da ditadura encabeçada por Augusto Pinochet (1973-1990) superou 40 mil pessoas, cifra na qual se incluem 3.225 mortos ou desaparecidos e milhares de torturados e exilados, segundo um informe oficial elaborado pela Comissão Valech, que investiga os abusos contra os direitos humanos no Chile nas décadas de 1970 e 1980. Apesar desses números horrorosos, um grupo de rançosos apoiadores das botinas e baionetas militares pretende realizar uma homenagem ao genocida neste domingo. Mas não será fácil. Diversas organizações sociais, grupos de defesa dos direitos humanos, políticos e familiares de vítimas do horror, se opuseram ao evento que será realizado em um estádio no centro de Santiago. (mais…)

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