Rio+20: Google Earth lança “mapa cultural” de indígenas da Amazônia

Participaram do lançamento a engenheira do Google Earth, Rebeca Moore, e membros da tribo Suruí, incluindo o cacique Almir (abaixo, à esquerda). Foto: Vanderlei Almeida/AFP

O Google colocou em seu serviço de mapas a etnia indígena Suruí, que habita no coração da Amazônia brasileira, e lançou neste sábado uma plataforma que mostra os traços culturais desta comunidade ameaçada pelo desmatamento. Representantes do Google e indígenas suruí apresentaram o projeto – o primeiro desse tipo – durante o fórum empresarial paralelo à conferência Rio+20.

“Isso é algo único, representa toda uma nova etapa para o Google”, explicou à imprensa Rebeca Moore, engenheira do Google Earth e líder do projeto. “É uma grande emoção mostrar nossa cultura ao mundo”, celebrou cacique Almir, chefe dos Suruís. (mais…)

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RIO + 20 e o Racismo Ambiental

Patrícia B. Rodrigues Witt*

Mediante conceitos vem a ser quaisquer injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre etnias e populações mais vulneráveis. O Racismo Ambiental não se configura apenas através de ações que tenham uma intenção racista, mas, igualmente, através de ações que tenham impacto “racial”, não obstante a intenção que lhes tenha dado origem.

“(…) O conceito de Racismo Ambiental nos desafia a ampliar nossas visões de mundo e a lutar por um novo paradigma civilizatório, por uma sociedade igualitária e justa, na qual democracia plena e cidadania ativa não sejam direitos de poucos privilegiados, independente-mente de cor, origem e etnia” (Pacheco: 2007). O Racismo Ambiental, ainda muito presente na contemporaneidade, de forma “seleta” exclui os menos favorecidos. Num exemplo comum, os “pobres” são os maiores números de excluídos, incluindo-se raças e populações tradicionais.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, Artigo 225, destaca-se que o meio ambiente é direito de todos, bem comum das atuais e futuras gerações, sendo este um dever de todos zelar e proteger os recursos da natureza. Cabe salientar que a política Brasileira em sua Constituição é clara, e não há caráter excludente entre raça ou cultura, e sim  uma nação. (mais…)

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Alexandre Anderson: Luta para conseguir pescar no Rio de Janeiro

Alexandre recebeu a medalha em palestra que apresentava sobre a despoluição da baía | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia

Batalha pela recuperação da Baía de Guanabara fez pescador sofrer ameaças de morte. Incluído em programa nacional de segurança, ele continua a defender a natureza

Por Cristine Gerk

Rio –  Defensor da Baía de Guanabara, Alexandre Anderson, 41, não se importa em sacrificar sua vida pelo que acredita. Mesmo incluído no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos da Presidência da República após sofrer ameaças de morte, segue decidido em sua luta para que a exploração da baía seja sustentável e não mine a atividade pesqueira. O presidente da Associação Homens do Mar (Ahomar) é reconhecido por várias entidades internacionais e nacionais e foi homenageado duas vezes na Rio+20 essa semana, pela Alerj e a ONU.

Por sua coragem e determinação, Alexandre recebeu de O DIA a 52ª medalha Orgulho do Rio, cedida para pessoas que contribuem para uma sociedade melhor: “Agradeço em nome de milhares de famílias que depositam confiança na militância”.

Alexandre pescava na baía em embarcação artesanal desde 1998. Em 2000, vazamento de óleo da Petrobras, estimado em 1,3 milhão de litros, nas águas da Guanabara. Em 2003, ele e 10 lideranças de áreas banhadas pela baía criaram a Ahomar, em Magé, com 3 mil associados. O objetivo é ‘ressuscitar’ a baía para a pesca e conseguir indenização aos pescadores. (mais…)

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“Aqui nada dessa tal de Rio+20…isso é Rio menos vinte”

O Vigário Geral e o Complexo da Penha, as duas favelas que visitamos acompanhados por militantes sociais na sexta-feira, estão longe dos olhares das dezenas de milhares de estrangeiros que chegaram para participar da Cúpula dos Povos e da Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável organizada pela ONU. “Desenvolvimento Ambientalmente Sustentável?”, provoca JR enquanto me mostra as águas negras e pestilentas do rio Pavuna, que diariamente verte milhões de litros de detritos sobre a Bahia da Guanabara. 

Dario Pignotti

Rio de Janeiro – “A cidade ecológica da Rio+20, que tanto propagandeiam para o resto do mundo nas campanhas de marketing, nós não vemos aqui. A Rio+20 não passa pelas comunidades do Rio, aqui no Vigário Geral ainda esperamos que construam a rede de esgoto, aqui nada dessa tal de Rio+20, isto é Rio 0,02… as comunidades estão esquecidas, isto é Rio menos Vinte”. Assim resume o líder comunitário JR, da Associação de Moradores do Vigário Geral, o que se observa ao percorrer esta favela pobre carioca, de onde se vê passar os aviões de empresas aéreas estrangeiras que pousam no aeroporto Internacional Tom Jobim, muito próximo daqui a Ilha do Governador.

O Vigário Geral e o Complexo da Penha, as duas favelas que visitamos acompanhados por militantes sociais na sexta-feira, estão longe dos olhares das dezenas de milhares de estrangeiros que chegaram para participar da Cúpula dos Povos e da Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável organizada pela ONU. “Desenvolvimento Ambientalmente Sustentável?”, provoca JR enquanto me mostra as águas negras e pestilentas do rio Pavuna, que diariamente verte milhões de litros de detritos sobre a Bahia da Guanabara. O cheiro é nauseabundo do alto da ponte que une a cidade do Rio de Janeiro com o município de Duque de Caxias.  (mais…)

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A arrogância dos bancos, segundo o J.P. Morgan

Mauro Santayana

Em seu editorial de ontem, o New York Times trata do depoimento do banqueiro Jamie Dimon, o todo poderoso presidente do J.P.Morgan, ao Comitê de Bancos do Senado norte-americano, a propósito do sistema financeiro de seu país. Depois de admitir erros fatais na ação de sua empresa, Dimon foi mais longe, dizendo que os chamados bancos grandes demais para falir têm aspectos negativos, como “ganância, arrogância, insolência, e falta de atenção com os detalhes”.

Dimon é um dos heróis maiores de nossos tempos neoliberais. Aos 56 anos, filho e neto de operadores no mercado de capitais,  fez  carreira sucessiva nas principais instituições financeiras norte-americanas, até chegar ao topo do J.P.Morgan em 2006, aos 50 anos. Ligado ao Partido Democrata, é visto como amigo de Obama, e o seu nome foi cogitado para ser o Secretário de Tesouro do atual presidente.

O New York Times registra que, apesar de seus reparos, Dimon repele qualquer regulamentação do sistema e se opõe até mesmo aos frágeis controles propostos por Paul Volcker, quando presidente do FED. (mais…)

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CE – Relatora da ONU aponta irregularidades

Angélica Feitosa

Um apartamento de cerca de 40 m², do outro lado da cidade, e mais R$ 4 mil de indenização. Bem longe de onde foram construídos vínculos afetivos. Em troca, ele teria de deixar a casa onde mora há mais de 30 anos. A oferta de reassentamento para a comunidade Lauro Vieira Chaves, no bairro Montese, só traz desvantagens, segundo afirma o torneiro mecânico Cláudio Evanias, 47. “Querem colocar eu e minha mãe em casa menor, longe de tudo que temos contato, longe do Centro. E aqui é muito bom”, lamentou.

Em visita a quatro comunidades que serão diretamente atingidas pelas obras da Copa do Mundo de 2014, Raquel Rolnik, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à moradia adequada, verificou irregularidades que os governos vêm cometendo contra essas famílias. A visita de Rolnik, também professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), tinha o objetivo de checar níveis de violação do direito à moradia digna. (mais…)

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Xingu +23: liberando o Xingu

Vala aberta na ensecadeira

O dia começou ainda noite nesta sexta. Às 4h da manhã o acampamento do Xingu +23 na vila de Santo Antonio estava de pé, carregando os ônibus com picaretas, enxadas, pás, mudas de açaí, panelas, o resto do boi abatido na quarta, cruzes e tralhas. As 5h, a caravana se dirigiu para o canteiro de obras da ensecadeira de Belo Monte, barragem provisória que cortou o rio e que havia sido construída nos últimos dias a menos de 200 metros da comunidade.

O desembarque numa das vicinais da transamazônica se deu ainda no escuro, e no escuro, depois de uma caminhada acidentada pelas áreas cavocadas pela Norte Energia, os cerca de 300 manifestante chegaram no pé da ensecadeira. (mais…)

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Leonardo Boff: “Carta da Terra é indigesta ao mundo capitalista”

Na Cúpula dos Povos, teólogo critica “economia verde” em evento que lançou rede em defesa do documento  

Por Mikaele Teodoro

Um dos destaques do dia de abertura da Cúpula dos Povos foi o lançamento da Rede Brasileira da Carta da Terra, organizado pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade. O evento teve a participação do teólogo Leonardo Boff, de Maria Alice Setubal, do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), de Ana Rúbia, da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público e Meio Ambiente (Abrampa), e de Miriam Vilela, integrante da Carta da Terra Internacional.

Miriam ressaltou a importância da carta da terra no Brasil e no mundo. A primeira versão da carta foi elaborada na Cúpula da Terra ou Eco-92. Em 2000, sua versão final foi lançada em Haia, sendo assumida pela Unesco.  Segundo Miriam, a rede já conta com a participação de 30 organizações. “É um movimento que convida os grupos a participarem do desenvolvimento sustentável”, disse.

O representante da Carta da Terra, teólogo e escritor, Leonardo Boff, teve a fala mais aguardada da tarde. Ele ressaltou a importância do conhecimento da Carta da Terra por toda a sociedade. “A Carta da Terra não é tão divulgada, porque ela não é digerível ao estômago do mundo capitalista”, disparou. “Ela é indigesta pelo mundo capitalista e exige mudanças que mostram a realidade que queremos.” (mais…)

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Povos de Terreiro aprovam propostas à plenária final da Cúpula dos Povos

Em Encontro Mundial, praticantes de religiões de matrizes africanas, da umbanda e povos indígenas discutem relação com a natureza e cobram respeito aos seus cultos

Foto: Fora do Eixo

Por Maria Eduarda Carvalho

A Cúpula dos Povos na Rio +20 vai além do debate a respeito do limite dos recursos naturais e das mudanças climáticas. Ao longo dos próximos dias, mais de 30 espaços autogestionados discutem as diferentes relações do homem com o ambiente.

Nesta sexta, 15, foi a vez dos praticantes de religiões de matrizes africanas, da Umbanda e dos povos originários darem início às suas atividades na Cúpula, no Encontro Mundial dos Povos de Terreiro na Rio+20. Eles discutiram problemas, constrangimentos, demandas e propostas relacionadas às práticas das religiões da natureza em áreas protegidas.

O resultado  das discussões e conversas gerou a Carta do Rio, um dos documentos oficiais que serão apresentados na plenária final da Cúpula dos Povos. Confira a carta na íntegra: (mais…)

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