Povos indígenas discutem mineração, mudanças climáticas e Bem Viver

Natasha Pitts

Adital – Com o apoio de mais de 30 organizações de todo o mundo, tem início hoje (18) e segue até sábado (20), o ‘Fórum dos Povos Indígenas: Mineração, Mudanças Climáticas e Bem Viver’. O encontro, que levará ao Museu da Nação, em Lima, no Peru, delegações de três continentes, buscará fortalecer o modelo alternativo Bem Viver e analisar os prejuízos causados por atividades que visam apenas o lucro.

Segundo Convocatória da Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (Caoi), uma das organizadoras, o encontro pretende examinar a crescente expansão da mineração e os impactos que esta atividade provoca na esfera ambiental, social, econômica e cultural sobre os territórios e os direitos dos povos indígenas, assim como analisar a responsabilidade da atividade mineira na crise climática.

O Fórum também buscará ser um espaço de compartilhamento de experiências e aprendizados voltado para os povos indígenas e para os que apoiam sua causa, a fim de permitir que se disseminem as boas formas de combate aos impactos da indústria mineira.

O fortalecimento do modelo alternativo do Bem Viver também será largamente abordado. A intenção é consolidar essa proposta como um modo de vida alternativo que ajude a salvar todas as formas de vida e a ensinar a convivência harmônica com a natureza. Há ainda planos de se criar uma grande frente mundial pelo Bem Viver e a defesa da Mãe Natureza, que possa fazer frente à ameaça do extrativismo mineiro e da crise climática.

A programação do Fórum indígena será baseada em três eixos temáticos principais: mineração e desenvolvimento; crise climática e Bem Viver. Contudo, também serão realizados debates envolvendo os eixos transversais: ‘articulações e alianças de povos indígenas e movimentos sociais frente aos impactos da mineração’ e ‘Direitos Humanos e Direitos Coletivos’.

O evento terá início às 9h com uma cerimônia espiritual de agradecimento à Mãe Terra. Em seguida, Carlos Mamani, presidente do Fórum Permanente para Questões Indígenas das Nações Unidas; Donald Rojas, presidente do Conselho Indígena Centro-Americano (Cica); Alejandro Villamar, representante da Rede Mexicana de Ação frente ao Livre Comércio (RMALC), e Miguel Palacín Quispe, coordenador geral da Caoi serão os protagonistas do painel inaugural ‘Crise de civilização e paradigmas alternativos’.

Os demais painéis serão baseados nos três eixos temáticos do encontro e terão a participação de líderes de organizações indígenas regionais, além de acadêmicos especializados.

Com a proximidade da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, que acontecerá de 29 deste mês a 10 de dezembro, o assunto também terá espaço. Na manhã do último dia de Fórum acontecerá a mesa redonda “De Cochabamba a Cancun: Avaliação e Perspectivas”.

O Fórum dos Povos Indígenas será encerrado com a emissão da Declaração, por parte da Assembleia dos Povos, que criará a ‘Plataforma Mundial em defesa dos direitos dos povos da Mãe Terra frente aos impactos das atividades extrativas e da crise climática’.

Para mais informações, acesse o site da Caoi (www.minkandina.org) ou escreva para [email protected]

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=52432

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