
Fabíola Munhoz
No próximo sábado será lembrado o Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido no dia 17 de abril de 1996, com a morte violenta de 19 militantes da reforma agrária no Pará. Até hoje, o caso permanece impune. Dos 144 acusados julgados, apenas dois foram condenados, o coronel Mário Collares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira, mas ambos aguardam, em liberdade, a análise de recurso à sentença.
A comoção despertada por esse episódio fez com que ele se tornasse o Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária no Brasil, por meio de lei aprovada em 2002 durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
“O massacre foi um crime emblemático de todos os processos de violência que ocorrem no campo brasileiro. Foi um crime organizado pelo Estado, que demonstra uma alteração na natureza da luta de classes no campo. Durante muito tempo, houve disputa por terra entre os camponeses e os jagunços dos grandes proprietários. A partir de Carajás, houve maior repressão do movimento sem-terra por parte do Estado, que desencadeou no assassinato de Corumbiara, em 1995, e Carajás em 1996”, conta Ulisses Manaças, membro da coordenação regional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), no Pará.
De acordo com ele, de 1985 a 2009, houve 1500 assassinatos no campo entre trabalhadores, lideranças populares, religiosos e advogados dos movimentos sociais. No Pará, em específico, 686 trabalhadores foram assassinados nos últimos 20 anos. (mais…)









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