Preocupa no atual momento político, marcado por um ano eleitoral, os ataques promovidos contra os direitos dos povos indígenas por parte de distintas forças econômicas e políticas da sociedade e do Estado brasileiro. Vivenciamos uma visível pactuação dos poderes do Estado e dos donos ou representantes do capital contra os direitos indígenas. Uma virulenta campanha de criminalização, deslegitimação, discriminação, racismo e extermínio dos povos indígenas. Além de tentar suprimir os direitos indígenas por meio de medidas administrativas, jurídicas e legislativas, os donos do poder difundem informações midiáticas destinadas a burlar os fatos reais e projetar inverdades que constituem uma verdadeira inversão de direitos, de descaracterização, como acontece em Mato Grosso do Sul, Amazonas, Sul da Bahia, entre outros casos..
Em nome de um modelo de desenvolvimento prioritariamente agroexportador, que objetiva a abertura dos territórios indígenas para exploração descontrolada, e da determinação de crescer por crescer, a qualquer custo, os inimigos dos índios trabalham pela flexibilização da legislação indigenista e ambiental para embasar “legalmente” as suas investidas. É nesse sentido que a bancada ruralista quer de qualquer jeito aprovar a inconstitucional PEC 215. Por isso nas vésperas do Carnaval deste ano aprovou um requerimento para a realização de audiências públicas em distintos estados da Federação, que podem servir de palco para discursos racistas, preconceituosos e discriminatórios e de incitação à violência contra os povos indígenas e outros segmentos sociais. Fazem parte dessa ofensiva no Congresso Nacional o PL 1610 da mineração em terras indígenas, o PLp 227, as PEC 038 e 237, e outras tantas iniciativas.
No Executivo, por um lado o Ministro Luiz Inácio Adams da Advocacia Geral da União (AGU) teima em colocar em vigência a Portaria 303, que visa generalizar para todas as terras indígenas do país as condicionantes definidas para a terra indígena Raposa Serra do Sol, contrariando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Por outro, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso insiste em aprovar a Portaria que muda os procedimentos de demarcação das terras indígenas, contrariando a vontade dos povos e organizações indígenas, em favor dos interesses dos ruralistas. A proposição tem semelhança objetiva com a PEC 215, o PLP 227 e a Portaria 303 da AGU, cujo propósito comum é paralisar de vez a demarcação das terras indígenas. Complementam esse ataque a Portaria Interministerial 419/2011 e o Decreto 7957/2013, afrontando mais uma vez a Constituição Federal e tratados internacionais que reconhecem os direitos originários dos povos indígenas. (mais…)








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