Pesquisa revela vulnerabilidade para o tráfico de pessoas no México

Adital – Baixa autoestima, falta de informação e educação insuficiente, pobreza e carências econômicas, lares com presença de violência doméstica ou de gênero e discriminação são algumas das características que tornam uma pessoa vulnerável ao tráfico de seres humanos, segundo o Índice Mexicano sobre a Vulnerabilidade diante do tráfico de pessoas, publicado recentemente pelo Centro de Estudos e Investigação em Desenvolvimento e Assistência Social (CEIDAS).

O estudo revela que a realidade social, na qual as vítimas em potencial estão inseridas, também contribui para a atuação de traficantes e aliciadores. Falta de oportunidades de emprego digno, turismo sexual e políticas migratórias restritivas também são alguns dos fatores que facilitam a ação das redes de tráfico de pessoas, que cada vez mais apresentam métodos sofisticados de recrutamento.


O relatório do CEIDAS é o primeiro indicador numérico sobre a vulnerabilidade do México para o tráfico de pessoas, e detalha as características de cada estado mexicano. Os estados de Chiapas, Michoacán e Zacatecas, segundo o relatório, são os mais vulneráveis à exploração e ao comércio de vidas humanas no país. O Centro estima que por ano sejam feitas 20 mil novas vítimas do tráfico de seres humanos no México.

De acordo os estudos sobre o tráfico de pessoas em território mexicano, a situação se agravou nos dois últimos anos, quando começou a crise econômica mundial e que no México foi considerada a pior nos últimos 70 anos. O país é considerado de origem, trânsito e destino de pessoas traficadas, que geram altos lucros para as redes criminosas organizadas e espalhadas em vários países e continentes.

“Após a crise aumentaram o desemprego, a violência social ou as migrações, fatores determinantes para que as crianças possam ser facilmente presas”, declarou o diretor geral do CEIDAS, Mario Luis Fuentes. Para o representante da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) do México, Fernando Batista, o país passou a ser mais afetado pelo crime “na medida em que aparecem novas situações de vulnerabilidade para diferentes pessoas, como os migrantes”.

Desde 2009 o CEIDAS iniciou uma pesquisa em parceria com a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH), para saber mais sobre a realidade do tráfico de pessoas no México, já que este crime atua de forma sutil e oculta, resultando no Primeiro Diagnóstico sobre as Condições de Vulnerabilidade que propiciam o Tráfico de Pessoas no México.

“A presença generalizada do tráfico de pessoas só pode acontecer no contexto de clima social de violência, abuso, maltrato e discriminação contra mulheres, meninas, meninos e adolescentes, que de acordo com a literatura especializada, constituem os grupos de população que em maior medida são convertidos em vítimas dos traficantes”, ressalta o relatório.

http://www.adital.com.br/hotsite_trafico/noticia.asp?lang=PT&cod=51657

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