Julgamento de assassino de lavrador no Pará tem desfecho 28 anos depois

Brasília – O Tribunal do Juri de Rio Maria, no sudeste do Pará, condenou a 20 anos de reclusão José Herzog pelo assassinato do produtor rural Belchior Martins Costa. A decisão da Justiça ocorre 28 anos depois da execução. Belchior foi morto no dia 2 de março de 1982.

Apesar da condenação, na última quinta-feira (24), o réu continuará impune. O julgamento de Herzog foi à revelia, pois está foragido. A decisão tardia da Justiça é o desfecho de um processo que levou nove anos para ser aberto e de um crime que não foi investigado na época: a polícia não fez nem a perícia do corpo do lavrador.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), mesmo tendo envolvimento no crime, Herzog não é o principal acusado. Conforme a entidade ligada à Igreja Católica, o suposto mandante e também autor de disparos seria o fazendeiro Valter Valente, “contra o qual há provas fortes”, mas hoje com cerca de 80 anos de idade não será submetido a julgamento, informa nota da CPT. (mais…)

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Cuestión indígena: avances y retrocesos en los países centro-andinos

Por Oscar del Álamo

27 de junio, 2010.- A pesar de que los pueblos indígenas se encuentran presentes en la mayoría de los países de la región latinoamericana su situación no puede calificarse de homogénea en todos los sentidos. Es cierto que, en términos de pobreza y desigualdad, se encuentran entre los colectivos más desfavorecidos (por no decir los que más) pero, en función del país de referencia, hay que establecer ciertas precisiones.

En algunos de estos países (Perú, Bolivia, Guatemala, Ecuador) estamos hablando de mayorías de carácter nacional. Esta situación, si bien no garantiza resultados, si supone una mayor probabilidad de que procesos de acción colectiva e incidencia política puedan tener lugar. De todos modos, es necesario aclarar que países con un porcentaje menos elevado han tomado la cuestión indígena como un asunto prioritario y han establecido ciertas medidas y acciones para abordarla del mejor modo posible (tal vez Colombia podría ser un ejemplo válido aquí).

Asimismo, a pesar de hablar de un conjunto de países con proporciones de población indígena significativas, otras variables (contexto político, distribución geográfica, marco legal) también tienen un papel relevante para explicar diferencias en el seno de este grupo y de sus posibilidades en la esfera pública. (mais…)

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‘Ao falar de ateísmo, falamos de política’. Entrevista com Terry Eagleton

Mais conhecido crítico literário de seu país, e uma das principais atrações da próxima Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o inglês Terry Eagleton é um acadêmico célebre pela habilidade com que explica e (muitas vezes) ironiza os argumentos mais complexos dos principais pensadores contemporâneos.

Seu livro mais popular, “Teoria literária: uma introdução” (Martins Fontes), é um best-seller internacional com mais de um milhão de exemplares vendidos desde a publicação, em 1983. Em Paraty, no entanto, Eagleton fará uma palestra sobre uma figura de interesse um tanto mais amplo do que o pós-estruturalismo francês ou a teoria da recepção alemã: Deus.

Aos 67 anos, Eagleton mantém-se um marxista irremitente, mas em seus últimos textos o materialismo histórico tem se feito acompanhar por um inesperado retorno às preocupações religiosas de sua juventude, quando ele chegou a participar da fundação da importante revista católica de esquerda “Slant”.

Famoso também pela verve de polemista, ele se tornou nos últimos anos um opositor convicto do ateísmo militante que se espalhou pelos EUA e pela Europa em reação ao islamismo radical e à pregação anticientífica da direita religiosa americana. Sua defesa da religião, porém, nada tem da retórica vociferante dos líderes terroristas ou dos televangelistas a la Pat Robertson. Chamado em 2006 a resenhar a bíblia da nova militância ateísta, o livro “Deus, um delírio” (Companhia das Letras), do biólogo Richard Dawkins, Eagleton abriu o texto com uma estocada típica de seu estilo: “Imagine alguém discorrer sobre biologia tendo como único conhecimento do assunto o ‘Livro dos pássaros da Inglaterra’ e você terá uma ideia do que é ouvir Richard Dawkins discutir teologia”. (mais…)

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Pesquisa revela 10,6 milhões de pobres a menos

A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008 e 2009, divulgada na semana passada, reservou uma surpresa ao economista Marcelo Neri, um dos maiores especialistas da área social no Brasil: o País tem 10,6 milhões de pobres a menos do que constava nas suas últimas estimativas, baseadas no resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008.

A reportagem é de Fernando Dantas e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 27-06-2010.

A diferença entre as duas pesquisas deve-se basicamente à inclusão, na POF, da economia de subsistência, a chamada “renda não monetária”.

A diferença é muito grande, e significa que a pobreza no Brasil é 35% menor do que se pensava. Em vez de 29,8 milhões, resultado extraído da Pnad, são 19,9 milhões, a partir da POF. Neri, que chefia o Centro de Políticas Sociais (CPS), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio, observa que a comparação mais correta é do número da Pnad ajustado pela estimativa da população da POF, o que o leva para 30,5 milhões – ou 10,6 milhões a mais que os 19,9 milhões revelados pela POF.

“Isso significa uma diferença muito importante no custo de se acabar com a pobreza – ele cai aproximadamente pela metade”, diz Neri. Na verdade, transferências perfeitamente focalizadas de R$ 11,2 bilhões por ano (um pouco menos do que o gasto com o Bolsa-Família) seriam capazes de acabar com a pobreza retratada pela POF. No caso do número de pobres que sai da Pnad 2008, aquele custo sobe para R$ 21,8 bilhões. (mais…)

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”O natural não é ser homem ou mulher”. Entrevista especial com Margareth Rago

Mais do que deixar de lado a identidade, e dividir a população pura e simplesmente entre homens e mulheres, Michel Foucault e o movimento queer nos inspiram a dissolvê-la, a conviver com o incerto, o inclassificável e o inominável. “É muita falta de criatividade de nossa parte ficar catalogando, classificando as pessoas”, alfineta a historiadora Margareth Rago, na entrevista que concedeu, por telefone, à IHU On-Line. Além disso, continua, essa necessidade de rótulos revela “uma tremenda insegurança”, que só reitera a exclusão, o estigma, o sexismo, o racismo e o ódio. É por isso que o transgênero assusta tanto, avalia Rago. “Ele foge às etiquetas com as quais estávamos acostumados a distribuir e identificar as pessoas. O natural não é ser homem ou mulher”.

As conquistas e desafios do feminismo são outro tema debatido na entrevista. Para Rago, vivemos profundas transformações nas relações de gênero, mas ainda há muito em que progredir. A violência de gênero, por exemplo, não diminuiu, mas ganhou visibilidade na mídia. Por outro lado, homossexuais e mulheres deixaram de ser tão estigmatizados e já têm espaços conquistados e garantidos a cada dia. Aquele pensamento de que a mulher era um ser inferior, impedido de certas profissões e marcado por comportamentos muito mais emocionais do que racionais ruiu há tempo, garante Rago. Já os homossexuais, tidos como anormais e patológicos no passado, hoje têm mais espaço e respeito na sociedade.

Graduada em História pela Universidade de São Paulo (USP), Margareth Rago é mestre e doutora em História pela Universidade de Campinas (Unicamp) com a tese Os Prazeres da Noite. Prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo, 1890-1930 (2ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2008). É pós-doutora e livre-docente pela Unicamp, onde é professora. Entre outros, é autora de Foucault: para uma vida não fascista (Belo Horizonte: Autêntica, 2009), Feminismo e anarquismo no Brasil. A audácia de sonhar (Rio de Janeiro: Achiamé, 2007) e Do Cabaré ao Lar. A utopia da cidade disciplinar (3ª. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997). Em 16 de junho, apresentou a conferência Michel Foucault e a escrita de si nos feminismos contemporâneos, no Seminário Michel Foucault – Corpo, sexualidade e direito, promovido pela UNESP/Marília. Confira a entrevista. (mais…)

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A saudade que mata: Pesquisa discute a polêmica questão do banzo como “nostalgia mortal” dos escravos

REPRODUÇÃO DO LIVRO RIO DE JANEIRO - CIDADE MESTIÇA
Carlos Haag

Edição Impressa 172 – Junho 2010

“Vai com a sombra crescendo o vulto enorme/ Do baobá…/ E cresce na alma o vulto de uma tristeza, imensa, imensamente…”, escreveu o poeta parnasiano Raimundo Correia no soneto Banzo. Essa tristeza, batizada de banzo, era um estado de depressão psicológica que tomava conta dos africanos escravizados assim que desembarcavam no Brasil e seria uma enfermidade crônica: a nostalgia profunda que levava os negros à morte. “No século XIX, obras como as do médico francês François Sigaud e do naturalista Carl F. von Martius, bem como crônicas de viajantes europeus, veicularam essa ideia de uma nostalgia fatal dos escravos. Nestes relatos, as mortes voluntárias dos cativos são descritas como uma forma passiva de suicídio – recusar alimentos e deixar-se morrer de inanição e tristeza – e também pelos métodos universais, como enforcamento, afogamento, uso de armas brancas etc.”, explica a psiquiatra Ana Maria Galdini Oda, professora adjunta do Departamento de Medicina do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), que analisou o banzo em sua pesquisa Dos desgostos provenientes do cativeiro: uma história da psicopatologia dos escravos brasileiros no século XIX, que recebeu da FAPESP uma bolsa do Programa de Jovem Pesquisador em Centro Emergente. “Invariavelmente, os narradores atribuíam esse desejo de morrer a uma enfermidade melancólica, relacionada à situação de cativeiro: o desgosto causado pelo afastamento violento da África, a revolta pela perda de liberdade e as reações aos castigos pesados e injustos.” (mais…)

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Bolivia: ¿Puede haber “cambio” con racismo?

Por Rafael Puente

En el matutino Cambio, en la edición del pasado martes 22, aparece una caricatura que me parece insoportablemente racista, y no puede ser que, en vísperas de la promulgación por nuestro gobierno de una ley anti-racismo, nada menos que su periódico oficial permita la publicación de una caricatura de ese tipo.

El evidente racismo del caricaturista —que dice llamarse Rodolfo Ninavia— se manifiesta en primer lugar en los rasgos con que caracteriza a los pueblos indígenas de Tierras Bajas (la etiqueta dice CIDOB), y en segundo lugar en el hecho de que los supone manejados a control remoto.

Es la misma visión colonial que nuestro gobierno quiere superar: los indios salvajes (en taparrabos), fo-fos, ineptos, y que no pueden funcionar por sí mismos. Amigos de Cambio: ¿cómo pueden dar cabida en su medio a semejante caricaturista y a semejante resabio de la visión colonial? (mais…)

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Venezuela: Yanomamis mueren por enfermedades y asesinatos de garimpeiros

Servindi – Impactantes imágenes sobre la penosa situación de indígenas Yanomamis, en el Alto Orinoco, en la amazonía de Venezuela son difundidas por el sitio web de Magicaradio.

El medio comunitario denuncia la situación extrema que atraviesan los Yanomamis a causa de la contaminación, las enfermedades y los asesinatos de los garimpeiros o buscadores de oro. “No solo los esclavizan sino que también los violan, maltraran y asesinan” afirma.

Un reporte elaborado por Jaime E. Mora, de la Fundación Comunitaria en Amazonas Mágica señala: “Nuestros indígenas están siendo asesinados por extranjeros que roban en nuestra tierra venezolana”.

“Es hora de tomar conciencia real de lo que está sucediendo en el Amazonas Venezolano y divulguemos toda ésta información” indica.

“Ante la mirada indiferente de muchos o el desconocimiento general de la población, en el Alto Orinoco del Amazonas venezolano nuestros indígenas Yanomami continúa.

“Parte de estos casos se presentan en Momoi -en la Sierra Parima B – Municipio Alto Orinoco- dónde los Garimpeiros roban sus mujeres, las violan entre varios hombres y las embarazan” prosigue.

“Los Yanomamis hasta ahora han matado a uno o dos garimpeiros en defensa propia (…) “Después de esto los garimpeiros envenenaron unúnico río que les surte de agua a éstas comunidades indígenas, enterrando también veneno en la tierra que produce un olor a plástico quemado y provoca la muerte” se reseña. (mais…)

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