Movimentos discutem alternativas para geração de energia e criticam indústria extrativa

O dilema da produção de energia não é tecnológico, mas político, pois o essencial é saber para que, para quem e sob o controle de quem é produzida a energia. Essa constatação perpassou a plenária de convergência sobre energia e indústria extrativa da Cúpula dos Povos nesse domingo (17).

Esse espaço reuniu movimentos sociais, em especial da América e da África, para discutir os problemas do modelo energético e da indústria extrativa e fazer o exercício de propor uma alternativa que não agrida o meio ambiente, as comunidades atingidas e os trabalhadores.

Os participantes identificaram o problema no papel das corporações transnacionais, que avançam sobre os territórios desrespeitando a soberania dos povos, em especial nos países do hemisfério sul, com o objetivo de acumular lucro. As falas da plenária trouxeram muitos exemplos regionais de como ocorre esse processo. Em Moçambique, é a Vale extraindo carvão; na Guatemala, há mais de 100 projetos de hidrelétricas que, apesar de recusados pelo povo em plebiscito, continuam a serem impostos; nas áreas indígenas de Roraima e Rondônia, no Brasil, o problema são as grandes barragens. (mais…)

Ler Mais

Agricultura industrial: um dos componentes centrais da crise climática

Participantes de seminário internacional durante a Cúpula dos Povos reafirmam soluções da agricultura camponesa frente às mudanças climáticas

Raquel Júnia - EPSJV/Fiocruz

Raquel Júnia – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)

A agricultura industrial significa um ecosuicídio porque em seu manejo produz os gases que afetam o seu próprio funcionamento. A afirmação é de Miguel Altieri, da Sociedade Latinoamericana de Agroecologia, e uma das principais referências mundiais nas pesquisas sobre o tema. Para Altieri, são os sistemas tradicionais de agricultora que oferecem hoje as soluções para a crise ambiental, por exemplo, os cultivos que camponeses fazem em áreas que em parte do ano estão inundadas, nos quais os peixes cumprem importante função no controle de pragas ou então, cultivos cercados por bosques e florestas praticados por pequenos agricultores em várias partes do mundo, que mantêm o equilíbrio climático . “É preciso olhar para trás, estes sistemas foram capazes de resistir e enfrentar mudanças climáticas, é daí que a agroecologia precisa emergir”, sentenciou. Miguel Altieri participou da mesa “Agricultura e Crises Ambientais“, uma das atividades do “Seminário Internacional Tempo de Agir por Mudanças Radicais – Agricultura familiar camponesa e agroecologia como alternativa à crise do sistema agroalimentar industrial”, realizado de 15 a 17 de junho, no âmbito da Cúpula dos Povos na Rio+20.

Miguel lembrou também que os cultivos sem agrotóxicos e adubos químicos têm resultados muito melhores em tempos de seca do que o sistema convencional. Ele mencionou vários exemplos de práticas exitosas, como as plantações de feijão no sul de Santa Catarina que utilizam um sistema de “tampar” o solo com matéria orgânica e assim preservar a muda de feijão por mais tempo no interior da terra no período mais frágil de seu crescimento. “Albert Einsten tem uma frase que se relaciona muito com o momento atual. Segundo ele, não se pode resolver os problemas com as mesmas soluções que os criaram. Nesse sentido, a economia verde não resolverá nossos problemas”, ressaltou. (mais…)

Ler Mais

Movimentos de Mulheres fazem passeata contra a mercantilização da vida no centro do Rio

Mulheres protestam contra a economia verde, tema em discussão na Rio 20, e também contra a exploração feminina e a lógica do capitalismo. Foto: AFP

Uma manifestação de mulheres da Cúpula dos Povos causou um nó no trânsito. Por volta das 11h30m, a pista lateral direita da Avenida Presidente Antônio Carlos foi fechada pela marcha das mulheres no sentido Candelária. Para minimizar os impactos no trânsito, as faixas do sistema BRS foram temporariamente liberadas ao tráfego para todos os veículos. Os reflexos da passeata chegaram às avenidas Presidente Antônio Carlos e Beira Mar, Presidente Vargas, na altura da Rua de Santana, Viaduto do Gasômetro e Elevado da Perimetral. (mais…)

Ler Mais

Empresários sem-teto movimentam ocupação em São Paulo

Tadeu  Breda

São mais ou menos 6 horas da tarde. Como milhões de paulistanos, Rogério de Souza Ferreira, de 39 anos, volta pra casa depois de passar o dia todo na rua, trabalhando. Sua jornada, porém, ainda não acabou. Um banho, a tevê ligada na novela, Rogério começa a se preparar para o dia seguinte. Lava algumas panelas, posiciona a batedeira, acende o fogão industrial e bota a mão na massa. Com ovos, leite e leite condensado, prepara pudins muito apreciados em bares, lanchonetes e restaurantes do bairro da Luz, no centro de São Paulo. É na região que garante o sustento. E mora.

Há dois anos, o confeiteiro ocupa as quatro paredes apertadas de um apartamento da rua Mauá, número 340. São seis andares, que desde 2007 estão sendo revitalizados por integrantes de três movimentos sem-teto da capital. Até então, o edifício estava vazio, entregue a ratos e baratas, como costumam dizer os atuais moradores. E repleto de lixo – tanto que trinta caminhões com a caçamba lotada não foram suficientes para retirar tamanha tranqueira acumulada em décadas de abandono.

Ao se instalarem no prédio, os sem-teto não lhe deram apenas uma função social, como reza a Constituição: pessoas como Rogério transformaram o local numa espécie de incubadora popular de empresas. Iniciativas como a sua se multiplicam pelas pequenas salinhas que também servem de moradia, e pelos espaços que vão se improvisando nas áreas comuns do prédio. Falta chão para tanto empreendedorismo. Quem duvida, que entre pela portaria, peça autorização à Elisete – palmeirense roxa que controla o acesso das visitas – e suba apenas dois lances de escada. No primeiro andar, é impossível não se surpreender com um mini-mercado, bem recheado e iluminado, com as prateleiras cheias. (mais…)

Ler Mais

Por busca de soluções: Abrasco lançou dossiê “Agrotóxico, Saúde e Sustentabilidade” (baixável)

Agricultores, movimentos sociais e pesquisadores se reúnem para lançar documento e construir um novo rumo para a produção de alimentos.

Viviane Tavares

Adilson é um pequeno agricultor de Sergipe que convive com uma realidade de outros tantos nordestinos. Embora não use agrotóxico em sua plantação, sofre com os latifúndios vizinhos que inserem em sua rotina a utilização do mesmo, inclusive por meio de pulverização aérea, o que resulta na poluição dos rios, da terra, do ar e desenvolve mutações de pragas. Embora não use o veneno, a água, o ar e a plantação contaminada agora também serão compartilhados e afetarão o sertanejo.

De acordo com ele, além desta convivência, o governo ainda incentiva o uso de agrotóxicos, com a oferta de crédito agrícola apenas para quem adquire esses venenos. “Todo povo do sertão hoje está sofrendo com o agrotóxico utilizado pelo vizinho. Ainda tem uma propaganda imensa e muito bonita para o agricultor usar o veneno que já vem com projetos do governo. Você é obrigado a comprar com os créditos do governo o veneno para botar na sua terra”, disse.

De norte a sul do país , o maior consumidor de agrotóxico do mundo, o drama é o mesmo. Para chamar atenção ao tema foi realizado o debate Impactos dos Agrotóxicos na Saúde e no Meio Ambiente no dia 16 de junho no Espaço Saúde, Ambiente e Sustentabilidade, na Cúpula dos Povos. Na ocasião também foi lançado a segunda parte do dossiê da ABRASCO – que tem como tema Agrotóxico, Saúde e Sustentabilidade. A primeira parte do documento foi apresentada em maio deste ano, durante o Congresso Mundial de Nutrição, e, em novembro, será lançada a parte final, no Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. (mais…)

Ler Mais

O outro lado da cidade modelo

Toxic tour mostra para participantes da Rio+20 contradições do atual modelo de desenvolvimento na “cidade maravilhosa”.

Raquel Júnia – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)

Seu Francisco saiu de casa para olhar o movimento. Ficou curioso com tanta gente que desceu de um ônibus, quase todos com câmeras à mão e muitos falando outros idiomas. Perguntou o que estava acontecendo e explicaram a ele que os “turistas” eram pessoas de diversos países e do Brasil, jornalistas, pesquisadores e ativistas que estavam no Rio de Janeiro por ocasião da Rio+20 e foram conhecer de perto os impactos da siderúrgica TKCSA [Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico] no bairro de Santa Cruz, na zona oeste da capital carioca. “É um perigoso isso aqui”, comentou Seu Francisco, sobre a presença da empresa no local.

Seu Francisco, que mora no bairro há 60 anos, viu o local mudar muito com a chegada da TKCSA. Assim como ele, milhares de pessoas, estima-se que 20 mil, sintam os impactos da empresa na vida cotidiana, sobretudo nos últimos dois anos quando começaram as atividades da siderúrgica e uma “chuva de prata” começou a cair em cima das roupas no varal, das plantas e passou a fazer parte do ar respirado pelas pessoas. A visita à Santa Cruz foi um dos destinos do Rio+Tóxico, atividade organizada durante a Cúpula dos Povos na Rio+20, entre os dias 15 e 17 de junho, para denunciar os prejuízos de grandes empreendimentos ao meio ambiente e às populações, sobretudo as mais pobres, marginalizadas e comunidades tradicionais. Outro destino que recebeu visitantes foi a cidade de Magé, onde pescadores tiveram que deixar o trabalho por conta de empreendimentos da Petrobrás, além de contaminação da Baía de Guanabara e, inclusive, sofrem ameaças de morte por protestarem e denunciarem a ação da empresa pública. Também fizeram parte do tour a região de Duque de Caixas, com a visita à refinaria Reduc, à Área de Proteção Ambiental São Bento, ao aterro de Jardim Gramacho – o maior do mundo e recentemente desativado – e o local conhecido com Cidade dos Meninos, onde há contaminação por resíduos de inseticidas abandonados. Os visitantes ainda puderam conhecer a Baía de Sepetiba – que também banha Santa Cruz, e é impactada pela TKCSA e outros empreendimentos anteriores, que deixaram por lá um grave passivo ambiental. (Aguarde a cobertura completa na Revista Poli – julho/agosto). (mais…)

Ler Mais

A agroecologia e a esperança globalizada

A Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), um movimento que está integrado cada vez mais com os pequenos produtores e camponeses familiares, tanto no Brasil, como em redes internacionais, aprovou uma série de reivindicações para a Rio+20. “A verdadeira saída para a crise é fortalecer a agricultura camponesa, que mesmo sem o apoio dos governos satisfaz 70% da necessidade de alimentos do mundo”, diz Denis Monteiro, um dos coordenadores da ANA

Por Najar Tubino

Rio de Janeiro – A Cúpula dos Povos é um evento diverso, mas também muito disperso. As tendas maiores onde se concentram as grandes discussões, estão espalhadas, mas alguém esqueceu de numerá-las na frente. A pergunta mais frequente é onde acontecerá tal palestra, Onde fica a tenda número tal. E perdidos. Então além da busca por representantes dos movimentos sociais, é preciso correr para conseguir alguns minutos de conversa. No domingo, dia 17, consegui vencer a correria, depois de algumas horas participando de duas plenárias, uma sobre soberania alimentar, onde e economia solidária.

A agricultura e pecuária ocupam 30% da área continental do mundo, são cerca de 8,7 bilhões de hectares para cultivos, pastagens e florestas. Cerca de dois bilhões de hectares foram degradados desde a II Guerra Mundial. Essas atividades consomem 70% da água empregada nas atividades humanas. Números que impressionam, mas que só expressam o tamanho do problema que os povos enfrentam neste momento. (mais…)

Ler Mais

Vítimas da ditadura militar deverão receber apoio psicológico

O secretário nacional de Justiça e presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, informou no início da noite de hoje que será lançado, na semana que vem, um edital que prevê a ampliação do programa de reparação do Estado brasileiro às vítimas da repressão da ditadura militar. Serão selecionadas cinco entidades especializadas em assistência psicológica para a criação das Clínicas do Testemunho.

A intenção é a proteger as vítimas contra as consequências de remexer o passado, trazendo à tona o reavivamento dos traumas e dos atos de violência. De acordo com o secretário, essa ação é o reconhecimento do Estado de que existe uma lacuna no programa de reparação, que é uma das etapas da chamada Justiça de Transição.

Essa consciência, conforme relatou, tomou por base as experiências de países vizinhos que sofreram do mesmo mal, como a Argentina e o Chile, e também as constatações de casos de pessoas que após colaborem com os trabalhos de elucidação dos fatos históricos daquele período passaram a enfrentar um processo doloroso, com reflexos em seu dia a dia.

“A Comissão de Anistia deliberou uma frente de apoio e assistência psicológica às vítimas da repressão por meio de atendimentos individualizados ou em grupos para que não nos permitamos que esse processo atual de memorização de escuta pública das vítimas e das testemunhas não seja, do ponto de vista psicológico, um processo de revitimização”, justificou Abrão. (mais…)

Ler Mais

Como a TV instiga a desrespeitar direitos humanos

Pesquisa revela tolerância maior da população diante de abusos e crimes policiais. Estudiosos elencam, entre as causas, clima de medo e criado por programas e apresentadores sensacionalistas   

Por Felipe Prestes, no Sul21

A população brasileira está mais tolerante com atitudes arbitrárias da polícia e com suspensão de direitos a acusados e condenados. É o que indica a “Pesquisa nacional, por amostragem domiciliar, sobre atitudes, normas culturais, e valores em relação a violação de direitos humanos e violência”, lançada na última quarta-feira (6), pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP. As causas destas mudanças de opinião não aparecem na pesquisa, mas especialistas apontam que a sensação de medo, em parte turbinada pelos meios de comunicação, podem ser o principal fator. (mais…)

Ler Mais

Masacre en Morumbí: Comunicado de la CLOC/Vía Campesina Paraguay a la opinión pública nacional e internacional

La Coordinadora Latinoamericana de Organizaciones del Campo, CLOC/Vía Campesina Paraguay, que nuclea a las organizaciones: CONAMURI, MCNOC, MAP, MCP, ONAI y OLT, se dirige a la opinión pública, nacional e internacional, para expresar cuanto sigue:

Lamentamos los hechos ocurridos y desembocados en la masacre de campesinos y policías, en las tierras conocidas como Morumbí –tierras mal habidas, según informe de la Comisión de Verdad y Justicia, ubicadas en el distrito de Curuguaty–; hechos acaecidos en la mañana de hoy como resultado de un conflicto social de clase, consecuencia directa de un modelo de tenencia desigual de la tierra, así como de un modelo de producción del agronegocio y de una sociedad basada en la inequidad, como lo es el capitalismo salvaje. (mais…)

Ler Mais