Negligência e violência contra o povo Kaingang

Crianças tomando banho na bica improvisada. Foto: Gianlluca Simi

Por Tiago Miotto

A situação das comunidades indígenas do município de Santa Maria, tratadas com descaso por diversas instâncias do poder público, já foi objeto de manifestações, debates e até de uma assembleia na Câmara de Vereadores da cidade. No caso da comunidade Kaingang, estabelecida num terreno nas cercanias da Estação Rodoviária do município, a situação chegou ao extremo de um atentado a tiros.

No fim da tarde de quinta-feira, dia cinco de janeiro de 2012, foram efetuados três disparos, sendo que um deles quase atingiu o índio Josimar Sales e algumas crianças da comunidade. O projétil se alojou em um edifício do outro lado da rua, e acredita-se que o autor dos disparos estava oculto em uma parte de mato fechado do terreno. A ocasião, que resultou em momentos de desespero e apreensão, evidencia o descaso público e o extremo abandono dos indígenas de Santa Maria por parte de órgãos municipais, estaduais e federais.

Como acontece anualmente, o período próximo ao Natal e ao Ano Novo foi marcado pela chegada de muitas famílias da etnia Kaingang à cidade de Santa Maria, as quais aproveitam a oportunidade para realizar a venda de artesanato, o que garante sua sobrevivência econômica. Em novembro de 2011, em função da negligência do poder público com a situação da comunidade, os Kaingang realizaram a ocupação da porção mais central do terreno no qual já estão estabelecidos ininterruptamente há quase dois anos, próximo à Estação Rodoviária da cidade (para saber mais sobre a ocupação. (mais…)

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Chile: Antropólogos questionam campanha que criminaliza mapuches

O presidente de Chile, Sebastián Piñera, responsabilizou indígenas mapuches pelo incêndio florestal em Araucanía, a 700 Km ao sul da capital, que matou sete brigadistas na quinta-feira, 12. Disse que se tratava de ação terrorista. A informação é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 16-01-2012.

A direção do Colégio de Antropólogos do Chile lamentou a campanha contra os mapuches e congressistas da oposição prometem levar o caso para a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Um terço do povo mapuche vive na região de Araucanía. Bastaria ouvir bombeiros, prefeitos da região e a Confederação dos Trabalhadores Florestais para constatar que empresários florestais e servidores públicos mentem sobre as origens do incêndio, alegam os antropólogos.

A origem do incêndio, dizem os antropólogos, deve-se à preparação do solo para a elaboração de carvão. Por causa das altas temperaturas e o vento, o fogo espalhou-se pela área. (mais…)

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A participação de Itaipu na Operação Condor durante a ditadura

Pesquisas realizadas pelo escritor e jornalista Aluízio Palmar, fluminense radicado no Paraná e autor de Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?, e pela Mestre em História pela PUC-SP, Jussaramar da Silva, têm dado, nos últimos anos, mais uma medida de como conhecemos pouco acerca da operação molecular do aparato repressivo da ditadura militar brasileira (1964-1985). Essas pesquisas, feitas na Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu (PR), no Arquivo do DOPS do Paraná e no Centro de Documentación y Archivo para la Defensa de los Derechos Humanos del Palacio de Justicia, no Paraguai, também conhecido como Arquivo do Terror, mostram a estreita colaboração das empreiteiras responsáveis pela construção da usina hidrelétrica de Itaupu na caça, espionagem, repressão, delação e assassinatos de cidadãos brasileiros e paraguaios (e também uruguaios e argentinos) durante as ditaduras do Cone Sul. Palmar vem publicando textos sobre o assunto nos últimos anos, Jussaramar defendeu sua dissertação em 2010 e anteontem foram publicados outras provas no site Documentos Revelados. Mas o assunto não tem sido tratado com muita atenção pela imprensa brasileira.

A informação é da Revista Fórum e reproduzida pelo blog Outro Olhar, 16-01-2012.

Essas pesquisas revelam que de 1973 a 1988 Itaipu foi um reduto de militares e policiais torturadores. Durante a ditadura, as AESIs (Assessorias Especiais de Segurança e Informações), vinculadas à Divisão de Segurança e Informações (DSI) e subordinadas ao Serviço Nacional de Informações (SNI), atuavam em instituições públicas como universidades, autarquias e empresas estatais. A AESI instalada na Usina de Itaupu manteve comunicação constante com os serviços de inteligência brasileiro, uruguaio, paraguaio e, a partir de 1976, argentino. Também trabalhou diretamente em sequestros e assassinatos. (mais…)

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Desde que seja para trabalhar, toleramos quem fica “doidão”

Leonardo Sakamoto*

O corte da cana é naturalmente penoso, atinge em cheio a saúde do trabalhador. Mesmo estando munido de todos os equipamentos de proteção individual, com pausas para descanso, remuneração e folgas semanais dignas, alimentação e alojamento dentro da lei e não sendo vítima de artimanhas para induzi-lo a cortar mais do que seu corpo aguenta. É atividade que, mais cedo ou mais tarde, terá que acabar – isto, é claro, se estivermos caminhando para um mundo mais justo.

Ao mesmo tempo, o avanço da mecanização não resulta apenas na demissão de pessoas, mas também na intensificação do desgaste físico dos que ficam. A cana crua (não queimada) e deitada acaba “sobrando” para os trabalhadores manuais. E os que perdem o emprego têm sido empurrados para serviços nem sempre de qualidade. Parte dos que cortavam cana no interior paulista hoje estão na construção civil de cidades como Campinas, arregimentados por “gatos” (contratadores de mão-de-obra) em outros estados. Alguns já foram resgatados pelos grupos de fiscalização do governo federal, responsáveis por combater o trabalho análogo ao de escravo.

A solução passa por criar alternativas de emprego e renda a esses trabalhadores em substituição às condições precárias, insalubres ou degradantes de canaviais. Coisa que nós estamos devendo a eles, que enchem o nosso tanque de etanol com seu suor diariamente. (mais…)

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Presidente da CNBB participará de ato a favor do CNJ

Os presidentes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno Assis, e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), jornalista Maurício Azedo, confirmaram as presenças no ato público que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) promoverá, no próximo dia 31 de janeiro, contra o esvaziamento dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para processar e julgar questões ético-disciplinares envolvendo magistrados.

A informação é do Boletim da CNBB, 16-01-2012.

O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, considera muito importante a participação dessas entidades parceiras, por meio de seus principais dirigentes, de suma importância para o objetivo do ato público.

“OAB, CNBB e ABI, historicamente, sempre empreenderam lutas em favor da redemocratização do país e continuam juntas na afirmação da democracia no Brasil”, salientou Ophir. “A presença dessas entidades nesse ato, para além do simbolismo, é também uma reafirmação da importância da unidade de sentimentos e de propósitos que envolvem a sociedade civil brasileira organizada”, acrescentou. (mais…)

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Investimentos bilionários não são sinônimo de desenvolvimento para o povo

Uma tradicional marca de whisky estreia uma propaganda nada sutil: o morro Pão de Açúcar se transforma num grande homem de pedra, que sai caminhando pelo Rio de Janeiro. “O gigante não está mais adormecido”, conclui. É essa mesma palavra que os estrangeiros usam para tratar o Brasil, segundo a tradutora Luciana Santos Gonçalves, que morou na Europa em diferentes momentos. “Mudou mesmo a visão do Brasil. Acham que aqui não tem violência, não tem pobreza, que é o grande tigre, o gigante latino-americano. Tem muita gente querendo fazer investimento aqui, querendo vir pra cá”, conta. A reportagem é de Joana Tavares e publicada pelo Brasil de Fato, 16-01-2012.

A jornalista Maria Lutterbach, que está estudando na Espanha, concorda. “Estão olhando o Brasil como uma nova potência. Acho que não só porque as notícias econômicas e políticas do país têm sido positivas, mas porque eles estão enfrentando uma grande crise e parecem não saber lidar bem com ela. Em comparação com a gente, que sempre estivemos em crise, eles não têm jogo de cintura para improvisar, então se sentem acuados e impotentes”, explica.

Caetano de Carli, doutorando em Pós-Colonialismos e Cidadania Global do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, também aponta que há uma mudança positiva na imagem do país no exterior e afirma que seus colegas, de diferentes países, são “unânimes ao se referir ao Brasil com certo entusiasmo”. Para ele, a realização da Copa 2014 e das Olimpíadas em 2016 no país acabam sendo um sintoma da imagem positiva do ex-presidente Lula no exterior e do crescimento da economia brasileira.

Mas os três apontam que toda essa euforia pode ser decepcionante e esconder contradições tanto para inglês ver como entre nós mesmos. “As pessoas parecem esperar um país já desenvolvido e não em desenvolvimento. Todo mundo pensa que o Brasil é o dono do dinheiro agora, e não é bem assim. O bom momento econômico ainda não está traduzido em melhorias tão visíveis. Os visitantes podem se chocar com o péssimo transporte público, a pobreza ainda muito presente nas ruas, ou o simples despreparo para receber turismo nessas proporções”, afirma Maria. (mais…)

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A Vale no Maranhão: ”O lucro é privado, mas o prejuízo é público”. Entrevista especial com Danilo D’Addio Chammas e Dário Bossi

“A Vale continua adotando uma política de dois pesos e duas medidas e uma estratégia de marketing voltada à visibilidade e à imagem (falsa e incompleta) de empresa respeitosa da vida e do meio ambiente”, declaram os entrevistados.

Depois de ser devastada pela exploração ilegal de madeira, a cidade de Açailândia, localizada no interior maranhense, virou refúgio das siderurgias de ferro-gusa e se transformou no “símbolo do desenvolvimento que está ‘puxando’ o Brasil a todo vapor: muita riqueza produzida, mas custos sociais e ambientais elevados”, denunciam o advogado Danilo D’Addio Chammas e o padre Dário Bossi, missionário comboniano.

Críticos à atuação da Vale e das siderúrgicas instaladas ao longo do corredor de Carajás, os entrevistados dizem que as empresas estão gerando impactos socioambientais e interferindo na qualidade do ar, da água e do solo. “Decorrem disso graves doenças pulmonares, alergias de pele, problemas aos olhos”, relatam.

Em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail, eles contam que a instalação da Vale em Açailândia está contribuindo para enriquecer alguns setores, como “a elite político-econômica, os empreendedores locais e também investidores que instalaram empresas ou comércio”. O desenvolvimento local está acontecendo “à custa de muitos bolsões de pobreza, de um ciclo descontrolado de imigração-emigração, ligado aos altos e baixos da oferta de trabalho e às crises nacionais e internacionais”, reiteram. (mais…)

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Jóvenes ogoni defienden sus tierras en Nigeria

Producción: Pedro Flores. En Nigeria, ante la violación persistente de sus derechos humanos por tropas de soldados armados, y luego de los reiterados intentos del gobierno para adquirir tierras ogoni, niños y jóvenes de este milenario pueblo africano se organizan para defender sus tierras ancestrales y rechazan definitivamente el supuesto traslado de una instalación militar, cuya verdadera intención es controlar la zona para explotar recursos petroleros y agrícolas en su territorio.

http://desinformemonos.org/2011/12/video-ogonis/

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Organizações defendem direitos humanos de imigrantes haitianos

“As organizações nacionais e internacionais de apoio às migrações e grupos de pesquisa  sobre as migrações sediados em diferentes universidades brasileiras têm acompanhado com apreensão a realidade enfrentada pelos imigrantes haitianos na fronteira da região norte do Brasil assim como a cobertura dada a essa realidade pela mídia brasileira e internacional.  Alinhados com a necessidade de um tratamento dessa nova realidade como uma questão de direitos humanos, assim como de todos os novos fluxos migratórios que começam a se intensificar na região e no Brasil, elaboramos o manifesto abaixo com um conjunto de sugestões dirigidas ao governo e à sociedade brasileiros na perspectiva de colaborar para um encaminhamento adequado das questões e políticas migratórias no país”, informam Denise Cogo, pesquisadora do  Grupo de Pesquisa Mídia, Cultura e Cidadania do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – RS e Paulo Illes, coordenador do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante – CDHIC. Eis o Manifesto.

MANIFESTO EM DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS DE IMIGRANTES HAITIANOS

As organizações nacionais e internacionais de apoio às migrações e grupos de pesquisa e estudo sobre as migrações sediados em diferentes universidades brasileiras têm acompanhado com apreensão a realidade enfrentada pelos imigrantes haitianos na fronteira da região norte do Brasil assim como a cobertura dada a essa realidade pela mídia brasileira e internacional.  (mais…)

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