A morte do indígena guarani-kaiowá Semião Vilhalva, por Hermano de Melo

“os coordenadores da expedição ordenaram que a reportagem do Correio voltasse e não presenciasse o desfecho da retomada das fazendas. E acrescentaram: ‘Daqui em diante, vocês não vão ver o que vai acontecer’, disse um dos ruralistas, que ameaçou ‘riscar’ os pneus do carro caso insistisse. Ao que parece, eles não queriam testemunhas sobre o que iria acontecer em seguida…”

No Correio do Estado

Reportagem de página inteira assinada por Celso Bejarano e publicada em 9/9 último no jornal Correio do Estado revela de forma inequívoca o que aconteceu em 29 de agosto passado, quando um grupo de 100 ruralistas montados em modernas caminhonetes adentrou as fazendas Barra e Fronteira, no município de Antônio João, MS, a fim de retomar área que segundo eles havia sido invadida por indígenas. Tudo seria considerado “normal” se incidente grave não tivesse acontecido: o índio Guarani-Kaiowá Semião Fernandes Vilhalva, 24 anos, foi morto por tiro disparado à longa distância com arma de calibre 22 e de autoria ainda desconhecida.   (mais…)

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Paraná tem a primeira doutora quilombola do Brasil

Por Agência de Notícias do Paraná

O Departamento da Diversidade, da Secretaria de Estado da Educação do Paraná conta com a primeira doutora quilombola do Brasil. A professora da rede estadual de ensino Edimara Soares terminou o doutorado em 2012 na Universidade Federal do Paraná (UFPR), ao defender a tese “Educação Escolar Quilombola: quando a diferença é indiferente”.

O conhecimento que ela ganhou durante a pesquisa é disseminado e debatido em cursos sobre educação escolar quilombola. O Departamento da Diversidade existe desde 2008 na Secretaria da Educação, e Edimara Soares trabalha na coordenação da educação das relações das diversidades etnicorraciais e quilombola. (mais…)

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Clube da Luta, por Neimar Machado de Sousa*

O filme norte-americano Clube da Luta (1999), protagonizado por Brad Pitt, conta a história de um homem comum, narrado por Edward Norton, descontente com a vida segundo as regras do Tio Sam: o American Way of Life. A mudança de rumo ocorre após o envolvimento com um vendedor de sabonetes e uma mulher dissoluta, Marla Singer. O filme é uma metáfora entre o descompasso entre jovens e o sistema publicitário de valores. Na sua guinada de vida, vê-se envolvido com uma organização que planeja apagar os registros de todas as dívidas com cartões de crédito, explodindo os edifícios onde estão estes registros.

Outra linha analítica do filme é a metamorfose física vivida pelos membros do Clube da Luta, após abandonar as convenções, cosméticos e as refeições nas lanchonetes de fast food. Este filme me fez lembrar sobre a educação grega, conforme narrada pelo historiador italiano Mario Alighiero Manacorda. Segundo ele, os gregos desenvolveram uma Pedagogia de Aquiles, programa para formação integral do guerreiro, chamado de Paidéia, origem do termo pedagogia. (mais…)

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Polícia de Rondônia localiza agricultores e diz que eles foram torturados por madeireiros

Ao flagrarem a extração ilegal de madeira, eles foram espancados com coronhadas de espingardas nas costas, na cabeça e obrigados a tirar as roupas. 

Por Kátia Brasil, em Amazônia Real

A 9ª. Delegacia de Polícia Civil de Extrema, em Rondônia, informou na noite deste sábado (12/09) que localizou os quatro agricultores que estavam sendo procurados no Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê, no sul de Lábrea (Amazonas), na fronteira com o Estado vizinho. Segundo a polícia, que confirmou a existência de um conflito agrário na região, eles foram encontrados por familiares em uma região isolada com marcas de torturas e espancamentos. Os acusados pelos crimes são madeireiros. (mais…)

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Homens [?] colocam fogo em colchão e queimam pernas de senegalês no RS

Crime aconteceu na manhã deste sábado (12), no centro de Santa Maria. O imigrante foi atendido pelo Samu e teve queimaduras superficiais.

Por G1 RS

Três homens colocaram fogo no colchão em que um imigrante senegalês dormia na manhã deste sábado (12), no centro de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. De acordo com a Brigada Militar, CheCheikh Oumar Foutyou Diba, de 25 anos, ainda teve os seus pertences levados pelos trio. Ele pediu ajuda aos funcionários de uma padaria na Avenida Rio Branco, por volta das 9h. (mais…)

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Quem é esta mulher?

Por Bárbara Reis, em Público

O gesto apanhou todos de surpresa. Sobretudo as redacções de Budapeste, onde Petra Laszlo era conhecida como uma mulher tranquila. Operadora de câmara com 20 anos de experiência na tv estatal da Hungria, Laszlo filmava refugiados quando decidiu dar pontapés a crianças sírias que fugiam da polícia, forçando o caminho para Budapeste. Um jornalista alemão deixou de filmar os refugiados e passou a filmá-la a ela. Em segundos, as imagens tornaram-se virais. Primeiro vemos a jornalista dar um forte pontapé a uma criança. Depois a fazer uma rasteira a este homem de barbas brancas que leva o filho ao colo. Vale a pena olhar para a cara do rapaz. Vai assim, neste estado de medo, e ainda nem foi atirado para o chão. Noutra, Laszlo dá outro pontapé a outro rapaz. Continua sempre a filmar e mantém a máscara na boca, como se receasse apanhar doenças. No mesmo dia, foi despedida. O autor do vídeo-denúncia recebeu centenas de perguntas. A mais comum: quem é esta mulher? (mais…)

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Juiz Federal em Xapecó, SC, extingue ação do MPF/Funai contra Diário Catarinense, em defesa de indígenas

Por Jomar Martins, em Consultor Jurídico

O Ministério Público Federal só é legítimo para ajuizar ação civil pública por direito de resposta contra reportagem sobre índios se provar danos coletivos. E porque o MPF de Santa Catarina não conseguiu fazer esta prova, a 1ª Vara Federal de Chapecó extinguiu, sem resolver o mérito, a Ação Civil Pública manejada contra o Diário Catarinense, editado em Florianópolis. O MPF queria a publicação integral da ‘‘retificação’’ de uma matéria que tratava dos habitantes da terra indígena Xapecó.

O juiz Gueverson Rogério Farias disse que, no caso, não houve prova de dano concreto aos interesses dos indígenas, portanto a ação é incabível. “Embora seja possível reconhecer a falta de precisão em algumas informações divulgadas assim como o acerto da abordagem do tema feita pelo DC, tenho que não é possível extrair de seu teor um dano àquela comunidade ou aos indígenas em geral”, escreveu na sentença. (mais…)

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Pesquisa revela que índio foi a primeira vítima de crime homofóbico no Brasil

Tibira, da tribo dos tupinambás, foi morto a mando do capuchinho francês Yves d’Évreux. Seu corpo foi colocado na boca de um canhão e estraçalhado. Seu “crime”: era homossexual

Por Euler de França Belém, no Jornal Opção

A reportagem “Amor de índio”, de André Bernardo, publicada na excelente revista “Aventuras na História”, revela que o índio Tibira foi a primeira vítima de crime homofóbico no Brasil. “No ano de 1614, o missionário francês Yves d’Évreux (1577-1632), da Ordem dos Capuchinhos, ordenou a prisão, tortura e execução do índio Tibira, da tribo dos tupinambás, sob o pretexto de ‘purificar a terra do abominável pecado da sodomia’”, relata André Bernardo. (mais…)

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De Envolvimento, Meio Ambiente e Interesse Público, por Carlos Walter Porto-Gonçalves(1)

Dedico esse artigo aos 80 analistas ambientais da Coordenação-Geral de Petróleo e Gás (CGPEG) do IBAMA, com experiência acumulada em mais de 13 anos na condução, análise e acompanhamento dos processos de Licenciamento de atividades realizadas no ambiente marinho brasileiro cuja independência a serviço do interesse público se encontra ameaçada.

Há, pelo menos, duas maneiras de entender o papel do Estado em sua relação com a sociedade. Uma, que vê o Estado como um aparato políticoadministrativo que encerra o poder das classes dominantes sobre o conjunto da sociedade e; outra, que vê o Estado como uma instância de regulação/mediação dos pactos socialmente conformados que encerrariam o que, nesse caso, se vê como interesse público. No primeiro caso, os interesses privados se sobrepõem ao interesse geral, público, podendo mesmo ser, no limite, um Estado patrimonialista/cartorial. Nesse caso, como bem definira Raimundo Faoro, temos Os Donos do Poder onde a parceria público-privado, como se diz hoje, nos dera o fidalgo, palavra que deriva de filhos de alguém (fi’ d’algo), quando o Estado concedia aos filhos de alguém as encomiendas, as capitanias hereditárias, as terras para serem ocupadas/produtivas. Ainda hoje, no Brasil, sabemos como se dão as concessões de canais de rádio e televisão aos “amigos do rei”, verdadeiros fi’d’algos. (mais…)

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