O velho, por Elaine Tavares

Em Palavras Insurgentes

Melhor  idade é o cacete, diria minha avó. Essa coisa só vale para quem é rico e pode pagar por uma companhia que lhes resolva a vida. Já a vida do velho pobre é uma desgraça só. Praticamente ninguém o respeita e, no geral, o veem como uma atrapalho na vida dos demais.

Foi assim com Romão. Ele entrou na agência governamental com o andar arrastado, como soe ser o andar de todos os velhos. Passo após passo, devagarito no más. As pessoas no aguardo de serem chamadas já olharam meio de revesgueio. No geral, parecem não gostar dessa lentidão dos velhos, dá aflição. E franzem ainda mais a cara quando eles passam na frente. (mais…)

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Minha água, minha vida

Escassez da água, problema de todo o mundo

Diário de Cuiabá

Nasci e cresci com abundância de água. Não fui educado para economizar água. Em Moscou, capital do comunismo, não conheci escassez de água. Em Nova York, capital do capitalismo, não tive racionamento de água. E não comprava galão de água. A da torneira é potável, sempre.

Em Nova York, bebe-se água das montanhas (Catskill, do rio Delaware) de boa qualidade. Fruto de parceria com fazendeiros e proprietários de terra. Gente consciente de seu papel na sociedade. Não há estação de tratamento. Apenas filtragem da água que percorre 300 km por aquedutos para abastecer a cidade na qual acontece o maior evento brasileiro no mundo. Criei o Brazilian Day em 1985, na Rua 46, entre Quinta e Sexta Avenidas. O primeiro foi dedicado ao mineiro Tancredo Neves. (mais…)

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As mulheres que lutam para não sumir do mapa

Numa das regiões mais pobres do Brasil, um grupo de mulheres tenta provar sua existência no mapa do país. Elas são 350 mil quebradeiras de coco de babaçu, que brigam para não serem expulsas pela expansão do agronegócio.

Nadia Pontes, Deutsche Welle

Com um cesto de palha a tiracolo, machado em uma mão e toco de madeira na outra, Eunice Conceição, de 56 anos, caminha floresta adentro nos arredores de Imperatriz, no Maranhão. Pela mata é fácil identificar as palmeiras de babaçu, de 15 metros de altura. É delas que Eunice extrai o sustento da família. E é por elas que comprou agora uma briga com o governo. (mais…)

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Guarani Kayowá: a dolorosa retomada

Depois de quase duas décadas de espera, a comunidade Guarani Kayowaa está retomando áreas da Terra Indígena Ñanderu Marangatu, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Lideranças relatam que tiveram sua aldeia invadida esta semana por agentes do Departamento de Operações da Fronteira (DOF) e que foram ameaçados com disparos de armas de fogo.

por Adriana Carvalho para os Jornalistas Livres

Os Guarani Kayowaa cansaram de esperar. Querem avisar a toda a sociedade que dezoito anos já foi tempo bastante aguardando uma solução oficial para a demarcação de seu tekoa (território sagrado) no município de Antônio João, na fronteira do Brasil com o Paraguai. A Terra Indígena ÑanderuMarangatu, com cerca de 9 mil hectares, teve sua demarcação homologada em março de 2005 pelo então presidente Luís Inácio Lula da Silva. Poucos meses depois, porém, o Supremo Tribunal Federal, anulou a conquista. Com essa decisão, o presidente do STF na época, Nelson Jobim, atendeu aos apelos dos que alegam ser donos das terras. Teve início, então, uma sucessão de sofrimentos para a comunidade que hoje conta com cerca de mil indígenas. Mortes por assassinato, fome, atropelamento. Despejos. Invasões. (mais…)

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Direitos Indígenas ameaçados no Brasil, por Gersem Baniwa*

Este documento traça breve análise crítica sobre o cenário atual dos direitos dos povos indígenas no Brasil, apresentando os principais problemas enfrentados por esses povos, apontando os desafios lançados ao Estado e à sociedade brasileira no sentido de a proteção do direito à terra que tradicionalmente ocupam, sua organização social, seus costumes, línguas, crenças e tradições, conforme estabelece expressamente Constituição Federal de 1988.

Passados 30 anos de redemocratização do país e de 27 anos da Constituição Federal de 1988 que consagrou os direitos fundamentais dos povos indígenas no reconhecimento às suas terras tradicionais, aos seus sistemas tradicionais de vida, social, econômica, educacional, lingüística, estes povos vivem na atualidade, desafios e pesadelos no âmbito de seus direitos. Desde 1988, foram duas décadas de otimismo com o processo gradativo de garantia dos direitos conquistados, com alguns avanços no âmbito territorial, cultural, educacional, econômico e político. As conquistas territoriais ocorreram principalmente na Amazônia. (mais…)

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Demarcação de Terras Indígenas: Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal se reúne com ministro do STF

Tese do “marco temporal”, adotada pelo STF, tem promovido retrocessos nos processos de demarcação de terras indígenas

CDHM

Presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) foi recebido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki na tarde desta quinta-feira (20/8/2015). Durante o encontro, o parlamentar demonstrou preocupação com o entendimento que a Suprema Corte brasileira tem tido sobre os processos de demarcação das terras indígenas.

Pela tese do “marco temporal”, adotada pelo Supremo, os indígenas só teriam direito às terras efetivamente ocupadas na data da promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988. Essa interpretação abre brecha para uma série de questionamentos judiciais, com o objetivo de arrastar os processos demarcatórios de terras indígenas, casos como da TI Sombrerito, dos Guarani-Ñhandeva, e TI Limão Verde, dos Terena, ambas localizadas no Mato Grosso do Sul. Enquanto aguardam os processos demarcatórios, muitas lideranças indígenas, em todo o Brasil, já foram assassinadas por grandes proprietários de terras. (mais…)

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MG – Reintegração de posse da ‘Ocupação Izidora’ é suspensa, confirma STJ

Decisão vale para todos moradores da ocupação, diz STJ. Medida é temporária, até o julgamento do recurso, podendo ser revertida.

Do G1 MG

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou nesta terça-feira (18) a decisão de suspender o despejo das famílias que vivem na “Ocupação Izidora”, que inclui as ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória, na Região Norte de Belo Horizonte.

No dia 29 de junho, a assessoria de imprensa do STJ informou que a decisão liminar valia para quatro famílias. No dia, advogada Thaís Lopes, que defende as ocupações, afirmou ao G1 que apesar de a ação ter sido impetrada apenas por alguns moradores, dizia respeito à operação da polícia de reintegração de posse como um todo, ou seja, abrangia a todos que vivem no local, por se tratar de um mandado de segurança individual por litisconsórcio ativo multitudinário, o que foi confirmado na decisão publicada nesta terça-feira pelo STJ. (mais…)

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Apontamentos sobre o dia 16, por Elaine Tavares

“os que se manifestam pelo golpe e pela ditadura militar, são chamados de “pessoas de bem”, e as tropas estão ali para protegê-los de qualquer perigo que possa vir dos “terroristas” (…). Assim, os manifestantes respondem tirando fotos abraçados às forças da lei. Enquanto nas passeatas de luta por direitos, o que sobra é gás, bala e porrada para quem luta”. 

Em Palavras Insurgentes

Ainda que a conjuntura política brasileira esteja um pouco confusa, com um partido de trabalhadores no governo jogando contra os trabalhadores, as manifestações desse dia 16 de agosto aparecem como um momento único para pensar a luta de classes no Brasil. E, apesar do fato de muita gente sequer desconfiar o significado das palavras de ordem que carregam nos cartazes, há duas visões de mundo em batalha nesses dias de agosto. (mais…)

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Assistencialismo prejudica o etnodesenvolvimento dos povos indígenas

Por Redação Yandê

O etnodesenvolvimento promove o respeito a autonomia e autodeterminação dos Povos Indígenas, embora existam particularidades históricas e sociais em diferentes países do mundo, é inegável a importância de iniciativas autônomas das próprias comunidades e da população indígena.

A expressão “carregar ou colocar o indígena embaixo do braço” é usada por indígenas sobre como alguns indivíduos da sociedade envolvente se comportam em relação a presença indígena. Seja em fotos, projetos ou na vida cotidiana, alguns indigenistas ainda reproduzem o olhar da antiga tutela, de forma inconsciente ou não. O que dificulta em serem protagonistas de seus próprios projetos e traçarem seus caminhos de acordo com suas crenças ou visões de mundo. (mais…)

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Na Índia, o rap-denúncia deu certo: a direção da Unilever pediu reunião urgente para discutir a contaminação por mercúrio

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

No dia 2 de agosto, demos notícia sobre uma campanha apresentada em forma de rap: “Na Índia, rapper denuncia contaminação por mercúrio e clip conquista apoio internacional para a luta“. Através da canção divulgada via Youtube, a compositora e cantora Sofia Ashraf denuncia os graves prejuízos causados aos habitantes de Kodaikanal pela Unilever, que mantinha uma fábrica de termômetros na cidade. Denunciada, a empresa fechou as portas, mas deixou atrás um rastro de doenças, mortes e mutações por contaminação, além de pilhas de rejeitos altamente venenosos. (mais…)

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