Quem é esta mulher?

Por Bárbara Reis, em Público

O gesto apanhou todos de surpresa. Sobretudo as redacções de Budapeste, onde Petra Laszlo era conhecida como uma mulher tranquila. Operadora de câmara com 20 anos de experiência na tv estatal da Hungria, Laszlo filmava refugiados quando decidiu dar pontapés a crianças sírias que fugiam da polícia, forçando o caminho para Budapeste. Um jornalista alemão deixou de filmar os refugiados e passou a filmá-la a ela. Em segundos, as imagens tornaram-se virais. Primeiro vemos a jornalista dar um forte pontapé a uma criança. Depois a fazer uma rasteira a este homem de barbas brancas que leva o filho ao colo. Vale a pena olhar para a cara do rapaz. Vai assim, neste estado de medo, e ainda nem foi atirado para o chão. Noutra, Laszlo dá outro pontapé a outro rapaz. Continua sempre a filmar e mantém a máscara na boca, como se receasse apanhar doenças. No mesmo dia, foi despedida. O autor do vídeo-denúncia recebeu centenas de perguntas. A mais comum: quem é esta mulher? (mais…)

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Juiz Federal em Xapecó, SC, extingue ação do MPF/Funai contra Diário Catarinense, em defesa de indígenas

Por Jomar Martins, em Consultor Jurídico

O Ministério Público Federal só é legítimo para ajuizar ação civil pública por direito de resposta contra reportagem sobre índios se provar danos coletivos. E porque o MPF de Santa Catarina não conseguiu fazer esta prova, a 1ª Vara Federal de Chapecó extinguiu, sem resolver o mérito, a Ação Civil Pública manejada contra o Diário Catarinense, editado em Florianópolis. O MPF queria a publicação integral da ‘‘retificação’’ de uma matéria que tratava dos habitantes da terra indígena Xapecó.

O juiz Gueverson Rogério Farias disse que, no caso, não houve prova de dano concreto aos interesses dos indígenas, portanto a ação é incabível. “Embora seja possível reconhecer a falta de precisão em algumas informações divulgadas assim como o acerto da abordagem do tema feita pelo DC, tenho que não é possível extrair de seu teor um dano àquela comunidade ou aos indígenas em geral”, escreveu na sentença. (mais…)

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Pesquisa revela que índio foi a primeira vítima de crime homofóbico no Brasil

Tibira, da tribo dos tupinambás, foi morto a mando do capuchinho francês Yves d’Évreux. Seu corpo foi colocado na boca de um canhão e estraçalhado. Seu “crime”: era homossexual

Por Euler de França Belém, no Jornal Opção

A reportagem “Amor de índio”, de André Bernardo, publicada na excelente revista “Aventuras na História”, revela que o índio Tibira foi a primeira vítima de crime homofóbico no Brasil. “No ano de 1614, o missionário francês Yves d’Évreux (1577-1632), da Ordem dos Capuchinhos, ordenou a prisão, tortura e execução do índio Tibira, da tribo dos tupinambás, sob o pretexto de ‘purificar a terra do abominável pecado da sodomia’”, relata André Bernardo. (mais…)

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De Envolvimento, Meio Ambiente e Interesse Público, por Carlos Walter Porto-Gonçalves(1)

Dedico esse artigo aos 80 analistas ambientais da Coordenação-Geral de Petróleo e Gás (CGPEG) do IBAMA, com experiência acumulada em mais de 13 anos na condução, análise e acompanhamento dos processos de Licenciamento de atividades realizadas no ambiente marinho brasileiro cuja independência a serviço do interesse público se encontra ameaçada.

Há, pelo menos, duas maneiras de entender o papel do Estado em sua relação com a sociedade. Uma, que vê o Estado como um aparato políticoadministrativo que encerra o poder das classes dominantes sobre o conjunto da sociedade e; outra, que vê o Estado como uma instância de regulação/mediação dos pactos socialmente conformados que encerrariam o que, nesse caso, se vê como interesse público. No primeiro caso, os interesses privados se sobrepõem ao interesse geral, público, podendo mesmo ser, no limite, um Estado patrimonialista/cartorial. Nesse caso, como bem definira Raimundo Faoro, temos Os Donos do Poder onde a parceria público-privado, como se diz hoje, nos dera o fidalgo, palavra que deriva de filhos de alguém (fi’ d’algo), quando o Estado concedia aos filhos de alguém as encomiendas, as capitanias hereditárias, as terras para serem ocupadas/produtivas. Ainda hoje, no Brasil, sabemos como se dão as concessões de canais de rádio e televisão aos “amigos do rei”, verdadeiros fi’d’algos. (mais…)

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Povo indígena Ka’apor integra tecnologia no monitoramento e proteção do seu território tradicional

Em parceria com o Greenpeace, indígenas aprendem a usar armadilhas fotográficas e rastreadores para combater a invasão de madeireiros na TI Alto Turiaçu, no Maranhão

No Greenpeace

No final de agosto de 2015, ativistas do Greenpeace trabalharam com 12 lideranças Ka’apor, moradores da Terra Indígena Alto Turiaçu, no norte do Maranhão, para começar a integrar o uso de tecnologia às atividades autônomas de monitoramento e proteção do seu território tradicional. Entre as ferramentas sugeridas e adotadas na ação pelas lideranças Ka’apor estão mapas mais precisos, armadilhas fotográficas e rastreadores via satélite.  (mais…)

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Somos filhos da Petra ou da Preta?, por José Ribamar Bessa Freire

Em Taqui Pra Ti

Desocupado (a) leitor (a), peço que examines os fatos com isenção, sem preconceitos e depois me diz com toda a sinceridade quem é a civilizada: a Petra ou a Preta? Qual das duas podia ser tua mãe? Quem é que gostarias que te educasse e com quais valores e princípios éticos?

A Petra vive em Budapeste às margens do rio Danúbio, centro financeiro, cultural e histórico da Europa. Estudou na Universidade de Pécs, uma das mais antigas do mundo, fundada em 1367 pelo rei Luís I da Hungria, um país com vários ganhadores do Prêmio Nobel. Frequenta teatros, museus, cinemas, bibliotecas, centros culturais e restaurantes sofisticados. Fala inglês, russo e alemão, além do húngaro que, segundo Chico Buarque, é “a única língua do mundo que o diabo respeita”. Repórter da rede N1TV, filma, fotografa, usa computador, carro, metrô, avião e perfume francês. (mais…)

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Elaine Tavares: Os bilionários da mídia brasileira + A comunicação comunitária

O Brasil possui oito empresários de comunicação na nova lista da revista Forbes; entre os setores, mídia está na 8º posição em um ranking liderado pela indústria.

Em Ideias Insurgentes

Saiu na revista Forbes que o setor de mídia brasileiro é o 8º mais representativo em um ranking de 13 setores liderado por indústria, bancos e alimentos. No topo da lista envolvendo os ricos do Brasil está o empresário Jorge Paulo Lemann, um dos sócios da AB InBev, com uma fortuna estimada em R$ 83,7 bilhões.

No setor de comunicação são oito empresários de quatro companhias distintas. Na 5º posição geral está a família Marinho, das Organizações Globo, representada por João Roberto Marinho, José Roberto Marinho e Roberto Irineu Marinho que, individualmente, possuem R$ 23,8 bilhões. (mais…)

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Financiado por multa trabalhista, livro retrata a exploração na visão de diferentes autores: “Verso dos Trabalhadores”

Por Narco Rodrigo Almeida, na Folha

A origem de “O Verso dos Trabalhadores” é tão interessante quanto suas histórias. O livro foi produzido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) a partir de multa aplicada a uma empresa de construção civil que infringiu leis trabalhistas – no caso em questão, por conta da terceirização ilícita de mão de obra e condições insalubres. Parte da verba – cerca de R$ 242 mil – foi encaminhada para a elaboração de livro e site sobre o tema.

“Nossa intenção era mostrar para a sociedade alguns casos de exploração do trabalhador, mas não queríamos uma visão jurídica, a nossa visão. Então buscamos um outro olhar, um retrato diferente para essa realidade”, conta José de Lima Ramos, procurador regional do Trabalho e coordenador nacional do combate às fraudes trabalhistas do MPT. (mais…)

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Carta de Correntina – “Cerrado em Pé: a Vida brota das Águas”

Por ocasião da Semana do Cerrado, reunimo-nos em Correntina-BA, de 07 a 11 de setembro de 2015, em Mobilizações nas Comunidades e Escolas, no IV Seminário e na II Romaria do Cerrado, representantes de comunidades geraiseiras, fundos e fechos de pasto, quilombolas, estudantes, professores, agentes pastorais, sindicalistas, gestores públicos, vereadores, militantes socioambientais do campo e da cidade, de entidades e movimentos populares, do Oeste Baiano e de outras regiões. Contamos no seminário com 82 pessoas, de 21 entidades. Na romaria, cerca de 2.000 pessoas, de 24 municípios.

Trocamos informações e experiências sobre a situação dos Cerrados em que vivemos e que lutamos para defender, e combinamos novas estratégias e ações para avanço desta luta. Visitamos a comunidade geraiseira de Salto, próxima à cidade, e nos animamos com sua defesa do território, com suas matas, águas e tradições culturais e religiosas. Percorremos as ruas da cidade em romaria clamando a Deus e às pessoas de bem pela defesa dos Cerrados que restam. Por esta carta dirigimo-nos às autoridades, aos nossos parceiros e aliados e ao povo geral para dar conta destas atividades e do que elas nos instigaram a denunciar e anunciar. “Se eles se calarem, as pedras gritarão!”, diz o Evangelho de Lucas 19, 40. (mais…)

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Nota de Repúdio ao Governo do Estado de Roraima

Nós, do Movimento indígena de Roraima mobilizados desde dia 10 de agosto, na Praça do Centro Cívico, com a participação dos povos indígenas Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ingarikó, Yanomami, Yekuana, Wai-Wai, Sapará e Patamona, REPUDIAMOS a atitude da Governadora Suely Campos e sua assessoria durante o processo de diálogo com a comissão indígena na tarde do dia 10 de setembro.

Durante o processo de diálogo com a Governadora, quando os encaminhamentos estavam avançando de forma tranquila,  inesperadamente, o senhor Neudo Campos de forma arrogante, autoritária e discriminatória tomou a palavra, impondo condições para o fim do diálogo, alegando que após as “negociações o movimento indígena não poderia mais fazer manifestação contra o governo” (fala de Neudo Campos). Caso contrário, a “negociação voltaria a estaca zero”. (mais…)

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