Mulheres destacam que fatos recentes comprovam violência do campo

No Pará, as mulheres que lutam pela preservação do meio ambiente e da floresta sofrem muita violência, principalmente por parte dos latifundiários. A informação é da secretária do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Célia Regina, que participou, nesta segunda-feira (30), em Brasília, do Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Campo e das Florestas, promovido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).

O evento, que acontece até amanhã (31), reúne representantes do governo federal e da sociedade civil que irão definir a participação dessas mulheres na 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres e discutir propostas de políticas públicas.

O assassinato, no último dia 24, do casal de extrativistas Maria do Espírito Santo e José Cláudio Ribeiro da Silva, foi lembrando como o exemplo mais recente dessa realidade. Por causa dos conflitos pela preservação da floresta, muitas mulheres e homens são mortos, disse Célia Regina, descrevendo a situação na região: “É tiroteio ao redor das casas, durante a madrugada, matam as criações, cortam as árvores, tudo isso para intimidar a população da floresta”, disse.

Para Célia Regina, faltam políticas públicas de segurança, saúde e direitos humanos voltadas para os povos da floresta. “No campo e nas cidades, a vida é de um jeito, na floresta é de outro, por isso, é preciso que as políticas públicas sejam adequadas à população extrativista”, disse.

Antônia Mendes, do município de Aporá (BA), e diretora do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste, confirma a falta atendimento às mulheres vítimas de violência no campo. “No município que moro, não temos uma delegacia de atenção à mulher. Espero que consigamos políticas públicas em que sejamos reconhecidas”, disse.

“Apenas 4% das ligações recebidas pela central 180 são de mulheres do campo. Existe uma grande invisibilidade, porém, isso já está mudando graças à Marcha das Margaridas e ao fórum”, explica Ane Cruz, diretora da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.

Marcha das Margaridas

Para atender a reivindicação da Marcha das Margaridas, em agosto de 2007, o Governo Federal instalou – por meio da SPM, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e outros ministérios –, o Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do Campo e das Florestas. Ele está incluído no Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra as Mulheres, visando ampliar, fortalecer e garantir ações do Estado brasileiro para o enfrentamento à violência contra as mulheres rurais.

A Marcha das Margaridas é uma mobilização organizada desde 2000 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e reúne, anualmente, em Brasília, milhares de mulheres do campo. O intuito do fórum é ampliar, fortalecer e garantir ações do Estado brasileiro para o enfrentamento à violência contra as mulheres rurais.

Participam do Fórum, a secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves – que na ocasião representa a ministra Iriny Lopes, da SPM -, e representantes da sociedade civil e dos Ministérios da Justiça, Saúde, do Desenvolvimento Agrário, da Educação, da Agricultura, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e das Secretarias de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), de Direitos Humanos (SEDH) e da Secretaria-Geral da Presidência da República.

https://gestaoseppir.serpro.gov.br/noticias/clipping-seppir/31-05.2011

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