O Syriza está falando sério

Por José Gusmão*, em Ladrões de Bicicletas/Correio da Cidadania

Depois da vitória eleitoral de domingo, o Syriza ficou obrigado a negociar um acordo de governo para viabilizar a sua política, naquilo que ela tem de mais central: a restruturação da dívida. Sem uma restruturação da dívida que imponha perdas substanciais aos credores, incluindo os credores institucionais que detêm, de longe, a maior fatia da dívida grega, qualquer discurso sobre o fim da austeridade é conversa. (mais…)

Ler Mais

Robert Kurz – Realistas e Fundamentalistas: De regresso ao século XVII, a auto-ilusão ideológica do Ocidente

o socialismo não era apenas uma ideologia, mas também uma espécie de filtro ético sem o qual a civilização moderna é totalmente incapaz de existir. Privada desse filtro, a economia de mercado sufoca em sua própria imundície, que deixou de ser digerida institucionalmente.

Em Exit!

Na imagem que faz de si mesmo, o Ocidente é um mundo “livre”, democrático e racional, ou seja, o melhor dos mundos possíveis. Do seu ponto de vista, esse mundo é pragmático e aberto, sem pretensões utópicas ou totalitárias. Cada um deve “ser feliz segundo seu próprio modo de ser”, de acordo com a promessa de tolerância feita pelo Iluminismo europeu. Os representantes desse mundo se dizem realistas. Afirmam que suas instituições, seu pensamento e sua ação encontram-se em harmonia com as “leis naturais” da sociedade, com a “realidade” atual. O socialismo, pelo que ouvimos, desmoronou porque era “irrealista”. Junto com o socialismo, foi definitivamente enterrada toda utopia de uma mudança fundamental da sociedade. E os antigos críticos do way of life ocidental agora se acotovelam nas bilheterias do “realismo” para comprarem a tempo seu ingresso na economia de mercado globalizada. (mais…)

Ler Mais

O que significa para o mundo a vitória do Syriza, por Paulo Nogueira*

Em Diário do Centro do Mundo

A vitória da esquerda na Grécia pode ser uma das duas seguintes alternativas.

  • Apenas isso, uma vitória da esquerda na Grécia.
  • A primeira manifestação de exaustão, no mundo, do receituário conservador para combater a crise econômica.

Em breve se saberá qual das duas sentenças prevalecerá. Seja como for, todos os olhos convergem, a partir de agora, para a Grécia, em busca dos desdobramentos da vitória do Syriza e de seu jovem e carismático líder Alexis Tsipras. (mais…)

Ler Mais

Graças à nossa omissão, nas enquetes da Câmara mais de 72 por cento apoiam os autos de resistência

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

Vez por outra recebo uma mensagem informando que “está no ar nova enquete da Câmara dos Deputados” e, se sigo o link, em geral me deparo com alguma aberração. Se não é a proposta em si, são os votos e os comentários (bem no pior estilo redes sociais) que me assustam. E foi essa segunda hipótese que se repetiu hoje mais uma vez.

A enquete em questão é sobre a violência policial. Está em discussão o Projeto de Lei 4471/12, apresentado pelos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Fábio Trad (PMDB-MS), Protógenes (PCdoB-SP) e Miro Teixeira (Pros-RJ), sobre os chamados “autos de resistência”. Pelo projeto, sempre que a ação policial resultar em lesão corporal ou morte, será instaurado inquérito, o autor poderá ser preso em flagrante, e Ministério Público, Defensoria Pública, órgão correcional competente e Ouvidoria deverão ser comunicados.

(mais…)

Ler Mais

Cuba quer se abrir ao mundo sem perder alma socialista

População deseja aderir ao universo do consumo, mas manter conquistas como saúde e segurança

Por Cynthia Castro e Evie Gonçalves, em O Tempo

Na chegada ao aeroporto José Martí, após o anúncio histórico da retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, a sensação é que a vida em Havana transcorre como nas últimas décadas. O calor intenso, o cheiro forte de diesel dos carros antigos, o velho Lada – um dos símbolos da ex-União Soviética.

Parece que nada mudou, mas basta conversar com as pessoas para sentir que algo está diferente. A ilha mais famosa do Caribe vive uma nova revolução: a abertura, ao capitalismo, do regime político e econômico instalado há 56 anos, sem que se perca a essência do socialismo. “Aqui, temos um coração e não um cofre. Nossos valores são diferentes, e o que há de melhor será mantido. A tranquilidade e a solidariedade permanecerão. Em Cuba, pensamos primeiro nos seres humanos, depois no restante. O socialismo não irá acabar”, afirma o taxista Carlos Suarez. (mais…)

Ler Mais

Populismo penal puxa o gatilho dos assassinatos estatais, por Marcelo Semer

Por Marcelo Semer, em Justificando

O fuzilamento do brasileiro Marco Archer na Indonésia despertou duas discussões razoavelmente adormecidas: a virulência da guerra às drogas e a legitimidade da pena de morte. Mas há uma terceira questão pouco iluminada no debate: é o populismo penal quem puxa o gatilho do assassinato estatal.

Com uma legislação mais liberal, embora ainda draconiana no que tange aos entorpecentes, o Brasil pode criticar a ilegitimidade da pena de morte e a monstruosidade de sua aplicação em casos como este. Mas estamos pouco confortáveis no embate civilização x barbárie, quando se cotejam as mortes que as guerras às drogas efetivamente causam no país, especialmente na periferia, objeto preferencial das polícias e dos policiamentos –basta ver que na mesma semana do fuzilamento um garoto de apenas onze anos foi morto no Rio de Janeiro, por policiais militares. (mais…)

Ler Mais

Boçais!, por Roberto Tardelli

Por Roberto Tardelli*, em Justificando

Preciso admitir. Deu no meu limite e não consigo mais ver com naturalidade ou respeito e quero que vão para o raio que os parta, com o diabo que os carregue, para a puta que os pariu todos aqueles que festejaram, invejaram, concordaram, compreenderam, justificaram, endeusaram, suspiraram ver um brasileiro ser morto, executado a tiros nas Indonésia. Eu sinto que estamos enlouquecendo completamente e nossa sociedade brasileira se dá bem obrigado nesse pântano de ódio em que nos afundamos mais e mais. (mais…)

Ler Mais

Noam Chomsky: estamos à beira da total auto-destruição?

Existem mais processos de longo prazo apontando na direção, talvez não da destruição total, mas ao menos da destruição da capacidade de uma vida decente.

Por Noam Chomsky, em Alternet/Carta Maior

O que o futuro trará? Uma postura razoável seria tentar olhar para a espécie humana de fora. Então imagine que você é um extraterrestre observador que está tentando desvendar o que acontece aqui ou, imagine que és um historiador daqui a 100 anos – assumindo que existam historiadores em 100 anos, o que não é óbvio – e você está olhando para o que acontece. Você veria algo impressionante. (mais…)

Ler Mais

Com Syriza, a Grécia continua atrelada à Troika, à OTAN e ao mercado

Por Achille Lollo, de Roma para o Correio da Cidadania

Pouco antes do Natal, o influente jornal alemão, Handelsblatt, publicava um editorial onde eram citadas as declarações do carismático líder do Syriza (Partido da Esquerda Radical), Alexis Tsipras, provocando o desencanto em muitos setores da sociedade grega que, ao votar no novo partido, acreditavam que com ele a Grécia poderia reconquistar a soberania e reconstruir a economia depois dos desastres provocados pela “Troika” (União Europeia, FMI e BCE). (mais…)

Ler Mais

O terror, o “Ocidente” e a semeadura do caos

Por Mauro Santayana, em seu blog

Há alguns dias, terroristas franceses, ligados, aparentemente, à Al Qaeda, atacaram a redação do jornal satírico parisiense Charlie Hebdo, em represália pela publicação de caricaturas sobre o profeta Maomé.

Doze pessoas foram assassinadas, entre elas alguns dos mais famosos cartunistas e intelectuais do país, e dois cidadãos de origem árabe, um deles, estrangeiro, que trabalhava há pouco tempo na publicação, e um membro das forças de segurança que estava nas imediações. (mais…)

Ler Mais