Prisões do Brasil. Um pacote de equívocos que gera e mantém o caos. Entrevista Especial com Julita Lemgruber

“Toda legislação, toda norma de funcionamento da prisão, é basicamente masculina. A questão de gênero, que deveria atravessar todo o funcionamento do sistema penitenciário e deveria ser transversal a todos os demais campos, não é considerada”, constata a pesquisadora

Por Leslie Chaves – IHU On-Line

A combinação entre uma legislação que agrava penas e contribui para a superlotação dos presídios e a morosidade judicial que obstrui o fluxo de entrada e saída de encarcerados dos presídios é o principal fator que gera e sustenta a situação caótica do sistema prisional brasileiro. A análise é da socióloga Julita Lemgruber, que desde os anos 1980 estuda o tema e afirma que esse cenário se mantém inalterado ao longo de décadas. De acordo com a pesquisadora, os principais punidos por esta estrutura são os que estão na base da pirâmide social do país. “Aqui quem acaba sendo penalizado com a pena de prisão, com raríssimas exceções, são os pobres, os negros, aqueles que moram nas periferias, enfim, quem não tem voz nem poder nessa sociedade”, aponta. (mais…)

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Quem incentivar ‘ódio’ entre ruralistas e índios pode parar na justiça, alerta Governo

Governo quer identificar quem estimula conflito entre fazendeiros e índios

Por Mayara Bueno, em Midiamax

O governador do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), quer identificar pessoas que estimulam os conflitos entre indígenas e fazendeiros em Mato Grosso do Sul. Nesta segunda-feira (31), Reinaldo se reuniu com o Exército e a Polícia Federal, para discutir estrategias de atuação na região de Antonio João.

Para ele, há pessoas que acirram os ânimos entre os dois lados. No sábado (29), o conflito resultou na morte do indígena Semião Fernandes Vilhalva, de 24 anos. Segundo relatos, ele estava bebendo água em um córrego que passa por uma das propriedas ocupadas e foi atingido pelos tiros na cabeça. De acordo com a PM (Polícia Militar), os disparos teriam partido de um revólver calibre 22. (mais…)

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Na cama procustiana de Dilma

Por Gilberto Vieira, secretário nacional do Conselho Indigenista Missionário – Cimi

Antes que alguém faça qualquer associação maldosa ou distorcida, vinculando este texto ao leito presidencial, uma nota:

Segundo o mito grego, Procusto era um malfeitor que morava numa floresta na região de Elêusis, península da Ática, Grécia. Conta o mito que ele mandou fazer uma cama de ferro com exatamente as medidas do seu próprio corpo, nem um milímetro a menos ou a mais. Quando capturava alguém na estrada, ele amarrava naquela cama. Se a pessoa fosse maior do que a cama, ele simplesmente cortava fora o que sobrava. Caso fosse menor, ele a esticava até se ajustar ao tamanho da cama – “justa medida”. Ao que tudo indica, mais uma vez o mito encontra sua âncora firme na realidade, ou nos ajuda a entendê-la melhor. (mais…)

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Quem é quem no conflito contra os Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul

Por O Indigenista

A situação é de extrema tensão no município de Antonio João, Mato Grosso do Sul, há mais de uma semana e se agravou com o ataque ruralista aos Guarani Kaiowá em sua Terra Indígena Ñanderu Marangatu, já homologada, porém aguardando uma série de ações judiciais impetradas pelos ruralistas.

Mas quem são estes ruralistas? Quem atacou os Guarani Kaiowá?

Saiba quem é quem no conflito que se criou no Mato Grosso do Sul financiado pelo Sistema Ruralista.
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Preso na Febem quando adolescente, professor universitário denuncia prejuízos da redução da maioridade penal

Cristiano Morsolin – Adital

O professor doutor Roberto da Silva, docente do Departamento de Administração Escolar e Economia da Educação, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), foi uma criança internada e privada de sua liberdade na Febem [Fundação Estado do Bem Estar do Menor] de São Paulo. Já adulto, ativou uma campanha de mobilização internacional, que teve como resultado o fechamento dessa entidade estatal, denunciada pela Anistia Internacional como lugar de abuso policial. Ele sabe bem o que é a violência institucionalizada do Estado e fala sobre os efeitos negativos da redução da maioridade penal no Brasil, em tramitação no Congresso Nacional. (mais…)

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Um negro em eterno exílio, por Eliane Brum

A longa travessia de Carlos Moore, o ativista e intelectual que denunciou o racismo em Cuba e passou a vida perseguido pelos dois lados da Guerra Fria, até chegar ao Brasil e encontrar um país mergulhado numa crescente tensão racial

Eliane Brum* – El País

Aos 22 anos, Carlos Moore já tinha vivido mais do que a maioria das pessoas numa existência inteira. Já tinha conhecido a fome e a violência na pequena cidade cubana onde nasceu, já tinha desejado não ser preto e se esforçado por alisar o cabelo, clarear a pele com produtos arriscados e desachatar o nariz com prendedores, já tinha emigrado para os Estados Unidos e descoberto a luta pelos direitos civis, já tinha se apaixonado por Patrice Lumumba, o célebre líder congolês, e planejado um atentado ao consulado belga em Nova York para vingar-se de seu assassinato, já tinha se encantado com a revolução depois de um encontro com Fidel Castro, já tinha se tornado comunista e voltado a Cuba para colaborar com o processo revolucionário, já tinha descoberto que o regime cubano era tão racista quanto aquele que tinha derrubado, já tinha sido encarcerado uma vez por denunciar que o racismo persistia na revolução, já tinha sido condenado a quatro meses num campo de trabalhos forçados uma segunda vez pelo mesmo motivo, depois de abordar o próprio Fidel Castro em público, já tinha feito uma confissão, para não ser morto, de que havia se equivocado e de que não havia racismo em Cuba, já tinha se refugiado na embaixada da Guiné quando percebeu que seria executado de qualquer modo, já tinha fugido para o Egito e depois para a França, sem nenhum documento, já tinha sido rejeitado por um Jean-Paul Sartre convencido de que ele era “agente do imperialismo”, já tinha sido acolhido por um dos ideólogos da negritude, o grande poeta surrealista martinicano Aimé Césaire, já tinha virado segurança do ativista negro Malcolm X, quando este esteve em Paris, e já tinha sofrido de todas as formas pelo seu assassinato. Isso tudo aconteceu até os seus 22 anos. Depois, aconteceu muito mais. (mais…)

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Boaventura: Para ler em 2050

“Por isso, aconteceu o que aconteceu. O quão terrível foi está inscrito no modo como tentamos curar as feridas da carne e do espirito ao mesmo tempo que reinventamos uma e outro”

Por Boaventura de Sousa Santos – Outras Palavras

Quando um dia se puder caracterizar a época em que vivemos, o espanto maior será que se viveu tudo sem antes nem depois, substituindo a causalidade pela simultaneidade, a história pela notícia, a memória pelo silêncio, o futuro pelo passado, o problema pela solução. Assim, as atrocidades puderam ser atribuídas às vítimas, os agressores foram condecorados pela sua coragem na luta contra as agressões, os ladrões foram juízes, os grandes decisores políticos puderam ter uma qualidade moral minúscula quando comparada com a enormidade das consequências das suas decisões. Foi uma época de excessos vividos como carências; a velocidade foi sempre menor do que devia ser; a destruição foi sempre justificada pela urgência em construir. O ouro foi o fundamento de tudo, mas estava fundado numa nuvem. Todos foram empreendedores até prova em contrário, mas a prova em contrário foi proibida pelas provas a favor. Houve inadaptados, mas a inadaptação mal se distinguia da adaptação, tantos foram os campos de concentração da heterodoxia dispersos pela cidade, pelos bares, pelas discotecas, pela droga, pelo facebook. (mais…)

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Enquanto se intensificam os ataques contra os povos indígenas no MS, governo federal segue inerte

No Cimi

Na noite deste domingo, 30, por volta das 21 horas, famílias indígenas de Ñanderú Marangatú sofreram novamente com ataques paramilitares de fazendeiros armados e seus jagunços. Os indígenas, fragilizados, famintos e aterrorizados, não esboçaram resistência, pois segundo eles o que houve ontem à noite “não foi confronto, foi uma nova tentativa de massacre”.

Desta vez o acampamento de retomada das famílias Guarani e Kaiowá foi invadido por mais de 60 pistoleiros, que entraram realizando disparos e ameaçando crianças, velhos, mulheres e homens. O novo ataque foi realizado sobre o território sagrado de Ñanderú Marangatú, na local onde se encontra a fazenda denominada Piquiri, sobreposta aos 9.300 hectares de chão tradicional homologados pela Presidência da República. (mais…)

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Povo Gamela manifesta solidariedade aos Guarani e Kaiowá de Ñanderú Marangatú

Povo Gamela do Maranhão, no Cimi

CARTA AOS PARENTES GUARANY E KAIOWÁ

Parentes, nós, Povo Gamela, do estado do Maranhão, sentimos profundamente a dor dos parentes Guarani e Kaiowá do TEKOHA ÑANDERU MARANGATU – ANTONIO JOÃO, Mato Grosso do Sul, por causa dos ataques de pistoleiros/fazendeiros que assassinaram a jovem liderança SIMIÃO VILHALVA. (mais…)

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Indígena é morto no Mato Grosso do Sul em meio a tensão com fazendeiros, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

Um indígena foi assassinado em uma fazenda no município de Antônio João, no Mato Grosso do Sul, neste sábado (29). De acordo com o Conselho Indigenista Missionário e com a Aty Guasu, que reúne lideranças Guarani Kaiowá, Simião Vilhalva foi morto por fazendeiros, que tentavam retomar uma fazenda ocupada que é reivindicada como território tradicional da comunidade Nhanderu Marangatu. Os produtores rurais negam.

A polícia afirma que não é possível ainda apontar a causa da morte, nem os executores. Uma reunião com dezenas de fazendeiros precedeu a ação dos proprietários rurais acusada de resultar na morte. (mais…)

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