Pesquisa revela que índio foi a primeira vítima de crime homofóbico no Brasil

Tibira, da tribo dos tupinambás, foi morto a mando do capuchinho francês Yves d’Évreux. Seu corpo foi colocado na boca de um canhão e estraçalhado. Seu “crime”: era homossexual

Por Euler de França Belém, no Jornal Opção

A reportagem “Amor de índio”, de André Bernardo, publicada na excelente revista “Aventuras na História”, revela que o índio Tibira foi a primeira vítima de crime homofóbico no Brasil. “No ano de 1614, o missionário francês Yves d’Évreux (1577-1632), da Ordem dos Capuchinhos, ordenou a prisão, tortura e execução do índio Tibira, da tribo dos tupinambás, sob o pretexto de ‘purificar a terra do abominável pecado da sodomia’”, relata André Bernardo. (mais…)

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Refugiados de 12 países criam música para agradecer abrigo no Brasil

Por EBC

Para agradecer o asilo recebido no Brasil, um grupo de 50 refugiados abrigados em São Paulo gravou uma música que foi divulgada na internet. O clipe “Refugiados no Brasil” levou cerca de 10 meses para ser produzido e foi feito após ser escolhido pelo programa Iniciativa Jovem da Acnur (Agência de Refugiados da Onu). A iniciativa foi da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, local que abriga os refugiados.

Na música (que pode ser ouvida abaixo), os refugiados cantam e relatam o que passavam no país de origem: “Nós estamos aqui, com muitas saudades. Por causa da guerra, deixamos as nossas cidades. E deixamos para trás família e amigos. O destino tanto faz, desde que fiquemos vivos”. (mais…)

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Após atitude racista em Londrina, uma senhora dá exemplo de civilidade

Um senegalês foi vítima desse ato hediondo, mas acabou sendo ‘consolado’ por uma transeunte, que numa atitude exemplar, pediu desculpas pelo crime cometido por outra pessoa

João Paulo Martins,  Encontro Digital

Quem nunca ouviu dizer que o racismo não existe no Brasil? Claro que isso não procede. São inúmeros os casos desse crime registrados no Brasil. O mais recente aconteceu na cidade de Londrina, no Paraná, no dia 9 de setembro. O senegalês Ngale Ndiaye, que trabalha vendendo bijuterias em frente a um shopping no centro da cidade, foi chamado de “macaco” e agredido por uma mulher, que chegou até a jogar bananas contra ele. Segundo familiares e atendentes do Samu, a paranaense sofre com esquizofrenia. Mas, o que chamou a atenção não foi apenas o crime hediondo registrado em Londrina, e sim, a atitude de uma senhora que passava pelo local. (mais…)

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Povo Maxakalí pede socorro em Minas Gerais

Redação Yandê

Os Maxakali vivem em três municípios no nordeste de Minas Gerais, eles tem sido vítima de agressões, preconceitos, descaso, golpes e assassinatos. Comerciantes tem aplicado golpes em indígenas, além dos vários outros problemas que a população indígena vem enfrentado.

Em janeiro, mais de 90 casos de diarreia aguda, crianças das aldeias Pradinho e Água Boa, no município de Bertópolis, foram internadas em hospitais. Oito crianças morreram ano passado, das Aldeias Água Boa (Santa Helena de Minas) e Pradinho (Bertópolis). (mais…)

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Semana da Diversidade Sexual da Maré 2015

Observatório de Favelas

A Semana da Diversidade Sexual na Maré chega a sua 4ª edição se consolidando como um espaço aberto de reflexão e proposição voltado para a garantia de direitos da população LGBT de favelas. Durante os dias 03, 04, 05 e 06 de setembro a Maré receberá uma programação que vai de seminário, exposição de fotografias e curtas sobre a luta LGBT, à Feira de Saúde, encerrando o domingo com a tradicional Parada LGBT, a partir das 17h na Rubens Vaz.

Este ano, além da programação, o Grupo Conexão G – realizador da Semana da Diversidade Sexual da Maré – fará uma homenagem as pessoas que apoiam a luta pelos direitos LGBT nas favelas. Para isso, foi criado o Prêmio Direitos Humanos, Cultura e Cidadania LGBT Atila Ramalho, que faz referência a um dos fundadores do Conexão G. (mais…)

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Por um feminismo que vá além das mulheres

Ele pode ter como programa desconstruir a categoria “mulher” e ampliar sua mirada para toda forma de subalternidade, invisível e silenciada

Por Carla Rodrigues – Outras Palavras

A obra do filósofo Jacques Derrida interessou à teoria feminista por muitas razões, uma delas foi a ligação que ele fez entre dois termos: falocentrismo, centramento no masculino, e logocentrismo, o centramento no logos, na razão, no sentido, forjando assim o neologismo falo-logocentrismo para indicar que todo discurso de poder é um discurso falogocêntrico do homem, branco, europeu, heterossexual, carnívoro, e senhor de sua própria razão, que tem o poder de dizer o que é o mundo. Ficam de fora mulheres, negros, crianças, animais, orientais, e todos aqueles que são subalternizados na categoria de “outro”. Essa é uma das explicações para que as mulheres, sendo metade da humanidade, ou os negros, sendo mais da metade da população brasileira, sejam tratadas como “minorias”. (mais…)

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Um negro em eterno exílio, por Eliane Brum

A longa travessia de Carlos Moore, o ativista e intelectual que denunciou o racismo em Cuba e passou a vida perseguido pelos dois lados da Guerra Fria, até chegar ao Brasil e encontrar um país mergulhado numa crescente tensão racial

Eliane Brum* – El País

Aos 22 anos, Carlos Moore já tinha vivido mais do que a maioria das pessoas numa existência inteira. Já tinha conhecido a fome e a violência na pequena cidade cubana onde nasceu, já tinha desejado não ser preto e se esforçado por alisar o cabelo, clarear a pele com produtos arriscados e desachatar o nariz com prendedores, já tinha emigrado para os Estados Unidos e descoberto a luta pelos direitos civis, já tinha se apaixonado por Patrice Lumumba, o célebre líder congolês, e planejado um atentado ao consulado belga em Nova York para vingar-se de seu assassinato, já tinha se encantado com a revolução depois de um encontro com Fidel Castro, já tinha se tornado comunista e voltado a Cuba para colaborar com o processo revolucionário, já tinha descoberto que o regime cubano era tão racista quanto aquele que tinha derrubado, já tinha sido encarcerado uma vez por denunciar que o racismo persistia na revolução, já tinha sido condenado a quatro meses num campo de trabalhos forçados uma segunda vez pelo mesmo motivo, depois de abordar o próprio Fidel Castro em público, já tinha feito uma confissão, para não ser morto, de que havia se equivocado e de que não havia racismo em Cuba, já tinha se refugiado na embaixada da Guiné quando percebeu que seria executado de qualquer modo, já tinha fugido para o Egito e depois para a França, sem nenhum documento, já tinha sido rejeitado por um Jean-Paul Sartre convencido de que ele era “agente do imperialismo”, já tinha sido acolhido por um dos ideólogos da negritude, o grande poeta surrealista martinicano Aimé Césaire, já tinha virado segurança do ativista negro Malcolm X, quando este esteve em Paris, e já tinha sofrido de todas as formas pelo seu assassinato. Isso tudo aconteceu até os seus 22 anos. Depois, aconteceu muito mais. (mais…)

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Boaventura: Para ler em 2050

“Por isso, aconteceu o que aconteceu. O quão terrível foi está inscrito no modo como tentamos curar as feridas da carne e do espirito ao mesmo tempo que reinventamos uma e outro”

Por Boaventura de Sousa Santos – Outras Palavras

Quando um dia se puder caracterizar a época em que vivemos, o espanto maior será que se viveu tudo sem antes nem depois, substituindo a causalidade pela simultaneidade, a história pela notícia, a memória pelo silêncio, o futuro pelo passado, o problema pela solução. Assim, as atrocidades puderam ser atribuídas às vítimas, os agressores foram condecorados pela sua coragem na luta contra as agressões, os ladrões foram juízes, os grandes decisores políticos puderam ter uma qualidade moral minúscula quando comparada com a enormidade das consequências das suas decisões. Foi uma época de excessos vividos como carências; a velocidade foi sempre menor do que devia ser; a destruição foi sempre justificada pela urgência em construir. O ouro foi o fundamento de tudo, mas estava fundado numa nuvem. Todos foram empreendedores até prova em contrário, mas a prova em contrário foi proibida pelas provas a favor. Houve inadaptados, mas a inadaptação mal se distinguia da adaptação, tantos foram os campos de concentração da heterodoxia dispersos pela cidade, pelos bares, pelas discotecas, pela droga, pelo facebook. (mais…)

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Sem um nome, como dizer que eu nasci?

Fábio Mariano*, Ponte Jornalismo

Vivemos sob o império da heteronormatividade, ou seja, o reconhecimento de padrões de comportamento que devem se dar somente entre pessoas de sexos opostos, de maneira compulsória. O Estado, detentor de políticas sobre o corpo, é quem estipula, a partir do viés biológico, quem é quem.

Da indignidade da vida à indignidade da morte, a verdade é que a despeito de toda luta pelo reconhecimento de direitos, muitas travestis e transexuais homens e mulheres são mortos sem o reconhecimento a sua identidade de gênero. Não fosse isso, o Brasil não seria campeão de crimes homo-lesbo-bi-transfóbicos, na comparação com o resto do mundo. (mais…)

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O velho, por Elaine Tavares

Em Palavras Insurgentes

Melhor  idade é o cacete, diria minha avó. Essa coisa só vale para quem é rico e pode pagar por uma companhia que lhes resolva a vida. Já a vida do velho pobre é uma desgraça só. Praticamente ninguém o respeita e, no geral, o veem como uma atrapalho na vida dos demais.

Foi assim com Romão. Ele entrou na agência governamental com o andar arrastado, como soe ser o andar de todos os velhos. Passo após passo, devagarito no más. As pessoas no aguardo de serem chamadas já olharam meio de revesgueio. No geral, parecem não gostar dessa lentidão dos velhos, dá aflição. E franzem ainda mais a cara quando eles passam na frente. (mais…)

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