Cândido Grzybowski*
Já cansei de tentar entender os movimentos erráticos da conjuntura política. Tudo se move para todos os lados. Uma confusão só, pois ninguém no centro das disputas, da situação ou oposição, sabe para onde ir. A ocasião é para os oportunistas de plantão, com seus pequenos interesses, com iniciativas de desconstrução de direitos, instituições e políticas, uma verdadeira ameaça para a institucionalidade democrática, que foi difícil de conquistar. Ganham fundamentalistas religiosos, com suas agendas nada republicanas contra o Estado laico, a agenda igualitária, sem discriminações, os direitos de minorias desfavorecidas. Ganham, também, os defensores de poderosos interesses corporativistas, como do agronegócio, da mineração, da bala e da repressão, do funcionalismo. Tudo na mais descarada negociação do “toma lá e dá cá”, apesar de investigações como a Lava Jato. Digo e reafirmo, estamos numa profunda crise de hegemonia, onde há, sim, forças políticas e disputas, mas lhes falta legitimidade, falta a elas uma direção política, uma afirmação de projeto de país que dá sentido e rumo. Talvez o clamor mais claro das ruas – por sinal, elas mesmas uma grande erupção confusa -, de um lado e outro, é a contestação da representação política. (mais…)
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