Nota do Centro Acadêmico do curso de Ciências Socioambientais da UFMG acerca do crime ambiental em Mariana

No último dia 05 de Novembro de 2015, ocorreu um dos maiores desastres socioambientais do Estado de Minas Gerais, em Bento Rodrigues distrito da cidade de Mariana. O ocorrido ressalta duas realidades em relação ao meio ambiente e sociedade: o desmazelo das mineradoras e a conivência do poder público ao defender os interesses das multinacionais e não o povo de Minas e o meio ambiente, sendo negligente em relação ao controle e fiscalização de atividades de alto risco para as comunidades do entorno de empreendimentos minerários. Não foi acidente.

Nós estudantes de Ciências Socioambientais consideramos inadmissível uma falha técnica, como da empresa Samarco/Vale, atingir tais proporções. As comunidades que vivem próximas a empreendimentos minerários não podem conviver com o medo, com a insegurança e a negligência do poder público. A sociedade não pode aceitar a mineração nos moldes atuais com foco no desenvolvimento econômico em detrimento da dignidade e integridade humana. Exigimos a devida punição às empresas responsáveis e a garantia do resgate da cidadania e integridade das famílias afetadas.

Considerando que estamos diante de uma das maiores tragédias socioambientais do Estado, é importante ressaltar a necessidade da retirada do regime de urgência o Projeto de Lei n°2946/15. O PL enviado pelo Governador do Estado à Assembleia Legislativa no início deste mês pretende flexibilizar o licenciamento de empreendimentos, principalmente os minerários ditos prioritários para o desenvolvimento.

Agilidade no licenciamento não dialoga com a qualidade do empreendimento, nem com a redução de riscos ambientais e sociais, muito pelo contrário. Não podemos achar natural tragédias como essa. Não podemos aceitar perdas de vidas humanas e nem colocá-las em risco em troca de um modelo de desenvolvimento que prioriza o lucro de grandes empresas e ignoram comunidades, culturas, valores e cidadania.

Manifestamos solidariedade aos moradores e funcionários atingidos pelo rompimento das barragens de propriedade das empresas Samarco Fundão e Vale, no distrito de Bento Rodrigues, cidade de Mariana – MG. Nossa sede está aberta para arrecadação de doações para a comunidade atingida no seguinte endereço: Sala 2096, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Campus UFMG, Pampulha – BH (MG).

Belo Horizonte, 6 de novembro de 2015

Centro Acadêmico de Ciências Socioambientais – CASa

Comments (5)

  1. *abaixo link do ibase sobre o novo código da mineração abaixo.

    Escrever nota num momento desses é importante, ser solidários e tentarmos no dia a dia ser minimamente coerentes também.

    pra não render demais cito 2 exemplos de figuras que algumas pessoas insistem em achar normal envolver em encontro nacional e noS cursoS,
    essa gente dessa laia envolvida com práticas políticas espúrias que agora finge ser solidária.

    quem é e a quem serve a marina silva (a do enecamb e das eleições)? nem precisa falar do histórico político dela ne? trabalha pra empresa e gente que só quer mesmo grana como fazem samarco e vale.

    quem é e a quem serve a jô moraes (aquela do enecamb do pc do b, o partido do novo código florestal e da base desses governos assassinos que mamam em teta de mineradora e agora fingem nada ter a ver com as mortes que seguem rio abaixo).

    essa gente não me representa enquanto estudante desse curso nem como cidadão.

    pé no chão, partir pra ação.

    “é preciso nao ter medo, é preciso ter a coragem de dizer”

    http://www.justicanostrilhos.org/IMG/pdf/quem_e_quem_na_mineracao4.pdf

  2. Obrigada por enviar o link para o laudo do Instituto Pristino, Kátia. E apesar disso o aumento da altura das barragens foi aprovado e ainda comemorado por vereadores de Mariana!

  3. Parabéns aos nossos alunos do Curso de Ciências Socioambientais por esta iniciativa tão importante de solidariedade.

    Com orgulho,
    Gilvan Guedes
    Coordenador – Curso de Ciências Socioambientais (UFMG)

  4. Parabéns a esse espaço pra dar voz aos representantes de discentes daquele curso e atitude consciente além sala dos Educandarios Superiores ecoando nossas indagações em pedidos de explicação, cobrança pública, socorro e solidariedade em redes aos sem vozes da nossa sociedade.

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