12 de outubro de 1492 – o começo do massacre

Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

Contam que foi assim. Naquele outubro de 1492, fazia um dia lindo de sol no mar dos Caraíbas e os arawakes observaram as estranhas embarcações que se aproximavam. Quando perceberam que ali vinham homens, correram para recebê-los com água, comida e desejos de boas vindas. Mas, toda essa hospitalidade foi logo entendida como fraqueza e é assim que descreve Colombo em seu diário, o povo que, de braços abertos, o acolheu: “Trouxeram louros, bolas de algodão, lanças e outras coisas que trocaram conosco por contas de vidro. Não tiveram qualquer inconveniente em nos dar tudo o que possuíam… Eram de forte constituição, corpos bem feitos e boas feições… Não carregam armas de fogo, não as conhecem. Ao tocarem numa espada, a tomaram pela lâmina e se cortaram sem saber o que fazer com ela. Não trabalham o ferro. Suas lanças são feitas de taquara… Seriam uns criados magníficos… Com cinquenta homens os subjugaríamos e com eles faríamos o que quiséssemos”. Já neste breve escrito pode-se perceber qual a lógica da armada de Cristóvão Colombo: a cobiça e o desejo de dominar. Tanto que nas primeiras tentativas de conversa com os nativos das Antilhas, onde aportaram, a primeira pergunta que sofregamente repetiam os espanhóis era: “onde está o ouro?” (mais…)

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Pouca presença de negros na TV leva a racismo na infância, dizem especialistas

Agência Brasil

O estudante Anderson Ramos passou boa parte da 4ª série (hoje 5º ano) sendo chamado de “macaco”, “preto fedido”, “sujo” e ouvindo “piadas” por causa do cabelo crespo. As ofensas vinham de colegas da escola que, assim como ele, tinham 10 anos. O menino relatava os casos para a professora, que nada fez, e para a mãe, que demorou a entender que o filho estava sendo vítima de injúrias raciais.

“Quando comecei a chorar muito para não ir à escola e pedi para raspar o cabelo, minha mãe percebeu que eu estava sofrendo com aquilo, mesmo sem eu saber direito o que era”, afirma Ramos, hoje com 20 anos. “Quando a gente é criança, não tem maturidade para fazer a leitura do que aconteceu, mas sente a dor que o racismo causa. E não é brincadeira de criança, é racismo”, diz o estudante. (mais…)

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No Chile, povo Mapuche marcha contra o capitalismo

Acontece nesta segunda-feira (12), em Santiago, no Chile, a Marcha da Resistência Mapuche, uma manifestação indígena contra o colonialismo e o capitalismo

Vermelho

A manifestação é feita no dia que se comemora 523 anos do chamado Dia do Encontro de Dois Mundos e busca recordar que no dia 12 de outubro de 1492 o que se iniciou no Chile foi, na verdade, o início do extermínio contra os indígenas. Neste sentido, a marcha reivindica respeito aos direitos dos povos originários.

Na contração da marcha, na Praça Itália, o “werken” (autoridade tradicional) dos povos mapuches falou sobre os processos efetivos de recuperação territorial que acontecem atualmente no Chile.

Fonte: Telesur

Destaque: A manifestação que começou na Praça Itália encerrará com um ato político no Monumento aos Heróis.

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“Tenho medo de dormir e a polícia botar fogo no meu barraco”

Favela do Cimento diz que PM tenta expulsar moradores com torturas, ameaças e flagrantes forjados. PM nega

Por Fausto Salvadori Filho, em Ponte

Eles chegam de arma na mão invadindo casas, quebrando tudo o que encontram, ameaçando incendiar barracos com as famílias dentro e, à luz do dia, espancam um homem até fazê-lo vomitar e desmaiar de dor e tensão. O que fazer quando isso acontece, a não ser chamar a polícia? (mais…)

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Segregação, Vigilantismo e Protesto: Respostas aos Roubos [?] nas Praias do Rio

Em RioOnWatch

A tensão entre moradores das zonas Sul e Norte do Rio de Janeiro atingiu um novo pico com a ameaça de violência nas praias cariocas neste ano pré-olímpico. Em 23 de agosto, ônibus lotados com cerca de 150 adolescentes foram detidos em Botafogo, no caminho para as praias da Zona Sul, sobre o pretexto de que os jovens a bordo estavam indo com a intenção de roubar e se envolverem em violência. Os jovens foram detidos e levados para o Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente (CIACA) sem terem cometido um crime. (mais…)

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Assassinato revela a violência da especulação imobiliária perto de Manaus

No Blog do Sakamoto

A construção da Ponte Rio Negro, que liga a pequena Iranduba à capital amazonense, levou a especulação imobiliária para uma Área de Proteção Ambiental e, com ela, a violência. Maria das Dores Priante, líder de uma associação de moradores local, que denunciava o comércio ilegal de lotes, avisou que morreria e pediu uma proteção que nunca veio. Então, foi sequestrada, torturada e assassinada com 12 tiros. Vale a pena conhecer a história retratada por Igor Ojeda, enviado pela Repórter Brasil, que visitou as comunidades atingidas. Pois o que acontece em Iranduba se repete em outros lugares do país. Talvez aí mesmo, neste momento, do lado de sua casa. (mais…)

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Índios no Litoral: ‘Eles não escolheram estar nesta situação’

O cientista social Otávio de Camargo Penteado aborda os aspectos sociais e culturais dos indígenas

Por  , no Diário do Litoral

Durante oito dias, o Diário do Litoral abordou em uma série de reportagens a situação indígena na Baixada Santista. ‘Índios do Litoral’ retratou o cotidiano de algumas comunidades da Região e os principais desafios enfrentados pelos indígenas no Brasil, como a falta de demarcação de terras e de acesso à educação e saúde, e o preconceito. (mais…)

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Cartilha pela Desmilitarização da Polícia e da Política [para baixar, ler e socializar]

Por 

Os comitês nacionais pela Desmilitarização da Polícia e da Política adentraram o mês de setembro com mais uma conquista: uma cartilha de intervenção rápida que sintetiza de forma acessível e direta o acúmulo que temos tido nesses 2 anos de organização.

A cartilha, que foi construída a muitas mãos, de forma horizontal e em permanente diálogo com as lutas dos movimentos sociais populares, visa levar a disputa do conceito de desmilitarização às últimas consequências, abrangendo a totalidade da segurança pública e a complexidade do fenômeno da violência de forma crítica e com a amplitude necessária que o tema exige. (mais…)

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Tomada de posição de um grupo de cientistas sociais da área das migrações: União Europeia

Por Alexandre Abreu, Beatriz Padila, Cristina Santinho, Francesco Vachiano, Inês Espírito Santo, Joana Azevedo, João Baía, Jorge Malheiros, José Mapril, Raquel Matias, Ricardo Falcão, Rui Pena Pires, em Le Monde Diplomatique/Buala

A União Europeia vive actualmente aquela que é sem dúvida uma das maiores tragédias desde que, com a assinatura do Tratado de Roma em 1957, a livre circulação foi instituída como um dos princípios fundamentais da Comunidade Europeia. Na origem desta tragédia encontram-se a intensificação dos conflitos no Médio Oriente e Norte de África na última década e meia (nomeadamente no Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria e Palestina), o êxodo populacional que estes conflitos têm provocado e a desregulação dos sistemas de controlo nos países de origem. Porém, o carácter especialmente trágico de que se reveste a actual crise deve-se também sobremaneira a factores que se situam do lado da própria União Europeia – designadamente a crescente militarização das suas fronteiras exteriores e a tendência para a securitização da mobilidade humana. (mais…)

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Retratos da morte num país sem guerra

Por Camila Moraes, em El País

Uma pessoa certamente gabaritada para identificar uma guerra é aquela que viu com os próprios olhos as mazelas de uma – ou de várias. O fotógrafo paulista André Liohn não nasceu em um país em guerra, mas passou 10 anos cobrindo conflitos, especialmente no leste e no norte da África. Quando voltava para casa, depois de longos períodos na estrada, somava uma perturbação às tantas que trazia na mala: “O Brasil vive uma guerra velada”. “Será esse o problema?”, pensava. E assim passou a tratar de buscar respostas não com palavras, mas com imagens, que é o que sabe fazer.

Desse questionamento surgiu o impulso para a mostra Revogo, que entra em cartaz na Caixa Cultural de São Paulo em 10 de outubro. Ela expõe 60 trabalhos de Liohn, o primeiro fotojornalista sul-americano a receber da indústria fotográfica, em 2012, o prêmio Robert Capa (um dos mais respeitados do setor) por seu registro da guerra civil da Líbia. Aqui, ele é responsável por fotografias da violência no Brasil feitas com a técnica da cobertura de guerra e que dispensam sangue para ser chocantes. (mais…)

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