Epistemologia Feminista, Gênero e História

Por Margareth Rago*, Anarquia Barbarie

Introduzindo o debate.

Nos anos oitenta, Michelle Perrot se perguntava se era possível uma história das mulheres, num trabalho que se tornou bastante conhecido, no qual expunha os inúmeros problemas decorrentes do privilegiamento de um outro sujeito universal: a mulher. [1] Argumentava que muito se perdia nessa historiografia que, afinal, não dava conta de pensar dinamicamente as relações sexuais e sociais, já que as mulheres não vivem isoladas em ilhas, mas interagem continuamente com os homens, quer os consideremos na figura de maridos, pais ou irmãos, quer enquanto profissionais com os quais convivemos no cotidiano, como os colegas de trabalho, os médicos, dentistas, padeiros ou carteiros. Concluía pela necessidade de uma forma de produção acadêmica que problematizasse as relações entre os sexos, mais do que produzisse análises a partir do privilegiamento do sujeito. Ao mesmo tempo, levantava polêmicas questões: existiria uma maneira feminina de fazer/escrever a história, radicalmente diferente da masculina? E, ainda, existiria uma memória especificamente feminina? (mais…)

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A praia não tem cor nem classe social, por Jean Wyllys

O apoio do governador Luiz Fernando Pezão ao racismo institucional perpetua uma prática condenável

 Na CartaCapital

O racismo, mal que afeta as relações sociais e produz sofrimento às suas vítimas, apresenta-se muitas vezes implícito, disfarçado, não assumido, mas, ao mesmo tempo, com uma força performativa que vai muito além do episódio específico em que se manifesta. De todas as faces do racismo com as quais convivemos, as piores não se expressam na prática individual, no ato pessoal equivocado, por estupidez, ignorância ou má fé: as formas mais graves de racismo são praticadas institucionalmente. (mais…)

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Audiência destaca perseguição religiosa, violência contra jovens negros e burla às cotas raciais

Agência Senado

Sem negar os avanços da luta pela igualdade racial no país, participantes de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, reunidos nesta segunda-feira (24), homenagearam o ativista Abdias Nascimento e denunciaram situações que consideram reveladoras da resistência do racismo na sociedade brasileira. Citaram, entre outros fatos, os números de jovens negros vitimados pela violência, burlas ao sistema de cotas raciais na educação e em concursos e atentados contra seguidores de religiões afro-brasileiras.

O escritor nigeriano Wole Soyinka, Prêmio Nobel de Literatura em 1986, um dos participantes da audiência, observou que as forças da intolerância, do preconceito e da discriminação são o oposto a tudo o que Abdias representou e lutou para fazer valer. Salientou que essas forças estão “vivas” e ameaçando todo o mundo, inclusive a África e o “mundo dos orixás”. Soyinka comparou o obscurantismo dessas forças a uma nova forma de escravidão, que a seu ver esconde-se “sob a máscara da religiosidade, da certeza moral e do moralismo religioso” para aniquilar valores e crenças diversas. (mais…)

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Rechazan ampliar exploración sobre Reserva Comunal en Madre de Dios

Servindi – Organizaciones indígenas del departamento de Madre de Dios denunciaron la decisión de ampliar por tres años la exploración del Lote 76 de hidrocarburos que se superpone a la Reserva Comunal Amarakaeri (RCA), decisión que demuestra una política discriminadora hacia los pueblos indígenas y la negación de sus derechos.

La decisión se adoptó mediante el Decreto Supremo 025 del Ministerio de Energía y Minas (Minem) publicado el 4 de agosto en el diario oficial El Peruano que autoriza a la empresa Hunt Oil proseguir en sus actividades de exploración en dicho lote de hidrocarburos. (mais…)

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Moradores de Manguinhos no Rio fazem Caminhada da Paz

Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil*

A Avenida Leopoldo Bulhões, em frente à Estação de Trem de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, foi local ontem (23) de uma Caminhada da Paz, feita pelos moradores da área, que cobram ações do Poder Público no bairro, composto por 13 comunidades. A principal via de circulação da localidade é chamada, popularmente, de Faixa de Gaza, por causa dos frequentes conflitos armados que ocorrem na região.

A líder comunitária Simone dos Anjos disse que os moradores querem a mudança de nome do local, porque a classificação Faixa de Gaza incomoda, e por muito tempo os moradores se sentiam discriminados. Simone acrescentou que isso também é uma forma de violência – não é só quando se bate em uma pessoa. “A gente quer fazer diferença, dizer para o mundo que Leopoldo Bulhões não é só violência.” (mais…)

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PM aborda ônibus e recolhe adolescentes a caminho das praias da Zona Sul do Rio

Por Carolina Heringer e Rafaella Barros, no Extra

Eram por volta das 14h30m de ontem quando 15 jovens, a maioria da periferia do Rio, se revezavam em um banco para quatro lugares no corredor externo do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Ciaca), em Laranjeiras, após terem sido recolhidos pela Polícia Militar. O motivo? Estavam indo para as praias da Zona Sul do Rio.

— Tiraram “nós” do ônibus pra sentar no chão sujo e entrar na Kombi. Acham que “nós” é ladrão só porque “nós” é preto — disse X., de 17 anos, morador do Jacaré, na Zona Norte. (mais…)

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Emicida: Quando 18 pessoas morrem em uma cidade e ninguém fala nada, essa cidade também está morta

Rapper relembra série de atentados em Osasco e Barueri enquanto cantava a música “Chapa” em apresentação no Sesc Pinheiros

Por , Ponte

O horário era aproximadamente 22h30. A data, sábado (22). Nove dias antes, na mesma hora, as cidades de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, eram atacadas por criminosos que mataram 18 pessoas. Leandro Roque de Oliveira, o Emicida, que, nos seus recém completados 30 anos de vida já se tornou um nome importante na luta contra o racismo e a desigualdade social no Brasil, relembrou a noite daquela quinta-feira (13) em uma apresentação no lotado Sesc Pinheiros. (mais…)

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1º de julho: sobre sonhos embalados a vácuo

Por Lia Bianchini, repórter especial do Cafezinho

“O que fazes por sonhar/É o mundo que virá para ti e para mim”.

Os versos são parte da última estrofe da música “1º de julho”, composta por Renato Russo para Cássia Eller.

A letra fala sobre a relação entre mãe e filho, porém, os versos acima citados podem ser facilmente aplicados a qualquer tipo de relacionamento. Eles falam sobre como nossos sonhos e ações podem transformar a realidade ao redor. (mais…)

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Você tem medo de morrer quando vai ao bar? E chance de morrer?, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

Muitas das manifestações culturais e da vida noturna que pipocam longe do centro expandido da cidade não deixam nada a desejar às dos bairros ricos de São Paulo. A não ser pelo fato de que, na prática, um garoto ou uma moça podem ficar até altas horas no Itaim Bibi ou na Vila Madalena bebendo de forma segura. Enquanto que, na periferia, o risco de morrerem baleados ou em uma chacina.

Quem tenta sorrateiramente afirmar que os mais ricos também estão à mercê do mesmo tipo de violência que jovens negros e pobres da periferia é inocente ou desonesto. (mais…)

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