O vácuo, por Luís Fernando Veríssimo

Nunca ficou claro o que os cachorros fariam se alcançassem um carro. Era uma raiva sem planejamento

Em O Globo

Houve um tempo em que os cachorros corriam atrás dos carros. Era uma cena comum: vira-latas perseguindo carros, latindo, como se quisessem expulsar um intruso no seu meio. Às vezes viam-se bandos de cães indignados, perseguindo carros que passavam, e dava até para imaginar que um dia conseguiriam alcançar um, dos pequenos, pará-lo, cercá-lo e… E o quê? Comê-lo? (mais…)

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Agenda Brasil: o verdadeiro golpe

Por Juliano Medeiros, no Correio da Cidadania

Escrevi num artigo, tempos atrás, que nem toda crise leva a transformações. Mas não há transformações que não sejam precedidas por crises. A qualidade das crises, isto é, aquilo que está por trás de sua expressão fenomênica, anuncia a natureza das transformações resultantes. A oposição de contrários dá origem a novas sínteses que se apresentam, no nível da aparência, como “solução” para as crises.

Usando exemplos históricos: a solução para os impasses do desenvolvimento capitalista brasileiro, no final do século 19, foi a abolição da escravidão e a proclamação da República. Para os impasses envolvendo a proposta de reforma agrária e o consequente rompimento do nexo de dominação exercida pelas oligarquias agrárias sobre as populações camponesas, em 1964, a saída foi o golpe civil-militar. Para as contradições que opunham o desenvolvimento do capitalismo russo e a existência da autocracia czarista, a saída foi a revolução. (mais…)

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Entidades médicas se manifestam contra descriminalização do porte de drogas, em tramitação no STF

CFM – O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos (FENAM) divulgaram nota oficial com o posicionamento das entidades médicas sobre a descriminalização do porte de drogas. O tema começou a ser discutido e julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sessão desta quarta-feira (19).

Confira abaixo a íntegra da nota das entidades médicas: (mais…)

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Ressuscita-me, por Justino de Souza Júnior

No Correio da Cidadania

Houve um tempo, não muito distante, em que cabelos brancos indicavam amadurecimento, razoável capacidade de discernimento, responsabilidade, respeito. A frase da canção de Nelson Gonçalves: “respeite ao menos meus cabelos brancos”, ilustra bem essa relação. De maneira que não é menos do que aterrorizador ver essa imagem, que traz um cartaz no qual se lamenta que a atual presidente do Brasil não tenha sido “enforcada” (como foi o destino de Herzog e de outros muitos) pelo regime militar e por sobre o qual sobressaem os cabelinhos brancos de um vovô ou de uma vovó, como dizia Marx, em “odor de santidade”.

A hedionda imagem expõe uma aberração absolutamente impublicável e um ódio sem medida que só pode brotar de uma alma necrosada, apodrecida. Só a insanidade e/ou a mais completa ignorância podem justificar tamanha falta de senso. Não terão sido suficientes as lições deixadas por terríveis experiências de violências, de tortura, escravidão e extermínio, de campos de concentração e dizimação de povos e comunidades inteiros que deixaram na história caudalosos rastros de sangue? (mais…)

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Em nome do Brasil, loas a Pinochet, Bolsonaro, Plínio Salgado e golpe militar ‘constitucional’, entre outras

Combate Racismo Ambiental

O repórter chileno Juan Manoel Jara documentou em vídeo a manifestação de domingo, entrevistando algumas das pessoas presentes na orla de Copacabana, Rio de Janeiro. Embora de diversas formas desgastante, vale assistir aos 12 minutos de declarações categóricas, que incluem louvações a Pinochet, Bolsonaro e Olavo de Carvalho, contra o regime comunista atualmente em vigor no Brasil. Quem quiser mais pode contar também, com loas ao Império e à Ação Integralista. E, claro, a defesa da urgência de um golpe militar constitucional…   (mais…)

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Quando a periferia será o lugar certo, na hora certa?, por Eliane Brum

A maior chacina de 2015, em São Paulo, mostra que as palavras começam a matar antes da morte e seguem assassinando os vivos depois

Em El País

As fotos do 13 de agosto mostram mulheres lavando o sangue dos mortos com rodo, como nos filmes B de terror. Se o rio vermelho escorre pelos degraus, as palavras ecoam para além da extensa fila de cadáveres. Elas matam lentamente, como balas em câmera lenta, que perfuram os corpos, se espatifam por dentro e vão corroendo os órgãos. Dia após dia, dia após dia, dia após dia. Mata-se e morre-se também na linguagem. As palavras silenciam os mortos para além da morte. E calam os vivos, mesmo quando eles pensam gritar. (mais…)

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Apontamentos sobre o dia 16, por Elaine Tavares

“os que se manifestam pelo golpe e pela ditadura militar, são chamados de “pessoas de bem”, e as tropas estão ali para protegê-los de qualquer perigo que possa vir dos “terroristas” (…). Assim, os manifestantes respondem tirando fotos abraçados às forças da lei. Enquanto nas passeatas de luta por direitos, o que sobra é gás, bala e porrada para quem luta”. 

Em Palavras Insurgentes

Ainda que a conjuntura política brasileira esteja um pouco confusa, com um partido de trabalhadores no governo jogando contra os trabalhadores, as manifestações desse dia 16 de agosto aparecem como um momento único para pensar a luta de classes no Brasil. E, apesar do fato de muita gente sequer desconfiar o significado das palavras de ordem que carregam nos cartazes, há duas visões de mundo em batalha nesses dias de agosto. (mais…)

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Você é daqueles que acham que criticar a polícia é defender bandido?, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

O pensamento binário é fascinante. Para algumas pessoas, a vida é simples: é céu ou inferno. Não existe outra coisa entre um polo e outro, nenhuma área cinzenta, nenhuma dúvida, nada. Para elas, o mundo não é complexo. As pessoas idiotas é que tentam turvar aquilo que é certo, confundindo a certeza que deus nos deu.

Daí, para a vida fazer sentido, dizem que todos têm que abraçar uma ideia e simplificar o mundo ao máximo. Se você acha que isso é impossível, sem problema: eles te dão uma mãozinha, taxando você. (mais…)

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Em nome da democracia, por Janio de Freitas

Na Folha de São Paulo

“Isso é democracia”. Não é, não. Um dos componentes essenciais e inflexíveis da democracia é o respeito às regras que a instituem. As regras existem no Brasil, precisas e claras na Constituição, mas o respeito é negado onde e por quem mais deveria fortalecê-las. O que está sob ataque não é mandato algum, são as regras da democracia e, portanto, a própria democracia que se vinha construindo.

Não há disfarce capaz de encobrir o propósito difundido por falsos democratas instalados no Congresso e em meios de comunicação: reverter a decisão eleitoral para a Presidência sem respeitar as exigências e regras para tanto fixadas pela Constituição e pela democracia. Há mais de nove meses, a cada dia surge novo pretexto em busca de uma brecha –no Congresso, em um dos diferentes tribunais, nas ruas– na qual enfim prospere o intuito de derrubar o resultado eleitoral. (mais…)

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Para historiadora da USP, elites brasileiras ‘não evoluíram’: ‘ainda é muito parecido com 1964’

Maria Aparecida de Aquino, especialista em repressão política durante o período da ditadura civil-militar no Brasil, diz que grande imprensa ‘não aprendeu nada’ e elite do país é ‘mesquinha’ e ‘nega seu próprio devenvolvimento’

Maria Aparecida de Aquino é professora titular aposentada da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, colabora com o Programa de Pós-Graduação em História Social da mesma instituição. Durante sua carreira, se dedicou ao estudo da repressão política durante o período da ditadura civil-militar no Brasil, especialmente a censura exercida sobre os veículos de comunicação. (mais…)

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