Aceite que dói menos: A família não é mais monopólio de “papai e mamãe”, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

A sensação de vergonha alheia é uma das piores. Prefiro viver um vexame do que ver alguém passando por ele. Pois, não raro, a pessoa não se dá conta e vai se afundando na lama. É um sentimento de piedade interminável. O horror, o horror.

A aprovação do Estatuto da Família (que restringe “família” a  apenas uma união entre um homem e uma mulher), em uma comissão especial na Câmara dos Deputados, é mais um exemplo desses momentos de vergonha alheia que a bancada do fundamentalismo religioso no Congresso Nacional nos proporciona com frequência. (mais…)

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A imprensa e a luta contra o racismo

“Como já denunciou o antropólogo Kabenguele Munanga, o racismo brasileiro é um crime perfeito, um racismo sem racistas, um crime sem ator”

Por Silvia Elaine Santos de Castro, no Observatório da Imprensa

Esquizofrenia. Essa foi a doença utilizada para justificar a agressão física e verbal a um senegalês no centro da cidade de Londrina, norte do estado do Paraná, no começo de setembro. Ngale Ndiaye é vendedor ambulante e mantém seu ponto de venda em frente ao prédio em que reside a agressora. Aos gritos de “preto fedido”, “macaco” e “ladrão”, a moradora jogou bananas no imigrante e exigia que ele mudasse seu ponto de venda. A humanidade, a dignidade e os direitos de Ngale foram negados neste ato. (mais…)

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Afeto, psicanálise e política, com Maria Rita Kehl e Vladimir Safatle (íntegra)

No Café Filosófico, Maria Rita Kehl e Vladimir Safatle conversam sobre a mutação contemporânea dos afetos e seu impacto em nossa imaginação política. partindo de uma perspectiva psicanalítica que questiona como nossas formas de sofrimento guardam relações profundas com as modificações da vida social. A palestra visa mostrar o tipo de economia psíquica produzida pelas transformações na experiência do tempo e do trabalho no capitalismo.

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Clube da Luta, por Neimar Machado de Sousa*

O filme norte-americano Clube da Luta (1999), protagonizado por Brad Pitt, conta a história de um homem comum, narrado por Edward Norton, descontente com a vida segundo as regras do Tio Sam: o American Way of Life. A mudança de rumo ocorre após o envolvimento com um vendedor de sabonetes e uma mulher dissoluta, Marla Singer. O filme é uma metáfora entre o descompasso entre jovens e o sistema publicitário de valores. Na sua guinada de vida, vê-se envolvido com uma organização que planeja apagar os registros de todas as dívidas com cartões de crédito, explodindo os edifícios onde estão estes registros.

Outra linha analítica do filme é a metamorfose física vivida pelos membros do Clube da Luta, após abandonar as convenções, cosméticos e as refeições nas lanchonetes de fast food. Este filme me fez lembrar sobre a educação grega, conforme narrada pelo historiador italiano Mario Alighiero Manacorda. Segundo ele, os gregos desenvolveram uma Pedagogia de Aquiles, programa para formação integral do guerreiro, chamado de Paidéia, origem do termo pedagogia. (mais…)

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De Envolvimento, Meio Ambiente e Interesse Público, por Carlos Walter Porto-Gonçalves(1)

Dedico esse artigo aos 80 analistas ambientais da Coordenação-Geral de Petróleo e Gás (CGPEG) do IBAMA, com experiência acumulada em mais de 13 anos na condução, análise e acompanhamento dos processos de Licenciamento de atividades realizadas no ambiente marinho brasileiro cuja independência a serviço do interesse público se encontra ameaçada.

Há, pelo menos, duas maneiras de entender o papel do Estado em sua relação com a sociedade. Uma, que vê o Estado como um aparato políticoadministrativo que encerra o poder das classes dominantes sobre o conjunto da sociedade e; outra, que vê o Estado como uma instância de regulação/mediação dos pactos socialmente conformados que encerrariam o que, nesse caso, se vê como interesse público. No primeiro caso, os interesses privados se sobrepõem ao interesse geral, público, podendo mesmo ser, no limite, um Estado patrimonialista/cartorial. Nesse caso, como bem definira Raimundo Faoro, temos Os Donos do Poder onde a parceria público-privado, como se diz hoje, nos dera o fidalgo, palavra que deriva de filhos de alguém (fi’ d’algo), quando o Estado concedia aos filhos de alguém as encomiendas, as capitanias hereditárias, as terras para serem ocupadas/produtivas. Ainda hoje, no Brasil, sabemos como se dão as concessões de canais de rádio e televisão aos “amigos do rei”, verdadeiros fi’d’algos. (mais…)

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Somos filhos da Petra ou da Preta?, por José Ribamar Bessa Freire

Em Taqui Pra Ti

Desocupado (a) leitor (a), peço que examines os fatos com isenção, sem preconceitos e depois me diz com toda a sinceridade quem é a civilizada: a Petra ou a Preta? Qual das duas podia ser tua mãe? Quem é que gostarias que te educasse e com quais valores e princípios éticos?

A Petra vive em Budapeste às margens do rio Danúbio, centro financeiro, cultural e histórico da Europa. Estudou na Universidade de Pécs, uma das mais antigas do mundo, fundada em 1367 pelo rei Luís I da Hungria, um país com vários ganhadores do Prêmio Nobel. Frequenta teatros, museus, cinemas, bibliotecas, centros culturais e restaurantes sofisticados. Fala inglês, russo e alemão, além do húngaro que, segundo Chico Buarque, é “a única língua do mundo que o diabo respeita”. Repórter da rede N1TV, filma, fotografa, usa computador, carro, metrô, avião e perfume francês. (mais…)

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Lançada revista Animus sobre “Comunicação, Identidades Raciais e Racismo” (para baixar)

Nota editorial

Curadores: Liv Sovik e Thiago Ansel*

O convite da revista Animus aos pesquisadores em Comunicação para submeter trabalhos para um dossiê sobre o tema “Comunicação, Identidades Raciais e Racismo”, veiculado pela lista da COMPÓS, recebeu um numero recorde de submissões na experiência da revista. O tamanho da vontade de publicar sobre o tema fala, ao nosso ver, de uma demanda represada, principalmente entre pós-graduandas e
pós-graduandos que constituíram a maioria desses autores. Demanda represada porque o tema está muito vivo na sociedade brasileira e nas experiências de um crescente número de estudantes negros e negras, matriculados nos programas de pósgraduação em Comunicação, mas pouco discutido na área. (mais…)

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Antiprincesas: colección infantil cuenta historias de mujeres creativas. Ya aparecieron Violeta Parra e Frida Kahlo

Preocupadas por su entorno, luchadoras, creativas, autoras de mundos nuevos, una colección se dedica a contar esas historias. Ya aparecieron Frida Kahlo y Violeta Parra

Em La Capital

“Contamos historias de mujeres… Por qué? Porque conocemos muchísimas historias de hombres importantes pero no tanto de ellas… Sabemos de algunas princesas, es verdad, pero qué lejos están de nuestra realidad esas chicas que viven en castillos enormes y fríos. Hay mujeres por acá, en América Latina, que rompieron los moldes de la época”. Así comienza el volumen de la colección Antiprincesas, de las editoriales Sudestada y Chirimbote, dedicado a la vida y obra de Violeta Parra. Se trata del segundo libro, después del que cuenta la historia de Frida Kahlo que inauguró la serie, pensado para chicas y chicos que crecen en pleno siglo XXI. Un tiempo en el que empiezan a cambiar los paradigmas de lo femenino y lo masculino y en el que también muta el modo de leer y de vincularse con el texto escrito. (mais…)

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Outra Europa não é possível

Ao desprezar plebiscito grego, União Europeia abandonou seu flerte com democracia e direitos. Esquerda pós-capitalista precisa perceber virada, para não tornar-se supérflua

Por Bernard Cassen | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Durante quase três milênios, os maiores matemáticos – entre eles, os gregos Hipócrates e Arquimedes – tentaram resolver o problema da quadratura do círculo: a construção de um quadrado de área idêntica a um círculo dado, utilizando apenas uma régua e um compasso. Foi preciso esperar 1883 para que um professor alemão, Ferdinand von Lindemann (1852-1939), demonstrasse que isso era impossível. (mais…)

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Por que nossa compaixão é seletiva?

Por Alex Peguinelli, em Justificando

Um caminhão com 110 porcos tombou diante de uma praça de pedágio no km 14 do Rodoanel, no município de Caieiras, São Paulo. O motorista não teve mais do que pequenos arranhões. No entanto, os animais não-humanos não tiveram a mesma sorte. Alguns morreram, e outros tantos passaram o dia todo agonizando no local até serem levados por ativistas para um santuário, localizado também no interior do estado.

Algumas emissoras foram ao lugar do acidente, mas estavam mais preocupadas com as condições adversas causadas no trânsito, do que com as vidas em agonia dos animais. Aliás, nem mesmo de animais aqueles seres eram chamados, mas sim de “carga”. O jornalista Rodrigo Bocardi chegou a fazer piada: “Quanta emoção para esses porcos antes de chegar ao matadouro” – disse ele, com um sorriso no rosto. (mais…)

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