Brasil é o campeão de linchamentos, que mostram lado cruel de ‘pessoas de bem’
Por Raquel Sodré, em O Tempo
Por Mônica Francisco*, no Jornal do Brasil
Em alguns lugares da cidade, majoritariamente os ocupadas pelas camadas médias e altas da sociedade, se ouviu o soar das panelas. O “panelaço”, importado da Argentina, foi um constrangedor arremedo de consciência política.
Há muito, as ruas e o povo do Brasil real (aquele que costuma usar panelas para seu devido fim) têm cobrado uma mudança profunda na forma de fazer política por aqui. Mas o que vemos não é um clamor por mudanças profundas e estruturais, por aumentar as possibilidades entre os que têm menos, para que alcancem mais e se apropriem de mais direitos. (mais…)
Por João Alexandre Peschanski*, no Blog da Boitempo
Este artigo foi escrito como texto-base para participação no debate de lançamento do livro Bala perdida: a violência policial no Brasil e os desafios para sua superação, em 29 de julho de 2015: “Violência policial: causas, efeitos e soluções”. Nele, proponho uma discussão, a partir da sociologia, sobre o papel da violência do Estado nas relações sociais e nas estratégias de transformação política. Ele pode ser lido como uma continuidade daquilo que, com o cientista político Renato Moraes, desenvolvi no capítulo “As lógicas do extermínio”, do livro. Nesse sentido, o artigo trata menos as “causas” da violência policial e mais seus “efeitos” e “soluções”, como diz o título do debate. (mais…)
O que se pede aos gregos é que sofram, para que outros possam continuar seu sono, imperturbáveis.
Em Carta Maior
Giorgio Agamben, filósofo italiano, disse numa entrevista que “o pensamento é a coragem da desesperança”, uma visão que é especialmente pertinente para este nosso momento histórico, quando a regra geral, ainda no mais pessimista dos diagnósticos, termina com uma insinuação otimista de alguma versão da proverbial luz no fim do túnel. A verdadeira coragem não é imaginar uma alternativa, mas sim aceitar as consequências do fato de que não há uma alternativa claramente discernível: o sonho de uma alternativa é um sinal da covardia teórica, suas funções são como um fetiche, que evita que pensemos até o final do nosso predicamento. Em outras palavras, a verdadeira coragem é admitir que a luz no fim do túnel é a luz de outro trem que se aproxima na direção contrária. (mais…)
Os fãs de história e dos filmes épicos, aqueles que contam histórias do arco da velha ainda atuais, lembram-se do ator hollywoodiano, Brad Pitt, que encenou o papel de Aquiles no filme Tróia (2004). Aquiles, segundo a mitologia, foi o herói que trocou a vida a longa pela glória da guerra. Ele também foi o modelo arquetípico dos meninos na Grécia antiga, pois a pedagogia grega, a paidéia, foi estruturada a partir de sua imagem mítica.
Outra herança grega, que ainda resiste ao Eduardo Cunha (PMDB), é a democracia. Na cidade de Atenas, fundada pela tribo dos Aqueus, uma das principais instituições da democracia era a grande assembleia, chamada de Bulé, que deliberava sobre os assuntos mais importantes da cidade, a pólis. Esta assembleia, remédio encontrado para combater a tirania, era frequentada somente por homens ligados ao comércio ou descendentes das famílias aristocratas mais importantes. (mais…)
Sim, eu chorei. Chorei pelo tal leão que o dentista estadunidense matou na África. Chorei também pelo dentista, que precisa investir milhares de dólares para ter uma sensação de poder. Chorei pelo leão, como choro pelos palestinos, pelos meninos negros de Serra Leoa, pelos jovens da Guiné, as mulheres do Saharauí, os ciganos, os indígenas de Mato Grosso do Sul, os garotinhos negros das comunidades empobrecidas das grandes cidades brasileiras. Toda essa gente, e muito mais, que é abatida, cotidianamente, por seres como esse homem dos Estados Unidos. Chorei pelo leão, na sua inocência selvagem, entregue ao predador. Choro pelas gentes, violentadas e violadas na sua dignidade e na sua tentativa de simplesmente viver. (mais…)
Psicanalista Christian Dunker provoca: por temer enxergar a si mesmo, Brasil enclausurou-se na lógica da rejeição do outro. Saída está na juventude, que lança reivindicação radical do espaço público
Entrevista a Amanda Mont’Alvão Veloso, na Vice/Outras Palavras
Alphaville é uma sociedade do futuro, localizada a anos-luz da Terra e comandada por um computador todo-poderoso, o Alpha 60. Todos os habitantes são iguais e não há espaço para emoções – que dirá tristeza. Alphaville é também o nome dado a um dos primeiros condomínios fechados no Brasil, localizado em São Paulo. Enquanto o primeiro Alphaville, um filme de Jean-Luc Godard de 1965, se mostra um pesadelo, o outro, inaugurado na década de 70, encarnou o sonho de consumo daqueles que buscavam qualidade de vida, conforto e segurança. Um condomínio fechado, porém, não consegue impedir a diferença e o sofrimento, e essa é uma das questões levantada pelo psicanalista Christian Ingo Lenz Dunker no livro Mal-estar, Sofrimento e Sintoma (Boitempo, 416 páginas). (mais…)
Por Tarso Genro, em Sul21
A manifestação foi em Colúmbia, na Carolina do Norte, dia 18 deste mês. Num sábado sob um sol abrasador, um homem da “Ku-klux-klan”, que vestia uma camiseta com o símbolo do nazismo, começa a passar a mal. Estavam em movimento grupos contrários e favoráveis à manutenção da bandeira Confederada no Capitólio local. A bandeira identificava o Exército do Sul, escravista e conservador, na Guerra Civil Americana, que definiu o fim regime escravocrata (1861-1865) e abriu feridas na jovem nação americana. (mais…)
Marcela Belchior – Adital
O Papa Francisco parece nos chamar à consciência para retomarmos a origem da humanidade. Quem nós, humanos, somos neste mundo: viemos da natureza, somos filhos e irmãos da terra, e não seus senhores. Partindo dessa premissa e sintetizando, claramente, sua teologia na Encíclica Laudato Si’, publicada recentemente, tratando especificamente do meio ambiente, o Sumo Pontífice aponta para a maturação de uma Igreja e uma sociedade que há décadas atenta para a simbiose entre ética, política, economia, filosofia e espiritualidade. Bem como gesta uma nova compreensão sobre a aliança entre a humanidade e o ambiente que a abriga. (mais…)
Ao abrir evento que comemora os dez anos de existência da emissora Telesur, jornalista falou sobre comunicação e avanço da esquerda na região
O maior confronto enfrentado na América Latina atualmente é “a batalha midiática”, desde pelo menos o ano de 2002, quando a tentativa frustrada de derrubar Hugo Chávez na Venezuela deu início a um novo tipo de golpe de Estado, o “golpe midiático”, transferindo aos meios de comunicação privados o papel de partido político nas oposições aos governos da “guinada à esquerda”. (mais…)