João Pedro Stédile: “Faz 20 anos que a esquerda só pensa em eleição”

Marco Weissheimer, Sul21

Há alguns meses, ou mesmo anos, João Pedro Stédile, uma das principais lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), vem repetindo algumas advertências dirigidas à esquerda brasileira, relacionadas à evolução da conjuntura política nacional e internacional. Um dessas principais advertências consiste em alertar sobre a importância de não resumir a luta política à luta eleitoral e de não sucumbir às armadilhas da política tradicional, como abraçar o financiamento privado de campanhas como um método natural de fazer política. A crise política iniciada após a reeleição de Dilma Rousseff e a ofensiva da oposição e dos setores mais conservadores do país com o objetivo de derrubar a presidenta eleita pelo voto popular recolocou essas advertências na ordem do dia. (mais…)

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Dilemas da atual luta de classes

Por Wladimir Ponar, no Correio da Cidadania

As principais palavras de ordem das manifestações foram ostensivamente antidemocráticas. Impeachment, prisão para petistas, cadeia e fuzilamento de petistas e comunistas, atacados como traidores da pátria, andaram misturadas a outras motivações menores, indicando que à frente da organização e realização dessas manifestações estão os setores mais reacionários e trogloditas da sociedade brasileira. Nesse sentido, o governo erra ao passar uma mensagem acrítica sobre o verdadeiro sentido das manifestações. Elas não foram democráticas. Foram antidemocráticas.

É provável que muitos dos participantes nas manifestações não comunguem com aquelas palavras de ordem fascistas e nazistas. Porém, algo idêntico ocorreu com grande parte dos milhares de manifestantes em defesa de Deus, da Família e da Propriedade, que foram às ruas em 1964. Eles, provavelmente, também não comungavam com as mensagens golpistas daquela época, iguais em gênero e grau às atuais. Mas serviram de massa de manobra indispensável para dar um ar de legitimidade ao golpe militar. Depois, tarde demais, arrependeram-se pelos mais de 20 anos de ditadura militar. (mais…)

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Plenário do Senado deve começar esta semana votação da Agenda Brasil

Luciano Nascimento* – Repórter da Agência Brasil

Com a aprovação do projeto de lei que reduz as desonerações concedidas pelo governo a 56 setores da economia, o plenário do Senado deve começar esta semana a se debruçar na apreciação da chamada Agenda Brasil.

Um dos projetos que já podem entrar em votação é o que trata da repatriação de ativos financeiros e bens patrimoniais do exterior, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). “Queremos votar a Agenda Brasil. O projeto da repatriação está amadurecendo para ser votado”, declarou o senador Romero Jucá (PMDB-RR). (mais…)

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A luta de classes no funcionalismo público, por Elaine Tavares

Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

Lá se vão três meses de greve nas universidades e o governo federal insiste em não garantir, nem reajuste, nem aumento real para os técnico-administrativos. Desde o início da mobilização, em junho, a proposta tem sido a mesma: 21% dividido em quatro anos, ou 10% divididos em dois. Nas duas propostas, o índice anual deverá ficar em torno de 5%, ou seja, abaixo da inflação. Nesse caso, os trabalhadores já saem da greve perdendo. Não bastasse isso os trabalhadores ainda tem de ouvir, por parte de jornalistas a soldo do poder, ou da sociedade mesma, que eles são os vagabundos e os que não querem negociar.

Na verdade, seria bem legal se as pessoas pudessem compreender que mesmo na categoria dos funcionários públicos, a luta de classes se expressa de maneira muito clara. Ou como diria Orwell, há funcionários públicos que são mais iguais que outros. (mais…)

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Quem não reagiu também está morto, por Marcelo Semer

Em Justificando

Na semana que passou, Osasco, na grande São Paulo, amanheceu com a notícia de uma grande chacina. Dezoito pessoas foram mortas a sangue frio.

As investigações da polícia civil se iniciaram apontando para uma possível vingança de policiais militares a um latrocínio ocorrido na semana anterior. O modus operandi das execuções, a separação de vítimas por antecedentes criminais, as armas privativas, detalhes de calçados flagrados nas câmaras ajudam a engrossar a hipótese, que levou inúmeros PMs a serem ouvidos nos dias que se seguiram ao massacre. Guardas municipais também foram chamados pela polícia. (mais…)

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Você é guiado pelo amor às suas próprias ideias ou pelo ódio ao outro?, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

Se você faz um comentário crítico sobre uma política de um grupo A, o torcedor do grupo B posta que você é “gênio da raça”. No momento seguinte, ao fazer um comentário ácido sobre uma bandeira de B, o mesmo tercedor diz que você é o “maior débil mental da face da Terra”. Se você goza de C, o cara de B volta a dizer que você é rei. Para, depois, sugerir que seja “processado” e “morto” quando fala novamente de B, quando B dá margem para isso. (mais…)

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Deputado do PSDB-RN quer limitar debate político dentro da sala de aula

Rogério Miranda propõe que professores que promoverem “assédio ideológico” devem ser presos

Por Tâmara Teixeira, em O Tempo

Uma das atividades preferidas dos alunos do professor de geografia Giovanni Pinto é a que simula um júri para tratar política e temas polêmicos em sala de aula, como a discussão sobre maioridade penal. Curiosos para participar dos debates sobre temas importantes para o país, os jovens enchem o educador de perguntas sobre corrupção e economia. Os debates na sala do docente e em dezenas de milhares de outras escolas Brasil afora – tão comuns, principalmente, nesse momento de crise –, podem, no entanto, virar caso de polícia. (mais…)

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STF investigou 500 parlamentares desde 1988, mas condenou apenas 16

Por Gabriela Salcedo, Edson Sardinha e Sara Resende,  em El País

Há três séculos, o filósofo francês Montesquieu consagrou a teoria da separação dos poderes, que fundamenta até hoje a estrutura dos chamados Estados Democráticos de Direito. Nesse modelo adotado pelo Brasil, o Legislativo faz a lei, o Executivo a aplica e o Judiciário fiscaliza o seu devido cumprimento. Um impede que o outro seja absoluto. Esse ideário inspirou o traçado da Praça dos Três Poderes, em Brasília, que reúne em cada vértice suas respectivas sedes: o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). Na triangulação concebida por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, não há árvore nem qualquer obstáculo ao campo de visão.

Reza a lenda que os arquitetos queriam que, de dentro de seus gabinetes, os parlamentares pudessem observar a República, e vice-versa. Em tese, cada poder estaria livre para atuar em seus domínios e, ao mesmo tempo, vigiar o outro, coibindo eventuais excessos. Na prática, porém, não tem sido assim.

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Truco no Congresso

Daqui não saio, daqui ninguém me tira

Agência Pública e do Congresso em Foco

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), encerrou sessão da Casa legislativa na quinta-feira (20) antes mesmo das 15 horas. Atitude atípica para quem, desde que assumiu o alto cargo, acha que qualquer hora é momento de votar, até mesmo invadindo a madrugada. Se alguém reclama, finge que não escuta, corta o microfone e passa para o próximo… Acabou o tempo. Dessa vez, provavelmente não quis fingir, preferiu não ouvir. A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou, às 15h40, denúncia contra o parlamentar fluminense no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. (mais…)

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“Só por hoje” não serei analfabeto político

Um velho mantra dos Alcoólicos Anônimos, que manteve longe do vício tantas pessoas, ajudaria a tornar o ambiente político brasileiro menos refém do Fla-Flu imbecilizante

Por Celso Vicenzi – Outras Palavras

“Só por hoje” é um princípio seguido à risca por alcoólicos anônimos, com resultados comprovados. Mas pode ser um mantra, também, contra qualquer tipo de vício. A ideia, simples, é dar um passo de cada vez. A cada 24 horas, uma batalha vencida. Os movimentos conhecidos por AAA – Associação dos Alcoólicos Anônimos –, surgidos na década de 30, nos Estados Unidos, e que se espalharam pelo mundo, praticam o lema ainda nos dias atuais, com bons resultados. (mais…)

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