“Olhem para o lado, vejam quantos negros estão aqui. Vocês deviam ter vergonha”: Carl Hart, da Universidade de Columbia, em seminário em São Paulo

Professor da Universidade de Columbia, neurocientista e referência no estudo sobre drogas, Carl Hart – que é negro e tem dreadlocks – foi barrado pelos seguranças do hotel Tivoli Mofarrej, na capital paulista, onde participa de seminário sobre ciências criminais; ao abrir sua palestra, pesquisador evidenciou o racismo

Por Revista Fórum

Pouco antes de ministrar uma palestra sobre guerra às drogas e como ela marginaliza parte da população (principalmente a negra), o neurocientista norte-americano Carl Hart sentiu na pele os efeitos da exclusão. Na manhã desta sexta-feira (28), ele foi barrado na portaria do hotel cinco estrelas Tivoli Mofarrej, na capital paulista, onde participa do Seminário Internacional do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais. Carl é negro, usa cabelos ao estilo ‘dreadlocks’ e possui dois dentes de ouro. (mais…)

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“Me chamem de velha”, por Eliane Brum

Em CONTI outra

Na semana passada, sugeri a uma pessoa próxima que trocasse a palavra “idosas” por “velhas” em um texto. E fui informada de que era impossível, porque as pessoas sobre as quais ela escrevia se recusavam a ser chamadas de “velhas”: só aceitavam ser “idosas”. Pensei: “roubaram a velhice”. As palavras escolhidas – e mais ainda as que escapam – dizem muito, como Freud já nos alertou há mais de um século. Se testemunhamos uma epidemia de cirurgias plásticas na tentativa da juventude para sempre (até a morte), é óbvio esperar que a língua seja atingida pela mesma ânsia. Acho que “idoso” é uma palavra “fotoshopada” – ou talvez um lifting completo na palavra “velho”. E saio aqui em defesa do “velho” – a palavra e o ser/estar de um tempo que, se tivermos sorte, chegará para todos. (mais…)

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Mensagem do Povo Munduruku para o Combate ao Preconceito e à Discriminação

Bebel Gobbi

Com o coração cheio de alegria e emoção divulgamos um dos vídeos produzidos pelos integrantes do Projeto IBAOREBU de Formação Integral MUNDURUKU, uma experiência de educação diferenciada onde o aprendizado se constrói de forma coletiva, onde a autonomia e o protagonismo do Povo Munduruku se fortalecem e se recriam para repercutir em outros espaços de luta e resistência. Com a força desse Povo Originário, esperamos que a sua mensagem chegue a todos os cantos: pela descolonização dos saberes e práticas, porque um outro mundo é possível!

SAWE! SAWE! SAWE!
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Artista cria desenhos que mostram a triste realidade do mundo de hoje

Por BoredPanda/Hypescience

Arte não é só sobre belas paisagens e sessões de fotos mágicas. Também pode atuar como (e principalmente) um catalisador para mudança.

Esse é o objetivo do ilustrador Steve Cutts. Ele acha que muitas coisas no mundo deveriam ser diferentes, e deixa transparecer isso nas suas obras.

Para Cutts, o trabalho não deveria ser uma corrida de ratos sem alma pelo todo-poderoso dinheiro. Consumismo não deveria ser tão importante em nossas vidas. E os meios de comunicação social, bem, são em muitos casos algemas que ansiosamente colocamos em nós mesmos. (mais…)

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A louca lógica do capitalismo de vigilância: internet

Vigiar internautas, para conhecer seus desejos mais profundos, tornou-se essencial para lucros do Facebook, Google e outras plataformas. Por isso é tão importante examiná-las

Por Rafael Evangelista, no Outras Palavras

Em julho, fui convidado para uma mesa sobre direitos humanos e internet no Fórum da Internet, realizado pelo Comitê Gestor (CGI). Na ocasião defendi, entre outros pontos, que os grandes negócios da internet de hoje se baseiam em vigilância e, no limite, em uma violação cotidiana da privacidade dos usuários das diversas plataformas. Na mesa estava também um representante do Google, que rechaçou a afirmação, apontando que, tecnicamente, juridicamente, não se tratava de violação de privacidade, pois todos aceitamos termos de uso que autorizam as empresas a coletar dados. (mais…)

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Dilemas da atual luta de classes

Por Wladimir Ponar, no Correio da Cidadania

As principais palavras de ordem das manifestações foram ostensivamente antidemocráticas. Impeachment, prisão para petistas, cadeia e fuzilamento de petistas e comunistas, atacados como traidores da pátria, andaram misturadas a outras motivações menores, indicando que à frente da organização e realização dessas manifestações estão os setores mais reacionários e trogloditas da sociedade brasileira. Nesse sentido, o governo erra ao passar uma mensagem acrítica sobre o verdadeiro sentido das manifestações. Elas não foram democráticas. Foram antidemocráticas.

É provável que muitos dos participantes nas manifestações não comunguem com aquelas palavras de ordem fascistas e nazistas. Porém, algo idêntico ocorreu com grande parte dos milhares de manifestantes em defesa de Deus, da Família e da Propriedade, que foram às ruas em 1964. Eles, provavelmente, também não comungavam com as mensagens golpistas daquela época, iguais em gênero e grau às atuais. Mas serviram de massa de manobra indispensável para dar um ar de legitimidade ao golpe militar. Depois, tarde demais, arrependeram-se pelos mais de 20 anos de ditadura militar. (mais…)

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Você é guiado pelo amor às suas próprias ideias ou pelo ódio ao outro?, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

Se você faz um comentário crítico sobre uma política de um grupo A, o torcedor do grupo B posta que você é “gênio da raça”. No momento seguinte, ao fazer um comentário ácido sobre uma bandeira de B, o mesmo tercedor diz que você é o “maior débil mental da face da Terra”. Se você goza de C, o cara de B volta a dizer que você é rei. Para, depois, sugerir que seja “processado” e “morto” quando fala novamente de B, quando B dá margem para isso. (mais…)

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Em ‘A queda do céu’, Davi Kopenawa e Bruce Albert apresentam o pensamento yanomami

Parceria entre líder indígena e etnógrafo francês, obra impactou a antropologia com interlocução entre sistemas cosmopolíticos

Por Bolívar Torres, em O Globo

RIO — A parceria entre Davi Kopenawa, um xamã versado no mundo dos brancos, e Bruce Albert, um etnógrafo com longa familiaridade com seus anfitriões, começou com um completo mal-entendido. Então aprendiz da sua profissão, o francês conheceu o futuro líder yanomami quando este ainda trabalhava como intérprete da Funai, em 1978. Ambos tinham 20 e poucos anos e uma ideia distorcida um do outro: Albert ouvira falar de Kopenawa como um índio aculturado a serviço dos militares, enquanto Kopenawa ouvira rumores de que Albert seria um perigoso estrangeiro infiltrado nas terras de seu povo. As caricaturas cruzadas, porém, não demoraram para se desmanchar. Assim que se viram juntos em uma sessão xamânica, descobriram que compartilhavam o compromisso com os yanomami e o engajamento contra o garimpo dos brancos que exterminava a etnia. (mais…)

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Entrevista Especial Adital: Médicos enfrentam setor privado e lançam contraofensiva pela saúde pública

Por Marcela Belchior, na Adital

Numa conjuntura nacional imersa numa ofensiva conservadora que tenta, por várias frentes, enfraquecer a Saúde pública e gratuita no Brasil e impor o interesse privado dos planos de saúde e outros mercados, uma iniciativa acaba de chegar para se somar à luta pela garantia do acesso médico a toda a população: a Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares. Nascida para se contrapor ao setor elitista da categoria médica, que pretende restringir o acesso à saúde a uma minoria, a entidade propõe ao debate público o retorno da natureza solidária dos profissionais da Medicina e o fortalecimento das políticas públicas do Estado para que todas e todos tenham acesso à saúde.

Para discutir o assunto, a Adital entrevistou Augusto Cezar, médico da família e integrante da Rede. Ele explica que uma das principais causas desse esforço coletivo é o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), que vem sendo continuamente ameaçado pelo setor privado, sobretudo pelos planos de saúde, que se utilizam do poder do capital para orientar a atuação de parlamentares em nome da ampliação do mercado e o consequente enfraquecimento das políticas públicas do Estado na saúde. (mais…)

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“A democracia brasileira é chata. Não entusiasma ninguém”. Entrevista especial com Francisco de Oliveira

Por Patrícia Fachin, no IHU In-Line

“No Brasil, ao invés de nos aproximarmos do modelo social-democrata europeu, nossa aproximação é com os EUA, onde a diferença entre republicanos e democratas é banal”, diz o sociólogo.

Dizer que há uma crise econômica no Brasil é “um exagero”, e as crises políticas, como a que o país vive atualmente, “são como montanha russa, não se fixam se não tiver uma crise econômica junto”.

As afirmações são do sociólogo Francisco de Oliveira em entrevista concedida à IHU On-Line. Na avaliação dele, o que explica as conturbações conjunturais deste momento é o fato de que a “convergência entre o crescimento da economia e as forças políticas está muito esgarçada”, ou seja, “há uma divergência hoje entre as forças econômicas e as forças políticas” e “essa é a razão maior da crise”. (mais…)

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