Do Congo ao Ceará: a visão de um africano sobre o racismo brasileiro

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O que pode soar como um discurso repetido exaustivamente em nossa sociedade, para Abed veio como uma nova decepção. “O Brasil não é o que pensávamos ser. O negro brasileiro não faz parte da elite”

Por Jarid Arraes – Revista Fórum

Abed Nzobale, de 25 anos, é um estudante de engenharia civil da República Democrática do Congo.  Na Universidade Federal do Cariri (UFCA), região que agrupa oito cidades no interior do Ceará, Abed realizou o desejo de estudar em outro país, sonho que atribui a muitos dos jovens africanos. Mas desde que veio ao Brasil, Abed precisou refletir mais profundamente sobre o racismo.

O jovem congolês teve seu primeiro choque que despertaria a reflexão racial na sua mente quando, com o objetivo em curso, desembarcou do avião no aeroporto de Guarulhos:  a maioria das pessoas que circulavam pelo aeroporto eram brancas, um quadro muito diferente do que Abed e seus amigos imaginavam antes de chegarem ao Brasil. “O pouco do Brasil que nós conhecemos lá fora é o que a mídia nos mostra: as atrizes negras, mulatas, com seus cabelos crespos. E as meninas lá tomam elas como modelos de padrão de beleza, sobretudo nos cabelos. Os negros norte-americanos e brasileiros sempre foram para nós um tipo de referência”. Continue lendo “Do Congo ao Ceará: a visão de um africano sobre o racismo brasileiro”

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A democracia encolhida

presos-rio-1Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

A vida é turbilhão e, na azáfama de cuidar das pequenas coisas, não nos damos conta de certos males que chegam com “pés de lã”, de mansinho. E tanto, que sequer reparamos. Aí, quando menos esperamos lá está, instalado, inamovível. Tarde demais! Por isso, há que estar vigilante.

Outro dia vendo uma antiga palestra de Slavoj Zizek, tomei tento para uma pergunta que ele fazia: “que está havendo com a democracia?” E apontava para o fato de estar havendo uma perda real da substância da democracia – mesmo a formal, liberal – dando como exemplo o governo de Berlusconi, na Itália, autoritário e extremista. Pois aquilo me tocou: ele está certo! Por todos os lugares, mesmo a mais chula democracia liberal vem perdendo substância. Inclusive nos países ditos “progressistas” da América do Sul. Continue lendo “A democracia encolhida”

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Comissão especial da Defensoria Pública SP divulga relatório sobre atuação durante a Copa do Mundo

unnamedNOTA DO FÓRUM JUSTIÇA: O Relatório Sobre Atuação da Comissão Especial da Copa do Mundo FIFA 2014, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo – DPESP representa a boa prática da Instituição na defesa dos direitos humanos em manifestações populares, firmando-se como caso exemplar de estudo nesse campo. 

O Ato do Defensor Público-Geral do Estado, de 05 de junho de 2014, que regulamentou a participação da Defensoria Pública no período de realização da Copa do Mundo FIFA 2014 e que consta como anexo do referido Relatório, cita nos seus considerandos a Assembleia Geral Extraordinária promovida em parceria pela ANADEP e Fórum Justiça. Esta Assembleia buscou desenhar ação estratégica para atuação em contexto de manifestações.

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Após acompanhar as manifestações que ocorreram durante a realização da Copa do Mundo, a Defensoria Pública de SP divulga relatório feito pela comissão especial instituída para prestar assistência jurídica à população durante os atos que aconteceram entre 12/6 e 13/7, por meio do monitoramento e acompanhamento das situações de urgência.

Segundo consta no relatório, diversas foram as violações de direitos humanos ocorridas durante os atos que aconteceram no período, que enseja aperfeiçoamento da atuação da Polícia Militar e da Polícia Civil com relação ao tratamento dispensado aos movimentos sociais, sobretudo nas manifestações. “É de rigor que o Estado respeite os direitos de reunião e de liberdade de expressão, viabilizando e facilitando assim as manifestações públicas, de forma a não criminalizar os manifestantes e seus organizadores, durante e após as manifestações”, consta no relatório. Continue lendo “Comissão especial da Defensoria Pública SP divulga relatório sobre atuação durante a Copa do Mundo”

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CNA quer novo Marco Regulatório para Agrotóxicos, por Alceu Luís Castilho

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De Olho Nos Ruralistas

Em documento aos presidenciáveis, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pede um novo marco regulatório para registro e reavaliação de agroquímicos. Com a criação de um colegiado técnico para reduzir o que chama de “ingerência ideológica” nas análises e acelerar a conclusão dos processos.

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo (veja AQUI). Os venenos podem levar à morte, contaminar solos e águas (veja AQUI).

O documento dá amplo espaço à restrição de direitos trabalhistas. A CNA reivindica a regulamentação da terceirização do trabalho no campo e a exclusão das horas de deslocamento – em pleno meio rural – do tempo de trabalho. A entidade patronal também critica normas como a que proíbe o transporte de trabalhadores em pé, nos veículos.

Na semana passada esta página – De Olho nos Ruralistas – adiantou, antes do jornal Valor Econômico, propostas do setor do agronegócio elaboradas pela equipe da FGV Agro, em parceria com a a Associação Brasileira do Agronegócio (veja AQUI). Continue lendo “CNA quer novo Marco Regulatório para Agrotóxicos, por Alceu Luís Castilho”

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Dilma não criou nenhuma nova unidade de conservação na Amazônia

Árvores são queimadas na Amazônia para a atividade agrícola. Foto Nacho Doce, Reuters
Árvores são queimadas na Amazônia para a atividade agrícola. Foto Nacho Doce, Reuters

Com redução de partes existentes, presidente terminará seu mandato com saldo negativo

por Catarina Alencastro, em O Globo

BRASÍLIA — Desde a ditadura militar, esta será a primeira vez que um presidente da República encerrará um mandato sem ter criado uma única unidade de Conservação na Amazônia. Além de não terem sido criadas novas áreas protegidas na região, o governo de Dilma Rousseff reduziu o território de unidades existentes para acomodar projetos de hidrelétricas, deixando cinco delas, na região do Rio Tapajós (PA), com menos áreas do que tinham antes. Para piorar, a petista tem baixo desempenho na consolidação das UCs já criadas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi o que mais criou UCs desde o regime militar. No primeiro mandato, ele fez 21 novas UCs, e no segundo criou outras 60, somando 81 novas áreas protegidas.

Depois dele, o ex-presidente Lula também teve alto índice de criação de áreas de preservação na região amazônica: 77 em seus dois mandatos, sendo 54 no primeiro e 23 no segundo. Na época de FH, iniciou-se um intenso processo de expansão de áreas protegidas para evitar a investida de grileiros sobre a floresta e frear o desmatamento. Desde então, as áreas de preservação fazem parte da política governamental de combate ao desmatamento e redução das emissões de gases estufa, principal causador de mudanças climáticas. Continue lendo “Dilma não criou nenhuma nova unidade de conservação na Amazônia”

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Combate à dengue como negócio

Fábrica de mosquito transgênico é inaugurada e pressão aumenta para a comercialização do mosquito.

Viviane Tavares – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)

Foi inaugurada, no dia 29 de julho, a fábrica da empresa britânica Oxitec, responsável por produzir exemplares de aedes aegypti geneticamente modificados. Assim como noticiado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) em maio deste ano, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) autorizou o método de mutação genética, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não autorizou a comercialização. Se for aprovada na Anvisa, o Brasil será o único país a usar esses insetos transgênicos em escala comercial.

Os testes já foram realizados em locais como Panamá e Ilhas Cayman, mas os mosquitos não foram liberados para serem comercializados. Nos Estados Unidos, a pesquisa não chegou nem a ser autorizada. No Brasil, os municípios de Juazeiro e Jacobina, na Bahia, receberam a pesquisa, que começou no ano passado. A cidade de Jacobina, logo depois da experiência, decretou estado de emergência em relação ao aumento de casos de dengue. E agora no mês de julho, renovou o decreto de situação de emergência em face da epidemia da doença.

Em nota, a Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA) afirma que outra preocupação dos ecologistas é que não há segurança de que as larvas não sobrevivam, pois mesmo em condições ideais, 3% delas sobrevivem e, segundo a nota, a empresa que produz o mosquito sabe disso. No texto, eles informam sobre a pesquisa do engenheiro químico e professor da Escuela de Ingeniería Universidad do Chile, Camilo Rodriguez, que há quatro anos estuda os efeitos da tetraciclina, um antibiótico largamente utilizado, principalmente pela indústria pecuária, e que faz com que a larva do aedes aegypti sobreviva. “Segundo o estudioso, como o antibiótico pode estar no meio ambiente, a larva pode facilmente entrar em contato com essa substância. É impossível fazer pesquisas independentes sobre esse assunto, pois o mosquito é patenteado pela empresa que produz toda a literatura que temos a respeito, isso por si só já deveria ser motivo de desconfiança”, aponta o comunicado. Continue lendo “Combate à dengue como negócio”

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Poeta Thiago de Mello, 88 anos: “Quero ver a Amazônia na ABL”

Thiago de Mello
Thiago de Mello

Blog da Amazônia

Depois de resistir a vários convites, o poeta amazonense Thiago de Mello decidiu concorrer pela primeira vez, aos 88 anos, a uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL). Com sete décadas de vida literária, o autor do poema “Os Estatutos do Homem”, traduzido para mais de 30 idiomas, se candidata à cadeira 32, que foi ocupada pelo escritor Ariano Suassuna, e terá como concorrente o jornalista Zuenir Ventura.

Com exclusividade para o Blog da Amazônia, Thiago de Mello aceitou listar os motivos de sua candidatura. Um dos pontos: “Porque quero ver a minha Amazônia fazendo parte da vida da Academia”. Um dos poetas vivos mais populares da língua portuguesa, o amazonense de Barreirinha publicou os livros “Silêncio e Palavra” (1951), “Narciso Cego” (1952), “Vento Geral” (1960), “Faz escuro mas eu canto” (1965), “A canção do amor armado” (1966) e “De uma vez por todas” (1996), entre outros, além da antologia de traduções “Poetas da América de Canto Castelhano”. Continue lendo “Poeta Thiago de Mello, 88 anos: “Quero ver a Amazônia na ABL””

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Movimentos de moradia querem sensibilizar Judiciário sobre reintegrações em SP

Os sem teto reivindicam que o Judiciário assuma o papel de mediador para prazos de reintegração (Marcelo Camargo/ABr)
Os sem teto reivindicam que o Judiciário assuma o papel de mediador para prazos de reintegração (Marcelo Camargo/ABr)

Grupos buscam diálogo para evitar que ‘mediações’ e cumprimento de mandados de desocupação sejam realizados por meio de força policial

por Patricia Iglecio, da RBA

 “Queremos pressionar pra ver se o Judiciário pelo menos se reúne com os movimentos, escuta, estuda, e dá mais um tempo, porque mal se sabe da reintegração e o batalhão da polícia já marca o dia da saída das famílias”. As palavras são da coordenadora da União das Lutas dos Cortiços e Moradia (ULCM), Maria dos Anjos Brás do Santos, e resumem o pedido de diálogo que os movimentos de moradia da região central de São Paulo querem com o Poder Judiciário sobre as reintegrações de posse. Durante ato realizado nesta terça-feira (5), no centro de São Paulo, o objetivo foi sensibilizar os juízes.

Dezenove entidades de luta por moradia estiveram reunidas no Pátio do Colégio, em frente ao Tribunal de Justiça, no centro de São Paulo, para marchar em direção ao Fórum João Mendes. Maria dos Anjos aponta que, nos últimos quatro meses, “aumentou muito” o número de reintegrações de posse na região central e os movimentos querem debater com o Judiciário para que seja traçado um plano de ação.

“Em 15 dias, 30 dias, o que você faz com uma ocupação com 150 famílias? Em 30 dias, dá pra você resolver para onde vão essas famílias?”, questiona a coordenadora da ULCM, movimento que ocupava três prédios no centro, mas que, no final do mês de julho, teve parte do grupo removida. Com o número crescente de reintegrações, os movimentos buscam fortalecer a articulação entre eles e realizam reuniões semanais. A militante conta que há solidariedade nas lutas, e que famílias despejadas são abrigadas por diferentes movimentos. “Estamos conversando para arrumar uma solução. Se o movimento não se juntar, a gente não vai conseguir nada”, argumenta Maria dos Anjos. Continue lendo “Movimentos de moradia querem sensibilizar Judiciário sobre reintegrações em SP”

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PE – Uma semana após reintegração de posse no Cotonifício, famílias denunciam o desprezo da prefeitura e estado

Ocupante do terreno, Maria Aparecida é mãe de dois filhos e  não tem para onde ir.  (Foto: Kety Marinho/TV Globo)
Ocupante do terreno, Maria Aparecida é mãe de dois filhos e não tem para onde ir.
(Foto: Kety Marinho/TV Globo)

CPT Nordeste II

Uma semana depois da reintegração de posse, realizada nas terras da antiga fábrica de Cotonifício, em Moreno, as famílias de trabalhadores sem teto encontram-se indignadas e relatam total abandono e descaso por parte da prefeitura do município e do Estado. Parte destas famílias foi acolhida pelos trabalhadores rurais ligados ao MST que ocupam o Engenho Una, bem como os próprios sitiantes do local, que também está localizado no município de Moreno. Estas encontram-se atualmente alojadas de maneira improvisada na Casa Grande e no Galpão do Engenho.

As famílias, entrevistadas pela CPT, relataram as violações de direitos ocorridas no momento da reintegração de posse. Lucicleide Maria da Silva, de 33 anos, auxiliar de cozinha, classificou a ação do Estado como desumana. A trabalhadora sem teto, mãe de cinco filhas, comenta que no momento do despejo, cerca de 300 famílias encontravam-se no local. Muitas crianças e jovens portadores de deficiência foram colocados na rua sem ter para onde ir. “Todas estas famílias não tem pra onde ir, não tem casa, não tem terra, não tem nada. A gente vivia de aluguel e não tinha condições de pagar. Não vou botar minhas filhas na rua. Se não fosse isso aqui [solidariedade dos trabalhadores rurais], não sei onde a gente estaria agora”. Continue lendo “PE – Uma semana após reintegração de posse no Cotonifício, famílias denunciam o desprezo da prefeitura e estado”

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