Até prefeito tem fazenda na área dos xavantes

O prefeito de São Félix do Araguaia, Filemon Gomes Costa Limoeiro (PPS/MT), é dono de uma fazenda de 250 hectares, onde cria suas 400 cabeças de gado. Dublê de político e fazendeiro, Limoeiro garante que não se enquadra na categoria de invasor, já que, afirma ele, sua propriedade não está dentro da terra indígena Marãiwatsede, localizada entre os municípios de São Félix do Araguaia e Alto da Boa Vista, Norte do Mato Grosso. Mas seu nome consta da lista de 68 fazendas, que, segundo o Ministério da Justiça e a Fundação Nacional do Índio (Funai), estariam sim dentro da terra dos xavantes.

“Estamos brigando e acabamos de recorrer da decisão da Justiça Federal de Cuiabá, que considerou os índios os donos da terra” — critica Limoeiro, admitindo que não será fácil tirar os fazendeiros da área: “Porque todos nós vamos querer ser indenizados”. A reportagem é de Liana Melo e publicada pelo jornal O Globo, 14-11-2010. Continue lendo “Até prefeito tem fazenda na área dos xavantes”

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Xavantes – ‘Um exemplo de destruição’

A saga dos xavantes vem sendo acompanhada de perto pela indigenista Maria Inês Hargreaves . Ela espera que, ao fim da “batalha fundiária”, os índios de Marãiwatsede vençam, como ocorreu na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. A entrevista é de Liana Melo e publicada pelo jornal O Globo, 14-11-2010:

Como a senhora avalia a situação dos xavantes?

Eles vivem confinados e estão sendo impedidos de reproduzirem-se física e culturalmente. Sabe como isso se chama? Genocídio. Continue lendo “Xavantes – ‘Um exemplo de destruição’”

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Educação e luta Kaiowá Guarani

“A gente precisa mostrar ao Brasil e ao mundo que Guarani Kaiowá temos  nossa sabedoria,  nossa tecnologia, nossa arte, nossa religião.  Infelizmente são ainda poucos os que tem bom senso e sensibilidade para enxergar e reconhecer isso. Muitos ainda nos vêem através da cana, da soja, do boi. Mas esse país é do povo brasileiro e não de alguns poderosos…”(Avá Kuarahy Rendyju)

O grande encontro de lideranças e professores Kaiowá Guarani não poderia começar de outra forma. Afinal de contas mais de quinhentos representantes desses povos deixaram suas aldeias e acampamentos com a certeza de avançar na conquista de seus direitos, de darem mais um passo em direção às suas terras tradicionais, seus tekohá. Continue lendo “Educação e luta Kaiowá Guarani”

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Carne ilegal em terra de índio

A cena se repete duas vezes ao dia. A primeira antes do pôr do sol; a segunda, ao entardecer. A reportagem é de Liana Melo e publicada pelo jornal O Globo, 14-11-2010.

Os anciões da terra indígena Marãiwatsede chegam devagar, agrupam-se em forma de arco, acendem seus cachimbos. Eles são a autoridade máxima entre os xavantes. A reunião ocorre sempre no centro da aldeia, que fica a 150km de São Félix do Araguaia, no Norte do Mato Grosso. O assunto nestes encontros varia conforme a ocasião, mas o idioma é sempre o mesmo: o xavante. Em Marãiwatsede, a tentativa de preservar as tradições esbarra numa lógica econômica perversa: a relação intrínseca entre a pecuária, a soja e a destruição da floresta. Essa combinação transformou a terra dos xavantes no exemplo mais emblemático da contaminação da cadeia produtiva da pecuária e da soja, ambas expoentes do agronegócio no mundo. Continue lendo “Carne ilegal em terra de índio”

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Até ministério acha R$ 140 pouco para ”definir” pobre

Tentar se tornar invisível a pedintes ou assaltantes em São Paulo custa R$ 140. Esse é o preço médio da colocação das populares películas escuras nos vidros de um carro.

R$ 140 é um valor considerado “muito baixo” até mesmo pelo Ministério do Desenvolvimento Social (responsável pelo Bolsa Família) para se definir quem é pobre e pode receber o benefício.

Lúcia Modesto, secretária nacional de Renda de Cidadania, diz que o ideal seriam os R$ 510 do salário mínimo. A reportagem é de Fernando Canzian e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 14-11-2010. Continue lendo “Até ministério acha R$ 140 pouco para ”definir” pobre”

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No litoral de AL, casal almoça uma lata de sardinha

“Neste mês, a minha renda foi zero”, diz o descascador de cocos Amaro Verçosa Ferreira, 44. De sua casa, no badalado litoral norte de Alagoas, ele vê extensas áreas de mangue e coqueirais desaparecerem -mas só enxerga um futuro de incertezas. A reportagem é de Fábio Guibu e Anna Virgínia Balloussier e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 14-11-2010.

Desempregado, ele se preocupa com as árvores quase sem frutos e o aumento da concorrência no trabalho. Com a mulher, Amara Maria do Nascimento dos Santos, 44, Ferreira vive em situação de indigência. Mora numa casa de taipa emprestada de um cunhado, em Porto de Pedras (100 km de Maceió), onde cerca de 90% dos moradores são pobres, segundo o Censo 2000 atualizado pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Continue lendo “No litoral de AL, casal almoça uma lata de sardinha”

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Acabar com a miséria é exequível, com um empurrão das mulheres

“As mulheres não querem ser depositárias do ideário liberal de que são as mais capazes de gerir “eficazmente” a escassez. Não são milagreiras para fazer render um benefício médio de R$ 90,00 mensais.Uma mulher na Presidência com o potencial produtivo de tantas outras mulheres pode tornar exequível, senão erradicar por completo a miséria, ao menos torná-la residual”, escreve Lena Lavinas, professora associada do Instituto de Economia da UFRJ, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 14-11-2010. Eis o artigo.

A presidente eleita Dilma Rousseff acena com a erradicação da miséria. É auspicioso que o Brasil da segunda década do século XXI vislumbre eliminar por completo níveis de destituição extrema, que colocam em xeque a humanidade de alguns milhões de brasileiros. Continue lendo “Acabar com a miséria é exequível, com um empurrão das mulheres”

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Erradicar pobreza custaria mais R$ 21 bi

A maior promessa de campanha da presidente eleita Dilma Rousseff (PT), de acabar com a miséria no Brasil em seu governo, é muito ambiciosa, mas factível, avaliam especialistas da área. A reportagem é de Fernando Canzian e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 14-11-2010.

Isso depende de duas premissas: o mercado de trabalho continuar se expandindo na velocidade dos últimos anos (algo considerado muito difícil); e o novo governo ampliar o gasto com o Bolsa Família (onerando ainda mais o Orçamento). O programa consome R$ 13,4 bilhões ao ano e atende 12,7 milhões de famílias. Isso equivale a 0,4% do PIB, o que é considerado pouco. Continue lendo “Erradicar pobreza custaria mais R$ 21 bi”

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Elites controlam o sistema judicial, mostra pesquisa da USP

Enviada por  Enio Jose, da Rede Brasil Atual

Tese conclui que elites jurídicas provêm das mesmas famílias, universidades e classe social

São Paulo – Há, no sistema jurídico nacional, uma política entre grupos de juristas influentes para formar alianças e disputar espaço, cargos ou poder dentro da administração do sistema. Esta é a conclusão de um estudo do cientista político Frederico Normanha Ribeiro de Almeida sobre o judiciário brasileiro. O trabalho é considerado inovador porque constata um jogo político “difícil de entender em uma área em que as pessoas não são eleitas e, sim, sobem na carreira, a princípio, por mérito”.

Para sua tese de doutorado A nobreza togada: as elites jurídicas e a política da Justiça no Brasil, orientada pela professora Maria Tereza Aina Sadek, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Almeida fez entrevistas, analisou currículos e biografias e fez uma análise documental da Reforma do Judiciário, avaliando as elites institucionais, profissionais e intelectuais. Continue lendo “Elites controlam o sistema judicial, mostra pesquisa da USP”

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Defeito de pobre

Durante a caminhada das famílias sem-teto, na quinta-feira, me lembrei de Rosana Denald. Foi dela  que ouvi pela primeira vez,  a seguinte frase: “Pobre tem um defeito, não evapora no final do dia”. A frase é da professora Ermínia Maricato, para exemplificar a forma como a sociedade lida com as necessidades dos pobres. Se alguém tivesse dúvidas de que muita gente na sociedade gostaria mesmo que os pobres passassem o dia suando, trabalhando, limpando, construindo e no final do dia evaporassem, o problema dos sem-teto é uma boa mostra.

Desde  4 de outubro famílias sem-teto ocuparam quatro, dos milhares de prédios abandonados, do centro de São Paulo. O perfil dos imóveis é bastante parecido,  têm altas dívidas de IPTU e estão fechados por décadas. As primeiras 24 horas foram tensas. Os ocupantes ficaram confinados, impedidos pela polícia, de receber água e comida durante todo o dia. No prédio da Av. Ipiranga três mulheres passaram mal e desmaiaram. No dia seguinte percorri as quatro ocupações, vi o absurdo dos espaços abandonados deteriorando frente à necessidade de quem não tem onde abrigar suas famílias. O vídeo  Ocupações pode ser assistido aqui. Passado o período de tensão das primeiras horas as famílias começaram a limpeza, ocuparam quartos, organizaram cozinha comunitária, atividades de recreação com as crianças, lazer e cultura. As assembléias  podem ser acompanhadas  neste vídeo  “Assembléias” , dão uma mostra da organização do grupo. Continue lendo “Defeito de pobre”

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