A Europa e o grito Guarani

“Desde a leveza e brancura da neve e o frio cortante desta parte do maltratado planeta terra, partilho um pouco da nossa caminhada em busca de solidariedade aos povos indígenas, em especial do povo Guarani.  Com seu cocar Kaiowá, o mbaraká e sua experiência de resistência e luta, Anastácio Kaiowá Guarani é quem está dando o recado, através de suas falas tranquilas mas fortes, com bastante humor e muitas vezes tom poético e trágico. São momentos dessa luta ampla de construção de novos horizontes e garantia de direitos fundamentais a todos os seres”, escreve Egon Heck, coordenador do CIMI-MS, desde Heidelberg, na Alemanha. Eis o artigo.

“Andamos pelo mundo falando do nosso direito, nossos sentimentos e nossa dor” (Anastacio Kiaiowá Guarani)

Quando a delegação de apoio ao Povo Guarani, juntamente com Anastácio Kaiowá Guarani, embarcamos para umas duas semanas de maratona por vários países da Europa, sabíamos que neste tempo iríamos enfrentar muito frio e conseguir muito calor e solidariedade às lutas dos Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, por seus direitos. Jonia trazia a preocupação especial da FIAN com a difícil situação de sobrevivência e fome por que estão passando inúmeras famílias e comunidades  Guarani, em seus confinamentos e acampamentos à beira da estrada. Verena, de Reporte Brasil,  estava com muitas informações e dados sobre as  graves conseqüências do avanço do agronegócio da soja e cana no Mato Grosso do Sul. Os agrocombustíveis impactam diretamente o território desse povo, sem que antes se tenha concluído os trabalhos de identificação das terras Guarani. Egon, do Cimi,  trazia todo o acompanhamento da luta pela terra e as violências extremas a que as comunidades Guarani estão submetidas. Procuramos dar visibilidade a essa realidade e conseguir solidariedade às  lutas desse povo. Continue lendo “A Europa e o grito Guarani”

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Anseios e dificuldades das mulheres da floresta

A ribeirinha Valdemarina Gomes buscou ajuda para fazer política com P maiúsculo na troca de experiências proporcionada pelo encontro de mulheres que está sendo realizado pelo Grupo de Pesquisa e Observatório Social, Gênero, Política e Poder (Gepos) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A reportagem é de Aristides Furtado e publicada pelo jornal A Crítica, 03-12-2010.

Moradora da Freguesia do Rio Andirá, em Barreirinha (a 328 km de Manaus), ela quer fundar uma associação de agricultores para lutar por melhores condições de vida das mais de mil pessoas que vivem na comunidade.  “Vim buscar conhecimento para a associação que estamos tentando criar”, explicou a agricultora, ontem à tarde, no auditório Eulálio Chaves na Ufam.

Valdemarina é uma das 33 mulheres do interior do Estado que participam do 16ª Encontro da Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher e Relações de Gênero (Redor).  O evento ocorre junto como 2º Encontro de Estudo sobre Mulheres da Floresta (Emflor).  A programação teve início na última quarta-feira e se estende até hoje. Continue lendo “Anseios e dificuldades das mulheres da floresta”

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BLOG ESPECIAL: Justiça à Resex da Prainha do Canto Verde, Ceará – um desafio para os últimos dias de Lula na Presidência

Tania Pacheco* e Cris Faustino**

Foto: Tania Pacheco

No dia 1 de dezembro, o jornal O Povo, de Fortaleza, noticiava que o Procurador Raimundo Macêdo, da 6ª Câmara em Brasília, havia acatado representação do Ministério Público Federal contra um acordo firmado entre o Governo do Ceará e alguns indígenas, que representariam o povo Anacé. Pela negociação, os Anacé cederiam parte de suas terras, em processo de demarcação, para a construção da Refinaria Premium II, que integraria o Complexo do Pecém. O Procurador foi contundente na sua decisão: terras indígenas pertencem à União, e nem os Anacé, nem qualquer cidadão têm legitimidade para negociá-las.

O terceiro dia do II Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental foi realizado, em 2009, em terra Anacé. Convivemos com eles, comemos da sua comida, visitamos seus espaços tradicionais. Paralelamente, tivemos também a possibilidade de ver, meio à parte das falas e debates realizados a céu aberto, mas sob a proteção das árvores sagradas para os índios, um grupo que nos olhava desconfiado. Haviam sido convencidos de que, melhor do que defender a demarcação, era vender suas terras e ir buscar, talvez, o “progresso” das cidades. É bem possível que alguns deles tenham sido os “representantes” da comunidade na assinatura do pseudo acordo…

Se os Anacé estão até segunda ordem protegidos pela sabedoria e senso de justiça do Procurador Raimundo Macêdo, o mesmo não pode ser dito a respeito de outros povos e comunidades tradicionais que, Brasil afora, estão sendo submetidos às mais diversas pressões, da mentira à ameaça ou, mesmo, à morte, para que abandonem suas terras e cedam seus territórios ancestrais para a luxúria do capital. Um dos mais belos recantos do mesmo estado, o Ceará, está sendo ameaçado, neste final de Governo Lula, de perder o que conseguiu após 30 anos de luta: a criação da Resex da Prainha do Canto Verde, no município de Beberibe. Continue lendo “BLOG ESPECIAL: Justiça à Resex da Prainha do Canto Verde, Ceará – um desafio para os últimos dias de Lula na Presidência”

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O banditismo empresarial das monoculturas de soja e de eucalipto no Baixo Parnaíba Maranhense

Mayron Régis

O que eles têm a ver com aquela área? A comunidade de Passagem do Gado declinou de sua área em favor do plantador de soja. Por outro lado, a comunidade de Pau Serrado aceitou o desafio de preservar essa área como ela sempre foi para todos daquela região: uma área coletiva de extrativismo e de roça da agricultura familiar.

O que eles têm a ver com aquela área? De fato, aquela área pertence à comunidade de Passagem do Gado, município de Barreirinhas. Ainda por cima, o Instituto de Terras do Maranhão empurrava a comunidade para um acordo com o produtor de soja. No acordo incluir-se-ia o documento definitivo da área de mais de quatro mil hectares e o aluguel de um trator que gradearia uma parte dessa área. O acordo previa a venda de mais de dois mil hectares de Chapada para o senhor Leandro Costa Soares. Continue lendo “O banditismo empresarial das monoculturas de soja e de eucalipto no Baixo Parnaíba Maranhense”

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MPF diz que Anacés não podem abrir mão de terras no Pecém

Diego Lage – [email protected]

Procurador Raimundo Macêdo alega que terras indígenas são da União e que Anacés não têm legitimidade para negociá-las. Parecer da 6ª Câmara em Brasília lista problemas em outros estados após acordos como este

O Ministério Público Federal (MPF) se manifesta de forma contrária ao acordo entre o Palácio Iracema e os líderes da comunidade Anacé sobre as terras supostamente indígenas de Caucaia e São Gonçalo do Amarante. Esse acordo, firmado no início de julho, havia estabelecido que os Anacé abririam mão de terrenos inseridos na área da refinaria Premium II.

Um parecer da 6ª Câmara, em Brasília, assinado pelo analista pericial Marcos Paulo Fróes Schettino, adverte que o acordo pode motivar uma série de problemas no futuro. Schettino, inclusive, recorda impasses criados após acordos como esse em outros estados. Continue lendo “MPF diz que Anacés não podem abrir mão de terras no Pecém”

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Blitz gera prisão em flagrante por trabalho escravo em ferrovia

Condição desumana em local distante na Serra do Mar, sob ameaças e sem salários regulares (MH)

Marcioir Silveira Teixeira, dono de empreiteira que prestava serviço quarteirizado à ALL em linha férrea da Serra do Mar de São Paulo, foi preso pela polícia por crime de redução à condição análoga à escravidão

Por Maurício Hashizume

São Paulo – Dono da M S Teixeira, Marcioir Silveira Teixeira, de 47 anos, foi preso em flagrante delito nesta quarta-feira (1º) por submeter cerca de 40 trabalhadores a condições análogas à escravidão. As vítimas trocavam dormentes e faziam a manutenção de trilhos da linha ferroviária Mairinque-Santos, administrada pela América Latina Logística (ALL), mais especificamente no trecho do Parque Estadual da Serra do Mar.

De acordo com o delegado da Polícia Civil de São Paulo, Laerte Marzagão Júnior, a constatação do aliciamento (por meio de de intermediários, chamados comumente de “gatos”), da retenção de documentos, de condições insalubres e desumanas e do cerceamento da liberdade de locomoção permitiram, entre outros fatores, a caracterização do crime de trabalho escravo. Do grupo total de libertados, 20 são migrantes nordestinos que vieram, iludidos por promessas, de Santo Amaro da Purificação (BA).
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Emendas sugeridas pelos movimentos feminista e de mulheres incrementam PLOA 2011 em R$ 1,155 bilhão

As quatro emendas sugeridas pelos movimentos feministas e de mulheres ao Projeto de Lei Orçamentária Anual 2011 foram acatadas por comissões setoriais. As propostas encaminhadas a parlamentares incrementaram os recursos no valor de R$ 1,155 bilhão, nas ações de combate à violência contra as mulheres; estruturação de unidades de atenção especializada em saúde; construção, ampliação, reforma de creches e pré-escolas; e de apoio a iniciativas de referência nos eixos temáticos do PNPM. Continue lendo “Emendas sugeridas pelos movimentos feminista e de mulheres incrementam PLOA 2011 em R$ 1,155 bilhão”
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Investimento garantirá a construção de 12.978 cisternas no semiárido

Investimento garantirá a construção de 12.978 cisternas no semiárido
As cisternas beneficiam a população de baixa renda do Semiárido, que sofre com os efeitos das secas prolongadas/Foto: Bruno Spada - Ministério do Desenvolvimento Social
Cinquenta milhões de reais serão disponibilizados para a construção de 12.978 cisternas no Semiárido. O anúncio foi feito em um evento nesta quinta-feira (2), em Salvador (BA). Os recursos serão provenientes da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid) e do governo brasileiro, com o apoio do Instituto Ambiental Brasil Sustentável. O investimento garante a implantação de 11.165 cisternas domiciliares, 1.080 cisternas para a produção de alimentos e 733 cisternas em escolas públicas.

No evento, também foi anunciado a assinatura do Termo de Parceria com a Articulação no Semiárido (ASA), reeditando a parceria que vem sendo conduzida desde 2003. O investimento de R$ 26 milhões viabilizará a construção de mais 2.014 cisternas calçadão, 78 barragens subterrâneas e 78 tanques de pedra – todas tecnologias sociais voltadas para a produção de alimentos. Continue lendo “Investimento garantirá a construção de 12.978 cisternas no semiárido”

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URGENTE! Mais uma remoção sumária. Casal de idosos no Recreio é a mais nova vítima do fascismo da Prefeitura do Rio

“Enquanto escrevo essas palavras, o Sr. João Batista e Dona Conceição estão sozinhos em casa, terminando de embrulhar as coisas miúdas e de desmontar louças de cozinha e banheiro, instalações elétricas, lembranças e saudades que levarão consigo. Um pequeno grupo de companheiros militantes está se organizando para ajudar na mudança e levar algum alento, na manhã desta sexta-feira, 03/12/2010”.
Jorge Borges – geógrafo, assessor técnico

Em 16/11/2010, recebemos relato e denúncia do Sr. João Batista e sua esposa, Dona Conceição, onde ambos solicitavam nosso apoio na averiguação de diversas irregularidades acerca das obras do Corredor Transoeste, na Av. das Américas, Recreio dos Bandeirantes. Várias casas na área estão próximas aos canteiros de obras e ao local das novas vias, mas não tinham recebido, até recentemente, qualquer informação ou notificação da Prefeitura.

“JB”, como é chamado pelos amigos, e Dona Conceição são valorosos militantes da causa sócio-ambientalista no Rio, tendo destacadas participações na organização sem fins lucrativos Verdejar e na ONG e Rádio Comunitária Bicuda Ecológica, de proteção e recuperação da Serra da Misericórdia. João Batista foi, por muitos anos, diretor da Seção Rio de Janeiro da Associação dos Geógrafos Brasileiros e um dos fundadores do GT de Meio Ambiente dessa entidade. Continue lendo “URGENTE! Mais uma remoção sumária. Casal de idosos no Recreio é a mais nova vítima do fascismo da Prefeitura do Rio”

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A cor da ciência

(Foto: Andrea Rego Barros)
A pobreza, a ausência de políticas públicas e o racismo impedem o acesso dos negros a cursos de maior prestígio, à pós-graduação e à carreira científica

Por: Cida de Oliveira, Rede Brasil Atual

Telefone celular, ar-condicionado, elevador, geladeira. Indispensáveis, esses itens são parte de uma extensa lista de invenções e descobertas de cientistas negros. São tantas que a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência, resolveu promover algumas delas no estande montado na Esplanada dos Ministérios, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em outubro.

De acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, nos últimos dez anos a produção científica nacional cresceu 200%, passando de 10 mil para mais de 30 mil estudos publicados em revistas especializadas internacionais. Mas a população afrodescendente não é contemplada por esse salto. Continue lendo “A cor da ciência”

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