Garzón: defesa da Lei de Anistia se vale de argumentos ‘totalmente oportunistas’

Garzón lidera a equipe jurídica de Assange, que desde junho do ano passado está refugiado na embaixada do Equador em Londres

Juiz espanhol afirma que reparação do Estado às vítimas da ditadura e aos seus familiares precisa ser mais ampla e que é preciso acabar com ideia de que transição à democracia é guiada pela impunidade

Por Hylda Cavalcanti, da RBA

Brasília – O juiz espanhol Baltasar Garzón é mais conhecido como o magistrado que emitiu ordem de prisão contra o ex-presidente do Chile, o ditador Augusto Pinochet, pela morte e tortura de cidadãos, na década de 1980. Neste século, decidiu investigar os crimes do general Francisco Franco e acabou sofrendo o peso dos problemas da transição incompleta à democracia: foi processado e afastado do cargo.

Garzón possui uma trajetória mundial de atuação em processos diversos referentes a apurações de casos de genocídio, desaparecimento de pessoas e demais crimes de lesa-humanidade. Depois da atuação no Chile, ajudou a abrir caminho para processar e condenar agentes da última ditadura (1976-83) na Argentina.

Durante passagem rápida pelo Brasil, para participar de painel no Fórum Mundial de Direitos Humanos sobre a memória e a verdade, o magistrado destacou que por aqui são “totalmente oportunistas” os argumentos de que a Lei de Anistia ampara crimes cometidos por agentes do Estado durante o regime autoritário (1964-85), visão encabeçada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2010 decidiu vetar a possibilidade de processar este tipo de violações.

Para Garzón, embora a Comissão Nacional da Verdade venha trabalhando bem, no sentido de conseguir chegar a algumas conclusões sobre o que ocorreu com vítimas da ditadura, a sociedade brasileira precisa se organizar melhor para lutar contra a impunidade e fazer com que a reparação do Estado seja mais ampla.

Abaixo, trechos das respostas dadas por Garzón a jornalistas e à plateia do Fórum Mundial de Direitos Humanos. Continue lendo “Garzón: defesa da Lei de Anistia se vale de argumentos ‘totalmente oportunistas’”

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“A solução é higienizar o Brasil!”

Fotos: Fabricio Escandiuzzi / Terra
Fotos: Fabricio Escandiuzzi / Terra

Por Jornalismo Wando, em 

Quem acompanha este blog sabe que o gigante, de fato, acordou. O Brasil do Bem não aceita mais conviver com as mazelas políticas, econômicas e sociais do Brasil do Mal. Finalmente, saímos do berço esplêndido do Facebook para partir para a ação direta nas ruas. Nós, da classe média educada e culta, não podemos mais nos calar diante de uma gente feia, suja e mal educada que insiste em compartilhar conosco os mesmos espaços públicos.

Diante de um moleque insolente e sujo, o funcionário das Lojas Americanas resolveu dar pauladas pedagógicas em sua barriga. Uma ação tão legitimada pela sociedade, que o autor não se sentiu constrangido diante dos olhares alheios. Ele sabia que aquela ação seria aprovada pela maioria dos transeuntes, claro, até porque o pretinho tinha cara de “ladrão”, “vagabundo” e “favelado”, como tantos defensores daquele professor de bons modos afirmaram. Continue lendo ““A solução é higienizar o Brasil!””

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A pistolagem não é um crime solitário, por Mayron Borges

Na foto, cápsulas de pistola 9mm encontradas na fazenda ocupada
Cápsulas de pistola 9mm encontradas numa fazenda no MS

A pistolagem não é um crime solitário. Ela não surge de repente na cabeça de um sujeito qualquer disposto a tudo para satisfazer seus instintos. Ela não é uma obra poética em que o autor perde suas noites. A poesia nem chega perto onde há pistolagem.

Dizem que no Maranhão se escreve e fala-se o melhor português. Batizou-se essa assertiva com o orgulho de uma elite para a qual bastava educar seus filhos no único colégio de qualidade de São Luis enquanto a maior parte da população se mantinha pobre e deseducada. “O melhor português” era falado por menos de 1% da população do Maranhão. Para quem escutava, “o melhor português” soava limpo. A elite maranhense, através da educação, limpava-se dos “vícios” das camadas populares. A pistolagem é a forma que essa elite encontrou de fazer limpeza social em locais e em situações nos quais os meios jurídicos não respondem rapidamente ou não respondem de um jeito que lhe agrade.

O que agrada uma elite, ainda mais uma elite escravocrata e predatória como a maranhense? Agrada que seu comportamento e suas ideias sejam engrandecidos. As obras literárias que a elite maranhense reverencia, geralmente, sonegam informações sobre o passado escravocrata e violento dessa mesma elite. Continue lendo “A pistolagem não é um crime solitário, por Mayron Borges”

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Para verificação e análise: Gastos com o Fundo Nacional de Saúde e, em especial, com a Saúde Indígena (DSEIs)

Fonte: Funasa
Fonte: Funasa

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

Os dados abaixo estão à disposição de qualquer pessoa, no Portal Transparência, na internet. E felizmente, há pessoas como Ricardo Verdum, que não esquecem de nos lembrar que é nosso papel monitorar os gastos públicos e nos desafiar a fazê-lo. Foi, pois, através de um link disponibilizado por ele que chegamos ao material abaixo, relativo aos gastos do Fundo Nacional de Saúde (R$ 17.172.156.417,83) e, dentro dele, aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e à própria Sesai (último item da sexta planilha). E verificar seu conteúdo é extremamente fácil!

Clicando, por exemplo, no DSEI Yanomami – gasto total até o momento de R$ 29.243.400,09 – e, na planilha que se abre, optando pela rubrica Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica, verificamos que mais de 50% desse montante (R$ 15.735.694,98) foi pago a apenas uma empresa: a PARAMAZONIA TAXI AEREO LTDA – EPP, embora também haja outra recebendo por gastos com transporte aéreo. O segundo montante em valor total, muitíssimo abaixo do transporte aéreo (menos de 1/5, na verdade) é o destinado a Alimentos – R$ 3.081.353,71. Continue lendo “Para verificação e análise: Gastos com o Fundo Nacional de Saúde e, em especial, com a Saúde Indígena (DSEIs)”

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AM – Indígena de 13 anos da comunidade Kambeba ganha medalha de ouro com uma semana de treino no arco e flecha

Nelson encontrou no tiro com arco um grande estímulo para a vida. Foto: Érica Melo
Nelson encontrou no tiro com arco um grande estímulo para a vida. Foto: Érica Melo

Jovem de 13 anos de comunidade indígena do baixo Rio Negro sonha com Olimpíadas

Por Lorenna Serrão, em A Crítica

Este ano o tiro com arco amazonense alcançou um feito inédito. O estudante Nelson Silva de Moraes, de 13 anos, conquistou a medalha de ouro no Campeonato Brasileiro Escolar da modalidade – e o Estado ficou em primeiro lugar no ranking geral. O menino, que competiu pela categoria infantil-masculino, faz parte da comunidade indígena Kambeba (baixo Rio Negro) e representou o Clube de Arqueria Floresta Flecha na etapa regional do torneio organizado pela Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO). Continue lendo “AM – Indígena de 13 anos da comunidade Kambeba ganha medalha de ouro com uma semana de treino no arco e flecha”

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RJ – Movimento Aldeia (R)existe amplia retomada e denuncia destruição do patrimônio histórico nacional material e imaterial indígena

Fotos: Mídia Ninja
Fotos: Mídia Ninja

Por Coletivo ComTekoHaw Maraká’ànà, Mídia Ninja e Coletivo Mariachi

O movimento de resistência indígena da Aldeia Maracanã, em conjunto com apoiadores da sociedade civil, ativistas internacionais de direitos humanos e da imprensa livre, ocupou mais uma parcela do território reivindicado na Justiça como reserva indígena, em área adjacente ao Complexo do Maracanã e ao antigo Museu do Índio, que era ocupado pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do Ministério da Agricultura e está desativado.

A área é reivindicada na Justiça desde outubro de 2012 pelo movimento indígena. A entrada no espaço iniciou ontem, por volta das 17h e se consolidou, de forma pacífica, nesta madrugada. Conforme o Grupo de Trabalho que dá suporte jurídico e discute a questão fundiária do território reivindicado como reserva indígena, a ocupação ocorreu como forma de defesa do patrimônio histórico e imaterial nacional e indígena, contra a destruição, em curso, das edificações presentes no espaço. “O Estado não está cumprindo com aquilo com que se comprometeu. O contrato de gestão privada do Complexo do Maracanã ainda não foi desfeito nem mesmo revisto. O Parque Aquático Julio Delamare, a Escola Friedenreich e a Aldeia Maracanã ainda correm riscos. A prova disto é que os prédios do antigo Lanagro já começaram a ser destruídos, sem qualquer consulta às partes interessadas, ao movimento indígena”, afirmam as lideranças do movimento. Continue lendo “RJ – Movimento Aldeia (R)existe amplia retomada e denuncia destruição do patrimônio histórico nacional material e imaterial indígena”

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O herói negro ocultado pela Ditadura: Osvaldo Orlando da Costa, Osvaldão

"Ele (Osvaldão) era muito hábil na floresta, tinha dom para caçar e pescar. Os índios falam da técnica dele para imitar os sons dos animais. Osvaldão se integrou à natureza e à vida de camponês".
“Ele (Osvaldão) era muito hábil na floresta, tinha dom para caçar e pescar. Os índios falam da técnica dele para imitar os sons dos animais. Osvaldão se integrou à natureza e à vida de camponês”.

Raça Brasil/Raíz Africana

Os livros didáticos de história contam a trajetória do Brasil, da colonização à independência, da abolição da escravatura aos tempos modernos. Apesar de todo o conhecimento cultural e intelectual que transmitem às crianças e jovens, deixam para trás muitos personagens importantes, que merecem ter suas histórias exaltadas ou, no mínimo, contadas. Coincidência ou não, existem figuras negras emblemáticas que fazem parte da “lista dos esquecidos”. A ausência de registros nos livros escolares pode e deve ser compensada pela internet e por veículos segmentados como a Raça Brasil. Assim sendo, nas próximas páginas apresentaremos um sujeito que poucos conhecem, mas que foi um grande herói na luta contra a ditadura militar. Militante comunista e figura de destaque na Guerrilha do Araguaia, ocorrida entre o final da década de 1960 e o início dos anos 70, Osvaldo Orlando da Costa, ou Osvaldão, como era conhecido, até hoje é lembrado pelo povo local por sua compleição física, inteligência e bondade. Continue lendo “O herói negro ocultado pela Ditadura: Osvaldo Orlando da Costa, Osvaldão”

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“A papai-noel-ização de Nelson Mandela”, por Slavoj Žižek*

Foto: Media24 /Gallo Images /Getty Images
Foto: Media24 /Gallo Images /Getty Images

Se Nelson Mandela tivesse realmente vencido, não seria aceito como um herói universal

 Slavoj Žižek, The Guardian, UK – Tradução Vila Vudu em RedeCastor

Nas últimas duas décadas da vida, Nelson Mandela foi festejado como modelo de como libertar um país do jugo colonial sem sucumbir à tentação do poder ditatorial a sem postura anticapitalista. Em resumo, Mandela não foi Robert Mugabe, e a África do Sul permaneceu democracia multipartidária com imprensa livre e vibrante economia bem integrada no mercado global e imune a horríveis experimentos socialistas. Agora, com a morte dele, sua estatura de sábio santificado parece confirmada para toda a eternidade: há filmes sobre ele (com Morgan Freeman no papel de Mandela; o mesmo Freeman, aliás, que, noutro filme, encarnou Deus em pessoa). Rock stars e líderes religiosos, esportistas e políticos, de Bill Clinton a Fidel Castro, todos dedicados a beatificar Mandela.

Mas será essa a história completa? Dois fatos são sistematicamente apagados nessa visão celebratória. Na África do Sul, a maioria pobre continua a viver praticamente como vivia nos tempos do apartheid, e a ‘conquista’ de direitos civis e políticos é contrabalançada por violência, insegurança e crime crescentes. A única mudança é que onde havia só a velha classe governante branca há agora também a nova elite negra. Em segundo lugar, as pessoas já quase nem lembram que o velho Congresso Nacional Africano não prometera só o fim do apartheid; também prometeu mais justiça social e, até, um tipo de socialismo. Esse CNA muito mais radical do passado está sendo gradualmente varrido da lembrança. Não surpreende que a fúria outra vez esteja crescendo entre os sul-africanos pretos e pobres. Continue lendo ““A papai-noel-ização de Nelson Mandela”, por Slavoj Žižek*”

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SP – Shopping Cidade Jardim terá que indenizar músico negro constrangido por seguranças

 Pedro Bandeira, 39, músico que será indenizado por abordagem sofrida no shopping Cidade Jardim, na zona oeste de São Paulo. Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Pedro Bandeira, 39, músico que será indenizado por abordagem sofrida no shopping Cidade Jardim, na zona oeste de São Paulo. Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Folha/Uol

O shopping Cidade Jardim, um dos mais luxuosos de São Paulo, foi condenado a pagar R$ 6.780 ao músico cubano Pedro Bandera, 39, como indenização por danos morais, em razão de uma abordagem de seguranças do estabelecimento em agosto de 2010. Bandera, que é negro, afirma ter sido vítima de preconceito racial quando ele andava pelo shopping à procura do local onde faria um show. O músico é percussionista da cantora Marina de la Riva.

A Justiça considerou que houve “constrangimento indevido”, mas que não foi possível confirmar ter havido um crime de racismo. Cabe recurso à decisão. O shopping nega ter havido discriminação.

O músico afirma que foi abordado de forma hostil por um grupo de seguranças que queria saber o que ele procurava e o que ele fazia. Continue lendo “SP – Shopping Cidade Jardim terá que indenizar músico negro constrangido por seguranças”

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