Aborto de “bandidos” no útero: Ou como o poço não tem fundo no Brasil, por Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto

“Um dia, nós chegaremos a um estágio no qual seremos capazes de determinar se a criança no útero da mãe tem tendências criminais e, se sim, a mãe não será autorizada a dar à luz.”

A declaração teria sido por Laerte Bessa (PR-DF), relator do projeto de redução da maioridade penal, ao jornal inglês The Guardian e resgatada pela revista Fórum, no melhor estilo Minority Report – aquele filme em que Tom Cruise prende os bandidos antes deles cometerem os crimes. Uma outra declaração dada por ao jornal afirma que, em duas décadas, reduziremos a maioridade para 12 anos. (mais…)

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O Judiciário no Brasil, segundo Comparato (2)

“Em todo o Brasil a Justiça pode ser comprada”, escreveu, no início do século XIX, visitante estrangeiro. Regra marcou ação dos juízes, do Império à República

Estudo especial de  Fábio Konder Comparato | Imagem: Antonio Parreiras – Outras Palavras

Brasil monárquico

A permanente duplicidade de ordenamentos jurídicos – um oficial, raramente aplicado, e outro não-oficial, mas sempre efetivo – acentuou-se após a independência do país. Como escreveu Sérgio Buarque de Holanda, “dificilmente se podem compreender os traços dominantes da política imperial sem ter em conta a presença de uma constituição ‘não escrita’ que, com a complacência dos dois partidos, se sobrepõe em geral à carta de 24 e ao mesmo tempo vai solapá-la”.[14] (mais…)

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Por quem rosna o Brasil, por Eliane Brum

Diante da ruína da autoimagem no espelho, o país parece preferir máscaras autoritárias a enfrentar a brutalidade da sua nudez

Por Eliane Brum, El País Brasil

O que é o Brasil, agora que não pode contar nem com os clichês? Como uma pessoa, que no território de turbulências que é uma vida vai construindo sentidos e ilusões sobre si mesma, um país também se sustenta a partir de imaginários sobre uma identidade nacional. Por aqui acreditamos por gerações que éramos o país do futebol e do samba, e que os brasileiros eram um povo cordial. Clichês, assim como imaginários, não são verdades, mas construções. Impõem-se como resultado de conflitos, hegemonias e apagamentos. E parece que estes, que por tanto tempo alimentaram essa ideia dos brasileiros sobre si mesmos e sobre o Brasil, desmancharam-se. O Brasil hoje é uma criatura que não se reconhece no espelho de sua imagem simbólica. (mais…)

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O Judiciário no Brasil, segundo Comparato (1)

Em estudo especial, um grande jurista brasileiro traça história de um poder submisso às elites, corrupto em sua essência e comprometido secularmente com a Injustiça

Por Fábio Konder Comparato | Imagem: Antonio Parreiras, Julgamento de Filipe dos Santos (1936) – Outras Palavras


O estudo será publicado em três partes.

“A quem há de ser atribuída no Estado a função jurisdicional? Em razão do que, devem os titulares desse poder exercê-lo? É admissível que os órgãos judiciários atuem sem controles? A resposta a tais perguntas fundamentais não pode ser feita no plano puramente teórico, sem uma análise concreta da realidade social em que se insere a organização política. Este artigo busca definir, com base nesses elementos estruturantes, a característica própria da realidade social brasileira nos cinco séculos de sua formação histórica, para poder compreender, em seguida, a atuação dos órgãos judiciários dentro desse amplo contexto social, e concluir com uma proposta de mudança em função do bem comum.” (mais…)

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Coronelismo: eles estão de volta

Por Maria Fernanda Arruda, Correio do Brasil

Em 1948, Victor Nunes Leal escrevia “Coronelismo, Enxada e Voto”, que se tornou logo em seguida um clássico da historiografia brasileira. É o comentário exato dos mecanismos utilizados pelos coronéis, durante a República Velha, para assegurar aos senhores do Poder o continuísmo, o seu exercício assegurado pelas eleições “a bico de pena”. Vargas, centralizador, emasculou os coronéis, aparentemente ganhando a guerra que o velho Marechal Hermes da Fonseca havia intentado antes, com as suas violentas intervenções armadas em vários Estados. O mecanismo, entretanto, era demais útil para ser deixado de lado. À sombra do próprio Vargas foram brotando os novos régulos: não eram coronéis, mas senhores de mando forte: Juraci Magalhães, Agamenon Magalhães, Flores da Cunha, Cordeiro de Farias, Nereu Ramos, Benedito Valadares, Adhemar de Barros, Amaral Peixoto. Chegaram até 1964. (mais…)

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Deputados de 6 partidos lançam carta sobre a gestão Eduardo Cunha: “Um semestre de retrocessos”

O documento abaixo foi elaborado inicialmente por parlamentares do PSOL, mas conta já com assinaturas de deputad@s do PSB, PT, PDT, PROS e PPS

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No balanço de seus primeiros seis meses de gestão, o Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, anuncia supostos avanços na administração da Casa. Omite, no entanto, o desserviço prestado ao país por sua agenda autoritária e conservadora. Cunha sustenta-se sobre uma base de deputados e líderes que corroboram seus métodos e posições políticas. Cresce, porém, a resistência dentro e fora do Parlamento. (mais…)

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A crise e as disputas para redesenhar o sistema político brasileiro. Entrevista especial com Pablo Ortellado

“Ainda não experimentamos uma sociedade civil mobilizada, ativa, que tem capacidade de articulação com o governo, mas que não entra no jogo político, que possa dialogar, pressionar e ter conquistas de fora desse sistema. Talvez esse seja um caminho não explorado que possa apontar para outra coisa, para outra forma de fazer política”, afirma o pesquisador

Por Patricia Fachin – IHU On-Line

A divisão ideológica que se vê nos principais partidos brasileiros não é uma novidade e a fragmentação faz parte do sistema político brasileiro. A diferença, contudo, é que agora “o centro político está reagindo ao governo de plantão”, porque “está sentindo que esse governo de plantão está fraco, e por isso está ‘pulando fora do barco’”, com o “respaldo da sociedade civil”, comenta Pablo Ortellado na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone. (mais…)

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Boulos: a preparação do golpe e o governo pasmo

PSDB, Cunha e ministros do Judiciário já não escondem conspiração. Mas ela só avança porque Dilma continua rendida à oligarquia financeira — e pode terminar de maneira indigna   

Por Guilherme Boulos, da coordenação nacional do MTST – Outras Palavras

A convenção do PSDB em 5 de julho domingo selou a guinada lacerdista do partido de Franco Montoro e Mario Covas. Com discursos recheados de meias palavras, os tucanos deixaram claro o que ainda não podem dizer abertamente: o apoio à interrupção do mandato de Dilma e sua prontidão para ocupar o posto. (mais…)

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Debates e imaginários mobilizadores: a falta que fazem!, por Cândido Grzybowski

No Ibase

Sinto um mal estar nesta nossa conjuntura do processo democrático. Após 30 anos de democratização do Brasil perdemos o rumo. Não estou me referindo a este ou aquele grupo, movimento ou força política em particular. Falo do essencial que é para a vitalidade democrática o buscar, construir e propor projetos de mudanças substantivas, o ter imaginários mobilizadores com base em princípios éticos e valores comuns da democracia, sabendo que há variantes políticas estratégicas sobre como tudo pode e deve ser realizado. O país ficou maior e mudou, mas não estamos preparados e nem engajados para enfrentar os novos desafios, desafios estes que a própria democratização, impulsionada por nós mesmos, acalentou. (mais…)

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