Defensora denuncia expropriação de território quilombola no Brasil

 

Plataforma Dhesca

Isabela da Cruz nasceu e cresceu na Comunidade Quilombola Invernada Paiol de Telha, no Paraná. Acompanhar a luta constante pela manutenção dos territórios, – espaços de sobrevivência física, afetiva e cultural de negros e negras – a fez compreender de pronto a lição que os/as ancestrais repassavam ao logo das gerações: ser negro e negra é nascer lutando.

Já na década de 1860, os antepassados das famílias do Paiol de Telha conquistaram acesso ao território quando cerca de 10 trabalhadores escravizados foram libertados pela então proprietária das terras, Balbina Francisca de Siqueira, e receberam o território como herança. Porém, em 1970, os quilombolas foram expulsos violentamente por colonos europeus ou descendentes, hoje associados à produção agrária voltada à exportação. Continue lendo “Defensora denuncia expropriação de território quilombola no Brasil”

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Língua Guarani Mbya reconhecida como referência cultural brasileira

Foto: Vherá Poty
Foto: Vherá Poty

Rafael Nakamura, CTI

Recentemente o Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), por meio do Inventário Nacional de Diversidade Linguística (INDL) reconheceu a língua Guarani Mbya como referência cultural brasileira. A aprovação ocorreu em reunião realizada no início de setembro na sede do IPHAN. Junto com o Guarani Mbya foi reconhecida a língua Assurini do Trocará, ambas línguas indígenas do tronco Tupi, família Tupi-Guarani. Além destas, o INDL também reconheceu como referência cultural o Talian, língua falada pelos descendentes de imigrantes italianos no Brasil.

O reconhecimento das três línguas como referência cultural brasileira foi feito a partir de projetos piloto, baseados em pesquisas que levavam em conta o tamanho da população que utiliza a língua, o grau de apropriação e a plenitude de falantes, entre outras questões. “Estas foram as primeiras experiências com reconhecimento cultural linguístico, feitas a partir de projetos piloto. Foram oito projetos, dos quais três instaurou-se processos para inclusão das línguas no INDL”, explica Marcus Vinicius Carvalho Garcia, servidor do IPHAN. Continue lendo “Língua Guarani Mbya reconhecida como referência cultural brasileira”

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PF faz busca na BA e no DF para apurar fraude de órgão federal de saúde indígena

saude indigenaAlex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, na manhã de hoje (25), uma operação para apurar a existência de fraudes em uma licitação feita na Bahia por órgão da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) em 2013. Doze mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Brasília e quatro em Salvador na sede de empresas contratadas pela secretaria, que é subordinada ao Ministério da Saúde.

As autoridades investigam a suspeita de que os envolvidos no esquema frustraram o caráter competitivo do procedimento licitatório, fraudando a licitação. Os investigados também são suspeitos de formação de quadrilha. Uma ação civil pública sobre os desvios já havia sido instaurada desde julho na 14ª Vara do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

As suspeitas vieram a público a partir de denúncias anônimas divulgadas na imprensa, em março deste ano. A partir disso, o Ministério Público Federal (MPF) e o próprio Ministério da Saúde, ao qual a Sesai está subordinada, acionaram a CGU para que auditasse todo o processo licitatório e o contrato assinado pelo Distrito Sanitário Especial Indígena da Bahia (Dsei/BA) com uma locadora. Continue lendo “PF faz busca na BA e no DF para apurar fraude de órgão federal de saúde indígena”

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PR – Organizações da sociedade civil debatem sobre o cenário dos direitos humanos

caravana direitos humanosArticulação dos Povos Indígenas da Região Sul

A Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO-BRASIL), o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e a Rede de Educação cidadã (RECID) convidam a todos para participarem da Caravana de Educação em Direitos Humanos, nesta sexta-feira, a partir das 10h, no Memorial de Curitiba.

O evento tem como objetivo discutir a temática da educação, e a participação social na garantia dos direitos humanos. Desta forma, será elaborada uma pauta de discussão sobre as questões vivenciadas no Paraná, a partir de experiências das lideranças presentes, para serem apresentadas durante a tarde para a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti. O evento é aberto a toda sociedade. Continue lendo “PR – Organizações da sociedade civil debatem sobre o cenário dos direitos humanos”

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Pastor Candidato quer eliminar referências públicas das religiões afro-brasileiras na Bahia

Os orixás do Dique do Itororó (Foto: Reprodução RZacharias)
Os orixás do Dique do Itororó (Foto: Reprodução RZacharias)

Por Maria Frô

De todas as propostas esdrúxulas dos mais de 14 mil candidatos a deputado federal nas eleições de 2014, a campanha do pastor candidato, Elionai Muralha, chega ao requinte da intolerância. Ele prega abertamente uma verdadeira caça às bruxas ao patrimônio cultural baiano: quer retirar todas as esculturas dos orixás de locais públicos na Bahia.

Carybé, Jorge Amado, Pierre Verger e tantos outros artistas, escritores e pesquisadores das religiões de matrizes africanas devem estar dando muitas voltas no túmulo e espero que os vivos como Mario Cravo e toda sociedade pensante brasileira reajam.

O que é mais assustador é que o ataque vem de uma pessoa negra. Só Frantz Fanon pode explicar a ignorância fundamentalista do candidato pastor que ataca uma tradição herdada dos africanos que se confunde com a própria identidade baiana. As religiões afro-brasileiras são patrimônio imaterial e as esculturas dos orixás, patrimônio brasileiro. Os orixás são referências culturais transformadas em obras de arte expostas em locais públicos. Mas elas incomodam tanto o pastor que ele deseja retirá-las do dique do Itororó, de praças, tornando a bandeira de sua campanha. Continue lendo “Pastor Candidato quer eliminar referências públicas das religiões afro-brasileiras na Bahia”

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Governo quer remover aldeias e alagar área indígena para construir usinas no Tapajós, por Felipe Milanez

Força Nacional e Exército estão sendo utilizados pelo governo federal para as negociações com os Munduruku no Tapajós, como o ataque da Polícia Federal na aldeia Teles Pires, que resultou no assassinato de Adenilson Kirixi Munduruku.
Força Nacional e Exército estão sendo utilizados pelo governo federal para as negociações com os Munduruku no Tapajós, como o ataque da Polícia Federal na aldeia Teles Pires, que resultou no assassinato de Adenilson Kirixi Munduruku.

Estudo de Componente Indígena apresentado no Ibama contraria a Constituição Federal. Cabe agora à Funai se manifestar a respeito. Os Munduruku, cujas aldeias ficarão debaixo d’água, não fazem parte do processo.

por Felipe Milanez, CartaCapital

Desde a Ditadura Civil-Militar, mais especificamente, a construção da Usina Hidrelétrica de Balbina, um projeto tão violento e ilegal contra os índios (portanto, contra a sociedade brasileira) não acontecia no Brasil. Para construir a Usina Hidrelétrica São Luiz do Tapajós, além de alagar terras indígenas, governo ainda quer remover três aldeias do povo Munduruku, contrariando o artigo 231 da Constituição Federal.

Como disse o goleiro Aranha, no caso de racismo de que foi vítima pela torcida do Grêmio: “muita gente sofreu para que hoje isso estivesse na lei”. No caso da remoção para barragens, quem sofreu, por exemplo, foram os Waimiri Atroari. Na época, durante o regime de Exceção, a ditadura cumpriu a lei. Havia uma previsão legal que permitia a remoção compulsória de povos indígenas no Estatuto do Índio (Lei 6001/73). Acontece que muita gente sofreu, e vieram os direitos constitucionais. A Constituição Federal, no parágrafo quinto do artigo 231, veta a remoção, e as únicas exceções possíveis são o caso de epidemia e catástrofe, ainda com referendo do Congresso Nacional. E os removidos devem retornar ao seu território em seguida. Continue lendo “Governo quer remover aldeias e alagar área indígena para construir usinas no Tapajós, por Felipe Milanez”

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Abertas inscrições para seleção dos membros do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura

pau de arara torturaPor Ascom OAB RO

Está publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira (25) o edital de seleção dos onze membros do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), instituído pela Lei nº 12.847, de 2 de agosto de 2013. As inscrições são online e seguem até o dia 8 de outubro.

Os candidatos devem ter experiência na área de prevenção e combate à tortura, principalmente em inspeção, fiscalização e monitoramento de locais de privação de liberdade. Também serão considerados os critérios de diversidade de formação profissional para assegurar a multidisciplinariedade necessária ao seu funcionamento.

O processo de seleção será realizado em cinco fases: pedido de inscrição dos candidatos; publicação das inscrições deferidas e indeferidas; fase classificatória de análise dos currículos e das documentações comprobatórias; publicação dos candidatos classificados para a fase das entrevistas e fase de entrevistas com os candidatos classificados.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Vinicius Valentin Raduan Miguel.

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Velho Chico: Cavalo passa, mas balsa não

Travessia. Em alguns trechos do São Francisco, dá para atravessar a cavalo (Foto: Lincon Zarbietti/ O Tempo)
Travessia. Em alguns trechos do São Francisco, dá para atravessar a cavalo (Foto: Lincon Zarbietti/ O Tempo)

Velho Chico está tão vazio que encalha balsa, cavalo anda e poços secam

Queila Ariadne, O Tempo

Itacarambi. Em alguns pontos, já é possível atravessar o rio São Francisco a pé ou a cavalo. Mas, com tantos bolsões de areia, de balsa, a travessia está complicada. E esse não é nem de longe o maior dos problemas de quem mora em Itacarambi, às margens do Velho Chico. Com a seca prolongada, já falta água até mesmo para o consumo humano. Na comunidade do Pajeú, a 6 km do rio, o poço artesiano praticamente secou. “O rio fica baixo, a água não corre como antes e vem com muitos sedimentos que acabam entupindo os canos que levam a água até lá”, explica o fiscal assistente do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), João Ricardo Ferreira Mota.

“Já ficamos até três dias inteiros sem água. Tem quatro meses que não tomo banho de chuveiro, porque a água não consegue subir. O recurso é o caminhão-pipa”, conta João Dourado de Oliveira, 56, que não tem mais seus coqueiros nem pés de manga e laranja. Continue lendo “Velho Chico: Cavalo passa, mas balsa não”

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Nota de apoio da RBJA às comunidades quilombolas do Maranhão

Foto do site Atingidos pela Vale
Foto do site Atingidos pela Vale

A Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA) manifesta sua solidariedade a mais de 35 comunidades quilombolas do município de Itapecuru Mirim (MA).

Desde a última terça-feira 23 de setembro, centenas de quilombolas estão ocupando a Estrada de Ferro Carajás, operada pela mineradora Vale S.A..

Em nome de suas comunidades, exigem do governo federal uma série de medidas que garantam o direito dos quilombolas maranhenses a seus territórios. Além disso, questionam o processo de consulta em relação à duplicação da ferrovia e os impactos da mesma.

Vários quilombolas que ocuparam os trilhos iniciaram uma greve de fome. As principais lideranças das comunidades foram intimadas com medida de reintegração de posse, mas não pretendem deixar a ferrovia até suas reivindicações serem atendidas por uma equipe interministerial.

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