Morar Carioca: O Desmantelamento do Sonhado Programa de Urbanização para as Favelas

Figura-05.-CONCURSO-MORAR-CARIOCA

Este artigo é uma versão revisada de um trabalho apresentado na Reunião Anual da Associação de Geógrafos Americanos (Tampa, FL. Abril 2014)

Kate Steiker-Ginzberg* – Rio On Watch

Um arquiteto recentemente descreveu o programa Morar Carioca como “a maior promessa não cumprida” do Rio de Janeiro. Durante os últimos anos, vimos um projeto ambicioso e visionário de urbanização da favela ser incorporado dentro do legado das Olimpíadas, cooptado por interesses políticos, e abruptamente desmantelado sem grandes explicações.

Em 2010, o Prefeito Eduardo Paes incluiu o programa Morar Carioca como peça-chave no legado social dos Jogos Olímpicos de 2016. Formalmente uma extensão do programa Favela-Bairro, o Morar Carioca teria sido o programa mais abrangente de urbanização de favelas na história da cidade, construído em cima de uma geração de conhecimentos técnicos e arquitetônicos acumulados. Através da modernização com participação local das favelas e um orçamento de R$8 bilhões, o programa se comprometeu em integrar todas as favelas à cidade formal até o ano 2020. As obras de grande escala incluiriam melhorias no saneamento básico, instalações de esgoto, iluminação nas ruas, asfaltamento das ruas e calçadas, construção de espaços públicos verdes e áreas de recreação, melhoria na conectividade dos transportes, estabilização de moradias e a construção de centros de serviços sociais. Continue lendo “Morar Carioca: O Desmantelamento do Sonhado Programa de Urbanização para as Favelas”

Ler maisMorar Carioca: O Desmantelamento do Sonhado Programa de Urbanização para as Favelas

Suspeito de matar líder de acampamento de sem-terra continua foragido no Pará

Mais uma morte registrada no Sudeste do Pará devido a confitos agrários (Foto: CPT)
Mais uma morte registrada no Sudeste do Pará devido a conflitos agrários (Foto: CPT)

Elaíze Farias – Amazônia Real

A Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) de Marabá, no sudeste do Pará, continua fazendo buscas para localizar o principal suspeito de atirar contra o trabalhador rural Jair Cleber dos Santos, líder de um acampamento de sem-terra, morto na fazenda Gaúcha, em Bom Jesus do Tocantins, na segunda-feira (22). Uma das quatro pessoas feridas a tiros no conflito continua internada em estado grave no hospital da região.

O advogado Arnaldo Ramos, que defende o acusado pelo crime Reginaldo Aparecido Augusto, conhecido como Neném, disse à agência Amazônia Real que o suspeito se entregaria nesta quarta-feira (24), fato não confirmado pelo delegado Alexandre do Nascimento Silva. Continue lendo “Suspeito de matar líder de acampamento de sem-terra continua foragido no Pará”

Ler maisSuspeito de matar líder de acampamento de sem-terra continua foragido no Pará

Solução da crise do Rio São Francisco não depende só de chuva

Poucos quilômetros abaixo do ponto em que nasce, no Parque da Serra da Canastra, o curso d'água já exibe sinais de assoreamento. Processo de recuperação deve contemplar toda a bacia hidrográfica
Poucos quilômetros abaixo do ponto em que nasce, no Parque da Serra da Canastra, o curso d’água já exibe sinais de assoreamento. Processo de recuperação deve contemplar toda a bacia hidrográfica

Especialistas alertam que apenas a chuva, mesmo que venha com grande volume, não será capaz de devolver a vazão ao Velho Chico e reverter a crise que seca nascentes e afluentes

Luiz Ribeiro, Landercy Hemerson e Pedro Ferreira – Estado de Minas

São Roque de Minas e Montes Claros A estiagem que reduziu de forma drástica o volume do Rio São Francisco e pela primeira vez na história secou sua principal nascente faz com que as atenções se voltem para o  céu e para as previsões da meteorologia, à espera de que a chuva chegue para salvar o Velho Chico. Porém, especialistas alertam que nem mesmo a temporada chuvosa e um bom volume pluviométrico serão suficientes para a recuperação total, que depende do reabastecimento do lençol freático e de ações para a revitalização da bacia. Ninguém se arrisca a prever de quanto tempo o curso d’água precisará para superar a crise atual e, entre ambientalistas, há quem chame atenção para o fato de que o processo pode consumir anos. Sem garantias nem previsão de que a situação se normalize, a Câmara Consultiva do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco se reúne hoje em Belo Horizonte para discutir medidas emergenciais, entre elas a proposta de racionamento do uso da água. Continue lendo “Solução da crise do Rio São Francisco não depende só de chuva”

Ler maisSolução da crise do Rio São Francisco não depende só de chuva

Presidente da Funai deixa o cargo em meio a disputa do órgão com o Ministério da Justiça

Maria Augusta Assirati vai morar em Portugal, onde fará um curso de doutorado

Demétrio Weber – O Globo

BRASÍLIA — A presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Maria Augusta Assirati, deixará o cargo na semana que vem. Ela vai morar em Portugal, onde fará um curso de doutorado numa instituição de ensino portuguesa. Maria Augusta, que é advogada, está à frente da Funai desde junho de 2013, sempre em caráter interino. Antes ela foi diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai.

A saída de Maria Augusta ocorre num momento de tensão entre o órgão, enfraquecido no governo da presidente Dilma Rousseff, e o Ministério da Justiça. Na semana passada, Maria Augusta deixou de ir a Nova York, onde representaria o governo na Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas no âmbito das Nações Unidas (ONU), um dos eventos paralelos à Assembleia-Geral da ONU.

A autorização para a presidente da Funai viajar a Nova York chegou a ser publicada no Diário Oficial, como de praxe, assinada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo – a quem a Funai está subordinada. Maria Augusta desistiu de ir, contudo, ao saber que Cardozo a substituiria na Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas, como acabou ocorrendo. Continue lendo “Presidente da Funai deixa o cargo em meio a disputa do órgão com o Ministério da Justiça”

Ler maisPresidente da Funai deixa o cargo em meio a disputa do órgão com o Ministério da Justiça

MPF/RO: indígenas podem concorrer a bolsas de estudos em faculdade

Após termo de cooperação firmado com o MPF, faculdade São Lucas oferece bolsas integrais a indígenas. As inscrições já estão abertas para os cursos que se iniciam em 2015

Âmbito Jurídico – As inscrições para o 1º processo seletivo de 2015 da faculdade São Lucas iniciaram-se em 1º de setembro e seguem até 10 de outubro. Entre as vagas oferecidas estão cinco reservadas a indígenas, com bolsas integrais, e os interessados podem se inscrever pelo sitewww.saolucas.edu.br/vestibular ou na sede da Faculdade São Lucas das 8h às 19h30. Os candidatos indígenas pertencentes a etnias de Rondônia não precisam pagar a taxa de inscrição do vestibular.

Nesse vestibular, a faculdade oferece os cursos de Fonoaudiologia, Odontologia, Enfermagem (bacharelado), Biomedicina, Fisioterapia, Direito, Ciências Biológicas (licenciatura e bacharelado), Nutrição, Administração e Ciências Contábeis.

As vagas reservadas e o incentivo por meio de bolsas integrais fazem parte de um termo de cooperação entre o Ministério Público Federal em Rondônia (MPF/RO) e a Faculdade São Lucas, no qual a faculdade se comprometeu a oferecer, a cada ano, cinco bolsas integrais a indígenas, até o total de 25 vagas.

Neste ano, já foram oferecidas as cinco primeiras vagas e agora mais cinco vagas são oferecidas no novo processo seletivo para os cursos que se iniciam em 2015. Continue lendo “MPF/RO: indígenas podem concorrer a bolsas de estudos em faculdade”

Ler maisMPF/RO: indígenas podem concorrer a bolsas de estudos em faculdade

Técnicos avaliam usina no rio Tapajós como inviável por impactos para índios

Segundo o estudo, dos 14 impactos causados com a construção da usina, 6 seriam considerados irreversíveis para a população indígena - Gustavo Miranda / Agência O Globo
Segundo o estudo, dos 14 impactos causados com a construção da usina, 6 seriam considerados irreversíveis para a população indígena – Gustavo Miranda / Agência O Globo

Perda de recursos alimentares e aumento de doenças entre os índios estão entre os possíveis prejuízos que seriam causados

Danilo Fariello – O Globo

BRASÍLIA – A nova versão do Estudo do Componente Indígena (ECI) incluído no projeto da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, no Pará, aponta 14 impactos negativos à população indígena que vive na região que será afetada pela usina, sendo que seis deles são considerados irreversíveis por técnicos do governo que tiveram acesso ao material.

Além disso, o estudo de 309 páginas elaborado sob a coordenação da Eletrobras, ao qual o GLOBO teve acesso, indica que terras indígenas serão diretamente afetadas com o alagamento por consequência da barragem, o que tornaria o empreendimento inviável do ponto de vista ambiental, segundo esses técnicos. Continue lendo “Técnicos avaliam usina no rio Tapajós como inviável por impactos para índios”

Ler maisTécnicos avaliam usina no rio Tapajós como inviável por impactos para índios

Do Maranhão: Um manifesto ao povo brasileiro

maranhao manifesto

Publicado em Vias de Fato

Manifesto

Fome, violência, desemprego, tráfico de drogas, analfabetismo, despejo, pistolagem, insegurança, racismo estatal, mortalidade infantil, sucateamento das escolas públicas, hospitais que mais parecem praças de guerra, trabalho escravo e precarizado, corrupção, desastre ecológico! Tudo isto faz parte da rotina do Maranhão, que vive hoje várias situações de barbárie e de absoluto desrespeito aos direitos fundamentais das pessoas.

Entre os anos de 2000 e 2012, o Maranhão foi o estado brasileiro onde mais cresceu o número de assassinatos. Neste período, o aumento foi de alarmantes 408%! Desse total de mortos, 85% foram de negros. Entre 2003 e 2013, para cada quatro bolsas família distribuídas aqui, foi gerado apenas um novo emprego! Esta relação entre geração de emprego e bolsa representa apenas 20% da média nacional. Além disso, somos o estado que mais recebe estas bolsas, com quase 60% das famílias que vivem no Maranhão sendo atendidas pelo Programa. Não é por acaso que hoje temos um milhão e meio de maranhenses vivendo fora, num exílio, em busca de trabalho. No Brasil, ninguém migra mais de sua terra que os maranhenses. Continue lendo “Do Maranhão: Um manifesto ao povo brasileiro”

Ler maisDo Maranhão: Um manifesto ao povo brasileiro

Conselho de Caciques de Santa Catarina recusa criação do INSI

Conselho de Caciques- SC

Nós, caciques das Terras lndígenas Xapéco-SC, Chimbangue-SC, Kondá-SC, Toldo Pinhal-SC, Toldo Imbú-SC eAraçaí-SC, vimos através do nosso Conselho de Caciques, manifestar nosso repúdio a criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena (INSI).

Nossa indignação reside no fato de que, em nenhum momento fomos consultados sobre a adoção de tal medida pelo governo federal através do Ministério da Saúde, o fato de que a proposta do governo federal de criar o Instituto ter sido aprovada no Condisi Interior Sul não significa que haja a concordância das comunidades indígenas, por isso queremos  a  presença  de  alguém  do  Ministério da Saúde ou Sesai, para que, a luz do que reza o artigo 6° da Convenção 169 da Organização Internacional do trabalho, sejamos devidamente consultados.

Em que pese a falta de consultas aos povos indígenas, bem como os repetidos equívocos na execução da política de saúde indígena, que se quer saiu do papel após a criação da Sesai, nos indigna a criação de instâncias que burocratizam ainda mais a execução da política, deixando nossas comunidades a mercê dos caprichos e devaneios das autoridades e pretensos representantes indígenas, que a fins inconfessáveis se apressam em apoiar tal absurdo, nós membros do Conselho de Caciques não admitimos que ninguém nos represente, sejam  indígenas  ou organizações indígenas, sem nosso mandato expresso, muito menos decidir por nós questões  relevantes  do interesse de nossas comunidades.

Tal iniciativa deixa flagrante a privatização da saúde indígena afastando cada vez mais o Estado brasileiro de seu compromisso constitucional de prover política pública para as populações indígenas, dificultando ainda mais o acesso das mesmas a uma saúde de qualidade. Continue lendo “Conselho de Caciques de Santa Catarina recusa criação do INSI”

Ler maisConselho de Caciques de Santa Catarina recusa criação do INSI

Presidente do Cremerj defende descriminalização do aborto

abortoIsabela Vieira – Repórter da Agência Brasil

Depois da morte recente de duas mulheres que recorreram ao aborto clandestino no Rio de Janeiro, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), Sidnei Ferreira, propôs hoje (25)  que o procedimento deixe de ser crime. Ele explicou que, com acesso ao sistema de saúde, a mulher que decidir interromper a gestação poderá fazê-lo de forma segura, evitando sequelas e complicações que podem levar à morte em falsas clínicas.

“O aborto é um problema de saúde pública que os Três Poderes precisam resolver. A sociedade tem de discutir esse assunto, para que seja liberado o mais rápido possível. Dentro das regras , mas o mais rápido que puderem. Se continuar sendo um crime, mulheres continuarão morrendo”, afirmou  Ferreira. Esclareceu que está é uma opinião pessoal e que podem pensar diferente os 42 conselheiros do Cremerj e os 58 mil médicos que trabalham no Rio.

Conforme levantamento do conselho, entre 2007 a 2011, 334 mulheres sofreram processos criminais pela prática do aborto. Muitas delas são moradoras do interior, da Baixada Fluminense e do subúrbio. No Brasil, pesquisas indicam que 1 milhão de mulheres fazem abortos clandestinos todos os anos. Dessas, 200 mil morrem em consequência da operação. Ontem (24), a Anistia Internacional defendeu que o aborto seja tratado como questão de saúde. Continue lendo “Presidente do Cremerj defende descriminalização do aborto”

Ler maisPresidente do Cremerj defende descriminalização do aborto

Aborto é problema de saúde pública, alerta Anistia Internacional

direito_ao_abortoAkemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil

A Anistia Internacional defendeu ontem (24) que o aborto seja tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos, e não criminal. O pedido pelo debate urgente no país veio depois da confirmação das mortes de Jandira Magdalena dos Santos Cruz, de 27 anos, e Elisângela Barbosa, de 32, após interromperem gravidez, de forma clandestina, no Rio de Janeiro.

No Brasil, estimativas apontam que em torno de 1 milhão de mulheres fazem abortos clandestinos todos os anos, e 200 mil morram em consequência da operação. De acordo com o cientista político e assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional Brasil, Maurício Santoro, a criminalização da prática também é um problema muito grave de discriminação socioeconômica.

“A gente sabe que nos casos em que as mulheres são presas porque abortaram, são os feitos em casa. Ela procura o hospital depois, e acaba respondendo a processo. Então, aquelas que têm condições de procurar uma clínica clandestina, de melhor qualidade, não são criminalizadas, porque não sofrem as consequências de um aborto mal feito. Essa é uma das perversidades do aborto ilegal”, segundo Santoro. Continue lendo “Aborto é problema de saúde pública, alerta Anistia Internacional”

Ler maisAborto é problema de saúde pública, alerta Anistia Internacional