Geralda Magela da Fonseca, a irmã Geraldinha: Marcada para morrer, por Lúcia Rodrigues

Irmã Geralda Magela da Fonseca, conhecida como “Irmã Geraldinha”
Irmã Geralda Magela da Fonseca, conhecida como “Irmã Geraldinha”
[Caros Amigos] Geralda Magela da Fonseca, a irmã Geraldinha, pode ser a próxima vítima do terror imposto pelos latifundiários que querem impedir o avanço da reforma agrária no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do país. A única plantação de alimentos que existe em Salto da Divisa é a do acampamento do MST. No restante das terras, só capim e poucos bois.

A luta pela terra no Brasil ainda representa risco de morte para quem defende sua divisão. Reforma agrária são duas palavras que quando conjugadas se tornam malditas nos rincões controlados pelo latifúndio. O poder dos coronéis é lei nesses lugares. Domina tudo: desde a política local à rádio que veicula as notícias. Tudo, absolutamente tudo, é subjugado à lógica de uma oligarquia rural que atravessou séculos intacta e permanece com praticamente a mesma força discricionária do passado.

A pequena Salto da Divisa, município localizado no nordeste mineiro do Vale do Jequitinhonha, é o exemplo gritante dessa realidade. Latifúndio e terror se conjugam contra aqueles que ousam se levantar em defesa da reforma agrária. O pavor de retaliações fez com que vários entrevistados pedissem para não ter os nomes revelados. A reportagem acatou a solicitação e decidiu atribuir nomes fi ctícios a todos os entrevistados ligados ao MST, menos a Geralda Magela da Fonseca, a irmã Geraldinha, ameaçada de morte pelo latifúndio.

A freira dominicana que vive há mais de três anos no acampamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) Dom Luciano, onde residem 75 famílias, se transformou no alvo preferencial dos latifundiários. É dela a principal voz que se ergue para denunciar as arbitrariedades dos donos da terra na região. A atitude corajosa rendeu a ira dos que teimam em perpetuar a situação de injustiça.
Irmã Geraldinha convive há meses com o medo de ser assassinada a qualquer momento. No princípio, as ameaças chegavam pelo celular. Em um único dia, recebeu três ligações no aparelho. Do outro lado da linha, a pessoa não identifi cada transmitia sempre a mensagem de morte. O terrorismo psicológico fez com que a freira quebrasse o chip do celular. Agora poucos possuem seu novo número, e as ameaças deixaram de ser feitas por via telefônica. Chegam por companheiros que moram no acampamento e que ouvem dizer na cidade que ela está marcada para morrer. Continue lendo “Geralda Magela da Fonseca, a irmã Geraldinha: Marcada para morrer, por Lúcia Rodrigues”

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Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lança livretos sobre trabalho análogo ao de escravo

Trabalho escravo, vamos abolir de vez essa vergonha

Material foi produzido para esclarecer dúvidas sobre o assunto, trazendo informações e dados atualizados

Ecodebate – O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançará na próxima semana dois livretos com esclarecimentos e dados sobre trabalho análogo ao de escravo no Brasil. O material será apresentado durante o 1º Encontro Nacional sobre Trabalho Escravo, que será realizado entre os dias 25 e 27 de maio, em Brasília. O evento será realizado pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).

Tendo como principal objetivo informar e esclarecer a população sobre a questão do trabalho análogo ao de escravo no Brasil, um dos livretos é composto de perguntas e respostas. O material foi elaborado pela Área Internacional da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do MTE, SDH/PR e Ministério das Relações Exteriores, por meio da Divisão de Temas Sociais. Seu conteúdo traz informações sobre o que é o trabalho escravo; ações do governo brasileiro para sua erradicação, o Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, a Conatrae, o Grupo Móvel, reintegração social dos resgatados, prevenção de reincidência, entre outros. Continue lendo “Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lança livretos sobre trabalho análogo ao de escravo”

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Denúncia: Comunidade Kaingang será removida a força do Morro Santana, Porto Alegre, nos próximos dias

Na última quinta-feira (20) aconteceu na 6 Vara Ambiental, Agrária e Residual do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre a última Audiência para operacionalização do cumprimento da ordem liminar de reintegração de posse movida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul contra a Comunidade Kaingang do Morro Santana. Presidida pela juíza Clarides Rahmeier a audiência contou com a presença de representantes do Ministério Público Federal e da Fundação Nacional do Índio, dos Departamentos Jurídico e de Segurança da UFRGS, oficiais de justiça federal, pesquisadores da antropologia, e também do líder da Comunidade kaingang Eli Fidelis e do representante kaingang da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPIN SUL) Jaime Kêntag Alves.

Por diversas vezes durante a audiência os líderes kaingang buscaram a palavra mas foram impedidos pela juíza com a justificativa de que aquele era um momento de operacionalização da remoção. Ainda que interrompido pela juíza, o líder Eli afirmou que sua comunidade resistirá a remoção uma vez que seus direitos como indígena que não foram respeitados nem considerados pela decisão do tribunal em audiências anteriores.

Os representantes da UFRGS tentaram ainda negociar uma retirada pacífica da comunidade de sua área, mas foram impedidos pela juíza com o argumento de que o tempo de negociação havia acabado. Representantes do MPF e da FUNAI pediram garantias de que os kaingang continuarão tendo acesso à área uma vez que ela é reconhecidamente um importante espaço de coleta de cipós, taquara e ervas para sua medicina tradicional. A universidade consentiu reconhecendo que o Morro Santana vem sendo tradicionalmente manejado pelos indígenas há 20 anos sem qualquer ônus. Continue lendo “Denúncia: Comunidade Kaingang será removida a força do Morro Santana, Porto Alegre, nos próximos dias”

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Proteção das Terras Guarani garante a preservação da Mata Atlântica

A proteção do meio ambiente e a dos direitos territoriais indígenas, além de consagrados na Constituição, possuem um horizonte comum

Bianca Pyl, Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP)

Na semana em que as atenções se voltam para a Mata Atlântica, devido ao Dia Nacional desse bioma – comemorado em 27 de maio, é impossível esquecer dos Guarani, um povo indígena que luta pela preservação da mata, da qual depende diretamente para manter seu modo de vida. “O povo Guarani sempre foi o mais interessado em preservar a Mata Atlântica e continua sendo o que mais preserva porque não estamos preservando somente a mata, estamos preservando a nossa cultura. Onde ainda tem um restinho dessa mata é porque ali vive o povo Guarani”, define Antônio Carvalho, o Werá Kwaray, da aldeia Boa Esperança, no município de Aracruz (ES).

Os Guarani constituem a maior população indígena em área da Mata Atlântica. Cerca de 90% das 120 terras Guarani situadas nas regiões Sul e Sudeste estão localizadas em meio a esse bioma.   Isso não é por acaso, o bioma é o local privilegiado para sua cosmologia e para a constituição do tekoa, conceito que diz respeito à realização do seu modo de ser. “Para nós, povo Guarani, é a natureza que foi preservada, nós entendemos que ela é um espaço muito importante para o povo Guarani. E também para o povo Guarani ela é bastante sagrada, ela precisa ser preservada. Nós entendemos que ela não é importante só para o povo Guarani, por isso ela deve ser preservada, não só pelo Guarani, mas pela sociedade branca, o próprio governo precisa fazer com que essas áreas não seja destruída”, relata Maurício da Silva Gonçalves, da aldeia Estiva, em Diamante (RS). Continue lendo “Proteção das Terras Guarani garante a preservação da Mata Atlântica”

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Seu Benedito, líder quilombola do Amapá, continua escondido na mata. E denúncia só ontem chegou ao Legislativo e à mídia

Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br

Ontem (24), durante pronunciamento, a deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) denunciou na Câmara dos Deputados a ameaça de morte feita contra o líder quilombola Benedito Anunciação Furtado. As informações são do jornal Diário do Amapá.

Furtado pertence ao quilombo Kulumbu do Patualzinho, localizado no Amapá, na fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa, mas vive atualmente escondido, com a família, na floresta.  Segundo a Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Amapá (Conaq/AP), o líder estaria sofrendo ameaças de um grileiro e garimpeiro conhecido como Açaí.

Apesar de já ter sido reconhecido pela Fundação Palmares, o quilombo Kulumbu do Patualzinho ainda não foi demarcado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e existe interesse na área por parte de particulares e grupos que pretendem expulsar as famílias, segundo denuncias da Conaq.  A deputada Janete afirmou que irá pedir à Polícia Federal que dê segurança ao líder ameaçado, e ao Incra, que acelere a demarcação da área.

http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=355784

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Internacional: Amazonía de Bolivia sufrirá impacto ambiental por represa en Río Madera

Servindi, 25 de mayo, 2010.- La privatización de la cuenca del río Madera en la frontera entre Brasil y Bolivia para proyectos energéticos provocará un alto costo socio-ambiental a las poblaciones ribereñas y comunidades indígenas del lado boliviano, informaron representantes de organizaciones e instituciones de la región norte de ese país.

Según datos contenidos en el Estudio de Impacto Ambiental elaborado por la Autoridad Brasileña del Medio ambiente (IBAMA)  el área de inundación llegará hasta Bolivia, lo que quiere decir que ya no habrá más variación estacional del nivel del agua.

La construcción de represas brasileñas que obedecen a un ambicioso proyecto energético del gigante amazónico rompe con tratados internacionales y coloca a las poblaciones bolivianas del norte amazónico a merced de una serie de flagelos. Entre ellos, inundaciones, epidemias, cambio climático, pérdida de biodiversidad y decadencia de la economía agro extractivista local. Continue lendo “Internacional: Amazonía de Bolivia sufrirá impacto ambiental por represa en Río Madera”

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Novas informações sobre a estudante africana agredida na UFBP

Segundo Eduardo Fernandes, Coordenador da ONG de apoio jurídico popular Dignitatis, a Comissão de Direitos Humanos da UFPB foi acionada, assim como o Procurador da República  e Professor da UFPB, Dr. Duciran Farena, que é o atual Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos da Paraíba. Para Eduardo, “além das manifestações, solidariedade e apoio, devemos procurar os meios institucionais para que o caso não entre no esquecimento coletivo esquizofrênico do dia-dia”.

Hoje, em matéria veiculada pela TV Local,  a Delegada reforçou a sua fala, dizendo que, se as lesões são leves, não há racismo. Para a Dignitatis, entretanto, “as lesões na alma de uma mulher negra, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, não constituem apenas uma tipificação penal. São a reprodução da violência simbólica de nossa sociedade e instituições”.

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Estudante africana é hospitalizada após ser agredida dentro da UFPB

Marcelle Ribeiro, O Globo, TV Cabo Branco

JOÃO PESSOA, SÃO PAULO – A estudante de Letras Kadija Lu, de 23 anos, foi xingada de “negra-cão” e agredida a chutes dentro do campus da Universidade Federal da Paraíba na noite desta segunda-feira. O agressor, um vendedor de cartões de crédito, foi ouvido pela polícia e liberado. A delegada Juvanira Holanda, da 4ª Delegacia Distrital de João Pessoa, informou que ele não responderá por racismo nem por lesão corporal. Segundo ela, o rapaz está sendo investigado apenas por injúria e vias de fato.

“Para caracterizar racismo tem que ter uma série de coisas. Não é só chegar e falar ‘sua branca’, ‘seu negro’ ou ‘seu negro safado’ “

Para a delegada, chamar uma pessoa de ‘negro’ não configura crime de racismo e chutar o abdômen não é lesão corporal. Segundo a delegada, uma testemunha afirmou que o acusado disse “pega essa negra-cão” durante a confusão que se formou no campus, quando a estudante foi tomar satisfação com o vendedor de cartões por um gesto obsceno que ele teria feito para ela.

– Não houve racismo. Para caracterizar racismo tem que ter uma série de coisas. Não é só chegar e falar “sua branca”, “seu negro” ou “seu negro safado”. Só caracteriza racismo quando, por exemplo, você impede o acesso de um negro a educação – afirmou a delegada. Continue lendo “Estudante africana é hospitalizada após ser agredida dentro da UFPB”

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Municípios do Maranhão e Piauí entre os que mais desmatam o Cerrado

 Autor: Foto: Correio Braziliense

Balsas (MA) e Ribeiro Gonçalves (PI) , mostram que a opção de modelo rumo ao crescimento naufragou com o passar dos anos

Desenvolvimento: Ribeiro Gonçalves, no Piauí, com 6 mil habitantes, e Balsas, no Maranhão, com 100 mil, mesmo bem distintas, mostram que a opção de modelo rumo ao crescimento naufragou com o passar dos anos. A relação com o cerrado, a opção de desenvolvimento econômico adotada e os prognósticos desenhados para os próximos anos aproximam duas pequenas cidades no Nordeste brasileiro. Ribeiro Gonçalves, no sul do Piauí, recebeu as primeiras grandes plantações de soja e milho no fim da década de 1980. Quase 20 anos depois, continua liderando os índices de desmatamento do cerrado. Balsas está no sul do Maranhão e é outra cidade desde a penetração da soja, há 15 anos.

Na última safra do grão, foi colhido 1,1 milhão de toneladas, uma produção que só foi possível a um custo de 455 quilômetros quadrados de cerrado devastados entre 2002 e 2008. Tanto Ribeiro Gonçalves quanto Balsas já sentem os efeitos da estagnação econômica: o Produto Interno Bruto (PIB) per capita recuou entre 2003 e 2007. Continue lendo “Municípios do Maranhão e Piauí entre os que mais desmatam o Cerrado”

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Crise ecológica, capitalismo, altermundialismo: um ponto de vista ecossocialista – por Michael Löwy

 

Unisinos – Os ecologistas se enganam se crêem poder abrir mão da crítica de Marx ao capitalismo: uma ecologia que não leve em conta a relação entre “produtivismo” e lógica do lucro está destinada ao fracasso – ou pior, à sua recuperação pelo sistema. Os exemplos não faltam… A ausência de uma postura anticapitalista coerente levou a maior parte dos partidos verde europeus – França, Alemanha, Itália, Bélgica – a tornar-se simples parceiro “ecoreformista” da gestão social-liberal do capitalismo pelos governos de centro-esquerda. A opinião é de Michael Löwy em artigo para o n° 14 da revista Margem Esquerda reproduzido pela CartaMaior, 24-05-2010. Eis o artigo.

Grandezas e limites da ecologia

A grande contribuição da ecologia foi e continua sendo nos fazer tomar consciência dos perigos que ameaçam o planeta como consequência do atual modelo de produção e consumo. O crescimento exponencial das agressões ao meio ambiente e a ameaça crescente de uma ruptura do equilíbrio ecológico configuram um quadro catastrófico que coloca em questão a própria sobrevivência da vida humana. Estamos diante de uma crise de civilização que exige mudanças radicais.

Os ecologistas se enganam se crêem poder abrir mão da crítica marxiana do capitalismo: uma ecologia que não leve em conta a relação entre “produtivismo” e lógica do lucro está destinada ao fracasso – ou pior, à sua recuperação pelo sistema. Os exemplos não faltam… A ausência de uma postura anticapitalista coerente levou a maior parte dos partidos verde europeus – França, Alemanha, Itália, Bélgica – a tornar-se simples parceiro “ecoreformista” da gestão social-liberal do capitalismo pelos governos de centro-esquerda. Continue lendo “Crise ecológica, capitalismo, altermundialismo: um ponto de vista ecossocialista – por Michael Löwy”

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